Masili neles!

Calico Skies

Em Vidinha por Marcelo Masili - 24 de junho de 2010

A tática de se afastar dos problemas e azedumes alheios tem dado resultado: já se vão dois dias da mais completa paz, e um terceiro começa bastante promissor. Nem preciso dizer o quanto isso reflete no bem-estar e numa sensível melhoria da qualidade de vida: as pessoas te sentem mais leve, tornam-se mais leves também, enfim… a vida melhora bastante.

E magicamente surge o tempo – útil. Pra cuidar da nossa própria vida. Ontem por exemplo, o papo com a Debs sobre como algumas mudanças de atitude no trabalho (como aquela que eu tive que fazer por aqui, e que está bem explicadinha no texto anterior) são capazes de mudar sua imagem e todo um contexto foi bem boa. Assim como foi a aula de Yoga que a pequena se meteu a fazer, e que a deixou mais dolorida do que jogo de Copa na primeira fase.

Enfim, alguns minutos para contemplar as culturas inúteis. As coisas da gente. Comprar um pijama e meias de dedinhos. Um DVD novo de um filme velho. Dividir uma música. Acordar gargalhando. E no final, ver que isso tudo é muito mais importante do que qualquer outra coisa.

Encontramos um novo jeito de viver. E viver melhor.

O mundo que eu quero

Em Vidinha por Marcelo Masili - 22 de junho de 2010

Três meses depois e com a vida relativamente encaminhada após a mudança que o casamento traz – pra rotina, pra personalidade, enfim… pra tudo – é hora de dar mais alguns passos. Passos novos, de quem nota que alguma coisa de fato mudou, e outras que a princípio não faziam tanta diferença. Pois agora fazem, e devem acompanhar essa nova realidade.

Realidade, por sinal, é algo com que se tem um contato ainda maior após a divisão de teto. Contas pra pagar e supermercado deixam de ser bichos de sete cabeças, e incorporam-se à rotina. O que de fato se modifica é o conceito de responsabilidade, e o fato de saber que qualquer atitude que se tome dali em diante fará diferença não somente na sua vida, mas na vida de outra pessoa também.

As vitórias são maiores, e as derrotas idem.

Portanto, joga-se somente com o que vale de fato a pena. Não há mais espaço para poesia vazia, ou indagações sobre o rumo da humanidade. Nao se pode deixar de sonhar (pois isso seria pragmatismo demais, e ninguém merece viver uma vida tão amarga), mas quem toma o rumo de aceitar ao próximo com suas qualidade e seus defeitos, sabe também que vivemos sim num mundo imperfeito, de regras tortas e onde nem sempre aquilo que funciona vai de acordo com nossas convicções. Fazemos o que podemos, e nem sempre podemos tanto. Por isso mesmo, nos esforçamos pra mudar sim o nosso microcosmo, e fazer com que aquele mundo de pais, irmãos e meia dúzia de amigos funcione da forma mais azeitada possível. É esse o nosso grau de alcance, e é nele que nossa voz consegue ser ouvida. A propagação disso que se faça naturalmente, e que seja interessante a quem quiser se aproximar. E antes que chamem isso de comodismo, eu respondo: nossos braços infelizmente não são capazes de abraçar o mundo.

Deixamos de ser crianças, e de acreditar no Coelhinho da Páscoa, no Papai Noel, no mundo perfeito, no mágico e sua cartola e na paz mundial.

E pode parecer triste desromantizar as coisas, mas é um passo. Ainda mais quando a parte ruim da rotina exige consultas médicas, visitas hospitalares e essas coisas chatas que fazem parte da vida e acabam mudando nosso conceito sobre o tamanho e a importância de determinadas coisas. Olhamos com mais cuidado, analisamos mais a fundo e nos damos mais alguns segundos antes de responder determinadas provocações. Por sinal, de tanto não pensar e bater no peito afirmando que ser explosivo era sinônimo de personalidade, que dia desses fui perguntado se queria de fato continuar empregado. E aí você lembra que não é só você, e que tem alguém ali do lado que também precisa de você e da sua renda, que não é só sua, mas de vocês. Tudo muda, e a personalidade dá lugar à capacidade de engolir sapos com mais frequência (e com refluxos menos intensos). Pisa-se no freio, e a responsabilidade grita ao seu ouvido coisas como “e aí amigo… vai estragar tudo agora?”

Por isso mesmo, resolvi colecionar diariamente somente os problemas que de fato importam. Vou continuar me preocupando em cuidar (e quando der, mudar) do tal microcosmo de dez pessoas, escovar meus dentes, não queimar o arroz e temperar direito o feijão, colocar minha menina pra dormir e garantir a ela e a mim um dia seguinte melhor do que o que passou. Além disso, encontrar alegria nas 8 ou 9 horas remuneradas diariamente. De resto, é tudo menos importante. Ficar por aí batendo boca ou comprando briga com os rumos da humanidade, tentando idealizar a realidade pública, política e social… bem, eu prefiro deixar essa tarefa pra quem tem saúde e tempo pra gastar com isso. E eu imagino que de fato alguém tenha que fazê-lo, mas a partir desse momento me incluam fora dessa. Tenho mais força pra agir em outras coisas nesse momento, e nos próximos.

Já descobri o mundo que de fato me importa. Respeitoso, inteligente, tranquilo, aberto e interessante. E esse mesmo mundo, com poucos e ativos habitantes, sabe cada vez mais disso. Pouco me pede explicações, pois sabe exatamente o que importa daqui pra frente. Com as prioridades em seus devidos lugares, cada vez mais. Porque sonhar é bom. A realidade, nem sempre é como queremos. E conciliar ambos talvez seja sim o grande desafio do ser humano. Poesia é coisa bonita, às vezes até necessária, mas não paga as contas; rotina é parca, e precisa de um pouco de ludicidade todos os dias; e o mundo, admitam, é sim imperfeito. Como todos nós.

Cuidemos, então, do que nos consta.

¿Con que ruepa yo voy?

Em Futebol por Marcelo Masili - 17 de junho de 2010

Hoje jogaram Argentina e Coreia do Sul, e o grupo de Don Diego aplicou sonoros e convincentes 4×1 na seleção asiática. Antes mesmo do jogo começar eu já havia saído de casa, e naquela escolha que todos nós fazemos assim que saímos do banho, eu optei pelo manto azul e branco de nossos hermanos como roupa do dia.

Um grande teste, e para quem me conhece, sabe o quanto eu me divirto com essas coisas.

Sair para almoçar com uma amiga, e passear com tais vestimentas concretizou aquilo que eu já imaginava acontecer: neguinho buzinando, fulano me mandando tomar no cu, gente passando e me mandando “felicitaciones” pela vitória matutina. Até o teste do anão eu fiz, e quando estávamos lado a lado, eu chamei mais a atenção do que o pequeno transeunte.

Gente que passa com cara de incredulidade. E é engraçado isso… porque o sentimento de rivalidade aflora de tal forma durante a Copa que um argentino nas ruas brasileiras equivale a um corinthiano caracterizado passeando nos arredores do Parque Antártica. É provocativo, beira à inconsequência, dada a reação geral. Parece sim que a qualquer momento alguém vai te empurrar escada rolante abaixo.

Com exceção desse período, os outro quase 4 anos de intervalo entre uma Copa e outra causa certo desconforto cada vez mais raramente. A coisa se popularizou, e fica cada vez menos vergonhoso admitir admiração pelo futebol porteño. Mesmo porque difícil é desmentir que parte da passionalidade da seleção adversária seria sim muito bem-vinda na equipe canarinho, que cada vez mais parece um “juntado estrangeiro” sem alma e sem identidade com o país defendido.

Mas se eu disser que em algum momento demonstramos estar com dor de cotovelo, aí sim me jogam pela janela. Então é melhor ficar quietinho…

[Copa do Mundo 2010] Brasil 2×1 Coreia do Norte

Em Futebol por Marcelo Masili - 16 de junho de 2010

Tudo bem que era a estreia.
Todo mundo nervoso.
Um monte de gente na primeira Copa…
…e o adversário era uma porcaria.
A esperança deles: um japonês.
Jogaram o tempo todo na defesa.
Estava um frio do cão…
…mas…

…PELAMORDEDEUS, QUE JOGO HORROSOSO.

6 de março de 2010

Em Casamento por Marcelo Masili - 15 de junho de 2010

Redecoremos (e recordemos) então…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de junho de 2010

Depois do calote sofrido no sábado (e da vitória sofrida da minha Argentina), fomos contemplados com um domingo de paz: uma geral no apartamento, com direito a paninho e aspirador em tudo (agradecendo mais uma vez à genialidade do inventor de Veja – se existe um produto de limpeza que funciona, é esse – o outro é o Vanish); acertos culinários (porque se domingo é dia de macarrão, o franguinho no alho e azeite ficou bom pra burro); um crédito de confiança ao Lost em seus nove primeiros episódios da sexta temporada, e isso somente porque ficamos esperando Bibi e Dani com o tão aguardado álbum de fotos do casamento…

…que chegou. Às 21h30, mas chegou. E ficou lindo, emocionante mesmo.

E foi isso que fez tudo valer a pena. Fotos, recados, videozinhos, a caixa gigante, ficou tudo MUITO FODA. Com a nossa cara, e com a cara de quem a gente gosta. Não sabíamos o que esperar, e se esperássemos não teria sido tão bom. Antes de dormir visitamos o álbum mais uma vez, e ele se fez presente a noite toda no sonho que, pra variar, não lembro mais o que tinha.

Em paralelo, estou remodelando o portifa. Por isso mesmo, não estranhem o branco predominante no layout atual. Primeiro a gente limpa tudo, depois remodela e republica. Porque depois de tanta coisa ruim acontecendo, está na hora de uma mudança de ares. Talvez recomeçando pelas imagens daquilo que, até agora, foi o momento mais bonito e gostoso das nossas vidas.

Esse azedume já deu o que tinha que dar né?

Para você, amigo freelancer e amigo cliente…

Em Brasilidades,Trabalho por Marcelo Masili - 12 de junho de 2010

…saiba que após o relato dessa história, dias atrás, e o tal cliente decidiu descontar 33% do meu pagamento final. Isso mostra que de fato, quando você não deixa as coisas por escrito, não faz as cobranças de forma a se proteger e proteger ao seu trabalho, e por algum motivo coloca sua necessidade financeira à frente do acordo formal, é isso o que você consegue ao final de 15 dias de trabalho: um cano, que merece sim ser divulgado, pra que outros não caiam no papinho em que eu caí.

A “agência” tem menos de um ano. Começaram bem com uma dessas.

Entre junho e julho, vuvuzela é ópera…

Em Futebol por Marcelo Masili - 11 de junho de 2010

A Copa na África do Sul é mais uma tentativa de desenvolvimento de um país por meio do esporte. Independentemente do sucesso dessa empreitada (e todo o contexto que a envolve), o fato de levarem o maior evento do mundo ao continente mais fodido do mundo é louvável. Nenhum povo foi (e é) mais abusado, humilhado e maltratado do que o africano, portanto, um pouquinho de alegria não faz mal a ninguém. E todos nós sabemos que pra alegria deles e do resto do mundo, uma galera daquelas está sofrendo repressões que nenhuma emissora de TV ou de rádio mostra nesse momento. Mas tudo é assim, então que seja.

O vuvuzelaço que se ouve no Soccer City nesse momento, enquanto jogam México e os Bafana Bafana, é coisa de gente apaixonada. Pro inferno os que reclamam do barulho (um beijo pra você, Galvão), e da falta de atenção no que se diz respeito a outros assuntos. Copa é sim hipnótica, êxtase coletivo, a igualdade de condições. É onde todo mundo se abraça, e cuja guerra vira placar. Tem uns bestas que acham uma época bacana pra odiar argentinos, franceses, alemães e italianos. Besteira… uma enorme besteira. É onde se vê o futebol mais bonito e a paixão em todas as suas cores. Hora de ficar pirando em análises táticas, em teorias da conspiração e em esquadrões impossíveis. De quatro em quatro anos, as mesas de boteco vêm pra dentro de casa, do trabalho, agregam o mundo. Pra quem gosta da peleja, é o momento maior. Pra quem não gosta, é hora de curtir a festa e brincar de torcedor. Pra uns poucos, fica o azedume de achar tudo isso um saco (mas lamento, nesse país principalmente). Predomina a bagunça, e que delícia é isso…

Que venha um mês glorioso e bonito. O futebol merece.

Começou.

Em Futebol por Marcelo Masili - 11 de junho de 2010

E não esperem outro assunto nesse próximo mês. Serão exceções.

Respirando fundo

Em Trabalho,Vidinha por Marcelo Masili - 10 de junho de 2010

O dia de ontem serviu para pisar no freio.

Já vinha de duas semanas sem descanso. Trabalho de sábado e domingo (pra um cliente e pra própria agência), e um novo hábito recém-descoberto: chegar cedo na Sunset não é difícil pra quem mora na Vila Sônia, se o horário de saída de casa não passar das 8h.

Segunda-feria foi trabalhada por 19 horas seguidas. Ainda assim, acordar cedo não foi grande problema. Ficar longe da internet e da vontade de trabalhar pra si num raro dia de folga é que são elas… e de certa forma, minha paz vinha se estabelecendo bem, com direito a cochilo no meio da tarde e o escambau. Tudo muito bom, até receber o telefonema do tal cliente (aquele do trabalho de duas semanas atrás).

E aí, aquela broxada.

Sim, porque quando eu fecho meus freelas, costumo passar um cronograma, com datas e previsões mastigadinhas, justificando os preços e dando à agência envolvida argumentos pra fechar a proposta com o cliente. Refações, ajustes, está tudo lá, contemplado com a experiênca de quem já bateu muito a cabeça fazendo esse tipo de coisa em troca de um troco extra que ajude a pagar as contas (que depois do casamento, exigiram esse fôlego que o salário atual não contempla). E como a necessidade de grana às vezes é maior que a prudência, corremos certos riscos.

Nesse caso, um combinado por telefone. Que cagada, Marcelo.

Porque o trabalho duraria 15 dias. Porque o material seria entregue à agência dia 2. E dentro desses dias, foi exatamente isso o que fiz. Contemplei o material que me foi passado, e entreguei aquilo que pediram. Teoricamente o pagamento sairia em seguida, mas o que veio no dia 3 foi mais um telefonema, pedindo mais trabalho, uma vez que “o cliente atrasou”.

Ninguém fala em adicional. Fala sim em mais trabalho.

Mas meu compromisso com a Sunset (que paga minhas contas todo mês) vem antes, e eu não posso contemplar as solicitações do cliente. Minha parte cumprida, passem os ajustes para outra pessoa. Nada de pagamento. E agora os caras ligam (e que mania essa de telefone – documentação pelo jeito não é importante pra algumas pessoas) contestando se devem me pagar o valor integral combinado.

Porque mais fácil do que olhar o próprio umbigo é rebater a merda.

E assim, sobrou pra mim. Que ainda aguardo o tal pagamento (sim, a confabulação sobre “quanto vale o show” já dura 8 dias além do combinado), e fecho uma porta. Me valeu um estresse razoável num dia que era pra ser de folga e recuperação. E nessas horas eu me pergunto se o que faço de fato e esse meu jeito metódico ainda serão capazes de me garantir alguma qualidade de vida dia desses. Afinal, quando você se pergunta se organização é mesmo necessária, é porque alguma coisa de fato deu muito errado.

No meu caso, ceder à zona alheia. E enquanto o pagamento não sai (seja qual e de quanto for), o negócio é seguir em frente. De preferência, sem errar de novo e sem se deixar contagiar pelo lucro fácil. Porque depois de uma noite bem dormida (e de consciência tranquila), e conversando sobre uma situação dessas com os amigos, vejo que meu caminho está bem certo sim – apesar de por vezes, deficitário.

Porque dinheiro a gente sempre arranja. E nem sempre algumas coisas valem tanto assim.

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