Vão reclamar do quê agora?

Palmeirenses, santistas, e nós, corinthianos, demonstramos um estranho e natural consenso assim que os semifinalistas do Paulistão 2009 foram definidos: não suportamos mais a pedância do time do Morumbi – aquele cuja torcida só chega nas semifinais e que desmerece os “adversários locais e nacionais” em prol da Libertadores, mas que nela apanha justamente dos times daqui. Há duas semanas, é notória a vontade de todos nós, adversários, de vermos o rival (a.k.a. inimigo) chorando antes das finais, pois ninguém – ABSOLUTAMENTE NINGUÉM suporta mais a postura ridÃcula da torcidinha da moda, que ao invés de admitir as derrotas, costuma jogar a culpa em fatores externos, mesmo quando eles não existem.
Pois bem. Coube a nós, alvinegros do Parque São Jorge, a tarefa de colocar o freguês de volta a seu lugar de origem. Com 4×1 em jogos somados, ficou claro que quando foi necessária a camisa, aquela que é vestida orgulhosamente todos os dias, incluindo primeira e segunda divisões, predominou sobre a roupinha da moda – aquela que só acompanha a torcida que não acompanha o time, mas que abre excessões em fases boas, ou na Libertadores.
Um conselho aos colegas do Morumbi: se a desculpa dessa vez for “o que vale mesmo é a Libertadores“, ou “a gente não liga para o Paulista“, filiem-se à Conmebol, ou à Concacaf. Lá pelo menos, vocês não são obrigados a enfrentar o Internacional, o Fluminense, ou mesmo o Corinthians – esses times de menor expressão e cujo caráter é meramente local, certo?

Até o Brasileirão, freguesas.
Vamos fazer continha, bambizada?
Chupa, bicharada. Nesta semana a matemática é nossa.
Bandeira 2 a preço de estudante…
28/dez/2008 – dia 3
Palermo/Recoleta, Buenos Aires
A noite caiu e sequer notamos, tal a paz que imperava à mesa do Secretos. Um pouco (mas não muito) recuperados da dor nos pés, caminhamos – bastante – até chegarmos ao Subte. Eram quase 22h, e qual não foi a nossa surpresa ao chegar à estação. A estação estava fechada. E nós, obviamente, sem dinheiro no bolso.
Sempre existe um primeiro momento de pânico, pois nessas horas a gente vê o quanto não raciocina quando habituado à rotina de onde vivemos. Às 22h os caixas eletrônicos DAQUI fecham. Os táxis DAQUI são caros. Amigo, estávamos em Buenos Aires… as regras lá são outras.
E obviamente depois de 3 quadras achamos um Banco Francés. Cantamos a Marselhesa de novo e saÃmos felizes e satisfeitos por não levarmos mais um fumo. O Subte que nos referimos desde o post de Palermo acompanha toda a avenida Santa Fé, assim como acontece com a linha verde e a Avenida Paulista. Chegarmos à Recoleta seria questão de andar – ainda mais – em linha reta, ou enfim encararmos os táxis portenhos. Ou seja, não havia dúvidas quanto ao que seria feito.
Um passeio de mais ou menos 10 minutos em linha reta (o que impedia naturalmente o tal golpe que alguns taxistas – não necessariamente argentinos, pois em todo lugar sempre existe um filho daquilo que banca o esperto – costumam pregar principalmente em turistas que não falam espanhol). Porém, nosso portunhol já era pra lá de fluente – até graça em lÃngua-pátria eu já estava fazendo, e experimentamos o que é pagar em Peso uma viagem em que não é cobrada Bandeira Dois. Coisa linda de Deus essa tal de Argentina…
Secretos, pero no mucho…
28/dez/2008 – dia 3
Palermo, Buenos Aires
Fato é que Palermo lembra muito a parte boa do Jardim Paulistano, com algumas boas pitadas da Recoleta e a paz de uma cidade do interior. Não faltam prédios, de apartamentos grandes ou pequenos e todos com a caracterÃstica arquitetura argentina. Os estabelecimentos comerciais tendem a algo um pouco mais chique, mas nem passam perto da petulância que os bairros da moda de São Paulo fazem questão de ostentar.
Um lugar desses convida ao passeio, mesmo quando seus pés estão pedindo água. SaÃmos do complexo de parques e fomos desbravando um pouco do bairro, até encontrarmos um lugarzinho pra lá de simpático e bastante convidativo, chamado Secretos. Mesas na calçada, um final de tarde (já passavam das 19h) bastante convidativo e aquela sede que todos nós já conhecemos. As cervejas chegaram, e mesmo pedindo algo gelado, novamente nos deram copos com a loira fresca – coisa que no Brasil é inaceitável, mas pra eles é pra lá de comum – e a busca pela cerveja ideal só cessaria no dia seguinte, como contarei daqui a pouco.

Resolvemos bancar os educados, e após empapuçar com aquela Quilmes “fresca”, resolvemos pedir… salada, para ambos! Sim, na terra do boi morto comentemos esse pseudo-sacrilégio, que pairou em nossas consciências durante a espera da iguaria, mas que na primeira garfada mostrou-se uma decisão pra lá de acertada. Eu nunca vi um povo que gosta tanto de presunto e queijo como esses argentinos, e no final das contas acabamos “ganhando” dois mistos frios gigantes, tal a sustância dos pratos. Naquele calor, caiu como uma luva. Mais um ponto para a cozinha portenha.

E naquele cenário pra lá de gostoso (e namorável), gostoso foi observar mais uma vez o estilo de vida e os hábitos dos moradores do bairro. A impressão era de que todos se conheciam, e a educação prevalece em mais um local do paÃs. Pessoas levam seus cachorros (gigantes) pra passear, um ou outro vovô chega com mais um livro debaixo do braço, pede um vinho, e esquece da vida na mesa ao lado. Quem passa não se apressa, encontra-se e conversa com o viziho, o amigo ou quem quer que seja. As pessoas são simpáticas a essa vida, e não fazem questão de esconder isso.

Estávamos em casa.
Rosedal
28/dez/2008 – dia 3
Palermo, Buenos Aires
Chegamos a Palermo após uns 20 minutos de Subte. Vale um toque que na chegada à estação (cujo nome preencherá este espaço assim que eu me lembrar do seu nome), naqueles pequenos armazéns/lojinhas que existem no metrô daqui também, eu cismei de experimentar o tal do “suco de pomelo”, que é mais ou menos o guaraná dos cucarachos. Eu, crente que aquilo era algo próximo a melão (dada a cor amarelinha do dito), tomei um susto com o azedume do bichinho. Mas pra quem gosta de uma limonada e de coisas mais exóticas, é uma experiência bem bacana. Eu viciei e mandei vários pra dentro até o final da viagem.
Saindo do Subte, o que se vê em direção ao Rosedal é uma imensidão de áreas verdes (onde também se encontram o Jardim Zoológico, o Jardim Botânico e o Jardim Japonês). É uma espécie de complexo de parques, frequentado assiduamente pela população. FamÃlias inteiras, muitas crianças, grupos de turistas, casais de idade, e todos os tipos de pessoa passam a tarde nesse complexo, bem como em todos os outros parques de Buenos Aires. E com tamanha frequência, o que não se vê é vandalismo e desrespeito com os bens públicos: não há marcações com estilete nas árvores, gente mijando nos canteiros, fulano tacando espiga de milho no chão entre outras atrocidades tão presentes e comuns em nossa megalópole. As pessoas cuidam do que têm, e se respeitam. De certa forma, aos forasteiros, estressados e paranóicos paulista, parece a sociedade ideal por diversos momentos. Coisa que gostarÃamos de viver mas que temos certeza que não será possÃvel durante os próximos séculos.

Andamos horrores até chegar ao Rosedal – os parques são enormes, e o sol continuava castigando sem a menor piedade. Mas quando você vê um jardim florido daquele naipe, gigantesco e extremamente bem cuidado, com cores a se perder de vista, a experiência passa a valer a pena. O parque possui um lago, com pedalinhos e caiaques, uma pontezinha branca que atravessa esse mesmo lago e que te permite uma visão geral daquela verdadeira imensidão colorida. Ficamos meio bobos com o visual do Rosedal, que lembra muito os jardins dos castelos da realeza européia.
Cansados que estávamos de termos encarado San Telmo pela manhã até a metade da tarde, resolvemos sentar à sombra na beiradinha do lago, onde nosso descanso não durou dois minutos, até sermos abordados pelos guardas do Rosedal, dizendo que não podÃamos pisar ou sentar sobre a grama. E de nada valeu aquele argumento de que “todo mundo ao redor está fazendo o mesmo”, porque um a um todos foram educadamente abordados e retirados do gramado do Rosedal.
Pareceu um excesso à primeira vista, mas não foi preciso muita reflexão pra entender que aquilo que estávamos fazendo era de fato coisa de turista. Aquele cuidado todo era justificado no vislumbramento que tivemos ao chegar, e enquanto estivemos no local. Um pequeno passeio e algumas fotos depois, fomos buscar um lugar à sombra pra deitar um pouco e olhar pr’aquele céu azul que combina direitinho com as cores da bandeira.

Atravessamos a ruma e nos estabelecemos no parque ao lado. Nas alamedas que rodeiam esses parques muita gente anda de patins (e não apenas aqueles atletas playboys que estamos acostumados aos finais de semana), joga futebol e desvia dos sorveteiros de plantão.

Capotamos à sombra de uma árvore e por lá ficamos por deliciosos 15 minutos, sabendo que são de momentos assim que uma viagem ideal é feita. O céu estava lindo, e até um ventinho embalou a preguiça. Com muita tristeza, nosso estômago nos lembrou que a “hamburgueza” do almoço já era uma lembrança distante, e que aquele calor merecia uma cerveja trincando. Num bairro bonito e gostoso como Palermo, não seria problema que juntasse essas duas necessidades e completasse nossos prazeres.
Diquitas e decisiones
28/dez/2008 – dia 3
San Telmo, Buenos Aires
Vale mais um toque pra você que vai passear na feirinha de San Telmo e comprar sua bugigangazinha pra trazer pros parentes, pros amigos e pros colegas: se estiver calor e você adentrar à quele universo de coisinhas, trate de comprar um garrafão d’água (entenda-se por “garrafão” aquelas de 2 litros – não saia com um tonel de 5 litros nas costas, seu jagunço). Existem armazéns na rua, um pouco antes da dita que vendem garrafas baratas e geladas. E esse toque é justamente porque lá dentro, naquela muvuca organizada, encontrar esse Ãtem de sobrevivência básico E gelado beira ao impossÃvel. Garanta-se na entrada que vale a pena.
E leve dinheiro. Naquelas redondezas você não acha um caixa eletrônico ou banco que seja pra retirar os seus pesitos. Andamos horrores atrás de um maledeto dum “Bradesco” (Banco Francés), e NADA. E justamente quando nosso dinheirinho acabou, resolvemos voltar ao Subte (que era perto do banco, segundo indicações locais, mas isso significava sair da feira, caminhar por uns 8 quarteirões, pra depois voltar esses 8 quarteirões, comprar mais um pouquinho e caminhar novamente os 8 quarteirões pra voltar pro Hotel, ou seja, Game Over San Telmo), aproveitarmos que estávamos ainda no meio da tarde – eram mais ou menos 16h – e seguirmos para Palermo.

















