Fechamentos – parte 2
Dia 4 já se foi, há dois dias.
E nesse meio tempo, marcamos enfim a data do nosso casamento: 6 de março de 2010. Nossa segunda festa, com famÃlia e alguns poucos e velhos amigos (que também podemos chamar de famÃlia). Teremos uma pequena recepção, um bispo que nos abençoará – sim, porque fé nunca é demais, e boas energias idem – e um lindo papel onde assinaremos nossos nomes e selaremos aquele famoso compromisso.
Foram dias de cartório, de taxas, de testemunhas. Dias de encontrarmos enfim a melhor combinação entre custos e benefÃcios para recepcionar quem fará parte desse dia. Nosso dinheiro já virou passado. Pai e mães estão nos salvando, nessas que são as últimas grandes pendências que temos nesse momento. Virão outras, mas esperamos nos recuperar em breve (com muito trabalho, já que nenhum dos dois vem de berço de ouro).
Então ficamos assim quanto a datas:
27 de fevereiro: chá/beer bar com os amigotudo.
6 de março: brunch de casamento com famÃlias.
Eu adoro fechamentos.
Fechamentos – parte 1
Enfim, novela terminada, ou quase.
Mas o final a gente já sabe, e a previsão é que entreguemos o registro do imóvel de volta pra Caixa no dia 22. Sim, o apartamento já é nosso, graças a Deus e a todo o esforço que não economizamos em fazer desde aquele dia em que saÃmos para, desprentiosamente, darmos uma olhada nos apartamentos do prédio que fica três ruas abaixo do nosso eleito.
Hoje foi um dia muito intenso. De noite mal dormida, pra mim e pra pequena. Encontramos nossos amigos-vendedores e sua filhota pouco depois das 10h na Caixa da Francisco Morato, onde a representante-toupeira da Fanel já nos aguardava à distância (com medo de um uppercut ou coisa que o valha, dado o relato anterior cometido nesse blog). Entramos e subimos para assinar o contrato, e uma hora depois os papéis estavam todos assinados. Muitas vezes. E dois dos três pagamentos efetuados, faltando o último, a ser feito no cartório de registros imobiliários, naquele cubo mágico chamado Liberdade.
No caminho, passando um calor condizente com o tamanho da tensão que esse processo causou, um mundo de coisas passou pela minha cabeça: desde aquele sonho distante sobre o dia em que moraria sozinho, passando pelas desilusões que tive pelo caminho até encontrar a Debs. Pensei muito nos meus pais, em especial no Carlão, que não está aqui pra ver de perto essa conquista que é a maior da minha vida até agora, mas que certamente está brindando nosso sucesso com uma latinha de Leite Moça. Lembrei de todos os sapos que tivemos que engolir pra chegar onde chegamos. Nos riscos que corremos, e de que forma nos planejamos pra driblar o desemprego, o orçamento apertado, as diferenças. Deu tudo certo. Cheguei ao cartório.
E ao entregar aquele papel e receber um protocolo dizendo que dali a 15 dias poderÃamos encerrar essa jornada em segurança, com as chaves prontas a serem entregues, o sentimento de alÃvio sobrepôs todos os outros. Veio abaixo a tensão, o cansaço, o esgotamento de só quem sabe o quanto batalhou poderia sentir. Nossa maior vitória aconteceu. Dia 3 de fevereiro de 2010. Não esqueceremos esse dia.
E o dia 4 vem aÃ.
Cansa, sabe?
Falta só um dia, em teoria.
Mas nesse processo de compra de imóvel a gente aprende e passa por muita coisa durante todo o processo, que nem é tão demorado assim. Vendo de fora, 3 meses passam voando (o reveillon foi ontem, e janeiro já é passado). Nesse aprendizado, inclui-se o tratamento entre compradores, vendedores e intermediários, o lidar com a burocracia, e principalmente o exercÃcio da paciência.
Descobrimos que algumas instituições no paÃs funcionam de forma séria, e outras, nem tanto. Que documentos e mais documentos existem e se batem por aÃ. Que existe boa-vontade e cumplicidade mesmo em relações comerciais, onde cada um poderia olhar somente para o próprio umbigo (nossos vendedores foram absolutamente parceiros do inÃcio até esse quase fim de negociação, e Mauro e Bruna fazem parte de nossas listas de e-mails daqui em diante)…
…mas também existem descompromisso e desinteresse, e esse foi o destaque negativo que nossos representantes imobiliários da Fanel Imóveis vêm demonstrando principalmente na fase final desse processo. Eu e a Debs fomos destratados por escrito, com e-mails tratando de assuntos desatualizados, desencontrados e incondizentes com as situações pelas quais o processo se encaminhou. “Se não conseguiram os recursos do FGTS, que são mais baratos, paciência…“, “segunda-feira respondo com dados precisos a esta montanha de abobrinhas” ou “você não sabia que precisava levar a matrÃcula amanhã?” foram algumas das frases espetaculares à s quais tivemos que ter estômago para engolir durante esses infindáveis quase dois meses. Atropelos, descuidados e profissionais desqualificados deram o tom quando o nome “Fanel” aparecia em nossos e-mails ou em nossos celulares.
Portanto, mais do que o desafogo de amanhã enfim terminar essa novela relativamente rápida pra quem está de fora, mas longa demais pra quem a viveu de dentro, e enfim podermos falar que temos um apartamento, nos livrar da Fanel pode ironicamente tornar-se o motivo de maior comemoração. Porque nos irrita e desgasta demais lidar com gente incompetente em qualquer área da vida. Ainda mais numa tão grande, decisiva e cara como essa.
Serei muito feliz quando nunca mais tiver que tocar no nome desses caras.
Não recomendo a absolutamente ninguém.
O primeiro sonho
Sábado fomos ao casamento do André e da Sophie. Coisa bonita do inferno aquela tal de Catedral Metropolitana Ortodoxa. Pra quem gosta de arte sacra, é uma heresia não conhecer, e a cerimônia foi pra lá de bonita, com toda a pompa e circunstância possÃveis. De encher os olhos, e dar aquele arrepiozinho de quem está se aproximando de viver momento semelhante (mas em nada parecido). Em seguida, a festa com direito a danças gregas pra lá de divertidas e um menu que nos fez pensar em como existem mundos diferentes por aÃ. Mundos bacanas, mas MUITO diferentes (e por vezes, até inimagináveis)…
Pouco antes havÃamos passeado com pai e mães no Fast Shop, e assistimos à aula de barganha que o sogrão nos proporcionou antes de patrocinar três dos mais importantes Ãtens do novo lar: a geladeira (presente do avô), o fogão (presente dos sogros) e nossa lavadora e secadora (que serão quitadas em suaves prestações mensais por nós mesmos). E um Burger King antes de nos disfarçarmos de pessoas sérias em direção ao casamento.
Ontem, um desejo incontido de cerveja nos transportou ao Bar do Peixe, para estacionarmos do inÃcio da tarde ao inÃcio da noite nas mesinhas de madeira com amigos e os devidos adereços (com direito até a um parabéns a você surpresa – sem bolo, mas nem tudo é perfeito). Até o Timão oferece um gol de gentileza contra a porcada, e eu me sinto um cara bastante privilegiado na chegada aos 30.
Mas hoje, pra coroar a boa maré e premiar a resistência e perseverança que eu e Debs tivemos durante os últimos dois meses, enquanto o FGTS não saÃa, ela me liga hoje perto da hora do almoço avisando que temos dia e hora pra enfim assinar o tão sonhado contrato de compra do apartamento. Quarta-feira logo cedo estaremos realizando o primeiro dos dois grandes sonhos deste ano (e um dos maiores das nossas vidas).
Pra contrastar um pouco com toda aquela maré negra que rondou esses textos no segundo semestre do ano passado, principalmente. Aos poucos tudo vai entrando no eixo, e 2010 vai ganhando cara daquilo que prometia: ser o grande ano das nossas vidas. Está chegando a hora de tudo mudar, e mudar muito…
Aos 30

Quando pequeno, eu imaginava que seria exatamente nesse momento que aconteceria a divisão entre a vida de gandaia e a formação de uma pesonalidade séria e responsável. Suposição de quem não conhecia a vida, nem como ela funciona. Acabei de sair de um casamento grego divertidÃssimo, com três belÃssimas doses de Red Label circulando pelo meu sangue a pleno vapor e o primeiro beijo balzaco da minha pequena, que esperou pacientemente por dez minutos com o celular na mão para que quando virasse a meia noite, pudesse ser a primeira a me desejar parabéns. Nada disso fora planejado em momento algum da minha vida.
Assim como a grande maioria das minhas vitórias e derrotas, perdas e ganhos. Assim como todos os que passaram pela minha vida, e ficaram (ou se foram). Notar esse tipo de sabedoria após três décadas, e continuar apaixonado por cada senão que a vida me traz faz desse dia 31 de janeiro – mais um desses – um delicioso deleite que traduz uma única coisa: satisfação. Pois tudo o que me cerca hoje poderia ser sim melhor (sempre qualquer coisa pode ser melhor), mas dentro do que tenho, não há uma vÃrgula a se reclamar. Minha vida segue gostosamente imprevisÃvel, cheia de sonhos e com a energia acumulada de quem hoje sabe onde investÃ-la.
Aos 30.
Paredes brancas
Lembro que eu lia o Estadinho – o suplemento do Estadão que era comandado pelo Mauricio de Sousa todos os domingos. Não lembro se antes ou depois do inÃcio dos anos 90, mas sei que a variação era pequena. Oitenta e muitos ou noventa e poucos, num desses domingos a matéria de miolo daquelas quatro páginas era sobre coleções. O maior destaque entre os entrevistados era de um garoto que aparecia pendurado de cabeça pra baixo entre trocentas latinhas, de refrigerante e/ou cerveja, também não lembro. Afinal, já se passaram duas décadas dessas memórias.
Mas por algum motivo eu quis recomeçar minha coleção naquele instante. Sim, recomeçar, pois já havia feito uma dessas quando ainda morava em Santo Amaro, no sobradão de três andares. Meu quarto era gigante, e eu havia pegado emprestadas duas ou três caixas plásticas grandes do quartinho que meus pais usavam de dispensa. Creio que tenha conseguido acumular umas vinte ou trinta, quando dia desses cheguei da escola e minha mãe havia jogado tudo fora. Emputeci horrores, mas quando você tem menos de 10 anos, emputecer é tudo o que lhe resta.

Arrisquei. Peguei a tal página dupla, e fui todo pimpão mostrar a ambos o quanto aquela coleção gigante de 60 ou 70 latinhas do moleque era bacana. Pra minha surpresa, fui incentivado a recomeçar a minha. Mas antes, pedi pra minha mãe “não joga fora dessa vez, senão não vai adiantar nada guardar…”. Ela disse que tudo bem, e eu parti pra cima. Comecei, mas não foi com uma Coca-Cola, e sim com um Guaraná Antarctica. Eu acho.
E dali em diante, uma a uma, fui erguendo minhas prateleiras. Meu pai, pra minha enorme surpresa, era um entusiasta dos grandes daquelas fileiras de alumÃnio colorido. Topava parar no mais sombrio dos botecos em busca de um novo exemplar. Ainda achávamos algumas em foolha de flandres: Schincariol, Malt90 e uma tal Vodka Polska. Eram essas as enferrujáveis, minhas primeiras jóias. As únicas da espécie.

Vinham os grandes eventos: Copas do Mundo, OlimpÃadas, corridas de F1, patrocÃnios do Paulistão, festas juninas, Parintins, Natais e finais de ano. Tudo era motivo para um novo modelo, um rótulo inédito, mais 350 ml goela abaixo. E quanta porcaria bebemos: cervejas americanas (as piores disparado), japonesas, australianas, suecas, alemãs, inglesas, colombianas, cervejas sem álcool, uns sucos com polpa, drinques de tomate, vinhos, achocolatados, cafés gelados e outras substâncias difÃceis de identificar. De poucas sentimos saudade.
Herdei uma coleção de um dos amigos do Carlão. Chegaram em casa três sacos plásticos (dois grandes e um pequeno). Deviam ter ali umas 50 ou 60 latas… mais ou menos a coleção do moleque do Estadinho. Algumas latinhas vieram bem baleadas, mas eu não ligava. Vasculhava cada cor, desenho, capacidade, de onde vinham, tentava gravar cada nome pra depois poder contar que tinha conseguido uma cerveja de 278 ml do Uruguai assim assado. Sequer bebia quando já tinha mais de 200 latas. Minha primeira cerveja foi pra prateleira. Uma Budweiser, que tomei na cozinha aqui de casa, com meu pai e minha mãe. Achava aquele gosto de mijo gelado com bolhas uma coisa estranha (o máximo que eu bebera até o momento era o colarinho dos choppes do meu pai, ou um tiquinho das caipirinhas de steinhaeger que ele vira e mexe pedia. Beber além da espuma era uma novidade desbravadora, e ajudar a engrossar minhas fileiras – e consequentemente sumir cada vez mais com minhas paredes – me parecia um prazer pronto a ser vivido com mais participação a partir daquele momento. Por sinal, não me lembro de algum amigo que tenha começado a beber pra poder aumentar a coleção de latas. Meu pretexto era, além de propÃcio, bastante exclusivo.

Facilitei também a vida dos que vinham de fora. Tios, primos, amigos, conhecidos, pintavam por aqui vez ou outra uma nova meia dúzia de importadas. Vale lembrar que nem sempre comprar produtos estrangeiros foi fácil ou barato, e conseguir um exemplar gringo valia e muito. Crush, Mello Yello, Canada Dry eram nomes que eu gostava de ter por aqui em versões que não circulavam em nossas prateleiras (a Crush daqui vinha em latas laranja berrantes, enquanto a de lá de fora era predominantemente preta – do mal, ou seja, muito mais legal).
Tirei alguns armarinhos. Estreitamos as prateleiras (o vento as derrubava), e reorganizamos o quarto. Outro armário dançou, e então eu fiquei só com um, com as roupas apertadas, mas as latas derramadas ao redor das paredes. Meu quarto tinha agora uma acústica invejável, e cores por toda a parte. Acabaram as paredes, e as latas continuavam chegando aos montes. Aos poucos fui obrigado a frear, até parar.

Era impossÃvel limpar aquilo tudo, mas ainda assim eu e meu pai tentamos, por duas vezes. Minha rinite gargalhava do meu nariz vermelho, mas em tais oportunidades tiramos tudo, e limpamos, uma a uma, até recolocar no lugar. Cada vez que a arrumação terminava, elas pareciam ainda mais bonitas. Era uma paixão aquele ambiente completamente destoante da casa, onde imperavam os Ãdolos rockeiros, os livros e cds, e aquela cachoeira de alumÃnio. Cada um que entrava se assustava com a quantidade naquele quadradinho apertado.
E ela estacionou. A vida seguiu, e meu pai quis a coleção pra ele. “Quando você for embora, as latinhas ficam”, ele me disse. Eu topei, sabendo que elas estariam em ótimas e felizes mãos. Alguns anos passaram, uma ou outra chegava e encaixava em alguma fresta dos espaços. Até agosto passado chegar, e levar meu pai antes que eu pudesse lhe deixar as latinhas que ele tanto gostava e tanto ajudou a montar em minhas paredes. Três meses depois encontramos nosso (ainda futuro) apartamento, e começamos a mexer os pauzinhos pro casamento sair. Eu precisava de um herdeiro.

Encontrei, num amigão de agência, que tem um sÃtio que conheci neste final de semana. Lá estão, ainda amontoadas num cantinho e clamando por espaço, as 4500 latas do rapaz. Não tomaram sol, não acumularam poeira, e parecem tão bonitas quanto as minhas. Eu achei que seria uma boa forma de promover minha coleção a outro patamar, de milhar. Que não cabia no quadradinho, que descobri abrigar com aperto 700 e poucas unidades. Elas precisam respirar, e hoje, eu também. Iniciei as entregas, e hoje terminei de fechar o último dos 7 sacos de 100 litros, onde elas farão sua viagem pra Campinas.

E o quarto, que desde hoje à tarde faz até eco, tem em suas paredes as marcas onde cada uma montou residência. Vinte anos se foram, e hoje, quando eu olho em volta e tudo o que vejo é branco, percebo que mais do que latinhas, cada gole de cada uma valeu uma história. Muitas lembranças, de suas cores, de quem as dividiu comigo, de quem as trouxe e de quem se impressionou com aquele universo brilhante. Elas eram lindas, e continuarão sendo, mas na minha lembrança. Em lindos arquivos digitais que eu cuidadosamente registrei antes de tirá-las de seus postos. Será mais fácil limpar as paredes daqui em diante, mas as paredes não têm metade da graça que tinham antes. Fato é que o tal eco e a amplitude desse quarto deixaram a clarÃssima impressão da grande mudança – aquela, que o casamento deveria trazer, mas que ficou mesmo evidente pra mim quando derrubei a última lata da prateleira.
A vida, definitivamente, está (se) mudando.
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Pra quem não viu e ficou curioso, a coleção completa (que eu pretendo em breve publicar o arquivo fotográfico) foi registrada há uns anos. Não mudou muito desde então, e era assim:
Coleção é uma coisa que todo mundo devia fazer pelo menos uma vez na vida.
27 de fevereiro de 2010
Temos uma data. A primeira.
Pra começar com tudo, de verdade. O tal chá bar, chá de cozinha… aquela coisa enfim. Nós não gostamos de chá. Não tanto assim pra ele dar nome à nossa primeira festa como famÃlia. Não chamarÃamos tanta gente pra tomar um chá. Optamos pela boa, velha e consagrada combinação de cerveja+carne, com as devidas variações. Achamos um lugar bacana, onde cabe todo mundo. Dá pra conversar, dar risada, fazer graça, enfim, celebrar.
Marcamos a data. A primeira, um pouco antes do casamento pra valer. Porque não vamos fechar igreja, nem fazer dia de noiva. Estaremos em etapas, perto de todos. Os de longa data, os de sangue, os de mesa, os da vida. O primeiro capÃtulo dessa novela curta mas bem gostosa que é nosso casamento já tem cara, e é essa:

E esses três parágrafos são apenas um registro, pra um dia, quando forem novamente lidos, nos lembrar de que tudo isso valeu a pena e que realizar um sonho desse tamanho é a coisa mais gostosa que existe. Começou, e agora é pra valer.
Se é errando que a gente aprende…
…é corrigindo os erros que a gente cresce. E aprende de verdade. E estou escrevendo issojustamente pra lembrar (e não ter que ser lembrado) disso, porque com quase 30 nas costas é hora de construir e aparecer pelas coisas boas, e não pelas ruins.
Pra quem está acostumado com recados rebatidos, esse não tem nada de misterioso não:
esse é pra mim, de verdade, e pra valer.
Um sábado em parágrafos
Depois de um final de semana extremamente corrido, cá estamos. E pra não passar por mentiroso, vamos detalhar nossa lista de coisas. Por exemplo, nosso sábado consistia em:
- lavar meu carro (fail);
- passar a limpo e ao vivo a lista de casamento;
- almoçar em algum lugar bacana;
- pesquisar lojas de colchão próximas de casa;
- ir ao chá bar do Clodolove (adorei o apelido).
Tarefas aparentemente simples. O carro não foi lavado novamente, uma vez que a higienização do menino (que era de fato o mais importante) foi orçada em 150 mangos, e levaria o dia inteiro. Comprei um kit limpeza no Carrefour e meti a mão na massa. O banco até que ficou mais limpinho, mas merece uma segunda mão. Enfim, muito dinheiro que eu não tenho força a gente a fazer coisas no braço mesmo.
Braço que parece ser desnecessário quando podemos fazer as coisas de casa, via internet. E a facilidade de montar nossas duas listas de casamento (na Americanas e na Preçolândia, pra quem já quiser nos dar uma força) nos poupou de gastar sola de sapato, até o momento em que a Anninha e o Kadu nos disseram que “é melhor conferir as coisas ao vivo… essa história de só ver pelo micro à s vezes pode ser uma baita furada”. Nos programamos para estar logo cedo na Preçolância, e assim o fizemos.
Nada como ouvir a voz da experiência. Além de notarmos que faltavam trocentas coisas à s quais nem havÃamos nos atentado, os copos que pedimos eram dignos de doses de licor, de tão pequenos. Mudamos várias coisas, riscamos outras, confirmamos a maioria e adicionamos o necessário. Já podemos divulgar…
…pois também resolvemos fechar o lugar da festa pros amigos. E assim que o e-mail do tal lugar chegar por aqui eu, divulgo o convite com datas e pormenores, tudo bonitinho.
Depois de passar duas horas analisando gôndolas de cima a baixo, fomos almoçar na maravilhosa Prato Cheio, lá na Regis Bittencourt. Churrascarias de estrada ou são um lixo ou são espetaculares, e esse é o caso da dita. Nada como um pedaço de cupim e um queijinho pra renovar as energias. Com o bucho cheio, seguimos…
…em busca de nossa cama. Resolvemos conferir qual era a do Shopping dos Colchões, na Raposo Tavares (com um nome desses, eu esperava um hangar lotado de colchões pra começo de conversa). Chegamos ao tal “shopping”, dentro do Extra, e qual não foi nossa surpresa ao sacar que aquele quartinho não era hangar nenhum. Viagem perdida, resolvemos meter as caras no Raposo Shopping, já que estávamos por ali mesmo.
Mais um erro. Um buraco, quase nenhuma loja, estacionamento improvisado e bagunçado, manobristas kamikazes, enfim… um chiqueiro. Resolvemos parar com essa história de arranjar sarna pra nos coçar, e decidimos partir para o último compromisso do dia, que era a festa do Clodô. Em Artur Alvim.
Ah, a Zona Leste… sempre tão distante. Mas fomos bem, sequer nos perdemos e chegamos na Cohab pra curtir nossa galera após uns 40 minutos. Um calor pra cada um, e dando uma força pra Lika e pro Marinho, revimos os amigos (Silvinha e Igão também apareceram por lá), comemos besteira, demos risada e saÃmos na chuva pra voltar pra nossa terra. Um sábado resumido em vários parágrafos. E no domingo, o que faltava tinha que sair. E saiu. Mas isso eu conto depois…
As coisas velhas, mas novas por aqui
Faz tempo que eu não mando uns comentários musicais aqui. Vamos brincar de falar sobre as coisas velhas que acabei de escutar e que vêm embalando minhas tardes e noites ultimamente:

Concert For George
Vários artistas (2002)
Esses shows-tributo normalmente são de uma pieguice sem fim. Chamam aquela dezena de artistas da moda, um ou outo com algum contexto, mas no final das contas a gente termina de assistir sentindo falta do original, uma vez que sua obra acaba sendo massacrada sem medo por “novos arranjos”…
Mas eu não sei o porquê pensei em algum momento que Concert For George faria parte desse meio. A produção musical de show é de Eric Clapton e Jeff Lyne, o que o isenta de qualquer suspeita quanto à qualidade do cast envolvido e dos tais novos arranjos (que foram somente enriquecidos, e não descaracterizados). Fazem parte do tributo os Beatles remanescentes, Tom Petty & The Heartbreakers, o saudosÃssimo Billy Preston, Jim Keltner e Klaus Voormann (que participaram do Concert For Bangladesh – Jim também tocou com os Traveling Wilburys), e mais vários outros artistas “menos famosos” que mereceram uma pesquisa paralela e não perdem em nada para os já citados. Além obviamente do set indiano de Ravi Shankar e sua filha, e da participação de Dhani Harrison (o filho do homem, e cuja imagem é assustadoramente igual à do pai) em praticamente todas as músicas.
O concerto em si tem as já tradicionais apresentações solo (cuja banda de fundo é conduzida por Clapton e Lyne), e um fechamento apoteótico com as últimas músicas sendo tocadas por praticamente todos juntos no palco. Repertório e arranjos espetaculares, apoiados em arranjos orquestrados. Emocionante, consistente e extremamente bem executado, o show é um primor de produção e deliciosamente tocante. Pra quem, que assim como eu, venera os Beatles e seu guitarrista mais talentoso (porque beatlemanÃaco tem seu preferido, e o meu é o George), é um verdadeiro deleite.
Live: 1975-1985
Bruce Springsteen (1986)
Live In Dublin
Bruce Springsteen (2007)
Deu vontade de ouvir o menino esses dias. Lembro bem que um dos cds que eu mais cacei (antes de lançarem no Brasil – o meu é importado) é o MTV Plugged do cara (não escrevi errado não, é elétrico mesmo). Bruce Springsteen é daquelas coisas americanas ao extremo, assim como a Estátua da Liberdade, o Burger King ou o Estado do Texas. É cafona gostar de um cara que fotografa a própria bunda presa num jeans e coloca na capa de um disco chamado “Born In The USA”… é praticamente um Galvão Bueno musical yankee.
Mas é bom, pra cacete. E a E Street Band é redonda demais, e toca muito. Fui atrás de um disco ao vivo do menino e trombei essas duas preciosidades: Live 1975-85 é de uma pegada excelente, no melhor estilo rockão da década de 80 (o álbum é de 1986). Poucas baladas e muita guitarra em 3 horas e meia de uma compilação de shows com o melhor do repertório da criança. Já Live In Dublin (2007) foi um tiro no escuro, sem olhar repertório nem nada, e a surpresa vem nos arranjos em parecria com uma Big Band espetacular chamada The Seeger Sessions Band. Gravado em 2006, prioriza um repertório Folk mas longe de ser monótono. Bruce vem envelhecendo com dignidade, e as raÃzes rockeiras do rapaz mostram-se aprimoradas, e especialmente nesse disco, equipando e acelerando o repertório da banda de apoio. De ouvir do começo ao fim fácil, fácil.
Esses foram os cometários da vez. Discos novos ou antigos, ouvindo e gostando, eu comento.






