9 de julho em 29 de dezembro
29/dez/2008 - dia 4
Centro, Buenos Aires
Estava (novamente) um céu azul tÃpico das cores da bandeira. Descansados pela manhã, pois percorremos somente as redondezas, saÃmos com calma à tarde pra sacar o que se passa pela 9 de Julio - aquela monstruosidade que faz Buenos Aires lembrar em determinados momentos a cidade de São Paulo. Ainda não constavam em nossos registros as famosas fotos da própria avenida, do obelisco, e uma geral da Casa Rosada. Além disso, vendo todo aquele novo ambiente e tantas coisas diferentes das que são cenário da rotina, encomendei à Debs algumas fotos que algum dia virarão desenhos como aqueles que eu já coloquei no portifólio. Convenhamos que produzir um material desse tipo é bem mais legal do que ficar caçando foto no Google…
Fomos devagar, sem pressa mesmo, curtindo o calçadão e aquele dia bonito. E algumas coisas aos pouco tornam-se evidentes:
- Se a Paulista tivesse 8 pistas de cada lado, e São Paulo um céu despoluÃdo, provavelmente se pareceria muito com a 9 de Julio;

- A tal Lei Cidade Limpa do Kassabão aqui em São Paulo evidencia-se quando você nota que o que mais existe nos prédios de lá são outdoors, letreiros, faixas e o escambau. Imaginar aquele lugar sem esse monte de sujeira, sendo que ele já é naturalmente bem do bonito dá um aperto de leve no peito;

- Como em qualquer lugar, os caras picham a cidade. Mas nota-se um tremendo movimento polÃtico e nacionalista por trás disso. O que não falta é stencil pelas ruas, praças e bairros. Claro que isso não é regra: havÃamos chegado lá logo após uma vitória do Boca Juniors no Torneo Apertura. Consequentemente…
Vale o registro de que, enquanto atravessávamos a Avenida, havia um cara esperando o semáforo de pedestres abrir. E enquanto isso, ele… escovava os dentes. De pé, ali, no meio da rua. Infelizmente não vimos se, onde e como ele cuspiu, mas cá entre nós: tenha santa paciência né amigo…
Do começo ao fim da avenida, a tarde passou e a noite chegou, com o Sol que desnorteia qualquer relógio. Voltamos à Casa Rosada pra trazer mais fotos bacanas de recordação - agora sem a ansiedade do primeiro dia e com alguns locais em vista além do já citado. A Plaza de Mayo é o local onde acontecem as manifestações populares e panelaços. É extremamente bem cuidada e toda florida. Novamente, gente aproveitando o local, lendo nos bancos e passeando com a famÃlia. Sarmiento ficaria orgulhoso.
E quando a Debs quis fotografar a Casa, de tanto nos afastarmos eu acabei soltando algo como “nossa, como é grande essa bagaça…”, que acarretou num ataque de risos da pequena que até hoje eu não sei bem explicar…
E continuamos o passeio…
O McDonalds de lá…
29/dez/2008 - dia 4
Recoleta, Buenos Aires
A Havanna é uma instituição argentina, de fato. Mais até do que Dieguito Maradona. A loja está espalhada aos quatro cantos, e nunca está vazia. Docerias e livrarias são encontradas por Buenos Aires a torto e a direito. Dizer que você viajou pra lá e não comeu um docinho ou não achou determinado livro é praticamente uma heresia.
Existe uma Havanna no Paseo De La Recoleta, que é o boulevard onde ficam as mesas dos melhores (dizem, porque é tudo caro demais) restaurantes, bares e afins do bairro. A Havanna porém não integra esse contexto, e continua tão acessÃvel quanto qualquer outra loja no paÃs.

Além da oportunidade única de se deliciar comendo os alfajores mais gostosos do planeta a preços módicos, a Havanna ocupa provisoriamente o lugar das nossas padarias (que inexistem por lá), sendo uma excelente opção para comer um sanduichinho e tomar um suco ou um chocolate com aquela qualidade a qual estamos acostumados quando passamos pelas filiais tupiniquins.
Alguns alfajores depois, voltamos ao Subte, e de lá, à Casa Rosada…
Internacionais somos nós, Colorado.

O que faz um corinthiano se orgulhar da equipe?
- Simples, histórico, evidente. Raça.
Mas agora, no intervalo do jogo e com a gente passeando em duas parcelas de dois a zero em cima das choronas gaúchas, o orgulho vem desse toque de bola bonito, desse futebol inteligente e bem jogado que o Todo Poderoso vem exibindo no “inferno”, que pelo jeito será um inferno mesmo pro coitado do Tite, provável ex-técnico do Inter.
Sim, já somos campeões. Se acontecer um absurdo matador e a gente levar 5 gols e perder o tÃtulo, este post registrará. Mas caso contrário, com a lógica prevalecendo, o Corinthians mostra mais uma vez que com um planejamento sério, um projeto de futebol e essa torcida maravilhosa que só nós temos mesmo, o resultado só podia ser esse: da série B à série A, campeões regionais invictos, e brasileiros novamente (sim, nosso 7º tÃtulo nacional, contra 6 das nossas freguesas).
Felipe, Alessando, Chicão, William e André Santos. Cristian, Elias e Douglas. Jorge Henrique, Dentinho e Ronaldo. Mano Menezes. Obrigado esquadrão, pela alegria proporcionada e por esse futebol bonito, competitivo e limpo que a gente espera encontrar na seleção (e não encontra). Mesmo com emoção, a segurança que existe num time que sabe tocar a bola, armar jogadas e chutar ao gol, e chutar pro mato quando necessário, nos faz relaxar durante uma final - quem diria! E obrigado ao Inter e a seu presidente, por valorizarem ainda mais a nossa conquista.
E aguardamos vocês, queridos amigos, no vôo de primeira classe que começa em 2010 e percorre o continente americano.
Evita, Sarmiento e a fé
29/dez/2008 - dia 4
Recoleta, Buenos Aires
Estando hospedados num bairro tão bonito como a Recoleta, seria uma verdadeira estupidez não explorá-lo um dia que fosse. Dada a nossa verdadeira via crucis do dia anterior, a Debs resseu chip sua câmera nos arredores.
Estávamos de fato a duas quadras do famoso cemitério da Recoleta, onde estão enterrados Evita Perón e Domingo Faustino Sarmiento, herói nacional e pouquÃssimo conhecido e comentado por aqui.
Vale o registro: Sarmiento em seu governo duplicou o número de escolas públicas na Argentina e construiu por volta de 100 bibliotecas, sendo o grande responsável por um dos hábitos mais evidentes do povo argentino: a leitura. Um exemplo a ser seguido por todo e qualquer governante responsável, que historicamente deixou como legado o desenvolvimento de um sentimento de cidadania que permanece aflorado até hoje, coisa que MUITO nos falta.
Porém, antes do cemitério, passamos pela Igresia de la Virgen del Pilar. Um lugarzinho lindo, com mais de 280 anos e cujo estado de conservação pode ser averiguado nos momentos inspirados da namorada deste que vos escreve:
SaÃmos de lá encantados com as imagens (que são completamente diferentes das que encontramos aqui, e muito mais expressivas nesse caso). A visita ao museu da Igreja custou coisa de $ 4,00, cujo valor é justamente revertido para a conservação do local.
De lá fomos ao cemitério. E aos que de fato esperam algo de outro mundo, novamente pelo menos os paulistas desanimam. O Cemitério De La Recoleta nada mais é do que um Araçá mais apertadinho e bem cuidado. E só. Vende-se na entrada o mapa das celebridades que por lá estão (mapa esse encontrado de graça num painel logo adiante no hall de entrada). Mas pelas placas lá de dentro, nota-se mesmo que os de fato importantes são Evita e Sarmiento. É bonito, é fotográfico. Mas nada além disso.
Após visitar os Ãcones polÃticos, resolvemos fazer uma pausa na Havanna antes de ir à Casa Rosada…
Los alfajores
28/dez/2008 - dia 3
Recoleta, Buenos Aires
Chegamos à Recoleta, e como já havÃamos reparado, existe um tipo de lojinha muito bacana na Argentina chamada Drugstore. Essas lojinhas fazem as vezes das docerias de bairro, e dos armazéns que temos por aqui. São basicamente um balcão de fachada, com trocentos tipos de salgadinho, doces, refrigerantes, sucos e porcarias. Ah sim, e água. Gelada. Vale sempre o registro, pois essa é uma necessidade que implicitamente surge por lá.
E pelo caminho em direção ao hotel, nos defrontamos com algumas drugstores. E surgiu a idéia (óbvia) de fazermos um test-drive de alfajores - a iguaria local e cuja qualidade é de arrebentar. Fizemos disso um hábito até o final da viagem, e toda noite colecionávamos alguns exemplares e modelos diferentes a serem degustados pouco depois na cama do hotel, assistindo VH1 ou algum filme com legendas portenhas.
Da nossa avaliação geral, destacou-se com méritos o JorgelÃn, da Jorgito, que é praticamente um Whopper de doce de leite com chocolate. Além de ser absolutamente delicioso, destaca-se do restante por ter 90g, ou seja, 40g a mais do que o restante da concorrência. Experimentamos os de grandes marcas, os de marcas locais e os vagabundos. Experimentar também vale a pena, pois nota-se que a Argentina está para o alfajor assim como o Brasil está para a caipirinha.
Obviamente que o JorgelÃn não foi fotografado. Devoramos antes de lembrar de registrá-lo. Mas a recomendação é daquelas experiências gatronômicas indispensáveis. E pra não passar totalmente batido, segue uma imagem encontrada na internê do salafrário:

(E antes que perguntem “mas e a Havanna?”, eu digo que a Havanna é um capÃtulo posterior. Mais um pouquinho só de paciência…)
Ah, Garfield…

O ser humano é uma coisa complexa, encantadora e apaixonante, e ao mesmo tempo extremamente irritante e insuportável em determinados momentos.
Quando não defendemos uma opinião, somos chamados de alienados. Quando sim, de bandeiristas. Quando não lutamos por algo em que acreditamos, de submissos. Quando sim, de baderneiros. Quando mentimos, não temos caráter. Quando somos sinceros, somos duros.
Somos sim tudo isso, o tempo todo, funcionando e nos encaixando conforme o contexto e a necessidade. Alguns exercem mais determinado perfil do que outros, e essa é a graça de cada um se moldar conforme sua cabeça lhe sentenciar.
O que cansa é o julgamento constante.
Porque a inflexibilidade, o orgulho, a ignorância e outros cânceres inerentes à espécie por vezes nos fazem arrepender de determinados rumos que demos aos nossos dias. Hoje por exemplo, em que afundei minha segunda-feira antes do meio-dia devido a um momento de defesa incessante aos direitos trabalhistas desses que como eu, se arrebentam todos os dias em prol de um bem comum, e que nem sempre são tratados com o devido respeito.
Faz parte. Foi assim em todos os outros lugares e continuará assim onde for.
E com isso, aumenta também o interesse coletivo em que o circo pegue fogo e que a violência e a falta de bom senso prevaleçam ante a argumentação e o diálogo. Calma amigos, a coisa não funciona assim. Funciona sim na apresentação de fatos, na habilidade de negociação de alguns e no acerto de contas.
Nas reivindicações deste ou daquele ponto que por vezes abrimos as feridas que doem mas que insistimos em não tratar. Não são todos os que têm coragem ou senso de aventura suficiente pra arriscarem a segurança que só o comodismo traz.
“Sermos” alguma coisa é algo que exige personalidade. Pro bem ou pro mal, defender uma bandeira é importante e devemos fazê-lo com a convicção que não entremos em um conflito pessoal, que opõe ideologia e ações. Normalmente as massas funcionam com o conforto que só a passividade é capaz de oferecer. Sacrificar um ou dois dias à s vezes pode parecer terrÃvel, mas ao sinal da primeira mudança de atitude (à s vezes daquilo que criticamos, à s vezes de nós mesmos), fica claro o quanto vale a pena lutar por uma coisa, qualquer que seja.
E se mesmo assim parecer não valer a pena, confirme uma cervejinha no fim do dia, mesmo que seja uma segunda-feira.
Vazio
Uma das coisas que pessoas que beiram aos 30 percebem na geração atual é uma necessidade constante de encontrar um Ãdolo, uma inspiração real que não desapareça com a mesma velocidade com que tudo passa nos dias de hoje. Não existe um Ãcone, um sÃmbolo real a quem se possa eleger para acompanhar a vida nos próximos anos. Os Ãdolos acabaram. Aquela bala na cabeça do Kurt Cobain - um cara cuja importância e valor podem até ser colocados em dúvida (eu mesmo não o colocaria num pedestal, por motivos que serão explicados logo abaixo), mas foi-se ali o último sÃmbolo vivo de uma geração.
E há umas poucas horas atrás, o maior de todos ao lado dos Beatles se tornou História.
A importância de Michael Jackson não está nos números inatingÃveis, na megalomania de um universo umbigo, nas milhares de plásticas, escândalos e bizarrices. Ele deu vida à Motown, e espalhou aos 4 cantos do planeta a música negra nas rádios, e ao lado de Quincy Jones repetiu a mágica que duplas como Lennon/McCartney e Jagger/Richards foram capazes de fazer em outros momentos, com a diferença que o seu pop não era exatamente semelhante à s guitarras dos Beatles e dos Stones. Guitarras que fizeram parte lá na frente de mais alguns de seus inúmeros hits, nas mãos de Eddie Van Halen e Slash. Afinal de contas, os mitos se combinam. Surgia ali a boyband, as músicas bem produzidas, de refrão pegajoso, inesquecÃvel, musical até a alma. A dança já não era tÃmida, nem o figurino austero. A música ganhava, a discriminação racial caÃa, pois não havia branco que não tentasse dançar como aqueles cinco irmãos negros que levavam pancada em casa pra encher o bolso do pai de dinheiro e agraciar nossos ouvidos. E o baixinho, malandro e sorridente, o mais talentoso sem a menor sombra de dúvida, crescia e cantava pra dentro dos ouvidos, pertinho do coração. Falem o que quiser: não existe um ser vivo que não conheça uma música desse cara, e goste muito dela.
Michael, ao contrário de Kurt, não precisou ir contra o mercado. Michael criou o mercado. Tudo o que vemos e ouvimos hoje - absolutamente TUDO o que existe no universo pop, foi invenção de Michael Jackson. O pouco que não foi, devemos aos besouros, a Elvis Presley e a Frank Sinatra. E da música - essa de verdade, que ele fez desde a Motown, herdamos o estilo, o comportamento, e musicamos nossas vidas. A vida de um mito é feita de escândalos? A dele foi, do inÃcio ao fim, com todos os tipos de excessos relacionados: sexo, amor, violência, dinheiro. Mas ele ainda conseguiu mais uma façanha, sendo o único a fazer da cor da pele algo a ser discutido por todas as cores. Michael misturou-se, e fez de si algo sem resposta. Tão obscuro quanto sua herança de criador, de um mundo em que hoje todos vivemos, grande parte, por culpa dele e de toda a obra de sua vida.
Eu, que sou de 1980, vivi o universo que o rapaz criou. Dancei muito Ben de rosto colado, morria de medo de Thriller, cantei junto de Bad, fiquei besta e encantado com a grandeza e os efeitos de Black or White, esperava cada estréia das superproduções na MTV, e hoje escrevo esse pequeno testimonial pra tentar entender como que um cara que fez tanto e foi tão importante para pessoas como eu, que amam a boa música, e que acompanharam por mais de 15 anos todo o impacto causado por ele em nossas vidas é capaz de uma coisa tão mundana, como morrer.
Ah, o tempo livre…
Eu vou tentar retomar de uma vez por todas os posts finais sobre a viagem pra Buenos Aires, que foram interrompidos por total e completo descaso deste que vos escreve.
Mas vejam como são as coisas: são 19h30 e por incrÃvel que pareça minha fila de jobs está limpa aqui na Sunset. Meia horinha? Dá pra escrever qualquer coisa, incluindo um post-it lembrando a mim mesmo das pendências acumuladas. Dá até pra ver um videozinho no IutubÃu…
Com tempo, a gente pode fazer tanta coisa…
Batatinha quando nasce…

Pra que raios serve comemorar o aniversário?
Pra rever a famÃlia, principalmente aquela parte que você só reencontra em casamento ou velório? Pra comer chocolate sem culpa? Pra sentir cheiro daquela comida que você mais gosta? Pra receber telefonema o dia todo de gente que você adora, odeia, nem cheira nem fede, ou de uma ou outra surpresa? Pra rasgar presente feito criança e ganhar mimos necessários ou desnecessários, mas que com um laço e um papel bonito ganham muita graça e muito tempero? Pra se lembrar de muita coisa que já aconteceu nesse mesmo dia, há um, dois, dez, vinte anos? Pra ficar feliz com nada? Pra achar que tudo é música? Pra se sentir ainda mais querida?
Sim, pra tudo isso. E um pouquinho mais, a cada ano.
Parabéns amorzinho. Oliamobagarái. Mais tarde eu tô aÃ.



















