1ª etapa – Melbourne/AUS, 29 de março de 2009

O que se viu na pista australiana foi a demonstração do quão surpreendente, emocionante e imprevisÃvel pode ser uma corrida. Desde os treinos de sexta, a BrawnGP sobrou. Barrichello e Button não deixaram por momento algum a dúvida de quem dominaria a corrida pairar no ar. E antes que me perguntem que imprevisibilidade existe numa corrida após uma afirmação dessas, eu digo que desde o momento em que as cinco luzes vermelhas se apagaram, à exceção da belÃssima largada de Jenson Button, que fugiu na frente, só sendo visto depois de quase duas horas no topo do pódio, o restante dos acontecimentos mereceu todo tipo de manifestação da torcida.
Aplausos pra belÃssima corrida de recuperação de Lewis Hamilton, que saiu da última posição pra chegar em quarto lugar (que se tornaria terceiro após a ultrapassagem proibida de Jarno Trulli, que até quando dá uma bola dentro, ela sai). Aplausos também para o belÃssimo desempenho da BMW, que até o momento da prova vinha mostrando-se discreta e menos eficiente que nos últimos anos. Vaias para o talentosÃssimo Robert Kubica, que teve um lapso mental e se enroscou com o também velocÃssimo, talentosÃssimo e, neste final de semana, idiota Sebastian Vettel. Tomates pra ambos. Aplausos para a estréia discreta mas pontuada de Sebastien Buemi, que levou um dos dois carros da Toro Rosso aos pontos. Ovos na Ferrari, que vinha constante e bonita até deixar seus dois pilotos na mão – e instabilidade mecância numa equipe seria algo perdoável na BrawnGP, e não na Scuderia de Maranello. Nelsinho Piquet continua desonrando o nome do pai – é rápido, mas mentalmente incapaz de resistir à pressão. Ou seja, pra F1 ele não serve. Ao contrário de seu companheiro, o sensacional Fernando Alonso, que fez uma disputa por posições digna dos grandes campeões com Hamilton, apesar de ambos estarem andando no meio do grid. A Toyota e a Williams estão muito fortes, pra completar nossa cara de assombro ao assistir à s brigas por posições dentro da pista. E Barrichello, o eterno azarado, mesmo largando mal contou com um carro maravilhoso, com seu incontestável talento (apoiado pelo retorno da auto-estima e do tesão por estar correndo, e disputando), e uma sorte danada com a fanfarra aprontada por Kubica e Vettel, que lhe deram de mão beijada o segundo degrau do pódio.
A primeira prova do ano fez com que até o inevitável sono das 3h da manhã se tornasse euforia. Não assistimos à s corridas para torcer por este ou aquele piloto. Logicamente temos nossas preferências, mas nós, que não ficamos sem o ruÃdo dos motores nos finais de semana, certamente estamos maravilhados com a inversão total que aconteceu na categoria: uma equipe estreante lidera treinos e faz uma dobradinha histórica em sua primeira corridda; equipes gigantes e milionárias brigam na rabeira; novos nomes surgem; velhos nomes ressurgem; o equilÃbiro acontece de maneira torta, mas muito eficiente.
E de todas as delÃcias de você ver muitas ultrapassagens, erros e acertos, brigas e mais brigas, certamente a satisfação de ver dois de três pilotos com macacões lisos, comemorando como crianças que acabaram de tirar as rodinhas da bicicleta e deram a primeira volta no parque sem cair é coisa que não se explica. Assim como foi a vitória de Vettel ano passado, a de Panis em Mônaco em 1996 ou aquela primeira vitória de Rubens em Hockenheim em 2000, você esquece a bandeira de seu paÃs e torce de fato para que aquele cara que está ali, debaixo do capacete e detrás do volante a mais de 300 km/h tenha de fato o mérito por uma atuação heróica e fora do comum. É inerente ao ser humano torcer pelos menores, pelos coadjuvantes. E aquela equipe de carro branco, que até sábado sequer patrocÃnio tinha, e que pouco mais de um mês antes tinha nos mecânicos sobreviventes da falecida Honda a maior das desconfianças sobre que tipo de ridÃculo aquela carroça que vinha sendo desenvolvida em sua garagem, sem apoio de ninguém passaria na Austrália. A desconfiança aumentou quando a carroça criou asas e voou por cima de todos. E ontem, ela tornou-se uma enorme e maravilhosa gargalhada e um grito de “SURPRESA!!!”, que aquele povo desacreditado devolveu em pura competência e muito trabalho. Nós, os apaixonados por essas máquinas, estamos orgulhosos dessa BrawnGP. E apaixonados também pelo capÃtulo maravilhoso construÃdo nessas duas madrugadas.
A emoção voltou, e ela é branca, amarela e preta.
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CLASSIFICAÇÃO FINAL DO GP DA AUSTRÃLIA
1. Jenson Button (GBR) Brawn GP – 58 voltas
2. Rubens Barrichello (BRA) Brawn GP – a 0s8
3. Jarno Trulli (ITA) Toyota – a 1s6
4. Lewis Hamilton (GBR) McLaren – a 2s9
5. Timo Glock (ALE) Toyota – a 4s4
6. Fernando Alonso (ESP) Renault – a 4s8
7. Nico Rosberg (ALE) Williams – a 5s7
8. Sebastien Buemi (SUI) Toro Rosso – a 6s
9. Sebastian Bourdais (FRA) Toro Rosso – a 6s2
10. Adrian Sutil (ALE) Force India – a 6s3
11. Nick Heidfeld (ALE) BMW – a 7s
12. Giancarlo Fisichella (ITA) Force India – a 7s3
13. Mark Webber (AUS) Red Bull – a 1 volta
14. Sebastien Vettel (ALE) Red Bull – a 2 voltas
16. Robert Kubica (POL) BMW – a 3 voltas
13. Kimi Raikkonen (FIN) Ferrari – a 3 voltas (problema mecânico)
17. Felipe Massa (BRA) Ferrari – a 13 voltas (problema mecânico)
18. Nelsinho Piquet (BRA) Renault – a 34 voltas (escapada)
19. Kazuki Nakajima (JAP) Williams – a 41 votas (batida)
20. Heikki Kovalainen (FIN) McLaren – a 58 voltas (suspensão)
San Telmo, mas pode chamar de Benedito
Provavelmente nossa viagem de ano novo será contada por completo até o próximo ano novo. Sinceramente? Não ligo. É um diarinho mesmo, e cada um anota o que bem entende. Pra ajudar na saudade dessa deliciosa e inesquecÃvel viagem, a Luana me mandou um vinil do Gardel pra acompanhar meu resgate de memórias. E é ele que embala essas palavras neste momento.
Aos interessados, mais um pouquinho da Argentina:
28/dez/2008 – dia 3
San Telmo, Buenos Aires
Se você vai ao Rio de Janeiro e não visita o Pão de Açúcar e/ou o Cristo Redentor, você não esteve no Rio de Janeiro. A Avenida Paulista em São Paulo. A Torre Eiffel em Paris. O Big Ben em Londres. E é lógico, a feirinha de San Telmo em Buenos Aires era ponto obrigatório em nossa passagem pelo paÃs.
SaÃmos bem cedo do hotel (coisa de 8h), e pegamos o Subte com destino à estação San Juan. Das histórias que nos contavam antes e durante a viagem, San Telmo não era exatamente um lugar muito chique e portanto nosso cuidado com os pertences (leia-se máquina fotográfica e equipamentos complementares) deveria ser um pouco maior do que o que tÃnhamos no “nosso bairro”. Ao chegar, estranhamos um pouco a distância da feirinha em relação ao metrô (no centro de Buenos Aires, as estações te deixam literalmente na porta de tudo), mas nada que um par de perguntas não resolvesse, e poucos minutos depois estávamos na “entrada” da mitológica feirinha.
- Um adendo importante:
Paulistas são mal-acostumados. Deixemos nossa modéstia de lado: São Paulo tem de tudo, e normalmente em porções tão grandiosas e imponentes como seu tamanho. A feirinha de San Telmo não é nada mais do que uma mistura das feirinhas do Embu das Artes e da Benedito Calixto, com um leve toque de Mercado Municipal. Se você tem um pouco de repertório urbano nesta cidade, muitos dos atrativos de (por exemplo) Buenos Aires acabam perdendo um pouco o caráter surpreendente quando existem equivalentes por aqui. San Telmo foi um desses casos – o outro eu conto mais pra frente.
Voltando…
E naquele vislumbre de desbravar mais um dos mÃticos pontos do paÃs hermano, assim que entramos na feirinha uma senhora muito simpática e falastrona veio falar comigo. E contou uma história cujo conteúdo eu sequer me lembro, mas de tanto falar e falar e falar eu me liguei que naquele lugar, qualquer abordagem, foto ou apresentação exige dos turistas de plantão uns trocadinhos em retribuição – a maledeta da propina, à qual nos exigiu preparação prévia (estávamos com algumas várias notas de 2 pesos no bolso). Assim que terminou, a velhinha pregou na minha camiseta uma faixinha com a bandeira argentina e me deu um santinho, pedindo educadamente uma contribuição “à quilo”, que eu nem sabia direito o que havia sido. Sem ação e ainda assustado com tamanho discurso, mas simpático à figura daquela senhora, arranquei do bolso uma das notas e dei a ela. A velhinha pegou a nota e, indignada, disse que “aquilo” não eram 2, mas 10 PESOS! Eu, obviamente, disse que não tinha os 10, e assim que ela se convenceu disso virou as costas e saiu andando. Olhei pra Debs e, sem saber muito bem o que tinha acontecido ali, disse:
- Essa filha da puta me levou no papo e ainda me arrancou 2 conto!
Claro que ela morreu de rir em me ver passando por uma cena tão bizarra. Passado o “susto”, fomos aos poucos descobrindo a tal feirinha, que é sim muito charmosa, e cheia de bugigangas locais. Algumas, muito bonitinhas, como o presepinho Asteca que eu trouxe pra casa. E lógico, muito Homer Simpson, Maradona, Carlos Gardel, Mafalda e Boca/River.
Das apresentações bacanas de rua, vimos somente um casal dançando tango. Mas os outros artistas locais eram excelentes, e renderam ótimas fotos (e algumas moedas – essas sim, justas – a menos em nossos bolsos):
Como pode-se notar, não há muitas fotos justamente pelo fato de San Telmo ser… uma feirinha. E o adendo resume bem o pensamento: o lugar é ultra explorável – inclusive nas redondezas, existem ótimos restaurantes a preços muito convidativos, pesando contra somente o fato da luta por conseguir uma mesa num lugar bacana, e ter que dividir o ambiente com uma penca de brasileiro. Imageticamente falando, vale muito mais o ambiente do que qualquer outra coisa. E é numa feirinha como essa que a gente treina pra valer (e se diverte muito) com nosso portunhol.
O saldo final da feirinha foi: um presepinho pra mim, um bichinho de serragem muito simpático e uma faixinha de cabelo pra Debs. Camisetas? Cuias de chimarrão? Badulaques e piripocas? Em outros lugares, com muito mais qualidade e com um precinho mais baixo. Recomenda-se sim, mas nada que você, meu amigo paulista urbanóide, já não tenha visto coisa muito parecida aqui nas redondezas.
Clube dos 5
Semana que vem começa o campeonato. A Formula 1 volta a dar o ar da graça e eu fico todo felizinho de acordar à s 3h da manhã pra ver uma corrida na Austrália. E pra completar a festa, a FIA voltou atrás e suspendeu aquela decisão unilateral ridÃcula que dava o tÃtulo ao piloto que mais vencesse, e não ao que mais pontuasse.
Todos nós, fãs, espectadores, torcedores, pilotos, equipes, jornalistas, enfim… qualquer um que goste de acompanhar essa maldita e viciante competição, agradecemos e muito ao lampejo de bom senso (e ao barulho feito ao redor disso, com crÃticas severas, entrevistas contundentes e aquele abaixo-assinado que eu também assinei – quem disse que a comunidade virtual e as redes sociais não têm poder de decisão?).
Este post é pra completar o assunto levantado no parágrafo postado há 3 dias, e pra indicar alguns blogs automobilÃsticos pros que, assim como eu, gostam do Reginaldo Leme mas precisam de um pouco mais de informação. Segue a lista (frequentada por mim a muito tempo), e altamente recomendada:
O mais legal:
FLÃVIO GOMES [http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/]
O mais crÃtico:
FÃBIO SEIXAS [http://fabioseixas.folha.blog.uol.com.br/]
O complementar e gente boa:
TÉO JOSÉ [http://teojose.zip.net/]
O mestre supremo:
PANDINI [http://pandinigp.blogspot.com/]
O mix dos 4 anteriores:
CAPPELLI [http://www.blogdocapelli.com.br/]
Nçao vou ficar aqui descrevendo o que ou como cada um escreve. Confira um pouco de cada um, e se gostar, adote seu cronista preferido. O fato é que nunca fiz uma pré-temporada tão boa quanto essa. Melhor que eu, só a BrawnGP (que será assunto do meu próximo post automobilÃstico.
See ya.
MultimÃdia, informação e a lei da mordaça
Desde que a Democracia foi inventada, imagina-se que os seres humanos que dela façam parte sejam capazes de além de falar, ouvir, e a partir desse momento configura-se uma situação chamada diálogo, que gera acordo, desacordo e discussão sobre qualquer idéia que habite a cabeça dos seres ditos racionais: todos nós, aqueles mesmos seres humanos do inÃcio deste parágrafo.
A racionalidade é a capacidade que temos de analisar, discutir e decidir sobre determinado assunto. A análise consiste em observar ambientes, situações e contextos (internos e externos); discutir significa expor os pontos de vista tomados a partir da análise; e a decisão cabe a quem conseguir executar todas essas tarefas.
O problema é a capacidade dessa execução. Uns tem. Outros, não.
Porque nesse nosso contexto aqui, verde-amarelo colonial, nós já passamos por regimes democráticos, parlamentares e militares. Instituições tomaram a frente, cada qual a seu tempo e tendo em mãos o devido poder relativo à sua época: dinheiro, comida, recursos naturais, tecnologia, cada qual teve sua capacidade de atribuir a este ou aquele mandatário o devido poder sobre os desprovidos ou dependetes dessas coisas.
E o poder de hoje chama-se INFORMAÇÃO.
Imensurável, inesgotável, e mais poderosa do que qualquer riqueza anteriormente citada. Excita e atiça a quem a possui, pois nunca satisfaz aos curiosos, aos pesquisadores, aos interessantes. Enobrece, e quem a possui sabe que disseminá-la potencializa a aquisição de mais e mais desse precioso bem.
Porém, alguém disse há tempos que “a ignorância é uma bênção”.
Claro. Uma vez que você não conhece o potencial do prazer de saber, de se comunicar e ver que seus braços alcançam muito além dos poucos centÃmetros de seu corpo, fica muito difÃcil se frustrar ou se revoltar contra a cessão desse prazer. O conhecimento incomoda justamente aos chucros, aos limitados, aos acomodados – aqueles mesmos que provavelmente já o provaram e, egoÃstas e ignorantes, não dividem as porções com quem está na mesa.
A esse tipo de gente, é bom avisar: conhecimento só tem valor se compartilhado. Informação só vale se existe intercâmbio. Levar pra debaixo da terra o repertório adquirido nao tem valia alguma pra ninguém, uma vez que sua história não pode ser repassada adiante, aumentada, enriquecida. De que vale conversar consigo mesmo, se ninguém pode repassar o que se sabe, ou acrescentar ao seu repertório? De que vale a comunicação unilateral, uma vez que sem retorno o desinteresse é natural, e o esquecimento torna-se consequência.
Os feudos funcionavam assim: eram repúblicas autosuficientes, que valiam-se do que existia em seu interior, e naquilo se fechavam. Os senhores feudais proibiam os seus vassalos de sair, de se comunicar com os que estavam no mundo exterior. Aos que precisavam a todo custo desse tipo de contato, era cobrada uma taxa. E assim os feudos resistiram, até o momento em que com seus insumos esgotados (pois a terra/base perde nutrientes/consistência, e não rende mais o que deveria, deixando os donos do feudo sem alternativa a não ser recorrer ao mundo exterior – até então desconhecido e inexplorado), ficando assim à mercê dos leões, uma vez que sem horizonte corremos a esmo e inevitavelmente nos perdemos.
Logicamente, pra qualquer um dos seres humanos lá do primeiro parágrafo, esse tipo de relação de trabalho/sociedade é natimorta. Com o tempo a necessidade trouxe as revoltas, as revoluções e o ideal de democracia nasceu, cresceu, se desenvolveu e, mesmo aplicada tortamente, hoje rege a vida deste que vos escreve e de todos.
Infelizmente, alguns feudos resistem à s mudanças. Mas, assim como todos os outros, acreditar que a ignorância dos seus é uma bênção já traz e ainda trará muitos malefÃcios à sua existência (e uma imagem pra lá de negativa a todos os outros que estão aqui fora, que conhecem os que estão lá dentro, e que sem mordaças que somos, repassamos aos quatro cantos os absurdos desse tipo de polÃtica). E aos que acreditam que a ignorância ainda é uma bênção, que rezem para que a própria ignorância não os sufoque, assim como sufocou a ditadura, os regimes semitistas, e outras polÃticas totalitárias e unilaterais. Censurar o direito à informação e à discussão é tão grave quanto proibir a educação, negar um prato de comida ou julgar sumariamente aos que são diferentes do que somos. Parece exagero, mas poder é poder.
O mesmo poder que a democracia me assegura de defender aqui o direito de expressão de uma amiga, de um amigo e de todo mundo que eu gosto.
P.S.1: Post dedicado à minha amiga Ariett, que mais uma vez permanece numa postura profissional, com prazos em dia e com um trabalho cuja qualidade quem a conhece sabe do valor, mas cujos direitos à informação e à comunicação permanecem cerciados por uma parede bem alta, cuja qual eu já saltei e posso dizer que o texto aà de cima se encaixa perfeitamente no contexto ao qual está inserido.
P.S.2: O porteiro desse feudo é de uma incompetência impressionante…
Mea culpa e um copo de café
Têm sido dias bons esses das últimas duas semanas.
Estamos nos abastecendo de novidades, cada um em seu dia útil. Ela, se preparando pra tomar a frente da jornada que nossa vida está aos poucos se tornando (nossa mesmo, e de mais ninguém); eu, escondido aqui no meio do Brooklin lidando com trabalhos de clientes cujos nomes todo mundo conhece – experiência mais do que nova, uma vez que os trabalhos pra gente desse tipo de calibre eu contei um por ano em dez anos de vida profissional. E hoje, dez anos depois, tenho muito mais em um só lugar, o tempo todo. O que é bem legal.
Não deixei de lado nossas pstagens portenhas. As páginas do nosso diário de viagem estão lá, manuscritas e prontas para serem trazidas pra cá. Mas falta tempo, falta vontade à s vezes, enquanto a adaptação à nova rotina ainda acontece o corpo clama por outras coisas, como colchão, banho quente, carinho da namorada e cerveja com os amigos. Todos os pedidos têm sido prontamente atendidos, e logicamente o blog fica um pouco de lado numa hora dessas – porque somos feitos de carne, osso e coração, e não de megabytes.
Mas entre uma pausa e outra dos diversos jobs que têm surgido no meu e-mail, pintou um tempinho e a saudade deste canto bateu mais forte do que aquelas outras necessidades. Nem sei se alguém mais anda lendo isso aqui, mas lembro que há sete anos eu nem ligava pra isso, e de lá pra cá eu passei a me importar um pouco mais. Por isso mesmo, à s vezes vale mais a pena justificar a ausência do que deixar as idéias pra depois. Elas estão ali, em cima da mesa e quase chegando aqui. Mas por enquanto (ao menos até à s 18h), meu foco é – e deve ser – outro. E assim sendo, quem sabe neste final de semana eu derrame linhas e mais linhas por aqui?
Faz falta viu. Mas saudade às vezes é bom.
Um parágrafo sobre a nova regulamentação da FIA
Eu acho lamentável. O sistema de pontuação da F1 acaba não valendo grandes coisas e a regularidade menos ainda. Premiar quem vence mais (sendo que a média de vitórias de um campeão fica entre 6 a 7 num ano competitivo) pode matar o cameponato na metade do ano. É ridÃculo. Tão ridÃculo quanto aquela idéia estapafúrdia do sistema de medalhas. Por sinal, são idéias irmãs. E eu que estava tão feliz com as possÃveis mudanças abruptas no campeonato – ao menos no impacto dessa novidade – estou bastante decepcionado.
Como se fosse necessário descrever…

Show do Keane é exatamente o que aconteceu ontem: essencialmente uma galera muito educada (muito nerd de óculos, muita menina baixinha e com cara de fundão, uma meia dúzia de “não sei o que estou fazendo aqui”, e algumas várias famÃlias). Uma dezeninha de emos curtiu o show do Fresno quando lhes foi permitido. Por sinal, não vaiaram a banda – como eu disse, eram pessoas educadas. Porém, no que não se bate, se ri, e piadas não faltaram durante o show de abertura. De fato, é pra ser temida essa geração de mimimis.
E quando o Keane entrou no palco – dessa vez o volume estava ótimo, é importante que se diga – rolou uma histeria digna da consciência da galera. Creio que como eu, os outros 5,5 mil que estavam lá pensaram exatamente a mesma coisa: “Os dois shows meio vazios da outra vez tornaram-se um único show bem cheinho, e como pelo jeito só nós somos os fãs desses caras, vamos nos esgoelar pra que eles saibam disso”.
Nem foi preciso. O quarteto (sim, há um baixista, e também há sintetizadores, guitarra, violão e o que mais for necessário para poder tocar o “Perfect Symmetry” com todos os seus frufrus) sabia exatamente onde estava. Novamente, além dos trocentos hits derramados simpaticamente sobre os paulistas, não faltaram declarações de amor de Tom Chaplin ao paÃs e à cidade. Li hoje que os outros integrantes da banda, perto dele, são meros coadjuvantes. Mentira. Tim Rice-Oxley e Richard Hughes dão seu show, com destaque pra Rice-Oxley, que parece possuÃdo a cada música, espancando sem dó seu piano, teclado ou o que seja. Chris Martin sentiria muita inveja.
Mas o que vale em resumo: foi um showzásso, de novo. E hoje, na mesma ou em outra matéria, foi dito que a banda ainda luta para sair da segunda divisão das ótimas bandas inglesas, e que pontos pra isso não faltam. Pra mim, eles já cumprem tabela há tempos, e com ou sem mÃdia a favor (esse sim o grande divisor do que é ou não difundido), o Keane já tem torcida e grito de guerra por aqui.
P.S.: Elton John em janeiro, Keane (e Iron Maiden, que infelizmente não irei por falta de grana) em março, e provavelmente Oasis em maio. God Save The Queen, amen.
Desde quinta passada…
… arranjei um emprego bacanudo;
… tomei uma das melhores cervejas da minha vida;
… joguei sinuca com A galera;
… aprendi a jogar Xadrez com a Debs;
… assisti O Rei Leão, coisa que ainda não tinha feito (vergonha);
… vi o Ronalducho cair nas graças da Fiel, com motivos;
… comecei a planejar nossa vida, com grandes mudanças naS nossaS vidaS;
… soube que um baita amigo vai casar (enfim);
… e hoje tem show do Keane.
Obrigado, e amém.
16 anos de praia, brita e pódio

Todo mundo desce a ripa no Rubinho. Absolutamente todo mundo, inclusive eu. E eis que desde a morte da Honda na F1, mataram também nosso Judas favorito, colocando-o de lado na disputa com Bruno Senna pela vaga naquilo que sobrou da equipe, e que vai pra pista do jeito que for pra fazer número na temporada deste ano. Eis que no andar da carruagem, um pouco de bom senso prevaleceu nos bastidores da F1, e Nick Fry aparentemente é carta fora do baralho, deixando o comando da escuderia para Ross Brawn – esse sim, um gênio indiscutÃvel de bastidores.
E Brawn deve mesmo anunciar que a equipe existe, e que vai pra pista em 2009 com Button e… Barrichello.
Então, façamos uma breve análise do que de fato é a História de Rubens Barrichello na F1. Coisa que a gente esquece rápido, mas que a própria categoria faz questão de relembrar, principalmente na hora de escolher um piloto pra chefiar uma berinjela do tamanho que é essa BrawnF1 Brawn GP:
JORDAN [1993/1996]

Rubens Barrichello estreou na F1 nos idos de 1993, na finada Jordan, equipe em que permaneceu durante 4 anos, desenvolvendo (e muito bem) seu carro com o sofrÃvel motor Hart em 93 e 94 (substituÃdo pelo virgem Peugeot em 95 e 96) – e com esse mesmo motor fuleiro conseguiu seu primeiro pódio em 1994. Ao seu lado, competiram pela mesma equipe pilotos de qualidade extremamente duvidosa, como Eddie Irvine, Martin Brundle, Aguri Suzuki e o inimitável Andrea de Cesaris. E ainda assim, Rubens sobreviveu.
Ainda pela Jordan, Rubinho passou pelo momento mais crÃtico de sua carreira, no fatÃdico fim de semana em Ãmola, também em 94, quando nos treinos de sexta, ao contornar a chincane do estádio, se arrebentou no muro de proteção, ficando de fora da prova e projetando a tragédia tamanha que as mortes de Ratzenberger e Senna viriam a concretizar.
Nesse mesmo final de semana, Rubinho herdaria, querendo ou não, a responsabilidade de substituir um Ãdolo nacional e mundial do porte de Ayrton Senna, e com um ano e meio na categoria, carregar a bandeira que Piquet, Senna e Fittipaldi demoraram anos para consagrar – e sempre o puderam fazer em equipes de ponta, em épocas distintas e com talentos individuais que ninguém tem o direito de comparar a outros desportistas.
STEWART [1997/1999]

Na Stewart, Rubens desenvolveu uma equipe dirigida por um garagista e ex-piloto dos mais competentes da História. Certamente alguém da estirpe de Jack Stewart não confiaria o desenvolvimento de seu carro a um qualquer, e chamou alguém notoriamente competente pra isso. Rubens desenvolveu a segunda equipe pequena da carreira.
Pela Stewart, logo no primeiro ano, obteve um segundo lugar em Mônaco, sendo essa apenas a quinta corrida da equipe – um feito absurdo. Pela equipe conseguiria ainda mais 3 pódios nos 3 anos de permanência. Nessa mesma época, a Ferrari descobriu que Eddie Irvine – aquele estabanado que só conseguia resultados medÃocres na escuderia (sendo que seus únicos resultados bons aconteceram quando Schumacher se arrebentou e tiveram que promovê-lo temporariamente a primeiro piloto), não fazia metade do que Barrichello fazia na Stewart. Coisas como essa:
O desenvolvimento da equipe foi tamanho que antes da sua aquisição pela Jaguar em 2000, a dita obteve uma pole com Rubinho na França, e uma vitória com Johnny Herbert no GP da Europa – ambas em 1999, ano em que a Stewart terminou o campeonato de construtores na 4ª posição. Fatos esses que nenhuma escuderia com tão pouco tempo de existência conseguiu superar desde então.
FERRARI [2000/2005]

Rubens “só″ dividiu o cockpit da Ferrari com o piloto mais vitorioso de todos os tempos. Mas antes de lidarmos com Schumacher, vale a ressalva: Rubinho PILOTOU a FERRARI, coisa que nenhum brasileiro havia feito na História da F1. Mais que isso: Rubinho GANHOU CORRIDAS com uma FERRARI. Mais ainda? Barrichello esteve na equipe durante 6 anos, e saiu da mesma por livre e espontânea vontade (e muito saco cheio e inconformismo), deixando a porta aberta pra outros brasileiros, entre eles um tal de Felipe Massa, que sem os tabus e o companheiro de equipe que Barrichello teve, já fez o que fez em 2 anos na escuderia de Maranello.
Schumacher não precisa de adjetivos. Ser seu companheiro foi um tremendo azar. Algo como colocar o Pepe ao lado do Pelé, Paula ao lado de Hortência, e na própria F1, Berger ao lado de Senna. Talentos inegáveis, mas que dividiram espaço com atletas únicos. Foi o mesmo caso, e isso meu amigo, é AZAR.
Rubinho pecou ao falar demais. Ao reclamar demais. Virou um chato. Nada poderia derrubar Schumacher, e assim foi. Mesmo assim, Barrichello foi o único que acertou-lhe uma rasteira, que sujou a história vitoriosa do alemão, e da própria Ferrari, quando expôs publicamente a palhaçada a que era submetido. Dos momentos mais chocantes, marcantes, engraçados e bizarros da F1. Vale lembrar:
A primeira vitória chegaria, numa largada em que sua posição era a 18ª do grid. Que teve padre invadindo pista. Que teve Sol. Que teve chuva. Que não faltou ultrapassagem. E que merece a devida lembrança:
Mais um pouquinho, porque esse momento foi sim MUITO legal e bem emocionante…
HONDA [2006/?]

De saco cheio de jogar pros outros, foi pra Honda, equipe em que dinheiro, tradição e competência não seriam problema. Mas a Honda tinha Nick Fry – o fanfarrão-mor da categoria, um dirigente lamentável e extremamente incompetente. Que em 3 anos afundou a montadora em resultados medÃocres, e queimou completamente tanto Rubens quanto Jenson Button – e ainda sob esse cenário, Rubens esteve sempre à frente de Button.
Porém, em 2008, entra em cena Ross Brawn, o responsável direto pelos tÃtulos de Schumacher tanto na Ferrari quanto na precária Benetton, na metade da década de 90. Com o projeto do ainda manda-chuva Fry, Brawn assiste ao fracasso da equipe, e ganha de brinde o pepino de comandar aquilo que já foi a Honda na temporada de 2009. Limpa-se a casa, e qual o piloto ideal pra desenvolver aquilo que restou da equipe?
Pretere-se a aposta Bruno Senna, aposta-se na experiência do piloto com o maior número de corridas na história da categoria. Rubinho ganha esta semana a chance de continuar fazendo o que gosta, e faz muito bem: correr na categoria mais importante do automobilismo mundial. E na minha opinião, prova que após 16 anos, ainda tem muita lenha pra queimar, e escreve com fatos aquilo que muita gente (inclusive meu Ãdolo, Nelsão Piquet) discute: sua competência.
Rubinho, boca fechada e pé embaixo. A gente adora te odiar. E mais adora que odeia.









