Masili neles!

Ah, Garfield…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 29 de junho de 2009

O ser humano é uma coisa complexa, encantadora e apaixonante, e ao mesmo tempo extremamente irritante e insuportável em determinados momentos.

Quando não defendemos uma opinião, somos chamados de alienados. Quando sim, de bandeiristas. Quando não lutamos por algo em que acreditamos, de submissos. Quando sim, de baderneiros. Quando mentimos, não temos caráter. Quando somos sinceros, somos duros.

Somos sim tudo isso, o tempo todo, funcionando e nos encaixando conforme o contexto e a necessidade. Alguns exercem mais determinado perfil do que outros, e essa é a graça de cada um se moldar conforme sua cabeça lhe sentenciar.

O que cansa é o julgamento constante.

Porque a inflexibilidade, o orgulho, a ignorância e outros cânceres inerentes à espécie por vezes nos fazem arrepender de determinados rumos que demos aos nossos dias. Hoje por exemplo, em que afundei minha segunda-feira antes do meio-dia devido a um momento de defesa incessante aos direitos trabalhistas desses que como eu, se arrebentam todos os dias em prol de um bem comum, e que nem sempre são tratados com o devido respeito.

Faz parte. Foi assim em todos os outros lugares e continuará assim onde for.

E com isso, aumenta também o interesse coletivo em que o circo pegue fogo e que a violência e a falta de bom senso prevaleçam ante a argumentação e o diálogo. Calma amigos, a coisa não funciona assim. Funciona sim na apresentação de fatos, na habilidade de negociação de alguns e no acerto de contas.

Nas reivindicações deste ou daquele ponto que por vezes abrimos as feridas que doem mas que insistimos em não tratar. Não são todos os que têm coragem ou senso de aventura suficiente pra arriscarem a segurança que só o comodismo traz.

“Sermos” alguma coisa é algo que exige personalidade. Pro bem ou pro mal, defender uma bandeira é importante e devemos fazê-lo com a convicção que não entremos em um conflito pessoal, que opõe ideologia e ações. Normalmente as massas funcionam com o conforto que só a passividade é capaz de oferecer. Sacrificar um ou dois dias às vezes pode parecer terrível, mas ao sinal da primeira mudança de atitude (às vezes daquilo que criticamos, às vezes de nós mesmos), fica claro o quanto vale a pena lutar por uma coisa, qualquer que seja.

E se mesmo assim parecer não valer a pena, confirme uma cervejinha no fim do dia, mesmo que seja uma segunda-feira.

Vazio

Em Música por Marcelo Masili - 25 de junho de 2009

Uma das coisas que pessoas que beiram aos 30 percebem na geração atual é uma necessidade constante de encontrar um ídolo, uma inspiração real que não desapareça com a mesma velocidade com que tudo passa nos dias de hoje. Não existe um ícone, um símbolo real a quem se possa eleger para acompanhar a vida nos próximos anos. Os ídolos acabaram. Aquela bala na cabeça do Kurt Cobain – um cara cuja importância e valor podem até ser colocados em dúvida (eu mesmo não o colocaria num pedestal, por motivos que serão explicados logo abaixo), mas foi-se ali o último símbolo vivo de uma geração.

E há umas poucas horas atrás, o maior de todos ao lado dos Beatles se tornou História.

A importância de Michael Jackson não está nos números inatingíveis, na megalomania de um universo umbigo, nas milhares de plásticas, escândalos e bizarrices. Ele deu vida à Motown, e espalhou aos 4 cantos do planeta a música negra nas rádios, e ao lado de Quincy Jones repetiu a mágica que duplas como Lennon/McCartney e Jagger/Richards foram capazes de fazer em outros momentos, com a diferença que o seu pop não era exatamente semelhante às guitarras dos Beatles e dos Stones. Guitarras que fizeram parte lá na frente de mais alguns de seus inúmeros hits, nas mãos de Eddie Van Halen e Slash. Afinal de contas, os mitos se combinam. Surgia ali a boyband, as músicas bem produzidas, de refrão pegajoso, inesquecível, musical até a alma. A dança já não era tímida, nem o figurino austero. A música ganhava, a discriminação racial caía, pois não havia branco que não tentasse dançar como aqueles cinco irmãos negros que levavam pancada em casa pra encher o bolso do pai de dinheiro e agraciar nossos ouvidos. E o baixinho, malandro e sorridente, o mais talentoso sem a menor sombra de dúvida, crescia e cantava pra dentro dos ouvidos, pertinho do coração. Falem o que quiser: não existe um ser vivo que não conheça uma música desse cara, e goste muito dela.

Michael, ao contrário de Kurt, não precisou ir contra o mercado. Michael criou o mercado. Tudo o que vemos e ouvimos hoje – absolutamente TUDO o que existe no universo pop, foi invenção de Michael Jackson. O pouco que não foi, devemos aos besouros, a Elvis Presley e a Frank Sinatra. E da música – essa de verdade, que ele fez desde a Motown, herdamos o estilo, o comportamento, e musicamos nossas vidas. A vida de um mito é feita de escândalos? A dele foi, do início ao fim, com todos os tipos de excessos relacionados: sexo, amor, violência, dinheiro. Mas ele ainda conseguiu mais uma façanha, sendo o único a fazer da cor da pele algo a ser discutido por todas as cores. Michael misturou-se, e fez de si algo sem resposta. Tão obscuro quanto sua herança de criador, de um mundo em que hoje todos vivemos, grande parte, por culpa dele e de toda a obra de sua vida.

Eu, que sou de 1980, vivi o universo que o rapaz criou. Dancei muito Ben de rosto colado, morria de medo de Thriller, cantei junto de Bad, fiquei besta e encantado com a grandeza e os efeitos de Black or White, esperava cada estréia das superproduções na MTV, e hoje escrevo esse pequeno testimonial pra tentar entender como que um cara que fez tanto e foi tão importante para pessoas como eu, que amam a boa música, e que acompanharam por mais de 15 anos todo o impacto causado por ele em nossas vidas é capaz de uma coisa tão mundana, como morrer.

Ah, o tempo livre…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 23 de junho de 2009

Eu vou tentar retomar de uma vez por todas os posts finais sobre a viagem pra Buenos Aires, que foram interrompidos por total e completo descaso deste que vos escreve.

Mas vejam como são as coisas: são 19h30 e por incrível que pareça minha fila de jobs está limpa aqui na Sunset. Meia horinha? Dá pra escrever qualquer coisa, incluindo um post-it lembrando a mim mesmo das pendências acumuladas. Dá até pra ver um videozinho no Iutubíu…

Com tempo, a gente pode fazer tanta coisa…

Batatinha quando nasce…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 18 de junho de 2009

Pra que raios serve comemorar o aniversário?

Pra rever a família, principalmente aquela parte que você só reencontra em casamento ou velório? Pra comer chocolate sem culpa? Pra sentir cheiro daquela comida que você mais gosta? Pra receber telefonema o dia todo de gente que você adora, odeia, nem cheira nem fede, ou de uma ou outra surpresa? Pra rasgar presente feito criança e ganhar mimos necessários ou desnecessários, mas que com um laço e um papel bonito ganham muita graça e muito tempero? Pra se lembrar de muita coisa que já aconteceu nesse mesmo dia, há um, dois, dez, vinte anos? Pra ficar feliz com nada? Pra achar que tudo é música? Pra se sentir ainda mais querida?

Sim, pra tudo isso. E um pouquinho mais, a cada ano.

Parabéns amorzinho. Oliamobagarái. Mais tarde eu tô aí.

Pinheiros em todo lugar?

Em Esporte por Marcelo Masili - 15 de junho de 2009

O Pinheiros foi uma segunda casa enquanto trabalhei lá. Um lugar ótimo, com gente muito boa, bastante competente e bem intencionada, mas nem sempre preparada pra fazer o que se propunha. Durante os cinco anos e meio em que trabalhei por lá na área de Comunicação Institucional, tecnicamente aprendi pouco, politicamente aprendi muito.

Mas nunca me alienei a ponto de ignorar o mundo exterior. Mesmo sendo uma república feudal (assim como todos os outros clubes de esportes amadores do país, cujas regras, diretrizes, evoluções e involuções cabem somente a seus diretores e presidentes, que fazem o que bem querem com a realidade por detrás dos muros – realidade essa que só quem paga em dia suas mensalidades sabe qual é), um senso crítico quanto a posicionamento de mercado, mídia e outras coisas que permitem que instituições centenárias ainda sobrevivam ao mundo moderno é extremamente necessário.

Lembro muito bem de quando contratamos o Gustavo Scherer (aka Xuxa), e assim que fiquei sabendo montei o destaque pra lançar na home do site, aguardando apenas o anúncio oficial. Anúncio esse que veio, voltou, depois veio de novo, voltou de novo e enfim aconteceu. Nessas de colocar e tirar (ui) o dito no site, quase me mandam embora. E eu sabia e MUITO que a culpa daquele “manda-desmanda” não era minha. Nessas horas o primeiro pensamento que te ocorre é “Cacete, contratamos um medalhista olímpico e esses putos não querem sair na frente com a própria notícia?”

Já se vão longínquos 5 anos desse ocorrido, e hoje eu notei que nada mudou.

Anunciam no JORNAL NACIONAL como última notícia da noite a super equipe que o Pinheiros está montando pra disputar a Superliga: Giba, Gustavo, Rodrigão e Marcelinho. Franco favorito, Dream Team, facilmente equiparável à repátria de Ronaldo e Adriano, sem dúvida alguma. Destaque na home de esportes da Globo.com, matéria de página com foto e o escambau, como se pode notar…

Logicamente que fui procurar a homepage especial, o hotsite, o megabanner, enfim… qualquer coisa naquele site que um dia eu invadi com o raio da foto do Xuxa (que convenhamos, perto desses 4, é mais um na multidão). ABSOLUTAMENTE NADA. E depois de uns segundos de inconformismo, eu lembrei de que a coisa por lá funciona assim mesmo: não funcionando, ou com um delay de semanas. E que se bobear, nem a equipe da qual um dia fiz parte sabe dessa bomba – e se a equipe de Comunicação não sabe, quem saberá?

Eu fico com vergonha nessas horas, de verdade. As babaquices como proibição de redes sociais, cartões de ponto, distinção entre funcionários e associados e mais algumas insandices acontecem num piscar de olhos. Porém, fazer valer seu papel de representante olímpico e trabalhar seu próprio marketing são coisas nas quais o Pinheiros não consegue se firmar – e não se esforça nem em tentar. César Cielo? É (ou era, eu não sei) de lá. Jadel Gregório? Idem (eu acompanho, passei a torcer pelo Clube e tieto, mas se depender das informações que saem de lá tô na roça). E na boa, eu acompanharia a Superliga in loco do começo ao fim com essa verdadeira seleção montada por eles. Mas precisei do William Bonner pra ficar sabendo disso, e do acaso de ter chegado cedo em casa pra poder acompanhar o jornal do casal 20.

E depois neguinho vem me fazer “campanha pra cadastramento de novos associados” com um velhinho e um moleque pincelados num imagebank da vida deitados no gramado… É pedir muito pra que aproveitem a hora certa e dêem às estrelas o merecido brilho? Porque ninguém lê jornal do dia anterior – por sinal, é em mídia com informação velha que minha cachorrinha adora depositar seus dejetos. Serve pra isso, e só.

Dos ouvidos pra dentro do peito

Em Música por Marcelo Masili - 12 de junho de 2009

Passamos nosso dia dos namorados (dia 11, aleatório e preguiçoso, mais um de inúmeros) no conforto do edredon surrado, assistindo à quinta temporada de House MD, acompanhados da Pimpolhinha, das Carolinas, das canecas de refrigerante e de muito carinho – aquele que a gente mais quer em datas rosas como a de hoje. Ficamos chocados com a competência dos roteiristas do House, e com a sua capacidade de reviravoltas absurdas em 3 episódios, que nos fazem continuar roendo unhas, sedentos pela próxima temporada.

Duas coisas chamam muito a (minha) atenção no House: a primeira, descrita logo acima, e que deve ser comprovada por quem se interessar. Afinal de contas, não serei eu a bancar o spoiler por aqui. Contar o que há de genial e grandioso em cada um dos personagens não passa um décimo do frenesi do conjunto da obra.

Segunda coisa, das mais nobres, e o real motivo desse texto: a excelente e seletiva trilha sonora, que esconde verdadeiras preciosidades. E nesse garimpo entre artistas consagrados e desconhecidos, algumas pepitas destacam-se das pedras restantes. Eu escolhi a minha favorita, à qual apresento logo abaixo:

A Fine Frenzy nada mais é do que o projeto de uma garota de 22 anos chamada Alison Sudol, que por enquanto só lançou esse álbum aí de cima, chamado One Cell In The Sea e cuja história já consta na Wikipedia e em seu site oficial, o que me poupa o texto redundante. A análise que vale é justamente o que me emociona no som da garota. A voz e o tom melancólico, apaixonado/apaixonante e sensível das melodias e de cada uma das músicas desse disco são coisa que não se explica. Passa bem longe daquela choradeira chata das românticas de aluguel, e do auto-flagelo (que eu adoro, mas que não combina com o tom romântico que um dia dos namorados pede) de uma Fiona Apple. O passeio pelas 13 faixas do álbum deve ser feito com o máximo de conforto e aconchego possíveis, e assim sendo a experiência torna-se completa e deliciosa. Caso sua curiosidade esteja aguçada depois desse texto, e o YouTube seja acessível em seu computador, comprove:

Puxando o gancho das descobertas pouco tocadas nas MTVs e FMs desse mundo, mas disponíveis na maravilhosa internet, está a não menos talentosa – porém com uma pegada um pouco mais pop – Rachael Yamagata. A capa do cd não é tão bonita quanto a anterior, e nem tão ruiva:

Porém, a capacidade de vício é exatamente a mesma (aos preguiçosos, links para a Wikipedia e site oficial). Essa combinação de piano e vocais femininos derramados, profundos e minimalistas são uma grande arma pra chamar minha atenção e puxar um pouco daquilo que eu mais gosto e que me emociona na música. Dos dois álbuns da Rachael, eu fico com o Happenstance de 2004, porém recomendo ambos. E se a curiosidade continua coçando suas mãos e seus ouvidos, play:

E é engraçado como essas coisas chegam a nossos ouvidos. Me disseram que a tal da Rachael Yamagata (que eu nunca ouvi falar) já tem uns hits jogados por aí. O álbum dela que eu tanto viciei há alguns meses é de 5 anos atrás. A Fine Frenzy vem num bolo de outras tantas coisas boas montado por algum outro fã de House – o gancho que me serviu de pretexto para escrever esse texto. Portanto, em caminhos tão tortuosos, acho que vale espalhar aos quatro cantos algo que demorou tanto tempo pra chegar por aqui, no meu canto. E que serve de dica pra embalar o dia dos namorados de quem não se negar a oferecer um ou outro afago aos ouvidos, e ao coração.

Divirtam-se.

9ºC

Em Vidinha por Marcelo Masili - 4 de junho de 2009

Os dias estão extremamente corridos, e muito frios. O tempo hábil normalmente é direcionado à namorada, ao edredon, ou a ambos ao mesmo tempo, apesar das pendências com os clientes externos que, a duras penas e com muita dedicação, apesar do bater-dentes, venho fazendo com sorriso no rosto madrugadas adentro. Os resultados, como se pode conferir aqui, têm sido bastante satisfatórios.

Com meu pai passando uma nova temporada de férias na Santa Casa – porque cabeça que é dura de verdade não se deixa amolecer nem quando está inchada, as atenções se voltaram a preparar as surpresas para o aniversário da Pequenininha, a torcer pelo Todo Poderoso mesmo em noites pouquíssimo inspiradas como a de ontem, às festividades de aniversário de amigos queridos, ou às provas do sucesso de alguns talentos que já vêm me acompanhando de longa data.

A viagem à Argentina ainda precisa ser retomada por aqui. Mas tem tanta coisa acontecendo em volta que fica difícil encarar tudo o que a gente quer. Na ordem das prioridades, talvez essa suba alguns degraus nos próximos dias. Por enquanto, ainda não…