Masili neles!

Sorria

Em Música por Marcelo Masili - 29 de setembro de 2009

Se existe algo recompensante aos curiosos de plantão é descobrir pérolas, de qualquer tipo: um filme, um sabor, um cantinho, uma promoção. Nesse final de semana, eu descobri uma. Óbvia que só, mas deliciosa de ser apreciada, e cujo valor de mercado vai às alturas depois de uma análise mais aprofundada. Por sinal, é exatamente nesse remexer de informações e dados históricos que ela de fato adquire seu real valor.

Foi num zapear de canais, que na minha TV (que só passa sinal aberto) me deparei com um tal Especial na MTV Brasil. Especial que claramente não era produzido pela MTV, pelo tempo de duração – quase duas horas – e pela profundidade na abordagem do assunto abordado.

A produção de Smile, por Brian Wilson.

Que há tempos eu tenho perfeita noção da grandiosidade da sua obra e quão importante ele foi para os Beach Boys. De quanto a cabeça dele influenciou os quatro de Liverpool e toda essa coisa. É pré-requisito saber esse bê-a-bá se você, mais do que curtir, gosta mesmo de estudar as histórias do rock e da música pop.

E Brian Wilson é aquele personagem enigmático que normalmente não é a referência padrão, muito menos sua obra tem uma difusão tão grande quanto a dos Beatles. Mas o tal do especial (que posteriormente descobri ser um filme bem do bom, que lá fora é baratinho mas aqui no Brasil custa os olhos da cara mas que eu tô babando pra conseguir um original – já que o torrent veio rapidinho), chamado “Beautiful Dreamer: Brian Wilson and the Story of Smile” é de uma absurda competência. Os depoimentos de Brian sobre seu tempo de reclusão, sua forma de controlar – ou não – sua mente criativa, suas relações pessoais e as narrativas sobre sua queda e ascenção são emocionantes. As entrevistas são de raríssima felicidade, com depoimentos de gênios como Van Dyke Parks (o produtor original de Smile), Elvis Costello, Roger Daltrey, George Martin e até a aparição de um tal de Paul McCartney.

E abrilhanta ainda mais uma obra como a de Brian Wilson conhecer o quão absurda pode ser a mente de um ser humano, que faz da criatividade excessiva uma aptidão de gênio e uma cratera para a queda. Encontrei em pesquisas posteriores essa matéria, que resume bem muito daquilo que se vê no filme. Vale ler, vale ouvir, e vale muito conhecer. Porque ainda dá pra se maravilhar com as histórias de superação desse ou daquele indivíduo por aí.

E sim, ainda existe muita coisa boa nesse mundo… e alguns gênios por aí.

Sérgios (por AlmapBBDO)

Em Chacotas por Marcelo Masili - 25 de setembro de 2009

Além do roteiro bom como a grande maioria das vezes, tem o sensacional Silvio Luiz, só pra lembrar que tem coisa bem mais legal do que aquela cor de hamburguer do Galvão e as reportagens inclusivas de Mauro Naves. E que saudade de uns caras que nem o Chulapa, que não ficavam melindradinhos com entrevista de ninguém, e partiam às vias de fato pra resolver a cutucada com uma fratura exposta.

E quanto ao Serginho Mallandro… bem, ao menos ele não foi educado no exterior. Nem aqui.

Up

Em Cinema por Marcelo Masili - 24 de setembro de 2009

Vez ou outra a gente encontra um filme bom pelo caminho. Bom mesmo, daqueles que você diz “veria de novo” ou “compraria o DVD” assim que os créditos sobem.

Assistimos UP ontem, e pra quem já conhece a Pixar e acha que eles não são capazes de se superar, eu recomendo ainda mais.

Porque quem é capaz de te cativar com um peixinho, um carrinho, um ratinho francês ou um monstrinho zoiudo, não seria diferente com um velhinho solitário e um escoteiro gorducho. Mais do que isso: esquece-se completamente da qualidade da animação, dos investimentos em cinema 3D e de toda a parafernália técnica existente nos filmes da produtora, tamanha a competência em relação aos roteiros propostos.

UP emociona SIM. Tem uma das melhores sequências de romance da História do cinema, sem exageros. Sutil, intenso, bonito bonito. E leve… cheio de valores, de poesia em diversos momentos. Nem de longe é um filme infantil, e somente isso. Não faltam as piadas e o escracho que um roteiro que propõe a saga de um velhinho que atravessa o continente numa casinha suspensa por balões de gás hélio poderia trazer. Mas novamente, valem os detalhes. Os pedacinhos especiais, que polvilham o filme. Que passa rápido demais, de tão gostoso.

Não escrevo sobre nenhuma linha dele. Mas deixo a recomendação. Com ênfase. E repito:
- Veria de novo.

P.S.: As distribuidoras nacionais continuam com medo de trazer animações legendadas. É lamentável, cada vez mais. Porém, UP abre uma deliciosa exceção à dublagem soberba de Chico Anysio, fazendo a voz (e o coração, por assim dizer) de Carl Fredericksen, o velhinho. E dá um show, que me faz acreditar que talvez dessa vez, em um momento raro e extremamente feliz, a versão nacional tenha superado a original.

O fim de semana no começo de semana

Em Vidinha por Marcelo Masili - 21 de setembro de 2009

Tem sido tudo muito bom.

Planejar minha vida com ela.
Reencontrar o prazer de escrever.
Rever minha família sábado.
Reviver minha família domingo.
Dar uns furos n’água por aí.
Receber novas músicas.
Gastar gasolina.
Ajudar uns velhinhos.
Falar besteira (com e sem palavrões).
Dormir dez horas numa noite.
Deixar as coincidências acontecerem, e rir delas.
Redecorar a casa.

Enfim, estar de volta à vida.

Quarteirão com queijo, batata frita e uma Coca grande

Em Vidinha por Marcelo Masili - 18 de setembro de 2009

- Por que esse povo fala alto desse jeito?
- Porque eles tão indo pra balada, amor. Enquanto a gente, terminando aqui, vai pra casa…
- Ou seja, porque a gente tá velho.
- É…

Não que seja algo deprimente a gente admitir que os programas caseiros nos atraem mais, menos ainda abrir mão da noite paulistana em prol dos DVDs e rocamboles de edredom. Mas a percepção de que aquilo que era legal há uma década e hoje te parece insuportável é uma coisa perturbadora às vezes. E barulhenta.

Sim, preferimos os programas unplugged.

Quem espera…?

Em Vidinha por Marcelo Masili - 17 de setembro de 2009

Ontem recomeçamos a busca por nosso futuro apartamento.

Quando digo isso, leia-se “Ok, estamos querendo mesmo casar porque essa história de falar tchau toda noite já deu o que tinha que dar”. Esquecemos da fome, e elegemos oito possíveis vítimas para esse fim de semana. Nesa brincadeira, já abri poupança, já fizemos planejamento financeiro, já fechamos a mão e tudo o que um casal coxinha curte fazer. Brincar de gente grande é uma delícia, mas dá um frio na barriga daqueles (ou que nem esse, onde dá pra ver direitinho como é segurar a ansiedade pra ganhar a recompensa no final):

Thanks Bibizim, pela ótima dica ;)

Mas de tudo, o mais bacana é que esse monte de cuidado tem dado resultado, e enfim vamos sair pra guerra sabendo o que queremos, o quanto podemos e como fazer. Ou seja: tanto frio na barriga só tende a aumentar a nossa vontade (e ansiedade) em concretizar o segundo marshmallow. Enquanto isso, vamos ficar que nem a molecada aí em cima…

Kadu aos 30

Em Amigos por Marcelo Masili - 16 de setembro de 2009

Não lembro bem como foi, mas lembro sim que mesmo com aquele jeito de campeão mundial da Matemática, o cara era um baita dum goleiro. Eu o conheci provavelmente em uma das convocações de time da escola, durante a Educação Física.

Nunca fomos os mais populares. Eu falava rápido e gaguejava. Ele falava baixo e sorria todo desajeitado pra galera. Nunca estava triste, desesperado com as provas finais. Fechávamos as notas no terceiro bimestre e ficávamos desenhando enquanto a galera se matava no último quarto de ano.

Mas o que fez o Kaduzão garantir sua galera dali em diante foram as infindas reuniões na casa da Viaza, no coração do Campo Belo. Sala gigante, aquele som da Aiwa que fazia um puta dum barulho maravilhoso, e inúmeros cds farofentos. Coleções de Van Halen, Mötley Crüe, Poison e Bon Jovi, fitas e fitas gravadas, peneiragens na Galeria do Rock. Fizemos assim a transição entre infância e adolescência, varando noites assaltando a geladeira, instalando Windows 98 disquete por disquete, apanhando nos joguinhos de micro, e trocando confissões e expectativas ante ao desconhecido e inóspito universo feminino, que tanto nos repelia. Porque naquela época, ser nerd não era tão legal como hoje em dia…

Kadu. Responsável direto pela catequização musical.

Crescemos, seguimos cada qual seu caminho, mas permanecemos unidos – e às vezes marcando até carona de metrô pra botar os assuntos em dia. E mesmo com os horários malucos do rapaz, com as minhas eternas imersões em freelas sem prazo, conciliamos as horas livres, apresentamos namoradas (agora esposa dele, e a minha quase), viajamos, bebemos, jogamos e demos muita, mas muita risada. E nunca, absolutamente nunca, passamos pelo mal-estar da falta de assunto, e das coisas não ditas.

Nessa mesma página eu fui responsável pela única briga que tivemos (e que durou absurdos dois anos, até marcarmos uma cerveja e nunca mais falarmos na cagada que cometi – e tudo voltou ao normal depois de uns 20 segundos de mesa), e hoje quero ser responsável por essa pequena homenagem a um dos meus maiores e melhores amigos, que esteve sim comigo em todos os momentos mais importantes da minha vida. Dos mais incríveis aos mais complicados, eu resumiria o significado desse cara na minha vida àquilo que possa ser a mais perfeita das amizades. E acho que se a gente é capaz de mandar um obrigado: pelas músicas, pelas cervejas, pela cumplicidade e por todo o resto. Tu é foda cara.

Brother, bem-vindo aos 30. Daqui a pouco te alcanço. Um puta abraço e cerveja sabadão.

Porque eu tenho quase 30…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de setembro de 2009

…e dancei muito essa coisa brega, melada e que todo mundo viu e sabe cantar.

Patrick Swayze em Dirty Dancing

As vindas

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de setembro de 2009

E afinal, nada nessa vida é óbvio.

E enquanto uns vão, outros voltam. Alguns rostos que estavam na multidão, ou cuja atenção dispensada anteriormente nem era tanta (pois dedicava-se mais tempo a outras coisas/pessoas que em determinado momento abriram mão de sua importância) sorriem enquanto você chora. Abraços inesperados. Gente que fazia parte de não sei, de nunca mais, de longe daqui.

Algumas coisas possuem um novo sabor. De uma chance certa, pois justamente quando não se esperava nada dali, dali aparece e torna-se peça-chave pra que tudo fique bem de novo. A gente vê que envelheceu, que parou de correr tanto e que as coisas ficam mais fáceis, mais tranquilas. E que certas coisas lá de trás já não fazem tanto sentido nem são mais importantes do que o bom dia de hoje.

A gente se cansa de esquentar a cabeça por besteira. Fazer probleminha virar problemão. E depois de tanta água e tanta aspírina, nota-se: o que é bom fica, o que é ruim dói, esfria e cicatriza. Em outros casos, pessoas de 3, 4 meses de convivência se importam muito mais do que deveriam com seu bem-estar. Não questionam o óbvio, e mesmo assim oferecem apoio irrestrito. Mais alguns que sequer te conhecem direito, e não te negam carinho. Transborda, conforta horrores.

A vida segue mais fácil assim. E estar ciente que novos dias ainda te esperam é tudo o que importa nessas horas. As trevas que  fiquem no passado, congeladas naquele iceberg bem distante. O tempo agora, é de prosperar. E sorrir, porque é pra isso que a gente tá aqui.

Casa limpa, e pronta pra receber os amigos.

As idas

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de setembro de 2009

Poucas são as vezes que de fato precisamos de alguém por perto, e que estar sozinho torna-se algo perigoso. Não digo perigoso fisicamente, mas para suportar certas coisas duas pernas não bastam. Procurar ajuda fica mais fácil com o tempo, em que deixamos a pose de lado e admitimos que somos sim muito frágeis em momentos mais delicados. E nessas horas, entram em cena a família e os amigos.

No meu caso, só os amigos.

Mais de mês depois, muita coisa passou pela minha cabeça analisando esse processo maldito pelo qual passamos até a morte do velhão. Muita coisa aconteceu. E é um daqueles momentos que você sabe (ou ao menos imagina) que vão acontecer na sua vida. Que são inevitáveis, e ainda assim impossíveis de se imaginar, tanto naquilo que se sente enquanto duram, quanto nos estragos causados.

E dos trocentos erros que a gente comete nesse tipo de situação (que é completamente irracional), um deles é esperar algo das pessoas. De algumas, pelo menos. Pois eu não fui decepcionado, em nada, por aquela meia dúzia que eu sei poder contar pra qualquer coisa. Dos que estiveram de alguma forma me acompanhando da forma que fosse durante esses últimos 3 anos, enquanto esse processo acontecia. Por telefone, por e-mail, por sinal de fumaça, quem se importa o método? Abraços chegam, pessoalmente ou não.

Mas faltou alguém.

E nessas horas, ausências são sim notadas. E sentidas. Mas quando essa ausência é reincidente, não sabendo de nada durante os tais 3 anos, esquecendo de aniversários, Natais, Reveillons e nome de namorada, e atrasando 15 dias pra se fazer ouvir da forma mais boçal possível, a amizade acaba, instantaneamente.

As pessoas não perdem seu valor. Mas as atitudes determinam sua cotação. Alguns têm crédito eterno. Outros vivem renovando e agregando. Uns poucos vez ou outra dão o sinal da graça, mas de uma forma tão intensa que lhes permite sumir do mapa por um tempão. Mas uma sequência extremamente negativa, e uma cereja como a pergunta feita ao telefone (O que seu pai tinha? Ele estava doente?) mostram o tamanho da omissão.

É cartão vermelho. Sem direito a recurso. Porque eu tenho que cuidar de quem cuida de mim, e tem gente que merece muito mais crédito do que esse saudosismo por notícia velha. Já perdi amigos por causas menores, mas nesse caso, me sinto no total direito de tomar um momento de expectativa como esse, e transformá-lo em motivo pra lá de justificado pra mandar gente pra longe. Porque omissão tem limite.

E o meu já estourou.

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