Masili neles!

A experiência Costa Verde

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 17 de fevereiro de 2009

27/dez/2008 – dia 2
Recoleta, Buenos Aires

Na volta do passeio ao inferno, a passagem pelo hotel foi mais do que obrigatória – pra avaliarmos o quanto havíamos nos arrebentado no Sol, e praquele banho que nos possibilitaria voltar à dignidade no convívio social. Confesso que não lembro muito desses momentos, tal a exaustão.

Os estragos não foram extremos, mas nos deram um bronze ridículo – daqueles que só o típico turista consegue. De qualquer forma, ao contrário do imaginado, dores e ardências não se manifestaram nos dias seguintes, sendo o Sundown elemento indispensável na já cheia mochila da Debs dali em diante.

Andamos o suficiente para que se abrisse um buraco em nosso estômago, e estávamos determinados e não sair do bairro para matarmos quem queria nos matar. Nas idas e vindas pela Recoleta, observamos alguns dos trocentos restaurantes, bistrôs e bares que existem no bairro. E nisso, um em especial nos cativou um pouquinho mais…

O eleito foi um restaurante chamado Costa Verde, que fica na esquina da Juncal com a Junín – por sinal, uma esquina das mais charmosas e aconchegantes… a Recoleta é toda gostosa, mas tem uns cantinhos que merecem algumas linhas a mais de atenção. Enfim… adentramos ao recinto e prontamente fomos atendidos por um mozo que de moço não tinha nada – um senhor que certamente tem a idade de muito vovô por aí.

Notando nossa portunhol ridículo, sugeriu por etapar e com muita calma cada ítem do menu, descrevendo cada prato da forma mais didática possível – e não que decifrar o menu fosse coisa complicada demais, mas um ou outro detalhe podem sim fazer toda a diferença, como notamos alguns dias depois. Ao final das explicações, lembrei da sugestão da sogrinha e pedi o tal bife de chorizo, com papas a la alguma coisa que eu não lembro. A Debs preferiu não arriscar tanto e pediu um poyo en roquefort.

Enquanto esperávamos, o mesmo senhor nos serviou as entradas: os pãezinhos argentinos são sensacionais, mas além do pão em si, os caras servem um requeijão da iLolay que é uma coisa que não se explica. Dá vontade de morder o plástico de tão bom que é.

E se deliciando com uma simples entrada, você pode imaginar a ansiedade de se comer o mitológico pedaço de boi no país que é reconhecido mundialmente por ser um dos melhores nesse tipo de prática. A expectativa tornou-se realidade depois de uns 20 minutos de espera – o que aquele senhor trazia em mãos era pra ser degustado de joelhos…

É sério: não dá pra explicar o sabor da parada. Junte picanha, cupim, costela, baby-beef e tudo o que as vacas têm de bom, que a gente conheça e que dê água na boca. Nada se compara. A suculência da criança não é imaginável nem por fotos.

E a Debs, que pediu o franguinho no queijo, ganhou esse cara aqui de presente:

O tal molho de roquefort (que existe aos 4 cantos por lá) do Costa Verde foi outra experiência. O sentimento é que um feixe de luz divina nos cobriu enquanto devorávamos os pratinhos quadrados da casa. Obviamente que depois dessa orgia gastronômica, o tiozinho simpático que nos atendeu ganhou a segunda propina mais polpuda da viagem, com méritos, e os devidos louros – e a fidelidade de que voltaríamos lá antes de embarcarmos de volta pra casa. Promessa que foi cumprida por mais duas vezes durante a viagem.

E pode parecer exagero dizer isso, mas experimentar a culinária de outro país – mesmo que os pratos e as misturas sejam comuns aos nossos hábitos – já deixa um sabor diferente implícito na própria experiência, a cada nova descoberta. E quando a descoberta acontece e tem um resultado superior à expectativa, esse sabor fica ainda mais gostoso.

Depois disso, só fazendo digestão. Fomos andar…

Coisas que fariam meu coração parar por excesso de batimentos:

Em Música por Marcelo Masili - 16 de fevereiro de 2009

Paul McCartney & Dave Grohl – Grammy 2009

E repetindo minha frase de ontem: “Eu imagino que o Dave Grohl deve agradecer todos os dias pela bala que o Kurt Cobain enfiou na cabeça.”

Descobertas musicais: Fleet Foxes

Em Música por Marcelo Masili - 10 de fevereiro de 2009

É a vantagem de se trabalhar sem amarras, e com tranquilidade. Um dos camaradas aqui da Elleven me passou esse clipe, e pesquisando descobrimos que a banda em questão é craque em clipes primorosos (além de ter um som bem do bom). Nunca tinha ouvido falar (ao contrário da Mallu Magalhães, e a maldita mídia emburrecedora de massas)…

…então, eu apresento:

Fleet Foxes
Mykonos

E se você gostou, mande mais um pra dentro:

Fleet Foxes
White Winter Hymnal

Use filtro solar

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 9 de fevereiro de 2009

27/dez/2008 – dia 2
Puerto Madero, Buenos Aires

Em qualquer circunstância, um sol daqueles amedronta. Se estivéssemos em casa, provavelmente cairíamos de cabeça no sorvete e na preguiça, mas como inserir-se no contexto exige uma adaptação imediata, saímos dos diques de Puerto Madero decididos a conhecer a tal reserva ecológica do Parque Natural Costanera Sur, que é uma tremenda área verde localizada entre os diques e o Rio de La Plata.

Passando pelo Acesso Viamonte, o côco já tostava. Apesar da enormidade de árvores, muito sol e muito calor. Esse calçadão, que ladeia toda a reserva, possui trocentas mesinhas de calçada e trailers daqueles bem pé-sujo, que a gente vê na porta do Pacaembu sábado à tarde às vésperas do jogo do Timão. Todo o tipo de comida, de bife de chorizo a hamburguesas (mas principalmente os churrasquitos) aromatizam o passeio, e nessas horas você vê o quanto o povo argentino cultiva o hábito de aproveitar os parques da cidade. Com cerveja ou chimarrão, poucos eram os que não traziam suas coisas pra se instalar em algum cantinho de sombra, pra ler um livro ou curtir a família. Admirável, e deu até uma pontinha de inveja…

Enfim… durante o passeio, o calor foi tomando conta da nossa alma. Quase no final do calçadão, vimos um caminhão onde faziam aluguel de bicicletas. Ficamos sabendo por um dos guias que havia um mirante no lado oposto do Parque, beirando o Rio de La Plata, em que via-se o landscape de Buenos Aires num ângulo bem bacana para fotos. Namorando uma fotógrafa, decisão óbvia: alugamos duas bicicletas (a $ 8,00/h cada, sendo a dela com cesto, pra câmera não matar as costas), e nos enfiamos na reserva.

Caro amigo: reservas ecológicas são lugares… ecológicos. Banheiros na entrada, e só. Lá pra dentro, vá com a cara e a coragem de quem não vai encontrar nada que não seja… ecologia. Visto pelo nosso mapa (que o próprio chicano que nos alugou as bicicletas, na faixa), a trilha do Parque parecia grande, mas encarável. Mas após 10 minutos de pedalada, vimos novamente que não manjávamos absolutamente nada do clima portenho.

Estávamos cada um com uma garrafinha d’água (que virou memória mais rápido do que atravessar a rua), e sem filtro solar. Eu arranquei a camiseta e arregacei as calças (sim, calça – pela manhã no hotel o tempo parecia ameno), mas de quê adiantou? Claro que na metade do caminho já estávamos mortos. Encontramos o tal mirante, e a Debs tirou as fotos…

…mas naquele momento, o que a gente mais queria era sombra e paz. Com metade da volta pelo Parque, o desânimo de imaginar que o trabalho para sair dali seria dobrado nos desanimou de tal forma que pedalamos como se estivéssimos competindo na Volta da França. Pelo caminho ainda conhecemos a costa do Parque, que dava para o Rio de La Plata, e então entendemos o porquê de dizerem que Buenos Aires fica “de costas para o mar”. Não é uma praia, mas um espaço de pedras e com chão meio lodoso, onde havia mais gente lendo livro e tomando chimarrão.

Pedalamos enlouquecidamente até voltar ao Acesso Viamonte. E de lá, com mais vontade ainda de encontrarmos logo o caminhão, que estava exatamente do outro lado do calçadão. A impressão naquele momento era de que esse outro lado equivalia à distância entre a Terra e Netuno, e somente hoje, eu encontrei em um link (este aqui) que essa sensação não era de todo errada.

Enfim, vai sair em Buenos Aires? Informe-se sobre o clima, e não passe pelo que a gente passou.

colors@work

Em Umbigo por Marcelo Masili - 6 de fevereiro de 2009

Embarcando no calor portenho

Em [Viagem] Buenos Aires 2008/2009 por Marcelo Masili - 6 de fevereiro de 2009

27/dez/2008 – dia 2
Puerto Madero, Buenos Aires

Os primeiros dias foram de fato de um calor sem fim. O azul da bandeira é o mesmo do céu, e o sol entre as faixas deixa claro que quando esquenta naquela terra, esquenta pra valer.

Fomos conhecer o lugar onde planejávamos passar o ano: Puerto Madero. É um bairro dos mais bonitos de Buenos Aires, onde estão localizados hotéis luxuosos e caros como o Hilton, e possui uma área urbanizada semelhante aos portos londrinos, que deixa o lugar ainda mais charmoso. Passa em frente à área do porto um trem de superfície bonitão, mas que não chegamos a experimentar. Enfim, voltando…

…do Subte, descemos na estação Catedral. É de longe a estação mais suja das que passamos – um amontoado de lixo nos trilhos, e um povaréu digno da estação da Sé (obviamente, com as devidas reservas dimensionais). A saída da Catedral dá obviamente na Catedral de Buenos Aires, que ladeia a Casa Rosada. Muitas e muitas fotos da Debs, da série que ela montou da bandeira dos hermanos (e que dá uma idéia clara de como o azul do céu de fato condiz com as cores pátrias).

Após o reconhecimento de mais um ponto turístico histórico (e politicamente fantástico, mas deixemos isso pra daqui a pouco), descemos duas quadras e já estávamos em Puerto Madero. Como pode-se notar, o lugar que escolhemos previamente em nossos poucos planos não ficou devendo em nada às expectativas de que sim, passaríamos o reveillón num lugar bonito pra chuchu.

A limpeza e o charme do lugar nos deixaram animados. E após uma voltinha por ali, resolvemos experimentar o lendário Freddo, que tinha uma de suas trocentas lojas em um dos diques. Olha meu amigo, eu já experimentei sorvete do Stramondo, da Parmalat, da Häagen-Dazs, da Doceria Holandesa, mas vou te falar uma coisa… o Freddo pisa e chuta todo mundo junto. Dos sabores deles (dos quais eu não me recordo de metade, pois existem combinações ali que só arriscando mesmo), escolhemos um de banana que era uma experiência indescritível. Mais tarde descobriríamos que o de Dulce de Leche também é coisa que não se explica. Não tiramos foto – óbvio, estávamos saboreando o bicho, que é coisa bem melhor de se fazer do que fotografá-lo enquanto aquela riqueza derrete – e sei que nenhuma imagem dessas coisas passa metade do sabor, mas pra registro, segue:

E afinal, com um sol tão bacana, existe algo melhor pra se fazer?

- Existe. Jajá eu conto.