Mudamos

maio
2013
09

escrito por | em Umbigo | Nenhum comentário

…e leia-se por “mudamos” mais do que um simples novo endereço:

http://masili.com.br/algumaslinhas/

E mesmo não encerrando as atividades desse blog, é o novo lugar a ser lido e escrito. Pra quem passa por aqui há tanto tempo, o convite fica: visitem a nova casa. Por ser nova, não esperem o mesmo que havia na velha, mas reconheçam o que puderem. E obrigado por tantos anos de histórias contadas, divididas e registradas.

Vamos mudar

maio
2013
03

escrito por | em Umbigo | 1 comentário

Nesses grandes hiatos que aconteceram nesse espaço, o tempo passou. Passou de tal forma que ao olhar pra trás (ou nesse caso, especificamente, pro lado direito), eu encontro mais de uma década de memórias. Coisas muito boas, muito ruins, memórias ocultas que no passar do tempo eu apaguei pra ajudar a cicatrizar algumas feridas, voluntariamente perder algumas imagens, e por aí vai.

Mas o fato é que as urgências e as discussões da vida mudam muito num período tão grande. E a gente acaba não se reconhecendo mais olhando para distâncias tão grandes. Cansa discutir certas coisas, outras passam a ser desnecessárias, e mais algumas decididamente merecem uma atenção maior do que somente 3 minutos de leitura. Por sinal, anda faltando profundidade, silêncio, maturação. Invertemos a troca de ideias por um bombardeio gratuito de convicções superficiais. Com isso, afundamos a essência de nós mesmos num oceano de estresse, inconformismo e desesperança que povoa cada vez mais nosso dia-a-dia. Viramos escravos de uma cultura de futilidades que aparentemente não fazem sentido, e da qual esquecemos nos breves momentos de sanidade – coincidentemente, os mesmos que nos damos nos intervalos da rotina. Ou alguém aqui lembra de curtir um post quando passeia por aí com a família, os amigos ou o(a) namorado(a), se preocupa em fotografar os momentos de felicidade (real e pessoal – não aquela que a gente ostenta pra parecer mais popular) quando assiste a uma reprise em casa deitado no sofá, faz um afago no cachorro ou monta um quebra-cabeças?

Esses momentos são os que somos definitivamente nós mesmos. E somos melhores.

Por isso mesmo, acho que é hora de mudar de casa. Encerrar os textos sobre nossa viagem de 2011 (sim, já se vão quase dois anos dela, mas vale concluir os registros – farei isso aos poucos, por aqui mesmo), mas partir pra um novo momento. Tentar inclusive elucidar algumas confusões pós 30, que valem algumas linhas e uma discussão mais confortável, decente e inteligente do que o Facebook nos permite hoje em dia. Menos tiros, mais olhares. Ainda há espaço pra um desafogo e uma conversa com mais palavras (ou caracteres – já se vai muito tempo que meu Twitter foi pro saco). Pra um novo momento, um novo espaço. Que seja eterno enquanto dure. Esses onze anos foram muito bons por aqui, e ficarão online no mesmo endereço – porque nostalgia é necessária às vezes, e não uma moda: pra saber o que nos tornamos, sempre é bom lembrarmos de onde viemos.

E em pouco tempo, as devidas novidades. Inté.

Welcome back

dez
2012
21

escrito por | em Música | Nenhum comentário

– Você quer adesivo?
– Pô, lógico que quero!

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Fui pra Paulista hoje, almoçar e pegar um prêmio (porque sim, eu ando nessa maré de ganhar prêmios – que bom né!) na Alpha FM. E eis que lá estava eu, saindo do elevador no 22º andar do 2200, quando trombo uma menina indo pras escadas, com uma camiseta da 89FM, que desde ontem à meia-noite está novamente no ar.

– Você tá trabalhando lá (perguntei apontando pra camiseta)?
– Tô sim.
– Parabéns pra todos vocês viu, desde ontem vocês tão arrebentando (e eu fui pra Paulista justamente ouvindo a 89 pelo caminho, estava desligando o celular naquele instante)…
– Valeu! Depois desce lá pra conhecer! A gente tá no andar de baixo.

E eu fui. Até adesivo eu ganhei – me senti com 16 de novo.

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Essa introdução toda foi justamente pra registrar a empolgação que eu – e tenho certeza, tanta gente está sentindo hoje. Porque durante alguns vários anos nós, adeptos do bom (e nem sempre velho) rock ficamos à mercê de uma única rádio, com os clássicos do gênero. Fora isso, downloads e rádios online foram o meio de adaptação de toda uma geração às novidades do gênero. De certa forma, foi cada um pra um canto cultivar o que gostava.

Portanto, que delícia foi ligar o rádio hoje (sim, ligar o rádio) e ouvir aquilo que a gente gosta. E não só os dinossauros (sim, eles são ótimos, mas ouvir Rush 8 vezes por dia arrebenta qualquer saco). Teve Muse, System Of A Down, Kings Of Leon, Killers… teve coisa que só tocava aqui em casa. E teve coisa que eu nunca havia ouvido. Sim, foi feita muita coisa depois dos anos 80. MUITA COISA BOA. E agora dá pra ligar ou escrever pros amigos e falar “você ouviu isso? Põe na 89 que tá tocando…”

Beira ao saudosismo, com um porém: não é. Porque resgata sim muita coisa boa que a gente um dia já viveu, mas também traz muita novidade e muita possibilidade nova um retorno desses. A volta da 89 se diferencia dos revivals atuais por carregar sim muita bagagem, e agregar tantas outras coisas daqui em diante. A sensação do dia é que sim, existe ainda muita lenha a se queimar debaixo desses dois números. Talvez uma lenha que não acabe. E o sentimento é muito próximo ao de reencontrar aquela pessoa que em algum momento fez parte de um capítulo importantíssimo da tua vida, e que mesmo com tantos anos, parece que você viu ontem.

Foi uma honra pisar no estúdio dos caras hoje. Eu não entrei, não quis atrapalhar nada tão bacana e tão grandioso pra quem teve que se adaptar nesse meio tempo, mas que num dia como hoje nota o quanto essa rádio fez falta.

Parabéns pra todo mundo que suou por isso, boa sorte, e o sucesso inevitável pra vocês (e continua sendo o logo mais bonito entre todas as rádios, disparado).

A alegria

dez
2012
17

escrito por | em Futebol, Vidinha | 1 comentário

Ontem o Corinthians foi campeão mundial, de novo.

Ontem eu não seria capaz de escrever nada. Por isso mesmo resolvi escrever hoje, após um longo, tenebroso e silencioso período onde eu preferi ouvi a falar por aí. Porque acho que mais do que o futebol, merece o registro a manhã de ontem.

Ontem, que acordei cedo e feliz num domingo. Eram 7h, e a Dé virou pra mim, ainda na cama e perguntou “Amor? Você tá bem? Tá nervoso?”, num primeiro momento dos já quase 3 anos de casamento onde lembro que, pela primeira vez, ela (não) acordou mais lúcida que eu. Tomei meu banho, vesti a camisa e saí pra buscar minha mãe, que mora a pouco mais de 5km daqui de casa. Pouca gente na rua, sendo metade com o manto alvinegro. Poucos minutos depois estava na casa da Paquinha, onde ela e a Pimpolhinha (a cachorrinha) estavam prontas pra vir pra cá. Entre um “vai Corinthians” daqui e um “é hoje!” dali, chegamos rapidamente em casa.

Ontem a Dé decidiu deitar na rede, e de lá acompanhar meu sofrimento. A mãe na poltrona, o sofá pra mim e meus tapas, berros e pulos. E lá ficamos, todos, calmamente sofrendo por um time cirúrgico e cuja eficiência já não preciso mais detalhar. A esposa curtindo a bagunça, a mãe que dizia estar muito preocupada comigo a cada jogo, mas que se mostrou mais nervosa que eu por tantas vezes. Eu? Nem sei descrever como eu era naquele momento. Mas fomos, todos, Corinthians a cada defesa do Cássio, e no gol do Guerrero.

Ontem eu chorei feito criança a cada momento que pude. Fosse no gol, num milagre, no apito final, na taça erguida ou no hino, tocando alto e lindamente no outro lado do mundo. Acabou ali, saímos pra comprar a cerveja e a carne pro almoço. A festa na rua sempre miúda e silenciosa, o cumprimento provocativo mas extremamente gente boa do santista da adega, do pessoal do mercadinho, do cara no ponto do ônibus que eu nem conhecia, mas que me deu um abraço. Quem era essa gente “que estava tão feliz por nada…?” Essa gente é aquela que não se incomoda em comemorar um momento de pura alegria como se fosse o último, não importando sob qual motivo.

Ontem o motivo foi o Corinthians – um motivo que quem vive sabe o quanto é capaz de unir uma família num momento espontaneamente perfeito. E sem dúvida, desde ontem, eterno. Que seja hoje o registro dessa felicidade, e que seja eterna a lembrança de umas 4 ou 5 horas das quais eu não seria capaz de retocar uma vírgula.

escrito por | em [Viagem] Peru/Bolívia 2011 | Nenhum comentário

20/set/2011 – dia 7
Machu Picchu/Cusco

Depois de um dia absolutamente indescritível e um jantar bacanudo, obviamente uma mini dor de cabeça aconteceu com o chuveiro estrábico do hostel em que estávamos, e cuja água quente só funcionava após uma forcinha da caldeira, ligada por um dos funcionários do lugar. Óbvio que serviu somente para aumentar o número de histórias acumuladas (e dar um banho não só na gente, mas no banheiro todo do quarto). Por sinal, o mesmo cara que arrumou o chuveiro nos instruiu a chegar cedo no segundo dia e pegar um horário bacana para a subida de Huayna Picchu. Nos preparamos pra estar lá em cima (na cidade, não na “montanhinha” – como Huayna Picchu ficou carinhosamente conhecida após o apelido atribuído pela Dé) por volta das 7h45.

O café da manhã dessa vez foi bem modesto, mas mesmo assim deu pro gasto, e assim, fomos pro ônibus novamente. Quando o caminho já é conhecido e a ansiedade ficou pra trás, aparentemente os percursos acontecem de forma mais rápida. Chegamos lá em cima, e a paisagem cinzenta do dia anterior deu lugar a um dia absolutamente azul e glorioso. A manhã era irretocável, e toda uma nova imagem se desenhava na cidade, agora plenamente iluminada pelo Sol. Como chegamos cedo, pudemos pegar um pouco disso com ela ainda esvaziada – cenário que mudaria sem demora, uma vez que com o tempo aberto a invasão de turistas era iminente. Tiramos algumas poucas fotos (por sinal, nesse dia eu apareço somente em duas), e nos separamos. Fiquei com a minha mãe na parte baixa da cidade, enquanto a Dé e a Mel foram encarar a montanhinha (que assim será chamada a partir de agora, sem aspas, dado que a explicação já foi feita).

A PARTE DE BAIXO
por Masili

Com o tempo seco, gramado e pedras menos escorregadios, o passeio com a velha mãe foi BEM mais tranquilo. Tivemos tempo de explorar de cima a baixo toda a cidade, e ter um tempo que há muito não tínhamos pra conversar sobre coisas da vida – aquelas realmente importantes, que nem sempre a gente se atenta, mas na hora do aperto sente falta. E assim seguimos, durante toda a manhã. Dos detalhes gerais, vale citar o encantamento da Paquinha pelos esquilinhos que se escondiam debaixo de algumas pedras, nossa completa perplexidade com os grupos de viagem japoneses e suas vestimentas coloridas e tecnologias absolutamente denecessárias (depois dessa viagem, não consigo imaginar um japonês acampando), e a ajuda providencial à mãe de um cara chamado Manolo, espanhol que encantou os olhos da velhinha.

Muita água depois, nos postamos numa área mais aberta e visível da cidade, pois fizemos a grande besteira de não combinar um lugar de encontro quando as meninas voltassem. Por sorte, minha mãe usava uma blusa rosa que seria visível até de Marte, e minha indefectível camisa do Timão certamente ajudaria quando da volta de ambas, o que aconteceu no começo da tarde. A história do dia certamente não foi minha e da Paquinha, mas das duas. E esse espaço está aberto aos relatos, de ambas, quando e como quiserem.

A PARTE DE CIMA
por Debs

[e aqui entram o texto e as fotos…]

A PARTE DE CIMA
por Mel

[e aqui entram o texto e as fotos…]

Treinando

set
2012
13

escrito por | em Umbigo | Nenhum comentário

As oportunidades surgem, a gente analisa, agarra ou foge. Ninguém é dono do próprio destino, por mais certeza que se tenha em certas situações. Os dias passam, a saudade de algumas coisas cresce, de outras nem tanto. Surgem necessidades, pendências, dívidas pessoais. Corre-se de cá, de lá e elege-se a prioridade da vez.

O que me deixa tranquilo com meus hiatos, e com a cada vez mais constante falta de palavras por essas bandas. Existe sim uma necessidade pessoal, uma dívida particular comigo mesmo em registrar minha vida da forma que for: desenhos que surjam, fotos aleatórias (mesmo que sejam de xícaras de café e sanduíches caseiros), palavras por aqui. A única certeza no passar dos dias é que as consequências daquelas escolhas da primeira linha ditam o ritmo, e a ele eu não devo grandes explicações. Passamos por momentos turbulentos em casa, possibilidades reais de crescimento, alegrias e decepções que não necessitam de detalhes: esses são os ingredientes do cotidiano, e ingredientes a gente une, cozinha e saboreia. Viram experiência pessoal, aprendizado pros novos dias, lições pra não fazer engano virar burrice.

De resto, a gente se mexe. Creio que mais do que qualquer outra coisa, esses três parágrafos de “absolutamente nada” são um exercício pra que eu retome os relatos sulamericanos de um ano atrás. Sim, segunda que vem nossa viagem completa um ano, e por isso mesmo quero retomá-la com a devida intensidade. A memória ainda é fresca, porque a experiência ultrapassou a pele e foi muito além de uma imagem babaca de capa de Facebook. A complexidade soma lugares, pessoas e momentos, e nossa equação foi absolutamente interessante – e por isso mesmo, inesquecível. Recado dado, hora de pensar no próximo registro. Esse sim, pra valer.

A vida é doce

ago
2012
01

escrito por | em Umbigo | 1 comentário

São 3 anos da morte do meu pai.

Normalmente quando essa data se aproxima, eu lembro de tudo o que a gente passou – principalmente nos últimos dez dias entre o derrame e o domingo em que ele faleceu. Hoje a lembrança já é razoavelmente distante, mas aqueles continuam sendo os piores dias da minha vida. E penso em escrever alguma coisa. Normalmente, fosse no aniversário dele ou nessa data, eu tendia às lembranças boas, ou alguns desejos que tive (tenho e terei) de contar pra ele como minha vida seguiu daquele 2 de agosto em diante.

Não é isso o que me ocorreu hoje.

Porque acompanhada de cada lembrança, vem a revolta com o vício que ele insistiu em levar acima da inteligência, e agora posso dizer, da responsabilidade. A gente tem o péssimo hábito de endeusar e eximir de culpa toda pessoa que se vai. Digo “péssimo” com a razão de hoje saber as besteiras que meu pai fez, deixando uns bons pepinos por aqui, que minha mãe tem se desdobrado pra resolver silenciosamente e enfim poder viver a própria vida em paz. Não, ele não foi um cara ruim, e todos nós erramos em algumas coisas nessa vida. Mas hoje sei que da mesma forma que o cara foi um pai bom e carinhoso, foi irresponsável numa porrada de coisa que possivelmente ele achou que conseguiria resolver sozinho. Não conseguiu.

Aí a gente nota que todo fumante, além de burro, é egoísta. Os caras acham que com eles não vai acontecer nada, e tudo se resolve lá na frente – possivelmente, com saúde inclusive. Parece incogitável que câncer aparece, espalha e mata – principalmente na gente. Aconteceu, e a bomba ficou aqui pra gente se virar. As coisas que aconteceram de errado na minha família continuam sendo problema nosso – ainda mais quando elas se repetem, e isso acontece bastante, mas não é da conta de ninguém. Nem todo viciado espalha a merda que faz, mas no nosso caso, sim, fedeu.

É uma tremeda cagada essa história de acreditar na vida que todo dia aparece no lindo e perfeito universo virtual. Às vezes é preciso lembrar que por trás de cada tela existe uma pessoa. Que a vida que a gente vive não é só nossa, mas uma equação do nosso tempo e do tempo de quem a gente escolhe pra nos acompanhar. Por isso, hoje, mais do que lembrar de quem meu pai foi (e sempre será) na minha vida – um cara que todo mundo já soube, leu ou conheceu, e isso não vai mudar nunca pois a essência é o que fica, e a dele está em mim – fica o toque pra qualquer pessoa que resolva perder 3 minutos lendo esse texto: ser responsável, saber dividir e cuidar de quem se ama são ações muito mais importantes do que possa parecer. Fodam-se as palavrinhas bonitas, as imagens de esperança, os bons conselhos. Cada dia é construído agora, e a gente permanece incapaz de saber quanto tempo nos resta por aqui. Portanto, deixem o melhor de vocês. Essa é a verdadeira essência. Dar o exemplo, ser educado, pensar aquilo que se faz, ser humilde… tudo isso é uma porra de uma lição diária que não está na Bíblia, nos textos do Veríssimo ou no raio que o parta: está no seu caráter.

Hoje eu olho pra minha mãe e pra Debs – a família que me restou, junto de alguns amigos que eu carrego por (muito) perto – e penso no que eu posso ser melhor, pra todos. Não, nem sempre eu sou. Buscar perfeição é burrice semelhante a pensar que só em nossas mãos que a bomba não estoura. Mas esse monte de coisa que eu acabei de escrever vem de mim, e é nisso em que eu acredito. Dando certo, dando errado, a gente muda todo dia. Toma exemplos. Faz do contrário.

Sim, dá pra fazer diferente e ser melhor. Pra que lá na frente, meu filho não olhe pra trás e veja que o pai perdeu seu casamento, não conheceu sua casa, não viajou com ele e não mimou seus netos. Da mesma forma que existe a saudade, existe a impotência de pensar que eu devia ter mudado as coisas com a mão, pra ver se hoje eu estaria vivendo somente mais um dia, e não lembrando do que é perder alguém tão importante nessa vida.

“Anti-Patia”

jul
2012
12

escrito por | em Futebol | 4 comentários

Torcer pro São Paulo é uma grande moleza.

Lembro perfeitamente dessa frase no início dos anos 90, quando o sabe-tudo Milton Neves pronunciava aos 4 cantos tal enunciado, em vista à de fato espetacular fase do time do Morumbi. O São Paulo saltava de time comum a um fenômeno mundial, com duas equipes (a titular e o “expressinho”, que tinha entre outros Rogério Ceni, Juninho Paulista, Caio Ribeiro e Jamelli) que ganhavam absolutamente tudo o que disputavam. Era um exemplo de gestão bem-feita, com elencos preparados e cuja cobrança da torcida não era maior do que a de seus rivais. O Palmeiras estava numa fila indigesta de mais de 15 anos, mas sua torcida permanecia fiel (sem trocadilhos) e fervorosa. O Corinthians havia acabado de conquistar seu primeiro Brasileirão, e deixado pra trás um estigma de time regional carregado por décadas.

E então acontece a primeira cagada. Mas amigo sãopaulino, antes de qualquer outra coisa, saiba que esse texto não é um alerta pra você, mas pros corinthianos (tomando uma história que começou em vocês por exemplo). Duvida? Leia até o fim.

A tal frase que inaugura esse texto foi proferida a plenos pulmões, e aos olhos dos adversários, colocou o SPFC acima do bem e do mal. Se o time faturasse mais um título (e faturou vários desde então, de fato a gestão iniciada anos antes rendeu muitos e muitos frutos, além de cópias aperfeiçoadas pelos próprios rivais – como o meu Corinthians, por exemplo, e seremos eternamente gratos por isso), “normal, esse time só ganha”. Se perdesse, qualquer sarro era respondido com “dane-se, somos bicampeões mundiais”. Eu nunca havia ouvido esse “argumento” de amigos santistas, sendo que eles já eram bicampeões mundias há 30 anos. E com o Pelé.

“We have a Hulk”, diria Tony Stark. Se eu fosse santista, mandaria um “we had Pelé”. Mesmo peso, menos verde, é verdade…

Enfim, o problema é que tal frase tornou-se mais ou menos um pensamento implícito no universo tricolor, naquela maioria que prefere ter razão a qualquer custo, do que simplesmente ter razão. E não, isso não é um mal exclusivo: soltamos fogos madrugada adentro semana passada, a porcada fez o mesmo ontem, e sim, todos têm direito a comemorar conquistas. Não somos freiras. Mas cacete… pessoas trabalham no dia seguinte, crianças têm aula, essas coisas…! Se eu não passo na frente de um hospital buzinando, vou fazer pior de dentro de casa? Posso chorar, encher a cara, beijar a TV, comemorar com os amigos, virar a noite cantando o hino do meu time, e mesmo assim não tornar a vida dos outros um inferno.

Voltando: o tal “pensamento genial” e marqueteiro do brilhante jornalista deu o tom a toda uma nova geração de torcedores. Conclusão: a antipatia pelo SPFC aumentou a níveis abissais. A ponto da rivalidade com o Palmeiras tornar-se quase uma questão de vida ou morte (enumere o número de pancadarias entre as torcidas de cada time), e o Corinthians – e sua torcida, incluo-me – que resolveu “rebaixar” o São Paulo a inimigo, não mais a rival. A asca era uma realidade.

2012. Ganhamos a Libertadores.

E a Nike, fazendo seu papel de Milton Neves, exalta loucamente a história dos “anti”. Que todos estão contra o Corinthians, que é o time contra o mundo, essas besteiradas. Cacete, eu sempre torci CONTRA os adversários sim, é fato na história do futebol que a alegria de uma torcida é uma equação que soma dois fatores: a alegria pelas vitórias (sim, vitórias, se meu time não visa títulos, adianta competir? Inteligência, minha gente…) com a desgraça alheia. Torcer contra FAZ PARTE, e TODO MUNDO torce. A graça é essa, Deus do céu… o sarro no dia seguinte, as apostas, o assunto no churrasco. Futebol é diversão, ou pelo menos deveria ser.

Pois bem: agora vejo os corinthianos batendo no peito, mandando geral “calar a boca”, e que “mesmo com os antis, ganhamos”. Sério? Mesmo com a lição vivida pelos rivais tricolores, vocês terão a mesma postura idiota de se colocar acima do bem e do mal? Nosso rebaixamento há 5 anos não serviu pra nada? A lição que deveria ser tomada, ou melhor, a frase que realmente todo torcedor tem que levar como lema não vem e nem virá pronta de nenhum jornalista, fornecedor de material esportivo, nem texto do Arnaldo Jabor. A paixão pelo time é sim vivê-lo, pro bem e pro mal, mas sem esquecer que hoje o dia é nosso – amanhã pode não ser, e as probabilidades disso são sempre maiores do que nossa chance de sucesso. Aí vem o esforço, a superação, a torcida, o talento, e pronto… olha o futebol de verdade aí.

As soluções prontas estão acabando com o mundo. Sejamos mais autênticos, mesmo que um ponto de partida possa ser a futilidade de se torcer por onze caras de uniforme correndo atrás de uma bola.

Libertador

jul
2012
05

escrito por | em Futebol | 4 comentários

Era 2007, e a gente caiu.

Foi sim um dos momentos mais tristes da minha vida, com meu pai sãopaulinando num telefonema pra mim assim que o jogo acabou. Sim, eu havia fugido pra Ubatuba, tentando bestamente escapar do inevitável. “E a segunda?”, foi a pergunta. Uma das tantas piadinhas tricolores que por anos tive que enfrentar dentro de casa, e que me deixaram com asca da postura daquela torcida do time do Jardim Leonor.

E o time jogou a série B, sem reclamar. Não ouvi em momento algum alguém dizer “o Corinthians não joga a segundona”. Fomos lá e encaçapamos geral. Voltamos com sobras, bonito, com uma molecada raçuda e uns caras bons pra burro. Mais ainda: com uma torcida inflamada – não menos fanática, mas certamente mais intensa. Por pouco não levamos a Copa do Brasil no mesmo ano, mas em 2009 estávamos lá, com Ronaldo decidindo e tudo mais. Foi bonito, um novo momento, um time que renascia e uma torcida que a gente sempre soube como funcionava. O orgulho da ressurreição era algo novo pra minha geração. Talvez não fosse pra anterior, que assistiu ao título de 77, mas pra mim aquele sentimento implícito trazia à tona a essência da torcida da qual sempre fiz parte, mas que ainda hoje aprendo a cada dia o que de fato significa.

Veio a Libertadores.

Perdemos pro Flamengo na Libertadores em 2010. O tal ano do centenário que não nos trouxe títulos – e isso pode parecer de fato um problema pra quem estava de fora, mas redescobrir uma história de cem anos em tantas comemorações, livros e filmes só intensificava ainda mais a força da tradição de uma equipe nascida nas mãos de cinco sujeitos, com meia dúzia de patacas e que desde sempre ralou a bunda pra mostrar seu valor. Levantamos um estádio. Uma piada a menos. A equipe lutou pelo Brasileiro, mas classificamos, na bacia das almas, pra Pré-Libertadores.

Veio o Tolima.

E acabou Ronaldo, acabou o oba-oba, voltou o sofrimento. Sim, porque nunca foi fácil, e quando foi a gente estranhou. De 98 a 2000 a gente passeava. Ganhamos um Mundial tão tranquilamente que parecia o Torneio Início. Brasileirão que vira obrigação, nada de lista de dispensas, e um time em pleno crescimento e comprometimento. Avassalador de início, o time nunca deixou de frequentar o topo da tabela. Era pra ser tranquilo, mas só garantimos nos minutos finais do último jogo. Porque aqui é Corinthians, e a gente sofre. Mas sofre de verdade, porque o Doutor morre na manhã da final, e à tarde a imagem é essa logo abaixo. Contra o Palmeiras. Porque história a gente escreve com as melhores palavras.

Veio a Libertadores. De novo. E eu escrevi isso.

Time seguro, goleiro novo, atacante novíssimo, volantes mágicos, zagueiros monstruosos, inspiração aleatória. Nenhum medalhão. Do outro lado, Diego Souza, Neymar, Ganso, Riquelme. Um baita técnico, que em algum momento disse “não querer enfrentar brasileiros ou o Boca”. Pegamos dois brasileiros, E o Boca. Na final.

Já havia me escangalhado de chorar no gol do Romarinho lá na Bombonera. Foi-se o primeiro tempo no Pacaembú, e eu passei quase todo em silêncio. A Dé, vendo toda a minha crescente tensão durante a Libertadores, resolveu me fazer companhia no último jogo. Saí da rede, fui pro sofá. “Pro meu lugar de sorte”, eu disse. E uns minutos depois, o Emerson manda aquela bala pro gol. Eu grito gol, e o grito emenda um choro compulsivo. Um filme passa pela cabeça, enquanto o corpo treme. Jamais tentarei explicar esse tipo de sentimento, e o que esse time faz comigo. A Dé me abraça, “eu só não entendo”, ela me diz. Eu sei que não dá pra entender, amor. Ela tava ali, eu no meu lugar da sorte. A lua cheia. Era sim a nossa noite.

Desce o Emerson, vem o segundo gol, eu saio pulando descontrolado e agora sim, gargalhando. Chegam torpedos. Um alívio inesperado, pela primeira vez eu me preocupo em quanto falta pra acabar. Mais uns minutos. “Cacete, vamos ganhar a Libertadores!”, a ficha cai. Rola um medo de acreditar, por mais besta que pareça. Faltam menos de 5… dá pra acreditar sim.

O juíz apita. Pronto, aconteceu. O choro volta, incrédulo. Minha mãe me liga, eu quase não consigo falar de tanto que choro. Passa um filme na cabeça, um monte de brigas estúpidas por causa de futebol, mas um monte de tiração de sarro, muita alegria, aquela sensação que sempre sinto quando saio com o manto sagrado, e algum desconhecido cumprimenta ou simplesmente manda o clássico “vai Corinthians”. Eu viro pra Dé e digo “parece besteira né”. Mas ela entende sim, mesmo achando não entender. Felicidade besta e pura, passional e irrestrita. Os amigos aparecem – por Facebook, SMS, e são palmeirenses, sãopaulinos, botafoguenses e flamenguistas. Um barato, uma delícia absurda… uma noite em que fomos campeões.

Da América, enfim.

escrito por | em Amigos, Desenhos, F1 | 6 comentários

(Ou como meu desenho ganhou vida)

Tudo começou exatamente aqui.

Foi no texto sobre a mudança de Fórmulas (da Um pra Indy) que eu resolvi fazer uma caricatura do Barrichello. E foi um rabiscão mesmo, que virou um vetor rapidinho e pronto: bora ilustrar o texto, que nem era lá essas coisas. Mas foi pro ar, os de sempre deram uma vasculhada e o desenho chamou a atenção de alguns amigos – amigos esses que tinham outros amigos, sendo alguns deles envolvidos com o universo da comunicação e do jornalismo esportivo.

E um deles me manda algo como “vai rolar uma entrevista com o Barrichello semana que vem… tá a fim de encontrar o cara e dar o desenho pra ele?“, enquanto outra me diz algo como “tenho uma amiga que pode te colocar em contato com ele… ele não costuma receber muito desse tipo de coisa, então é certeza que ele vá curtir!“.

Pausa. Preciso explicar uma coisa:

Eu já falei trocentas vezes nesse raio de blog sobre a minha paixão por Formula Um. Coisa de gente fanática mesmo, de acordar de madrugada pra assistir corrida no frio e quase em silêncio. Ficava puto durante a Copa do Mundo do Japão/Coreia porque estavam passando futebol em horário de corrida. E de repente, ventilam a possibilidade de eu conhecer o Rubinho. Mais ainda: de eu “presentear” o cara com um negócio que eu fiz em 20 minutos. Eu pirei.

E rolou aquela expectativa básica. Passaram os dias, e nesse meio tempo dei um tapinha no desenho. Deixei mais ajeitado… afinal de contas, se é pra virar presente, que pelo menos seja bonitinho. Dias viraram semanas, e a história esfriou. Essas coisas acontecem… bola pra frente, desenho pro portfolio.

Eis que semana passada a mesma amiga entra estabanada do MSN. Dia de Corinthians e Santos, semifinal da Libertadores. A pergunta é “teu coração tá em dia?“… Já pensei “puta merda, pode me dar ingresso que eu não vou nesse jogo nem fodendo… não vou zicar o Corinthians agora“. Respondi que estava, e em seguida a frase que tirou meu chão:

– Semana que vem você vai entregar o desenho pro Rubinho.

Ok, aí eu não sabia mais o que escrever. Minha primeira reação depois do fôlego voltar foi abrir o Illustrator e começar a arrumar o desenho. Tudo o que me incomodava, que dava pra fazer melhor, precisava encher cenário, caprichar em detalhes, fazer aquela joça ficar boa. Mexi na quinta, na sexta, aproveitei o fim de semana e pisei fundo segunda. Pedi ideias, sugestões e opiniões à minha cúpula criativa pessoal, e a coisa andou. Terça corri atrás de gráfica rápida, e imprimi a bagaça (com menos qualidade do que de fato gostaria, mas o tempo urge e a gente só quer ter as coisas na mão na hora certa). Cheguei em casa e durante o resto do dia descansei.

Quarta-feira, gravação do Linha de Chegada. Estamos lá.

Pra começar a tremedeira, o programa é o do Reginaldo Leme mesmo. Equivale mais ou menos ao católico que vai apertar a mão do Papa cruzar com o cara, e o besta aqui já patina na tremedeira. Chega para a entrevista Emerson Leão, que acabou de ser mandado embora do time do Jardim Leonor. “Good for him”, dado que prefiro a imagem dele como goleiro zebrado do meu time, e não como comandante das madames. Pouco depois chega o Rubinho, todo humilde e falando baixo.

Aí a amiga da amiga que me levou lá diz que “esses caras vieram aqui por sua causa“. Ele continua todo quietão e sorridente, e vai pra entrevista. Vamos pra trás do set, e disparamos trocentas fotos da entrevista. Leão dá o tom, é o Maluf da triangulação. Rubinho fala, os fãs se deleitam. Termina a entrevista, vamos entregar o desenho pra ele. O cara vem cumprimentar, e eu preocupado em não engasgar:

– Rubinho, é uma lembrança, a impressão saiu uma merda.

Disse a amiga que os meus olhos brilharam, que os do cara também quando viu os detalhes todos. Eu não lembro de nada disso, pois estava ocupado demais tentando parecer tranquilo, mesmo com as mãos tremendo daquele jeito – a esperança era falar que eu tinha Parkinson…

– Porra, os capacetes todos, até meu pai tá aqui…
– Tem até o do Kanaan, pra ele não encher teu saco.

Ele conta a história da aposta com o Kanaan, sobre o primeiro futuro pódium dos dois. Que ele vai deixar a barba crescer, e o Kanaan os cabelos. E que o cabelo do Kanaan é ruim, e que ele vai parecer um Globetrotter quando isso acontecer…
– Tem tudo aqui.
– E a flâmula, óbvio.
– Putz, hoje vai ser foda… e o Dudu tem prova amanhã!
– Deixa ele dormir mais tarde, vale a pena.
– Vou sim. Cara, valeu mesmo, muito legal! Eu vou postar no Twitter, posso?

PORRA RUBINHO! COMO “POSSO?”!

Aí sai em foto, o cara tira foto com todo mundo. Assinou a camisa do Corinthians do cara que estava lá por ele também. Humilde chegou, humilde saiu, e eu fiquei com uma baita cara de idiota, todo emocionado. Passou um dia, meu desenho saiu no Twitter dele mesmo: “Love my fans…obrigado Marcelo pelo lindo desenho/pintura ‪#Tamojunto‬ pic.twitter.com/hILdMpd2“.

Corinthians empatou com o Boca 10 horas depois. Eu quase infartei, naquele que foi possivelmente o dia de maior ansiedade da minha vida. Estive pleno no espaço entre acordar e dormir, e realizei um dos (possivelmente, aquele até então dos) melhores momentos profissionais que já tive. Quando um ídolo teu recebe um presente mais teu ainda, gosta, espalha e se mostra melhor do que qualquer imagem que você já viu na mídia, saiba: você venceu.

E eu venci, muito, ontem. Valeu Rubinho. Foi sensacional.

*Especialmente pra Fê, pra Erica e pro Bucha, que fizeram o caminho entre sonho e realidade virar uma memória das mais legais que já tive na vida.