Aos 30

Quando pequeno, eu imaginava que seria exatamente nesse momento que aconteceria a divisão entre a vida de gandaia e a formação de uma pesonalidade séria e responsável. Suposição de quem não conhecia a vida, nem como ela funciona. Acabei de sair de um casamento grego divertidÃssimo, com três belÃssimas doses de Red Label circulando pelo meu sangue a pleno vapor e o primeiro beijo balzaco da minha pequena, que esperou pacientemente por dez minutos com o celular na mão para que quando virasse a meia noite, pudesse ser a primeira a me desejar parabéns. Nada disso fora planejado em momento algum da minha vida.
Assim como a grande maioria das minhas vitórias e derrotas, perdas e ganhos. Assim como todos os que passaram pela minha vida, e ficaram (ou se foram). Notar esse tipo de sabedoria após três décadas, e continuar apaixonado por cada senão que a vida me traz faz desse dia 31 de janeiro – mais um desses – um delicioso deleite que traduz uma única coisa: satisfação. Pois tudo o que me cerca hoje poderia ser sim melhor (sempre qualquer coisa pode ser melhor), mas dentro do que tenho, não há uma vÃrgula a se reclamar. Minha vida segue gostosamente imprevisÃvel, cheia de sonhos e com a energia acumulada de quem hoje sabe onde investÃ-la.
Aos 30.
Paredes brancas
Lembro que eu lia o Estadinho – o suplemento do Estadão que era comandado pelo Mauricio de Sousa todos os domingos. Não lembro se antes ou depois do inÃcio dos anos 90, mas sei que a variação era pequena. Oitenta e muitos ou noventa e poucos, num desses domingos a matéria de miolo daquelas quatro páginas era sobre coleções. O maior destaque entre os entrevistados era de um garoto que aparecia pendurado de cabeça pra baixo entre trocentas latinhas, de refrigerante e/ou cerveja, também não lembro. Afinal, já se passaram duas décadas dessas memórias.
Mas por algum motivo eu quis recomeçar minha coleção naquele instante. Sim, recomeçar, pois já havia feito uma dessas quando ainda morava em Santo Amaro, no sobradão de três andares. Meu quarto era gigante, e eu havia pegado emprestadas duas ou três caixas plásticas grandes do quartinho que meus pais usavam de dispensa. Creio que tenha conseguido acumular umas vinte ou trinta, quando dia desses cheguei da escola e minha mãe havia jogado tudo fora. Emputeci horrores, mas quando você tem menos de 10 anos, emputecer é tudo o que lhe resta.

Arrisquei. Peguei a tal página dupla, e fui todo pimpão mostrar a ambos o quanto aquela coleção gigante de 60 ou 70 latinhas do moleque era bacana. Pra minha surpresa, fui incentivado a recomeçar a minha. Mas antes, pedi pra minha mãe “não joga fora dessa vez, senão não vai adiantar nada guardar…”. Ela disse que tudo bem, e eu parti pra cima. Comecei, mas não foi com uma Coca-Cola, e sim com um Guaraná Antarctica. Eu acho.
E dali em diante, uma a uma, fui erguendo minhas prateleiras. Meu pai, pra minha enorme surpresa, era um entusiasta dos grandes daquelas fileiras de alumÃnio colorido. Topava parar no mais sombrio dos botecos em busca de um novo exemplar. Ainda achávamos algumas em folha de flandres: Schincariol, Malt90 e uma tal Vodka Polska. Eram essas as enferrujáveis, minhas primeiras jóias. As únicas da espécie.

Vinham os grandes eventos: Copas do Mundo, OlimpÃadas, corridas de F1, patrocÃnios do Paulistão, festas juninas, Parintins, Natais e finais de ano. Tudo era motivo para um novo modelo, um rótulo inédito, mais 350 ml goela abaixo. E quanta porcaria bebemos: cervejas americanas (as piores disparado), japonesas, australianas, suecas, alemãs, inglesas, colombianas, cervejas sem álcool, uns sucos com polpa, drinques de tomate, vinhos, achocolatados, cafés gelados e outras substâncias difÃceis de identificar. De poucas sentimos saudade.
Herdei uma coleção de um dos amigos do Carlão. Chegaram em casa três sacos plásticos (dois grandes e um pequeno). Deviam ter ali umas 50 ou 60 latas… mais ou menos a coleção do moleque do Estadinho. Algumas latinhas vieram bem baleadas, mas eu não ligava. Vasculhava cada cor, desenho, capacidade, de onde vinham, tentava gravar cada nome pra depois poder contar que tinha conseguido uma cerveja de 278 ml do Uruguai assim assado. Sequer bebia quando já tinha mais de 200 latas. Minha primeira cerveja foi pra prateleira. Uma Budweiser, que tomei na cozinha aqui de casa, com meu pai e minha mãe. Achava aquele gosto de mijo gelado com bolhas uma coisa estranha (o máximo que eu bebera até o momento era o colarinho dos choppes do meu pai, ou um tiquinho das caipirinhas de steinhaeger que ele vira e mexe pedia). Beber além da espuma era uma novidade desbravadora, e ajudar a engrossar minhas fileiras – e consequentemente sumir cada vez mais com minhas paredes – me parecia um prazer pronto a ser vivido com mais participação a partir daquele momento. Por sinal, não me lembro de algum amigo que tenha começado a beber pra poder aumentar a coleção de latas. Meu pretexto era, além de propÃcio, bastante exclusivo.

Facilitei também a vida dos que vinham de fora. Tios, primos, amigos, conhecidos, pintavam por aqui vez ou outra uma nova meia dúzia de importadas. Vale lembrar que nem sempre comprar produtos estrangeiros foi fácil ou barato, e conseguir um exemplar gringo valia e muito. Crush, Mello Yello, Canada Dry eram nomes que eu gostava de ter por aqui em versões que não circulavam em nossas prateleiras (a Crush daqui vinha em latas laranja berrantes, enquanto a de lá de fora era predominantemente preta – do mal, ou seja, muito mais legal).
Tirei alguns armarinhos. Estreitamos as prateleiras (o vento as derrubava), e reorganizamos o quarto. Outro armário dançou, e então eu fiquei só com um, com as roupas apertadas, mas as latas derramadas ao redor das paredes. Meu quarto tinha agora uma acústica invejável, e cores por toda a parte. Acabaram as paredes, e as latas continuavam chegando aos montes. Aos poucos fui obrigado a frear, até parar.

Era impossÃvel limpar aquilo tudo, mas ainda assim eu e meu pai tentamos, por duas vezes. Minha rinite gargalhava do meu nariz vermelho, mas em tais oportunidades tiramos tudo, e limpamos, uma a uma, até recolocar no lugar. Cada vez que a arrumação terminava, elas pareciam ainda mais bonitas. Era uma paixão aquele ambiente completamente destoante da casa, onde imperavam os Ãdolos rockeiros, os livros e cds, e aquela cachoeira de alumÃnio. Cada um que entrava se assustava com a quantidade naquele quadradinho apertado.
E ela estacionou. A vida seguiu, e meu pai quis a coleção pra ele. “Quando você for embora, as latinhas ficam”, ele me disse. Eu topei, sabendo que elas estariam em ótimas e felizes mãos. Alguns anos passaram, uma ou outra chegava e encaixava em alguma fresta dos espaços. Até agosto passado chegar, e levar meu pai antes que eu pudesse lhe deixar as latinhas que ele tanto gostava e tanto ajudou a montar em minhas paredes. Três meses depois encontramos nosso (ainda futuro) apartamento, e começamos a mexer os pauzinhos pro casamento sair. Eu precisava de um herdeiro.

Encontrei, num amigão de agência, que tem um sÃtio que conheci neste final de semana. Lá estão, ainda amontoadas num cantinho e clamando por espaço, as 4500 latas do rapaz. Não tomaram sol, não acumularam poeira, e parecem tão bonitas quanto as minhas. Eu achei que seria uma boa forma de promover minha coleção a outro patamar, de milhar. Que não cabia no quadradinho, que descobri abrigar com aperto 700 e poucas unidades. Elas precisam respirar, e hoje, eu também. Iniciei as entregas, e hoje terminei de fechar o último dos 7 sacos de 100 litros, onde elas farão sua viagem pra Campinas.

E o quarto, que desde hoje à tarde faz até eco, tem em suas paredes as marcas onde cada uma montou residência. Vinte anos se foram, e hoje, quando eu olho em volta e tudo o que vejo é branco, percebo que mais do que latinhas, cada gole de cada uma valeu uma história. Muitas lembranças, de suas cores, de quem as dividiu comigo, de quem as trouxe e de quem se impressionou com aquele universo brilhante. Elas eram lindas, e continuarão sendo, mas na minha lembrança. Em lindos arquivos digitais que eu cuidadosamente registrei antes de tirá-las de seus postos. Será mais fácil limpar as paredes daqui em diante, mas as paredes não têm metade da graça que tinham antes. Fato é que o tal eco e a amplitude desse quarto deixaram a clarÃssima impressão da grande mudança – aquela, que o casamento deveria trazer, mas que ficou mesmo evidente pra mim quando derrubei a última lata da prateleira.
A vida, definitivamente, está (se) mudando.
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Pra quem não viu e ficou curioso, a coleção completa (que eu pretendo em breve publicar o arquivo fotográfico) foi registrada há uns anos. Não mudou muito desde então, e era assim:
Coleção é uma coisa que todo mundo devia fazer pelo menos uma vez na vida.
27 de fevereiro de 2010
Temos uma data. A primeira.
Pra começar com tudo, de verdade. O tal chá bar, chá de cozinha… aquela coisa enfim. Nós não gostamos de chá. Não tanto assim pra ele dar nome à nossa primeira festa como famÃlia. Não chamarÃamos tanta gente pra tomar um chá. Optamos pela boa, velha e consagrada combinação de cerveja+carne, com as devidas variações. Achamos um lugar bacana, onde cabe todo mundo. Dá pra conversar, dar risada, fazer graça, enfim, celebrar.
Marcamos a data. A primeira, um pouco antes do casamento pra valer. Porque não vamos fechar igreja, nem fazer dia de noiva. Estaremos em etapas, perto de todos. Os de longa data, os de sangue, os de mesa, os da vida. O primeiro capÃtulo dessa novela curta mas bem gostosa que é nosso casamento já tem cara, e é essa:

E esses três parágrafos são apenas um registro, pra um dia, quando forem novamente lidos, nos lembrar de que tudo isso valeu a pena e que realizar um sonho desse tamanho é a coisa mais gostosa que existe. Começou, e agora é pra valer.
Se é errando que a gente aprende…
…é corrigindo os erros que a gente cresce. E aprende de verdade. E estou escrevendo issojustamente pra lembrar (e não ter que ser lembrado) disso, porque com quase 30 nas costas é hora de construir e aparecer pelas coisas boas, e não pelas ruins.
Pra quem está acostumado com recados rebatidos, esse não tem nada de misterioso não:
esse é pra mim, de verdade, e pra valer.
Um sábado em parágrafos
Depois de um final de semana extremamente corrido, cá estamos. E pra não passar por mentiroso, vamos detalhar nossa lista de coisas. Por exemplo, nosso sábado consistia em:
- lavar meu carro (fail);
- passar a limpo e ao vivo a lista de casamento;
- almoçar em algum lugar bacana;
- pesquisar lojas de colchão próximas de casa;
- ir ao chá bar do Clodolove (adorei o apelido).
Tarefas aparentemente simples. O carro não foi lavado novamente, uma vez que a higienização do menino (que era de fato o mais importante) foi orçada em 150 mangos, e levaria o dia inteiro. Comprei um kit limpeza no Carrefour e meti a mão na massa. O banco até que ficou mais limpinho, mas merece uma segunda mão. Enfim, muito dinheiro que eu não tenho força a gente a fazer coisas no braço mesmo.
Braço que parece ser desnecessário quando podemos fazer as coisas de casa, via internet. E a facilidade de montar nossas duas listas de casamento (na Americanas e na Preçolândia, pra quem já quiser nos dar uma força) nos poupou de gastar sola de sapato, até o momento em que a Anninha e o Kadu nos disseram que “é melhor conferir as coisas ao vivo… essa história de só ver pelo micro à s vezes pode ser uma baita furada”. Nos programamos para estar logo cedo na Preçolância, e assim o fizemos.
Nada como ouvir a voz da experiência. Além de notarmos que faltavam trocentas coisas à s quais nem havÃamos nos atentado, os copos que pedimos eram dignos de doses de licor, de tão pequenos. Mudamos várias coisas, riscamos outras, confirmamos a maioria e adicionamos o necessário. Já podemos divulgar…
…pois também resolvemos fechar o lugar da festa pros amigos. E assim que o e-mail do tal lugar chegar por aqui eu, divulgo o convite com datas e pormenores, tudo bonitinho.
Depois de passar duas horas analisando gôndolas de cima a baixo, fomos almoçar na maravilhosa Prato Cheio, lá na Regis Bittencourt. Churrascarias de estrada ou são um lixo ou são espetaculares, e esse é o caso da dita. Nada como um pedaço de cupim e um queijinho pra renovar as energias. Com o bucho cheio, seguimos…
…em busca de nossa cama. Resolvemos conferir qual era a do Shopping dos Colchões, na Raposo Tavares (com um nome desses, eu esperava um hangar lotado de colchões pra começo de conversa). Chegamos ao tal “shopping”, dentro do Extra, e qual não foi nossa surpresa ao sacar que aquele quartinho não era hangar nenhum. Viagem perdida, resolvemos meter as caras no Raposo Shopping, já que estávamos por ali mesmo.
Mais um erro. Um buraco, quase nenhuma loja, estacionamento improvisado e bagunçado, manobristas kamikazes, enfim… um chiqueiro. Resolvemos parar com essa história de arranjar sarna pra nos coçar, e decidimos partir para o último compromisso do dia, que era a festa do Clodô. Em Artur Alvim.
Ah, a Zona Leste… sempre tão distante. Mas fomos bem, sequer nos perdemos e chegamos na Cohab pra curtir nossa galera após uns 40 minutos. Um calor pra cada um, e dando uma força pra Lika e pro Marinho, revimos os amigos (Silvinha e Igão também apareceram por lá), comemos besteira, demos risada e saÃmos na chuva pra voltar pra nossa terra. Um sábado resumido em vários parágrafos. E no domingo, o que faltava tinha que sair. E saiu. Mas isso eu conto depois…
As coisas velhas, mas novas por aqui
Faz tempo que eu não mando uns comentários musicais aqui. Vamos brincar de falar sobre as coisas velhas que acabei de escutar e que vêm embalando minhas tardes e noites ultimamente:

Concert For George
Vários artistas (2002)
Esses shows-tributo normalmente são de uma pieguice sem fim. Chamam aquela dezena de artistas da moda, um ou outo com algum contexto, mas no final das contas a gente termina de assistir sentindo falta do original, uma vez que sua obra acaba sendo massacrada sem medo por “novos arranjos”…
Mas eu não sei o porquê pensei em algum momento que Concert For George faria parte desse meio. A produção musical de show é de Eric Clapton e Jeff Lyne, o que o isenta de qualquer suspeita quanto à qualidade do cast envolvido e dos tais novos arranjos (que foram somente enriquecidos, e não descaracterizados). Fazem parte do tributo os Beatles remanescentes, Tom Petty & The Heartbreakers, o saudosÃssimo Billy Preston, Jim Keltner e Klaus Voormann (que participaram do Concert For Bangladesh – Jim também tocou com os Traveling Wilburys), e mais vários outros artistas “menos famosos” que mereceram uma pesquisa paralela e não perdem em nada para os já citados. Além obviamente do set indiano de Ravi Shankar e sua filha, e da participação de Dhani Harrison (o filho do homem, e cuja imagem é assustadoramente igual à do pai) em praticamente todas as músicas.
O concerto em si tem as já tradicionais apresentações solo (cuja banda de fundo é conduzida por Clapton e Lyne), e um fechamento apoteótico com as últimas músicas sendo tocadas por praticamente todos juntos no palco. Repertório e arranjos espetaculares, apoiados em arranjos orquestrados. Emocionante, consistente e extremamente bem executado, o show é um primor de produção e deliciosamente tocante. Pra quem, que assim como eu, venera os Beatles e seu guitarrista mais talentoso (porque beatlemanÃaco tem seu preferido, e o meu é o George), é um verdadeiro deleite.
Live: 1975-1985
Bruce Springsteen (1986)
Live In Dublin
Bruce Springsteen (2007)
Deu vontade de ouvir o menino esses dias. Lembro bem que um dos cds que eu mais cacei (antes de lançarem no Brasil – o meu é importado) é o MTV Plugged do cara (não escrevi errado não, é elétrico mesmo). Bruce Springsteen é daquelas coisas americanas ao extremo, assim como a Estátua da Liberdade, o Burger King ou o Estado do Texas. É cafona gostar de um cara que fotografa a própria bunda presa num jeans e coloca na capa de um disco chamado “Born In The USA”… é praticamente um Galvão Bueno musical yankee.
Mas é bom, pra cacete. E a E Street Band é redonda demais, e toca muito. Fui atrás de um disco ao vivo do menino e trombei essas duas preciosidades: Live 1975-85 é de uma pegada excelente, no melhor estilo rockão da década de 80 (o álbum é de 1986). Poucas baladas e muita guitarra em 3 horas e meia de uma compilação de shows com o melhor do repertório da criança. Já Live In Dublin (2007) foi um tiro no escuro, sem olhar repertório nem nada, e a surpresa vem nos arranjos em parecria com uma Big Band espetacular chamada The Seeger Sessions Band. Gravado em 2006, prioriza um repertório Folk mas longe de ser monótono. Bruce vem envelhecendo com dignidade, e as raÃzes rockeiras do rapaz mostram-se aprimoradas, e especialmente nesse disco, equipando e acelerando o repertório da banda de apoio. De ouvir do começo ao fim fácil, fácil.
Esses foram os cometários da vez. Discos novos ou antigos, ouvindo e gostando, eu comento.
20 minutos

Os dias têm sido muito curtos, mesmo. É fato. Por exemplo, eu aqui nesse momento escrevendo esse texto, às 1h36. Cama por fazer, aproveitando as horas que seguiram após a energia elétrica voltar (Deus queira que na minha nova casa a energia caia em menor frequência, porque aqui no Taboão é ventar pra apagar tudo). Tenho um projeto conversado, apalavrado e encaminhado após uma conversa com a Vanessa no final do ano passado, mas que ainda encontra-se enclausurado num enorme saco plástico, entre tintas e pincéis. Tudo isso por causa das tais prioridades, que uma hora na vida a gente tem que levar a sério. E a minha vocês já estão carecas de saber qual é nesse momento.
Por isso mesmo que até o assunto torna-se escasso. Tudo é correria, seja pra arredondar lista de casamento, pra reservar boteco, pra pesquisar salão de festas, pra pagar contas, pra pagar mais contas, pra reservar dinheiro pra pagar outras contas, pra incomodar gerente de banco que não libera financiamento, pra pesquisar preço de cerveja, pra montar convite, pra fazer planilha…
…ufa!
Pois é mais ou menos isso. E aÃ, quando pinta meia horinha “livre” (normalmente madrugadas adentro), a gente lembra que tem blog pra escrever, portifólio pra atualizar, e-mails pra ler e responder, e tentar conciliar tudo isso sem perder muito as rédeas das situações (porque são várias). Tenho notado que ando pra lá de impaciente com qualquer coisa que pareça sair do controle ou que não esteja como deveria (se é que isso existe). Beirar esses limites é chato demais, causa um desconforto daqueles e um desgaste desnecessário, mas que nesse momento me parece inevitável, visto que a gente de fato é passÃvel de erros e deslizes, ainda mais sob uma pressão como essa que não é pequena, e que quando terminar dará inÃcio a uma nova e gigante fase nova na minha (e na nossa) vida. Ser por si é mais simples do que ser pelos outros, e daqui em diante eu sou a gente, assim como a Debs é também, e uma mudança dessas é pro resto da vida. A cabeça vira sim, e é tanto o que se repensa e se analisa que sai fumaça sim. Às vezes o trilho não segura, e a coisa desanda. Mas segue, e isso é o mais importante.
Nem pra contar novidades, muito menos bancar o engraçadinho. Escrever hoje é quase uma necessidade. Um momento pra dedicar uns 20 minutos pra parar um pouco, e trazer com calma as coisas da cabeça pra fora, e registrar aqui pra vida. Porque mesmo correndo tanto, o mais gostoso de toda viagem não é seu fim, mas o caminho que se segue, e aquilo que surge na janela.
Passa rápido. Faltam horas. Mas certamente isso tudo deixará saudades.
Dois dias a mais, dois dias a menos

Porque agora temos um par de alianças muito do legal (e que será pago em uma dezena de suaves prestações mensais), um par de padrinhos espetaculares que esperamos nós, sejam habitués de nosso espaço como somos do deles (e que não façam loucuras com a gente nesse casamento, porque o que falta ali é juÃzo), amigas que nos proporcionam tardes deliciosas de sábado, e alguns prováveis lugares bem legais pras duas festas externas: a dos amigos e a da famÃlia. Além da companhia sempre de todos, que é indispensável.
Mesmo com carro desbalanceado. Mesmo com problemas que surgem sem pedir licença. Mesmo com dinheiro justo pra pular amarelinha (mas amarelinha azul, não vermelha). Mesmo com demora pra descobrir as músicas velhas mas tão boas sempre. Porque a vida não dá pausa pra você poder encarar com a dedicação que gostaria essa correria toda.
Faltam as datas. E quando elas saÃrem, a coisa vai tomar forma rapidinho. Porque a gente vai dar um pique nessa joça digno de Usain Bolt. E a gente que pensava que seria simples e não daria trabalho… hmmm, sei.
Tudo dando certo. Já estava mais do que na hora…
Colocando a casa em ordem, e explicando algumas coisas
O rolo com a Locaweb foi o seguinte:
Escrevia aqui feliz e insone como faço normalmente pelas madrugadas adentro. Já havia ocorrido um problema cuja solução tardou mas chegou (e eu relatei aqui mesmo, há dois meses). Algum tempo depois, ocorreu outro problema, semelhante ao primeiro, mas dessa vez o atendimento foi bom e tudo se acertou rapidamente. Pois bem: estava novamente escrevendo, e por volta das duas da manhã – mesmo horário onde após postagens anteriores coincidentemente haviam acontecido os problemas, mais uma vez todos os posts do blog sumiram.
Não é necessária muita inteligência para ligar as peças. O mesmo horário para as 3 ocorrências. Logicamente alguma acontece no raio do servidor dos caras às 2h da manhã todos os dias. Algo que se coincidir com uma incidental atualização de um banco de dados (devido a uma postagem, por exemplo), faz o bicho abrir o bico e tudo ir pelos ares.
O site estava no ar.
O blog estava no ar.
Mas estava vazio, porque eu postei às duas. Problema diagnosticado.
Logicamente que no Reino Encantado da Locaweb nenhum Lorde Supremo do Conhecimento Tecnológico admitiu que seu servidor não presta, ou que existe uma rotina sujeita a merdas caso algum usuário resolva acionar certas ferramentas em determinado horário. Para eles, que não explicam a seus clientes seus próprios problemas, e só aceitam crÃticas positivas no seu Blog Maravilhoso e Cheio de Estrelas (sei disso porque desejei a eles um feliz ano novo, mas sem blog, já que o meu não funcionava, e isso não foi e nem irá pro ar como pode-se notar). O Help Desk Center dos Magos ignorou minhas orientações e tentou por diversas vezes explicar o inexplicável, sendo irônico em alguns momentos, em respostas como estamos averiguando o porquê do conteúdo “sumir”.
Monopólio de mercado dá nisso: uma única empresa cresce desenfreadamente (por méritos sim, fui cliente da Locaweb por anos), e em determinado momento passa a se importar somente com mÃdia e clientes graúdos, deixando a massa que botou esse povo lá em cima em segundo plano. Assim como aconteceu com a Telefonica, a Vivo e a Embratel, a gente só vê como funcionam os serviços de alguém quando os mesmos dão algum tipo de problema.
O da Locaweb deu, o mesmo, três vezes. Ninguém resolveu, nem resolverá.
Já migrei para outro host, do UOL. Que enquanto não der problema, será ótimo, tenho certeza. E fico aqui pensando quando de fato o Código de Defesa do Consumidor trará prejuÃzos e punições sensÃveis pra esses gigantes autistas. Porque não é possÃvel que cumprindo nossas obrigações contratuais, sejamos sempre destratados e desprezados e nada aconteça a esses caras.
E esse post vai pro ar às 2h01. Se der alguma merda, o UOL Host dança amanhã mesmo.
Começando 2010…
…em nova casa (see ya, Locaweb… vamos de UOL Host daqui em diante, até o sucesso lhes subir à cabeça), correndo feito um doido pra fazer as coisas acontecerem direito nesse casamento que quase já tem data, rezando pra receber o quanto antes o telefonema da Caixa, dizendo “assinem aqui e peguem as chaves”, em contagem regressiva pra entrada da minha terceira década, e enterrando definitivamente o ano que morreu e não deixou saudades. O post que existia pra ele, que durou pouco por aqui, foi a única coisa que ficou pelo caminho – não por vontade própria, mas porque os backups (assim como o serviço) da Locaweb não funcionam. Muita coisa tentando ser diferente. Muita exatamente igual (pro bem, e pro mal). Enfim…
…A vida seguiu, e cá estamos, começando mais um capÃtulo dessa coisinha chamada vida. Com muita, mas muita coisa mesmo prestes a acontecer. E que bom poder escrever cada uma dessas coisas por aqui, novamente.
Que seja de fato um ano muito feliz.
Adendo:
Lembro que foi um texto que tratava muito do que uma perda como a que tive em 2009 significava, e de como seria impossÃvel de ser compensada, mesmo com tudo de bom que aconteceu em paralelo (ressaca argentina, empregos novos, apartamento, planos de casamento e riscos envolvidos). Tratava de um fechamento de ciclo, e de um desejo real de boas e novas esperanças pro ano que nascia. Ficou somente a imagem.

A memória, um pouco. Mas o texto, ficou com a bagunça da Locaweb, daqui pra nunca mais. Por sinal, será pra essa empresinha a minha primeira homenagem do ano, e o mais profundo desejo que um dia cada imbecil que botou entre aspas as minhas requisições chafurde na mais mole merda.






