Olha…
…se eu fosse você, visitaria meu portfólio hoje mesmo.
Reencontros
Eu ando numa fase saudosista. De revisita às músicas antigas, às fotos escaneadas, aos textos que tratam do que já foi, e de tudo o que me trouxe a esses vinte e nove anos. Da vontade de romancear um pouco mais minha vida, que anda tão corrida que às vezes o dia parece ser vivido em piloto automático. Eu assisto Vicky Cristina Barcelona e aquele modo de se viver me parece coisa de vagabundo (não, não estou falando do multirelacionamento do Javier Baden com aquele exército de deusas), e por pensar assim me vejo num autoflagelo danado, tamanha a estupidez de um pensamento desses.
E coincidentemente eu fiz algumas revisitas a posts antigos, textos que vinham pra cá há dois, três, cinco anos… E que triste é notar que nas minhas perdas pessoais, daquilo que meu coração fechou, que meu corpo não quis mais, e que minha cabeça insiste em manter distante, escrever tornou-se algo trabalhoso. Pouco natural. DifÃcil. Consequência de tanto zagueiro, do tamanho dos muros, das censuras, e involuntariamente a gente perde algumas habilidades pra adquirir outras e seguir em frente. Perdi tempo – os dias passam mais rápido, pois o trabalho aumentou (de volume, de qualidade), o trânsito apareceu, o cansaço pesa um pouco mais. Prioriza-se o importante: as pessoas, e alguns prazeres pessoais – normalmente, os que dão menos trabalho.
Compramos nosso primeiro guia de Londres. Pequenininho, todo turÃstico e por enquanto sem maiores detalhes. Naquelas páginas um pouco dos meus desejos, muito dos desejos da Debs. Se a gente pegar na mão, fica mais fácil focar e realizar o resto, foi o que ela me disse. Eu concordo com ela, lembrei daquele filme dos anos 80 e das tachinhas no mapa que marcavam a rota que o moleque queria seguir antes de morrer. Acho que ela está certa… se a gente não materializa as coisas elas se tornam mais distantes mesmo. Por sinal, é nessas coisinhas, nos detalhes, que eu vejo que tanta estrada, tanta lágrima e tanta porrada me serviram pra chegar no lugar certo, com a pessoa certa. A Debs fala pouco, mas o suficiente pra que eu me sinta um cara que encontrou alguém pra sonhar junto e dividir os pãesinhos.
E de ter em mãos os prazeres, eu resolvi me reencontrar com vocês, palavras, hoje. Pra tentar resgatar um pouco do que ficou preso lá nas dores, naquele lugar que eu não quero mais voltar mas que a cada dia me parece mais inofensivo. Por isso mesmo, materializar um pouco de vocês por aqui me faz lembrar que ainda existe uma memoriabÃlia de viagem a se terminar, e muita memória a se registrar. E se os textos de hoje não possuem mais a qualidade daqueles das épocas doÃdas, do sofrimento e da angústia, a troca me parece muito justa…
Hoje
Hoje é dia de ser campeão, invicto. E deixar claro que aquele que mais emociona, não importando a divisão, o campeonato, o elenco, o uniforme, os Ãdolos, está de volta ao lugar que lhe é de direito. E que fenomenal é a paixão que nos move ao rumo de cada partida, e que o tÃtulo é somente uma consequência de tudo aquilo que somos.
Porque o Corinthians é coisa que não se explica, e quem seria eu de tentar fazê-lo?







