365 dias

E quem disse que eu não conseguiria me livrar do estigma de que meus amores não duram mais que isso? Já estou com uma semana de gap…
E espero dizimar esse recorde. Mas isso é assunto pra mim e pra ela. Por aqui já chega né?
Ezekiel 25:17

Ninguém ofende como ele.
Nem mesmo eu chego perto da fúria que salta de seus olhos, literalmente.
Samuel L. Jackson é rei. Ofusca John McClane em “Duro de Matar”, Vincent Vega em “Pulp Fiction” e faz com que até “Serpentes A Bordo” valha a pena. Sim, pois do alternativo ao absoluto trash movie, ele diverte. E seus personagens são absolutamente maiúsculos, falando alto, se impondo na porrada e fazendo de cada berro do lado de lá uma gargalhada do lado de cá.
Mas não basta o caricato: ele também atua ferozmente. E bem. Pra cacete. Samuelzinho e um cara bacana, que certamente dividiria uma mesa de boteco com propriedade. E creio eu, depois de me escancarar de rir assistindo “Duro de Matar 3″ ontem, que ele merecia um muito obrigado em dois humildes parágrafos, deste que admira tudo quanto é tipo de vilão decente e suficientemente malvado pra fazer com que a gente torça é pra que o mocinho se estrepe antes dos créditos subirem.
Samuca, você é o cara. Matem saudades e agradeçam também:
————————————————-
PULP FICTION
Aquela do papagaio de gravata
Das incapacidades mentais dos seres humanos, uma das que pessoalmente mais me incomoda é a amnésia pós-sonhos. Depois de horas e horas envolvidos na realidade imaginária, tudo se esvai ao abrir do chuveiro. Péssimo hábito, por vezes inconveninente (dado que alguns sonhos são bem bons de se sonhar), que involuntariamente fazia parte do meu dia-a-dia, e responsável pela primeira frustração de vários dias.
Fazia. Pois pelo jeito a coisa mudou.
E eu lembro bem que tal problema começou a acontecer quando a vida boa acabou. Aquela, de cuidado de mãe e despreocupação com responsabilidades de adulto. E por anos e anos foi assim, quando sono significava pausa de rotina, fuga da realidade e descanso momentâneo. Mas as preocupações, paranóias e receios afundavam a cabeça no mesmo travesseiro que eu, e interferiam na memória, que era apagada ao abrir dos olhos.
De uns tempos pra cá a coisa toda começou a mudar. E os sonhos (absurdos de sempre, como eu cantando VinÃcius de Moraes de fraque num aniversário, ou dirigindo no meio da favela, entre outras bizarrices que só minha imaginação é capaz de fazer piada) começaram a fazer parte do dia, trocando a cara de frustração pela primeira chacota da manhã.
Mente em paz. Coração em dia. Algumas certezas na vida. E acho que a rotina vem ajudando muito para que a minha sanidade mental não tenha lacunas indesejáveis…
———————————————————————-
P.S.: E falando em piada, ontem à noite, jantando no Esfiha Imigrantes nos deparamos com a cena mais do que inusitada da famÃlia sentada à nossa frente: as crianças e a mãe comendo as (fantásticas e insuperáveis) esfihas, enquanto o pai conversava com todos chupando seis ou 7 nacos de limão. Purinho. Não colocou uma esfiha na boca, não bebeu nada, abriu a carteira, pagou a conta e foram-se todos. Ficou o dinheiro, e a nossa cara de “como?”…
E quando o assunto é futebol…
…nosotros, corinthianos, continuamos sendo alimentados com muita emoção (mas pode chamar de sofrimento, já que empatar com o Bragantino com um gol de pênalti não tem NADA de heróico), uma dose extra de puxa-saquismo de uma diretoria que está ainda apavorada com a perda do tÃtulo da Copa do Brasil, e de um time que ainda não tem a alma que um alvinegro exige (dado que fomos sabugados no único jogo onde isso não podia ter acontecido, e por aquela aberração da natureza chamada Charlie Bullet).

Mas ok. Ao menos era o Sport. Podia ser a LDU, e aÃ…
Efeito House

É uma seriezinha viciante. Quem assistiu à delicadeza do Doutor Gregory House (em episódios legendados, uma vez que a dublagem tupiniquim simplesmente mata o personagem) sabe bem que é impossÃvel ficar restrito a um episódio isolado da série, tal o carisma do filho da mãe.
Explica-se: sinceridade, e completa falta de pudor em qualquer tipo de resposta. Dr. House passa longe do politicamente correto, dando verdadeiros chutes na mandÃbula a cada diagnóstico prescrito por sua equipe. Fato é que o pouco caso com os sentimentos humanos (dado que o cara é um carrasco com absolutamente todo mundo que o rodeia) faz do personagem um anti-herói excepcional, uma vez que seu “foda-se way of life” resolve praticamente tudo o que é anomalia que surge em seu hospital: enche a cara de quÃmico, embebeda paciente, induz ao coma como quem leva para passear no parque. Enfim, um demônio.
Absolutamente adorável.
Mas acima de tudo, é sincero. Ao extremo, e notadamente machuca por diversas vezes, o que faz notar que de fato a hipocrisia é um câncer espalhado por todo e qualquer sentido do ser humano. E por vezes um soco na cara desses é tão necessário que parece óbvio, quando personificado na cara barbada do sujeito. Mas cadê a coragem pra que seres humanos como nós, sem tais “superpoderes” (leia-se que nossa cara de pau não é de madeira tão boa quanto à do rapaz), façamos o mesmo?
Fato é que uma vez (enquanto assistia à série recebi uma ligação) respondi ao telefone “dando diagnósticos” aos problemas indagados com a mesma propriedade e “sutileza” do rapaz. Puro vÃcio, mas o problema foi resolvido em instantes e por alguns momentos me achei bastante capaz de enfiar um bisturi numa aorta qualquer por aÃ.
É o método sem meios-termos que vicia. Assim como suas trocentas drogas auto-aplicadas, saboreadas, enfim… absolutamente imperdÃvel.
Segue um teaser aos que se interessarem (e ainda não conhecerem, se é que isso é possÃvel):
Ok…
Apesar de ter a completa consciência da merda alheia, deixemos que cada bunda faça a sua parte, enquanto eu cuido somente da minha.
Uma nuvenzinha de 25 primaveras
Foram muitos anos sonhando. Muitas investidas em barcas furadas, ou em trens bala seguindo em sentido oposto, ou ainda em balões de vôo raso, ou outros que voavam alto demais e caÃam de repente. A vida havia aprontado todas as viagens malucas possÃveis, até sorrateiramente surgir você.
Vinda de um abraço perdido num casebre afundado no meio de Pinheiros. A menina que fez bico quando me conheceu, há dois anos e meio atrás, e que pouco se fez notar na minha melhor festa de aniversário. Saiu de repente, pra me encontrar naquela noite perdida e no meu ombro chorar todas as mágoas das suas viagens perdidas, no mais absoluto silêncio, enquanto tio Morrissey fazia o mesmo nos falantes do lugar. Eu nada entendi, mas me apaixonei pelo teu abraço, que virou sinônimo de nós dois dali em frente.
O mesmo abraço que viria me reconfortar nas dores dos meus destinos tortos, e que me segurou antes que eu tombasse de vez na minha ida ao poço mais fundo. E me tirou de lá sem querer. E leu minha mão, e me chamou pra uma cerveja de segunda. E quando eu te beijei, apenas promovemos nosso abraço à quilo que já sabÃamos há tempos: que você e eu somos exatamente a mesma coisa.
E por isso mesmo a gente dá certo.
Portanto, hoje, no teu aniversário, eu é que te agradeço por estar fazendo de cada um desses dias uma festa. Que não tem hora pra acabar, e nem vai. A gente já deu certo e já se vai quase um ano nessa brincadeira toda…
Pode me levar pra casa. Pra sempre. Um beijo, Pequenininha.
E quando eu falo de coisas que gosto…
Banco Real / História, originally uploaded by Marcelo Masili.
…é exatamente isso aqui em cima o que eu quero dizer.
O(s) post(s) que não escrevi
Houve um tempo nessa vida em que tudo parecia absolutamente emocionante, pro bem e pro mal. Onde cada dia era uma dúvida, e cada despertar um desafio. E na ânsia se prolongar para todo o sempre o sentimento de juventude, encarava-se todo e qualquer tipo dessas situações sem muitas dúvidas: não havia escalada intransponÃvel, nem fôlego esgotável. Sobrevivia-se a tudo, para tudo se viver.
Pois bem. Esse tempo passou.
E veio a calma, o amadurecimento, o mau humor, a dor nas costas, a preguiça constante. E na dose certa, intercalando finais de semana no interior ou na praia, com alguns novos (ou outros, MUITO velhos) amigos, e dias de total e completo desuso corpóreo, a vida sossegou. O que veio com isso, o tempo pode dizer melhor que eu.
Assim, da mesma forma, vez ou outra a vontade de voltar a escrever acontece. Não da mesma forma intensa, cheia de cobrança como antigamente, mas de um jeito quase umbiguista, como registro de dias que têm passado e que já somam bons meses de histórias bem mais particulares do que públicas. Talvez de fato esse desinteresse de me fazer mais público, de ficar por aà fazendo da minha vida história de almoço tenha sim me tirado de circulação. Talvez aquelas N cobranças de ser ou parecer o que não sou também. Ou ainda aquele cuidado de só dizer aquilo que as pessoas precisam ou querem ouvir. Tanto faz.
O que eu sei é que, vez ou outra, é bom revisitar essa casa. Pra dizer que tudo vai bem, que não subi a parede de mais nenhum túnel; que meu emprego novo, que ia mal depois de ir bem, voltou a ir bem e hoje já não é mais novo; que meus desenhos vão ganhando cada vez mais cor (e não poderia ser diferente, dada a situação geral); que a Pimpolha (aquele montinho de pêlo branco de uns posts atrás) já está enorme e ganhou o domÃnio completo da casa; e que fazemos dez meses daqui a alguns dias. Enfim, pra deixar registrado que dias bons devem sim ser aproveitados, e não perdidos em meia hora de textos que necessariamente devem ser polêmicos, sofridos ou gratuitamente interessantes.
O mês que não termina
Convenhamos, nada melhor do que escrever um pouco após mais uma gloriosa vitória do alvinegro (e de virada, na casa do adversário, só pra completar a festa).
Faz falta escrever. Pra ser bem sincero, faz falta o ócio. Nem precisa ser o criativo, mas aquele preguicento mesmo, de se esparramar na cama e gastar alguns dvd’s madrugada adentro. Fato é que de alguns meses pra cá o foco na evolução profissional, e uma constante intenção de mudanças maiores de vida não têm deixado espaço pra certas “perdas de tempo” - que a gente sabe que de perda não têm nada.
A pequena vai muito bem, obrigado. A famÃlia nem tanto, mas deixemos pra lá e o tempo que resolva certas situações. E quanto ao trabalho, as coisas têm estado bastante agitadas. Fechei meu primeiro site há alguns dias, e anteontem fechei o segundo, que deve estar no ar em breve (e com link divulgado aqui). Mais do que isso, venho aprendendo na pancada a fazer a tal direção de arte que eu tanto queria, e a coisa toda é bem mais complexa do que eu imaginava. pra minha surpresa, venho dando conta do recado (apesar de algumas ameaças de úlcera que à s vezes pintam, mas nada que o cotidiano naturalmente não absorva). Além disso, há alguns dias recebi como reforço de time uma das grandes amigas da casa, que tem deixado meu sono mais tranqüilo e a mente mais solta para possÃveis novos projetos mais arrojados. Pra variar, é no trabalho e na pequena que ultimamente a energia se recarrega.
Dos outros momentos esporádicos e bem aproveitados, vem a madrugada dividida do último fim-de-semana assistindo ao inÃcio da temporada 2008 da Formula 1 (a menina dormia profundamente enquanto este animal brigava com o próprio sono assistindo à vitória do Hamilton - devido a esse vÃcio maldito que certamente me acompanhará até o fim dos dias e será motivo de futuras discussões, podem ter certeza disso); e claro, não poderia deixar de citar: o Cirque du Soleil vale cada centavo (dos MUITOS gastos). Coisa mais linda de espetáculo, que de tão mágico e inexplicável invoca sempre uma visita futura e uma lembrança saudosista logo após o final do espetáculo.
Enfim, o relato-diarinho está feito. Outros virão, enquanto março continua me sugando a alma. Quem sabe, ainda este mês. Ou não…








