Masili neles!

Use-me!

Em Ilustração por Marcelo Masili - 28 de outubro de 2009

Quem acompanha meu portfolio (o vizinho do lado desse blog, o /works) sabe bem que há um tempo atrás estive enrolado com um job de uma camiseteria que estava entrando no mercado. Os motivos para as estampas – minha atuação nesse job – você pode conferir aqui, mas pra adiantar aos menos curiosos: música e bandas – paixão declarada desse que vos escreve. Pois muito bem. Nessa última segunda, a Vishi Maria foi pro ar…

…e eu fiquei BEM feliz com o resultado. A repercussão tem sido excelente, e eu ando bem empolgado em “continuar no ramo”. Por enquanto, apenas Beatles e Elvis estão à venda. Porém, o job era com dez ilustras, o que deixa claro que as outras oito muito provavelmente entrarão na roda em breve. Pra quem começou com um ímã de geladeira, ver seus desenhos em capas de cd, ilustrando revistas, livros e até caixas de sapato, estar na roupa da galera pela primeira vez me deixou com um sorriso bem do bobo essa semana. Que sejam as primeiras de muitas…

Ah, ficou curioso quanto ao íma?

O ano é 1997, e o software chama-se caneta nanquim. Escaneado, jogado no Photoshop 4 por um amigo rico, e finalizado sabe-se lá como. Minha mãe adora. Eu tenho orgulho, mas não muito… ao menos, não mais. Porque o mundo girou e eu agradeço muito por isso!

Oldies are better

Em Música por Marcelo Masili - 27 de outubro de 2009

Eu adoro milagres da tecnologia. Acredito mesmo que muita coisa absurda vem pro bem, e acho extremamente saudáveis alguns experimentos que beiram à loucura. Também gosto de efeitos especiais. Trazem realismo às coisas que a gente só imagina, e concretizam para as multidões.

Lembro bem que nos idos de mil novecentos e alguma coisa assisti no Fantástico ao clipe de Unforgettable, com Nat King Cole fazendo dueto com a filha, Natalie. Eu era criança, nem conhecia Nat King Cole, e achei aquilo espetacular: botarem ali lado a lado a filha, vivinha da silva, e o pai, gravado há muitos anos e cuja vida deixou apenas a obra. Lindo, poético, trouxe a curiosidade e dali em diante alguns novo universos musicais foram desbravados. por causa de um videoclipe: de um pequeno milagre da tecnologia.

Juntar os ídolos mortos a artistas vivos tornou-se um hábito. Às vezes muito bom, às vezes um verdadeiro sacrilégio. E dessa vez por muito pouco o American Idol não comete uma dessas. Porque qualquer produtor são de consciência não aceitaria deixar que Celine Dion subisse ao palco ao lado do Rei, tal a discrepância. Mas nem a gritaria chata da nariguda conseguiu estragar essa obra-prima chamada If I Can Dream. A montagem, no fim das contas, ficou bem bonita… e arrepia – principalmente aos mais bananas, como eu:

E o mais engraçado, ao final de tudo isso: comprova-se por A mais B que, caso fosse possível (e convenhamos, foi) colocar esses dois juntos no palco, o pica-pau de fato fica pequeno e murchinho perto do Pai De Todos. Porque assistir ao Elvis naquela época, hoje ou no futuro é sempre um deleite. Vida longa ao Rei…!

Bienvenido, dos mil nueve

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 27 de outubro de 2009

31/dez/2008 – dia 6
Puerto Madero, Buenos Aires

Saímos do hotel com um embrulhinho bom no estômago, e um princípio de frio pela primeira vez na viagem – enfim dando um refresco ao calor incessante até então. Desde o primeiro momento em que passamos por Puerto Madero (o site oficial é esse, mas as informações e fotos mais bacanas estão no outro link), resolvemos que seria ali o local do nosso primeiro brinde de 2009. As duas alamedas que ladeiam o atracadouro são repletas de restaurantes (como o TGI Friday’s) e possíveis baladas mais caras e seletivas (como o Hooters). Ao centro, dividindo os quatro diques e ligando ambos os lados está a Ponte de la Mujer, que dá ainda mais charme ao lugar. Puerto Madero é um misto interessantíssimo de tradição e modernidade, misturando a arquitetura dos diques originais (e restaurados), estruturas de ferro dos guindastes, postes e bancos com os moderníssimos prédios construídos do lado oposto, onde estão alguns dos mais caros hotéis da Argentina.

Embasados pelo potencial evidente do local (mas sem nenhuma informação sobre festividades ou o escambau), pegamos o Subte com destino à Plaza de Mayo. Chegamos, e ao sair da galeria tivemos um nó no estômago: eram aproximadamente 20h, e não havia praticamente ninguém em frente à Casa Rosada (Puerto fica logo atrás, descendo duas ruas). O sentimento de “quem mandou não perguntar” quase tomou conta da gente, mas já que estávamos ali, que fôssemos até o fim. Pouco depois chegamos ao Puerto, e a imagem era da mais absoluta tranquilidade. Algumas pessoas caminhavam por ali, mas nenhum agito condizente com a data. Porém, era notada nos restaurantes a expectativa por clientes, o que nos garantia que não havíamos apostado num local fantasma para a virada do ano.

Sentamos à beira de um dos diques. Havia esfriado bastante, e tiramos algumas fotos do local para segurança, no caso daquilo se tornar um formigueiro algumas horas depois. Pelas fotos, é possível notar o porquê de termos escolhido Puerto Madero para esse nosso primeiro reveillon casal-coxinha…

Após algum tempo, resolvemos rondar as redondezas. Algumas pessoas já chegavam, e ainda não sabíamos o que faríamos até a meia-noite. Sondamos as possibilidades de entrar em um dos restaurantes dali, mas obviamente todos os locais estavam com sua lotação esgotada, em reservas. Teríamos que nos virar na própria alameda se quiséssemos festejar com:

1) Alguma garrafa pra estourar na hora da virada;
2) Algum recheio no bucho (pois a pizza seguraria nossa onda por pouco tempo);
3) Algo pra cutucar/bebericar até lá.

As mesinhas disponíveis ao redor de um quiosque, próximo à Ponte de la Mujer, já estavam todas ocupadas. Ainda era cedo (não passava das 21h), e enquanto eu vasculhava a redondeza em busca de alternativas, a Debs discretamente solta um “vão sair aqui, ó…”. E no que eu olhei, o casal de trás da gente levanta. Em menos de um segundo estávamos sentados, em frente ao quiosque e de frente pro cais. A ponte, à esquerda. E nesse cais, exatamente na nossa frente, o Museu Fragata Presidente Sarmiento, que como pode-se notar pelo link, completa muito bem a paisagem deslumbrante que garimpamos – e sem reservar absolutamente nada…

Devidamente acomodados (e nos sentindo os mais sortudos do mundo com tamanha mordomia – e não estávamos errados, dado o que viria dali em frente), e com mais ou menos três horas até a virada, era hora de consumir. Mas olhando para o quiosque, a situação era desanimadora: uma fila enorme, e predominantemente brasileira. Ninguém quer passar as últimas horas do ano numa fila, então o que fazer? Amizade com o garçom, claro! O único do local, por sinal. Imagem e semelhança do

As últimas observações do ano foram que:

1) mesmo na roça, o sanduíche veio bonitinho e gostoso;
2) as taças eram de vidro. Não tinham medo que roubássemos nada;
3) e a fila havia aumentado.

Ou seja: DEU TUDO CERTO. E agora, era só levar a garrafa pra beiradinha do cais, e esperar 2008 partir. E comemorar, muito, por tudo ter saído melhor que o esperado. Não havia mais frio. Nem a chuva da tarde. A noite estava linda, e a lua só não era maior que a nossa cara de bobo. Daí em diante, foi só contar…

Depois disso, instaurou-se festa (ao som de Chiclete com Banana, que fique registrado o quão malandro foi o TGI Friday’s). E entre abraços, beijos, planos e esperanças, e muita alegria dessa nossa viagem tão inesperada e raçuda ter sido coroada com cores tão bonitas, até tivemos tempo pra registrar um pouquinho mais dela. Aqui:

Mas a noite ainda estava longe de acabar.

Pizza, panceta, chuva e cochilo…

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 25 de outubro de 2009

31/dez/2008 – dia 6
Recoleta, Buenos Aires

Após saborear os resultados de 5 dias de economia inteligente, era hora de perder um pouco do juízo. Voltamos ao Ateneo, e passeamos felizes pelos andares do teatro, em busca de novos recheios para as nossas estantes. A Debs separou três, e eu mais três (que estão naquele post linkado ali em cima) para trazermos pra casa. E novamente sentimos a enorme diferença de valores entre Brasil e Argentina, pois apesar de vários títulos não terem grandes diferenças de preço entre os dois países, um país que valoriza a leitura como o dos caras possui diversas jóias facilmente garimpáveis e bastante acessíveis. Após caçarmos as nossas, saímos de lá felizes e abastecidos a caminho de algum lugar pra almoçar.

Deixamos as sacolas no hotel e de lá resolvemos caçar algum restaurante pelas redondezas. Duas quadras depois estávamos na Cala Pizza, que assim como o Costa Verde, serviria de pretexto para desafiarmos a culinária local com um dos maiores trunfos paulistas: a pizza. O lugar estava praticamente vazio – eram mais ou menos 15h – e pedimos nossas pintas de Quilmes para acompanhar a redonda. O custo-benefício foi excelente, uma vez que fomos muito bem atendidos, e as duas atendentes que estavam ali se esforçavam para nos explicar o que seria a tal da PANCETA que estava no cardápio. Após duras penas e algumas tentativas, descobrimos que se JAMÓN era PRESUNTO, PANCETA era BACON.

E nesse momento, de sabores italianos e ansiedade quanto à noite… cai a chuva, pela primeira vez em Buenos Aires (primeira e última, graças a Deus). Ajudou na atmosfera preguicenta da tarde (segundo a Debs, a chuva ali sigificava a purificação de 2009 – sim, era esse o nosso estado mental). Vale salientar que tal depoimento foi gravado brilhantemente por esse que vos escreve com o dedão em cima do microfone, o que ajudou bastante para que o áudio ficasse inteligível. Comprove:

Pedimos mais duas pintas de Quilmes, e na hora de pagar a conta, notamos que essa última rodada não havia sido cobrada. Alertamos a garçonete, e ela disse que “era por conta da casa, já que eles estavam quase fechando e era ano novo”.

Feliz ano novo pra você também, Cala… :)

Saímos de lá, tomei um tropeção na calçada ao registrar em vídeo nossa incursão chicana à culinária italiana, e fomos pro hotel com a Debs tendo um ataque de riso sem fim. E não, eu não quebrei o pé, a cabeça nem nada do tipo. A bateria da máquina simplesmente falhou no momento da topada, mas a impressão que se tem quando termina o vídeo é próxima a um duplo twist carpado. Porque aqui não há porquê não se assumir o próprio ridículo:

Chegamos ao hotel, e ao final do ataque de riso pegamos no sono e tiramos um cochilo antes da grande noite. Afinal de contas, ninguém é de ferro, e tudo dali em diante era aposta no instinto. Mais duas horinhas e começaríamos nossa incursão nos últimos minutos de 2008…

A felicidade é Un Peso…

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 25 de outubro de 2009

31/dez/2008 – dia 6
Recoleta, Buenos Aires

O último dia do ano começou tenso: precisávamos descarregar os arquivos do dia anterior – afinal de contas, passaríamos o ano novo em Puerto Madero* e registrar esse momento seria algo pra lá de especial – as duas máquinas (a da Debs, que é profissa, e a minha, que é for dummies não poderiam de forma alguma nos colocar em risco, na impossibilidade de registrar o que viesse pela frente. portanto, lá fomos nós para o único café em Buenos Aires que gravava em DVD, e além disso, precisávamos conferir mais uma coisinha que ainda não havíamos visto: nossas contas bancárias.

Aos que não se lembram, não sabem ou não imaginam: estávamos em Buenos Aires com as economias acumuladas nos últimos meses, e desempregados. Ambos. Portanto, apesar do Peso Argentino não valer patavinas, estávamos aproveitando a viagem com certa parcimônia. Nossa fortuna acumulada era razoável, mas não confortável a ponto de saírmos aos quatro cantos esbanjando as notas portenhas.

Chegamos à mesma lan house/café/gráfica rápida onde havíamos descarregado os cartões anteriormente. Em um dos 3 micros, tomamos coragem e fomos conferir nossos extratos bancários. Sim, pois não sabemos até hoje como funciona direito a conversão dos valores retirados nos caixas da Rede Plus por lá em valores brasileiros. O fato é que, ao percebermos que aquilo que havíamos gastado não era nem metade do que imaginávamos que nos seria cobrado (entre impostos e taxas, o prejuízo foi mínimo**), a alegria nos contagiou… o que estávamos esperando pra vivermos os últimos 4 dias naquele país com o devido glamour de quem sai do país pela primeira vez?

A noite seria pequena pra tamanha euforia…!

* Que se diga: não sabíamos onde passaríamos nosso reveillon. Fomos pra Buenos Aires sem a menor ideia do que encontraríamos pela frente. Compramos dois guias, conversamos com gente que já havia ido, estabelecemos certas metas, mas não fizemos reserva de nada em lugar algum. Puerto madero nos pareceu uma ótima opção pela estrutura do lugar, e pelas possibilidades, mas nunca nos informamos se ali de fato haveriam comemorações, queima de fogos e o escambau. Pode parecer óbvia uma constatação dessas pra quem está de fora, mas para a gente continuou sendo uma incógnita (e um desejo);

** Recomendamos veementemente a quem vai para a Argentina: com o câmbio atual, leve o mínimo de dinheiro em Pesos daqui pra lá. Apenas o suficiente para as despesas de aeroporto e traslado até o hotel por lá. Depois disso, saque por lá mesmo. É muito mais negócio.

Loucos ficamos nós… e famintos!

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 20 de outubro de 2009

30/dez/2008 – dia 5
Recoleta, Buenos Aires

O Village Recoleta é um centro comercial digno de Oscar Freire pra cima. Livraria gigante, cinemas bonitões, lanchonetes, e alguns restaurantes bem chiquetosos. Mas demos de ombros e metemos a cara no tal do Locos Por El Fútbol, porque a fome era voraz e aparentemente um lugar bonitão como aquele e todo tematizado com futebol de fato parecia bem bacana. Garçons e garçonetes modelinhos, e um menu bastante apetitoso, pedimos dois pratos com a promessa que a culinária local permaneceria invicta e mostrando-se digna de todo o respeito adquirido.

Tomamos na lomba.

Rango estranho, com cara de fast food, e sabor idem. Carinha de linha de montagem, pagamos $95 pela nossa refeição mais cara (e mais xexelenta) da viagem. E numa manhã em que um taxista nos passa a perna, levar outra rasteira no mesmo dia merecia um revide digno de quem sabe o que quer. E nós sabíamos:

- Queríamos alfajor.

E a duas quadras dali, a Havanna fez tudo o que aquele templo temático do esporte bretão não foi capaz de fazer… nos trouxe a felicidade! E as postagens do dia 30 também terminam aqui. O dia mais legal da viagem estava chegando…

La Boca

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 20 de outubro de 2009

30/dez/2008 – dia 5
La Boca, Buenos Aires

Posso dizer que o passeio pela Boca foi um dos momentos mais aguardados da viagem, especialmente por mim. E não, isso não aconteceu por causa do Boca Juniors, da Bombonera nem nada ligado ao futebol. Por sinal, não visitei o glorioso gramado do time de Maradona e Carlitos, nem seu museu. Pode parecer uma heresia, mas o que eu queria ver por lá era isso aqui, de verdade…

PARTE 1 – dolores…

Mas antes da chegada ao bairro, uma historinha:

Pegamos o Subte até o estação Constitución, que não era nada perto, diga-se de passagem. Ao chegar na dita, notamos o porquê de tantos conselhos quanto ao cuidado com a segurança pros lados da Boca: com sobras, era o lugar com mais cara de periferia que havíamos ido até o momento. Estação suja, movimentada pra burro. Saímos dali com certa pressa, e fomos atrás de um taxi que nos levasse ao Caminito.

O critério, porém, para a escolha do taxi em momento algum foi o estado do carro. Por sinal, encontrar um carro de frota “inteiro” em Buenos Aires é praticamente impossível. Então as regras se estabeleceram: a cara mais confiável será a que nos levará até lá. Passou um mulambo, e nós dispensamos. Em seguida, chegou um velhinho todo simpático. Com cara de “é lógico que esse aí é confiável”, entramos rapidinho no carro do vovô e pedimos para que nos levasse a nosso destino.

E ele foi. E não demorou para que notássemos que o tiozinho não ligou taxímetro algum. Uns 15 minutos depois, a umas três quadras do Caminito (num lugar que parecia um misto de zona cerealista com rua do Hipódromo), o senhor pára o carro e sentencia: “17 pesos. E é só caminhar um pouco que vocês chegam…”.

Cara de idiota vezes dois. Enfim, caímos em um golpe…

Trauma superado e meia dúzia de xingamentos à falecida progenitora do velhinho, entramos no Caminito. E rapidamente um enxame de vendedores, garçons, dançarinos, e todo tipo de comerciante local nos assediava periodicamente. Pra quem já foi à Porto Seguro, é mais ou menos o que acontece com os vendedores de camarão e os moleques que fazem tatuagem de henna. Mas a delicadeza é uma característica comum a mim e à Debs, e nos desvencilhamos de todos com a devida educação.

Fizeram um baita terrorismo quanto ao lugar ser infestado de malandros e coisa do tipo. Com essa estatura espetacular, fiquei bancando o segurança enquanto a Debs fotografava o lugar. E olha… falar de malandragem, violência e essa pataquada toda pra quem vive em São Paulo às vezes soa como brincadeira. Ainda mais quando a coisa não se mostra nada disso… portanto, chega de reclamar e vamos à parte boa do passeio…

PARTE 2 – y colores…

Pra abrilhantar ainda mais as cores do lugar – porque sim, é tudo tão vivo que parece de brinquedo – novamente o Sol deu o ar da graça e o céu azulou sem piedade. Das poucas referências visuais que tínhamos antes da viagem, provavelmente a mais forte fosse essa (que todo mundo conhece). E vê-la ao vivo foi pra lá de bom…

Dos postes aos bancos, tudo grita. A arquitetura do local de fato é única, e apesar dos moradores (ou você acha que não mora ninguém nessas casinhas coloridas?) serem aparentemente bastante pobres, o turismo segura as pontas do local com méritos. Casais dançam tango e posam o tempo todo para fotos com os que passam por ali. O idioma local era o Português, disparado. Eu estava extasiado vendo meu desenho mais bacana tomar vida na minha frente. A Debs disparava clique atrás de clique, e aos poucos fomos percorrendo o pequeno e colorido trajeto, felizes da vida.

As placas também são um show à parte, assim como a decoração das sacadas, jardins e janelas, que não possuem nada parecido que possa ser comparado para situar a quem não conhece. A tecnologia passa longe do Caminito, a não ser pelos trocentos celulares e câmeras que registram tudo o que acontece naquela quadra. O passeio ali te faz sentir num desenho animado.

Logicamente, depois do estímulo visual inédito que tivemos ao passar pelo local, algumas cores relembram a você que sim – aquela é La Boca. Onde azul e amarelo falam muito mais alto que vermelho e branco. Evita, Dieguito e Gardel são presença frequente em qualquer produto que se veja pelas alamedas. Canecas, pratos, quadros, camisetas, chaveiros, pôsteres… são eles os donos da festa, definitivamente. A torcida boquense, como pode-se notar logo abaixo, veste e honra as cores de seu time…

Bem, o passeio pelo Caminito não é só esse comercial da Sony Bravia modelo latino. Havia muita coisa pra ser vista por ali ainda, e tínhamos esperanças de prestigiar o comérico local adquirindo algumas bugigangas portenhas para presentear a família e os amigos. Mas pra fechar os comentários sobre o passeio em si (e antes de falar de todo o outro universo que faz parte daquelas poucas ruas), duas fotos que trazem pra perto o clima que sentíamos ao estar ali. E também a repercussão local com a nossa presença…

E daí em diante, partimos pra tão esperada jornada em busca da foto de um casal dançando tango. Nada mais turístico, mais local e mais óbvio. Afinal de contas, se os gringos vêm pra cá tomar caipirinha, é justo que queiramos tais lembranças em nossa primeira visita…

PARTE 3 – …del tango.

Logo de cara, chega-se a uma conclusão: se você quer imagens de pessoas bonitas dançando, o local pra isso não é ali, custa mais de $100 e pede trajes mais nobres. Os casais no Caminito, se não eram muito feios, eram muito sofridos. Uma dançarina posa em frente à Havanna com quem passar… agarra a cuecada mesmo, sem dó nem piedade. E logicamente, pede unzinho “por tal privilégio”. Nunca agarrei tão forte o braço da Pequena.

Após um anda-pra-cá, anda-pra-lá daqueles, a Debs encontrou nossas vítimas. Mas antes de arriscar a tal foto, impossível não se comover e curtir o vovozinho que mandava um tango nervosíssimo em frente a uma das casas. Assim como os casais (e todos ali), contando sempre com a contribuição e a generosidade dos turistas. Merecia várias moedinhas o danado…

Velhinho registrado, fui esperar a tal foto numa vila dentro do Caminito onde vende-se toda aquela bugiganga que se espera encontrar ali. Novamente o “sentimento Embu das Artes” tomou conta, e depois de muito vasculhar e nada encontrar por ali, a debs chega pra mim e pergunta:

- Quanto dinheiro você tem aí?
- Sei lá… por quê?
- Eu tirei umas fotos dos dois… e assim que terminei, o cara chegou pra mim com cara de que queria o dele…
- …
- …

Juro. Dei uma apalpada nos bolsos, e só veio moedinha. Deviam ter mais umas notas lá, mas todas graúdas. E a decisão de ambos foi: “deixa começar a música, e a gente passa por lá com cara de paisagem e se manda”. Dito e feito. E afinal de contas, algum argentino ia acabar pagando pela malandragem do safado do taxista… mas as fotos ao menos ficaram boas.

Era quase metade da tarde quando saímos de lá. Varados de fome, a Debs me perguntou por várias vezes se eu não queria mesmo ir à Bombonera. Não fiz questão – nosso programa a dois vinha dando muito certo e eu não trocaria aquilo por uma satisfação pessoal que nem era tão grande assim. Escolhemos um taxi pra voltar. Taxi esse devidamente fiscalizado, conversado e divertido. Cobrou direitinho e com tarifa de taxímetro. Não fugiu muito do valor do velhinho pilantra. E pra compensar a não-ida ao reduto futebolístico boquense, ganhei de presente um almoço no Locos Por El Fútbol

…que se nós soubéssemos como seria, provavelmente faríamos outra opção…

Pôr-do-sol na Vila do Chaves

Em Chacotas por Marcelo Masili - 19 de outubro de 2009

Os sonhos estavam ali, dentro daquele barril. Mas nada… e vez ou outra ela se debandava pros lados do menininho rico e bochechudo. Mas nada. Então um dia, depois de muito tempo, ela conseguiu um emprego, e passou a trabalhar com produção gráfica na Sunset. E quando ninguém mais esperava, Chiquinha encontra Nhonho e finalmente desencalha.

E isso porque ainda é segunda-feira.

Tecnologia de rolo de fita

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 19 de outubro de 2009

30/dez/2008 – dia 5
Recoleta, Buenos Aires

Acordamos doloridos pela caminhada insana do dia anterior. Havíamos sido alertados sobre o quanto é possível se andar em Buenos Aires, e o quanto isso custa às pernas. Cidade plana, acessível… tudo doía. Meu tênis furou, literalmente. Aposentei meu New Balance ali mesmo e comecei a arrebentar um Reebok que hoje em dia uso pra jogar salão, tal a amolecida e as rachaduras laterais que o dito ganhou.

Os cartões de memória da máquina da Debs se aproximavam do limite da capacidade, então o que fazer? Procurar uma Lan House e gravar um ou dois DVDs. Pois muito bem… saímos cedo pra resolver esse problema. E após frustrarmos nossas primeiras tentativas (“…solo cds…”, “no hay gravadores…”), começamos a nos questionar: será que esse povo ainda está na era do VHS? Não é possível que viv’alma não conheça DVD por aqui! Batemos perna, e nada de Lan House. Quando surgia, apenas gravadores de CD. Nossos hábitos paulistas nos traíam novamente. Pensar que tudo o que se encontra por aqui encontra-se por lá é uma tremenda furada. Não era a primeira vez, e não seria a última, pro bem e pro mal.

No fim das contas, conseguimos. Encontramos um café (mais um) que possuía 3 micros e uma gráfica rápida (é, estranho mesmo, mas a essa altura não nos surpreendíamos tão facilmente com mais nada). Descarregaram os cartões enquanto tomávamos mais um café da manhã padrão. Meu suco pra Debs, o café dela pra mim, uns biscoitinhos, medialunas e nossos novos DVDs, com fotos em alta e a certeza de que poderíamos continuar nossa viagem com tranquilidade (e carregando os devidos registros).

Próxima parada: Caminito e o tal bairro da Boca.

Pra não roncar à noite

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 19 de outubro de 2009

29/dez/2008 – dia 4
Recoleta, Buenos Aires

Saco vazio não para em pé, mas nossos pés não aguentam uma nova caminhada. Vamos fazer um repeteco do glorioso, delicioso e apetitoso Costa Verde? Simbora.

E fechamos a noite no dito, sem muita cerimônia e com o restaurante praticamente vazio. Novamente, numa educação que não estamos acostumados e que fez do lugar um de nossos pontos preferidos durante a viagem, seguramos um pouco o sono (que não era pequeno) em prol do sabor das papas, do bife de chorizo e do cappeletti – sim, porque eu precisava saber se esses caras sabem cozinhar um macarrão. A napa não deixa mentir a paixão pela coisa…

O que os olhos vêem nossos estômagos comprovaram. E dormimos felizes.

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