Masili neles!

00:58h

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de agosto de 2009

Canta, Madeleine.

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E desde sempre ouvi de quem me conhece um pouco que seja, que quando o coração aperta, quando a saudade chega, quando se faz a falta, eu corro pra mesa, pros papéis, pros lápis, e nessa última década, pra frente do micro, e me escondo no trabalho. E entre o abraço da pequena, nossas noites bobas derramados em algum banco por aí, ou debaixo de briefings e mais briefings dos muitos e ótimos clientes, eu me refugio. E vou me acostumando ao andar desse cachorro de três patas.

Nunca será normal, mas a gente se redescobre.

As noites andam mais calmas, menos doídas. Sua voz me deixa feliz. Existe todo um mundo que sempre esteve ali mas que nunca foi explorado. Existem novos pensamentos. E muitos vazios, muitos porquês que nunca serão respondidos. Mas os dias, as noites, esses continuam acontecendo, e a vida permanece bonita. Sim, existe muito trabalho a se fazer. Mais do que isso: esse coração ainda tem muito o que bater.

E sim…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 6 de agosto de 2009

…eu voltei a escrever desenfreadamente pra jogar pros posts anteriores toda e qualquer lembrança dessa época desgraçada que eu vivi até domingo de manhã.

Se é pra lembrar, que seja da vida. E do que é bom.

PME, o Partido do Meu Eu

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 6 de agosto de 2009

Tenho lido gente descendo a ripa em José Serra e Gilberto Kassab. Uma tonelada de embalinhos excomungando José Sarney. Um monte defendendo, outros atacando o presidente Lula. Enfim, o que não falta por aí é gente querendo bancar o engajamento político xiita de oportunidade, e arrepiar com aqueles que não têm a mesma mentalidade e opção política.

Vocês são todos uns idiotas.

A sucessão de cagadas políticas neste país é histórica. Não é este ou aquele nome que fazem diferença, mas sim o todo, que não presta. Substituam o nome desses que estão aí pelos concorrentes da época, e me digam: vocês acham MESMO que algo seria diferente? A incompetência é congênita, natural de quem está lá. Acho sim uma imbecilidade proibir os fretados, assim como é extremamente oportunista uma dezena de ações que tomam por aí às vésperas de ano eleitoral. Assim como acho cretino aquele túnel no meio da Faria Lima, que só piorou o impiorável. Os buracos da Erundina. A megalomania do Maluf. O ímpeto napoleônico do FHC, e por aí vai…

Então, quando chega uma lei anti-fumo da vida, eu sim comemoro horrores. Assim como comemoro o bilhete único, a cidade limpa, a nota fiscal paulista, uma inflação sob controle, o dinheiro que me vale alguma coisa de verdade, acho o bolsa família uma esmola, mas é um primeiro passo que terá que ser seguido por quem vier e enfim vão fazer alguma coisa pelo Nordeste desse país (e por isso mesmo eu aprovo), e coisas que pontualmente esse ou aquele nome fizeram de bom. E se esse bando tivesse de fato um interesse público de fato, o vencedor de cada pleito agregaria a seu plano de governo as melhorias propostas por cada um de seus adversários, e faria um trabalho real, engajado e comprometido de melhoria para a população – TODA a população. Mas é lógico que isso nunca vai acontecer. O que faz da política um circo, onde os palhaços são os que acham que aquilo é de fato algo sério.

Portanto, não me venham com bandeirinhas politizadas. Enquanto as opções forem nulas, respeitem a opinião alheia em vez de ficarem contando como seria se esse ou aquele tivesse ganho. E se estiverem de fato tão inconformados, candidatem-se na próxima eleição. Mas lembrem-se: se até a Soninha, que parecia ser a opção mais inteligente, nova e contestadora na última eleição municipal hoje faz parte da equipe política do Kassab, vocês acreditam MESMO que algo vá mudar lá dentro assim… naturalmente?

Democracia, crianças. Respeitem as opiniões alheias, porque tudo nessa vida é momento.

Mais de 40

Em Umbigo por Marcelo Masili - 6 de agosto de 2009

A gente veste um sorriso estranho, com gosto de dúvida, e sai pra luz. Bota a cara no vento, conversa com todo mundo, diz que está tudo bem. Recorre a lembrança, e uma polícia do pensamento toca a sirene pra prestar atenção no trânsito, pra não perder o refrão da música, pra chegar logo e se ocupar. Pra encher a cabeça, porque assim ela não reclama, não tem tempo pra ficar sozinha, pra lembrar daquele cantinho onde por tantas noites você se escondeu e chorou, e rezou, e quis morrer junto. Lembra que tem que ocupar aquele canto. Bota foto, bota mesa, mexe a geladeira, empurra móvel, faz a bagunça que tanto te incomoda, mas que hoje atrapalha o grito, que segura o choro, que te joga de volta pra vida. Lembra de que já foi pior, que assim é melhor (mentira, mas verdade), que tem que ser forte. Pra você, pra quem te importa, pra quem te protege. Você quer proteger também. Os dias valeram anos, e agora, com mais de 40, está na hora de fazer valer o que esses cabelos brancos significam. E talvez, porque essas coisas nunca se sabe, você tenha notado que por mais que tudo doa, que você pense por vezes que já passou por tudo, existe muita coisa pelo que passar ainda. E saber disso faz da curiosidade o teu combustível.

Ainda tem muita estrada pela frente.

Recomeçando

Em Vidinha por Marcelo Masili - 5 de agosto de 2009

Porque a gente está aqui pra ser feliz. O resto é resto.

Minha mãe vem reagindo bem na medida do possível. E meus amigos têm me dado a cada minuto a prova de que se tem uma coisa que eu sei fazer bem na vida é colecionar pessoas. E tenho certeza que no meio de tudo isso tem dedo do bigode. Um pai coruja que cuidou bem da prole a vida toda deve com certeza estar metendo o bedelho lá de cima pra confortar as coisas aqui embaixo.

Com certeza ainda vai doer. Por diversas vezes. Mas que herança boa que o danado deixou, pra tanto carinho pipocar por todo lado…

Ao nosso velhão

Em Vidinha por Marcelo Masili - 4 de agosto de 2009

Numa manhã de domingo de sol. Assim terminou a jornada do meu pai por aqui, da mesma forma que me vêm à mente as primeiras e gostosas memórias que  tenho dele. Sentados na sala de casa, eu ainda de pijamas e morrendo de sono, assistindo às corridas do Piquet. Carlão era sinônimo de fim-de-semana. Na minha família, era dele o espaço da galhofa.

Por isso mesmo, eu me recuso a descrever o Carlão com a tristeza de quem fica e segue. Meu pai foi um fanfarrão de marca maior, e além dos dois filhos gerados, agregou alguns filhos postiços pelo caminho. Era a cara do Papai Noel, a piada no meio da tensão, a vontade de fazer rir, e esse legado eu fiz questão de moldar e adaptar àquilo que me tornei. Ele pingou um pouquinho de verde aqui na cor dos olhos (agradeço muitíssimo, pois ajudou a amenizar um pouco o restante da pouca beleza). Me ensinou a dirigir. Encobriu muita cagada que fiz por aí. Me botou na linha e ensinou a valorizar o que de fato é importante nessa vida: o caráter das pessoas. Tentou me vestir a camisa do São Paulo, mas eu fugi pro Parque São Jorge por vocação, e também pelo prazer de ter o que discutir do nosso futebol de cada dia. Dividimos muita alegria, algumas tristezas, trocentas discussões e períodos de instabilidade. Mas sobrevivemos a tudo isso, e nossa família permaneceu unida.

E precisávamos estar novamente todos juntos pra que o rapaz topasse uma última reunião familiar antes de tomar a estrada. Cumpriu bem sua missão, rapaz. Segue o teu caminho e volte a ser o filho da Dona Lourdes por aí enquanto a gente não chega pra bebemorar juntos novamente. Deviam estar precisando de alguém pra levantar o astral por aí. Chamaram o Michael um pouco antes, mas precisavam de alguém menos afetado e politicamente correto, com umas histórias mais sujas e hábitos engraçados, como por exemplo tomar Leite Moça com açúcar. Foi uma ótima escolha, tenham certeza.

Eu faço a tua por aqui, bigode. Um beijo e muito amor do teu filhão aqui.

P.S.: Não tenho palavras pra agradecer o carinho de todos os que de alguma forma estiveram juntos nessa etapa da minha vida. Presentes ou não, recebi cada abraço com a mesma alegria de saber que a maior das heranças meu pai deixou pra todos nós. Um legado de amizades e alegrias como as que eu pude compartilhar com cada um daqueles com quem conversei nessas últimas semanas é coisa inestimável, pra ser cuidada com todo o amor desse mundo. E vocês cuidaram muito, mas muito bem mesmo da gente, a ponto de hoje podermos estar dando um primeiro passo nesse mundo um pouco menos alegre, mas igualmente importante. Estamos juntos. Muito, muito, muito obrigado, de coração.