Masili neles!

O último texto deste ano

Em Vidinha por Marcelo Masili - 24 de dezembro de 2008

Na véspera de Natal, dia emblemático e que poucos de fato encaram da forma como deveriam, nem fazem aquilo que de fato seria o melhor presente a todos, que é pausar por um segundo suas vidas, reavaliar aquilo que fizeram durante todo o restante do ano, e na equação de erros e acertos, ensaiar a reinvenção de si mesmos a ser posta em prática a partir do mitológico 1º de janeiro, vou deixando por aqui as últimas linhas deste ano.

Deixando registrada a redescoberta da minha família como seres humanos que são (e não partindo-se da hierarquia social de pais e filhos), com toda a falta de humildade, de inteligência e de vergonha na cara de meu pai e meu irmão – pessoas orgulhosas, hipócritas e que agora sabem de fato o mal que me fizeram durante todo o baile de máscaras que tentaram dançar desde sempre. Esta noite estarei na casa de outra família – uma de verdade, e não essa farsa cuja qual vivo sob o mesmo teto (ainda), e da qual minha mãe mostra-se a única que de fato merece o carinho incondicional de sempre, tal a força e dignidade que na sua simplicidade me fazem agradecer todos os dias a Deus por ser seu filho.

- Sim, é um desabafo. Nas palavras claras que se fez a verdade, e nelas que a verdade permanecerá daqui em diante. A hipocrisia me cansou, definitivamente.

O ano deixou claro o valor dos riscos; da prosperidade à decepção no último emprego; da necessidade de planejamentos para certas ações; da coragem para alçar novos rumos e de recuar para poder avançar; do quanto respeito mútuo, conversa e acordo são importantes; da importância de se ter um amor de verdade sempre junto a você (e não somente nas horas livres ou de alguma necessidade especial); de quanto a esperança está intimamente ligada às ações para que algo de fato mude.

Foi um ano amargo, que me envelheceu um pouco mais do que deveria e certamente me deixou mais resistente a certas coisas, e com menos medo ou receio de outras. Mas que terminará longe daqui, provavelmente em Puerto Madero, para que a renovação de toda essa reavaliação sobre o que fomos e o que queremos ser daqui pra frente possa acontecer longe de qualquer contaminação que seja.

Obviamente que neste ano aconteceram muitas coisas boas também: o namoro que vai tomando ares de coisa melhor, muito trabalho bom, muitos amigos por perto (alguns chegando, outros voltando, e outros mudando – de casa e de vida), o Timão de volta à elite, a minha F1 empolgando até quem não gosta tanto dela, muita música e até um pouco de vida saudável… enfim, coisas boas também não faltaram, mas sempre é mais fácil lembrar daquilo que machuca.

Todavia, a conclusão disso tudo é que: deu trabalho, mas chegamos vivos a mais um fechamento. O desejo é e sempre foi o melhor para todos, e que cada um faça por onde conseguir aquilo que sonha; que não desista do que de fato for importante; que se preocupe com coisas grandes, e deixe as pequenas terem o peso que de fato possuem; que dêem valor àquilo que lhes é de fato essencial.

E que estejam por perto. O calendário vira, a vida continua, mas nunca é demais querer melhorar um pouco mais. Um bom Natal e que em 2009 a mensagem de final de ano de cada um de nós possa ser doce e suculenta, diferente desta, que tem sem a menor dúvida uma amargura e um desejo de virada que ultrapassam qualquer texto que se leia.

A tarde de chuva

Em Vidinha por Marcelo Masili - 21 de dezembro de 2008

Muito trabalho. A minha menina também trabalha, e eu aqui, ouvindo as músicas desconexas, só pra ocupar o silêncio e deixá-lo bem longe de mim. E eu fico com saudade dela. Tentamos planejar nossa viagem pra Buenos Aires ontem, uma vez que dia 26 o vôo sai e pouco sabemos o que será dessa incursão de 8 dias em terras argentinas. Planejamento frustrado, a gente gosta mesmo é de desbravar e isso não é de hoje. Temos 3 ou 4 desejos por lá, e o restante se fará na hora. Enquanto isso eu desobstruo as gavetas e jogo tudo pra cima de novo, e daqui a pouco fica tudo com cheirinho de novo, de novo. Até para que as tais gavetas possam receber o que chega de novo, deste lugar e dos outros que virão. Preparativos para o ano novo, que muda o espírito, mas não a realidade.

Voltemos ao trabalho. As promessas de 2009 darão lugar a boas novidades.

Já não chega o SPC…?

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 20 de dezembro de 2008

11h10 da madrugada deste sábado (agora há pouco). Liga aqui uma fulana com mais sono do que eu, perguntando se eu sou eu. Respondo que sim, e ela se identifica como alguém de uma empresa contatada pela Embratel pra efetuar uma cobrança de uma conta em aberto:

- Que conta?
- Referente a abril de 2003*.
- Eu já quitei todas as minhas dívidas com a Embratel, sendo a última em 2006!
- Mas aqui consta a dívida…
- Eu tenho aqui o protocolo de pagamento (mentira)!
- Mas aqui consta…
- Sua idiota, não me chama de imbecil – eu sei o que eu pago! Filha, faz o seguinte? Quando você souber do que está falando, me liga de novo, ok? Boa tarde**!

Eu fico MUITO irado com esse tipo de mané que liga em casa achando que eu sou otário. Assim como aqueles trocentos lares de ajuda a crianças com câncer, hanseníase e o escambau. Foi ajudando um desses que eu tive dois cheques de R$ 20,00 PROTESTADOS. Sim, PROTESTARAM minha doação! Fora que rola aquela chantagenzinha emocional básica, de que não custa nada ajudar e que estão todas morrendo. Pode até ser algo sério, mas não coloquem amadores ao telefone, e contratem gente competente pra administrar as finanças dessas joças. Eu gostaria muito de contatar algum profissional da Embratel neste momento que pudesse me dizer como esses dados vazam da empresa, mesmo estando engavetados há no mínimo 3 anos.

Logicamente mandei um email pro Ombudsman da Embratel (que nunca será respondido), descascando o departamento financeiro e o atendimento da empresa. Me faz lembrar quando clonaram meu telefone da Vivo, e quando contatei a empresa pra contestar minha conta de R$ 6.500,00 (com ligações pro Acre e Rondônia – eu não tenho tantos amigos assim…) o infeliz do responsável pelo meu protocolo disse que meu telefone não estava clonado. Por sorte, a secretária do presidente da Vivo era cliente do consultório onde minha mãe trabalhava, e 3 dias após a constatação de que meu nome era Zé e não Marcelo, mudaram de idéia e esqueceram a conta.

O que mostra que neste país (e acho que em qualquer outro também, mas vou falar sobre aquilo que conheço), a gente precisa é conhecer as pessoas certas pra conseguir se safar dos golpistas e aproveitadores de plantão. Ou então, se sujeitar a acordar com uma ligação de uma Genefrilde qualquer dizendo que sua conta de 2003 precisa ser paga, e torcer pra que seu ódio alimentado pela desgraçada não vire uma úlcera (porque daí, se você não tiver um plano de saúde, é serviço público, com trocentas Genefrildes “prontas pra te atender”…). E como partir pra justiça neste país é um verdadeiro treinamento de paciência e credo… que venham os palavróes e os e-mails inconformados. Ao menos a gente espanca alguma coisa e não vai preso…

* Se de fato fosse verdade, a conta estaria expirada, coisa que qualquer Jeca sabe.
** Como eu disse, estava com sono. Dia e tarde são conceitos complexos pra quem ainda não abriu os olhos…

No Raul Gil eles também se apresentam assim…

Em Música por Marcelo Masili - 19 de dezembro de 2008

Eu já tive mais saúde pra algumas coisas.

E minha cartada final no desafio de resistência quando o assunto é show em terra brasilis foi o épico U2 Vertigo Tour – devidamente registrado numa seqüência de posts emocionados na versão finada deste blog, onde em duas semanas eu e meus apóstolos efetuamos o milagre da multiplicação, transformando dois ingressos comprados em onze, sendo nove na faixa.

Nesses últimos dias, em indas e vindas à casa da Debs, passei por diversas vezes em frente à Bambineira, e lá estavam eles: os fãs da Madonna, fedendo em suas barracas, armadas (ops) há duas semanas em frente à praça do arco-íris. Enquanto eu buzinava com meu Corsinha e me lembrava de quantas buzinadas ouvi naquela maldita fila (des)organizada pelo Pão de Açúcar na Marginal Pinheiros para a compra (fail) dos ingressos para a banda do tio Bono, me perguntei como tem gente que se submete a esse martírio.

Explico:

Existem alguns shows em que meu sacrifício (fosse qual fosse) se justificaria. Mas creio que após ter realizado Rolling Stones, Eric Clapton, Rush, Guns N’ Roses (duas vezes), o próprio U2, Keane, Coldplay, Oasis, Mark Knopfler, Maná e mais um bom punhado de shows memoráveis, o único ser vivo e ainda atuante que seria capaz de me fazer rever os meus próprios valores seria Sir Paul McCartney – e por esse senhor eu seria capaz de armar a minha barraca, meu amigo.

E em todos esses shows, existem músicos. Tocando. E cantando.

A Madonna me choca por isso. E que a mulher seja um ícone pop justifica a grandeza (incontestável) da multidão que a segue. Mas eu não consigo imaginar queimar uma grana pra ver uma senhora cinqüentona bancando a ninfeta e se esfregando em trocentos dançarinos (pra isso eu conheço lugares que cobram muito menos e cuja proximidade a quem faz isso beira ao contato familiar), cuja banda inexiste, e quando se arrisca a mandar um vocal pra valer faz dueto com playback. Ah, e mais uma: com o show inteiro coreografado, eu soube de casos e que fulano comprou ingresso pras três apresentações.

Não é a minha, sinceramente.

Gasto as burras pra ir num Cirque Du Soleil. Até lá tem banda, cantor e coreografia, e gente fazendo milagre com o corpo. E pra mim, a emoção parece ser infinitamente maior do que cotovelar cinqüenta mil vizinhos por um show em playback. Se me entregassem uma cortesia, certamente prestigiaria a loira. Mas sinceramente, quando o assunto é música, eu prefiro quem compõe, executa e se deixa levar pelo calor da galera. Improviso e espontaneidade é tudo. Um show é feito disso. O resto, é circo.

E quem disse que Natal não é época de milagres?

Em Vidinha por Marcelo Masili - 18 de dezembro de 2008

- Eu que não fui.

A vida saudável

Em Vidinha por Marcelo Masili - 16 de dezembro de 2008

Estamos, ambos, em casa*. E a sedentariedade merece um contra-ataque rápido, antes que o comodismo torne-se rotina, e aí a coisa toda desanda. Apelamos para a tentativa da vida saudável. Bem, mais ou menos… porque vida de fato saudável exige privações e disciplina. Em relação à disciplina, estamos indo muito bem (pra minha total surpresa). Quanto às privações…

…podemos sim ser mais inteligentes, mais cuidadosos, mas privação não rola. Então apelamos pra variação alimentar, pra porções um pouco menores, e para o esporte. Sim, para o medonho e tenebroso esporte, que pessoas da minha idade temem e sempre juram-lhe amor e dedicação durante a passagem de ano, sempre esquecendo-se desse juramento algumas horas depois, e lembrando-se (convinientemente) após 365 dias. Pois bem: resolvemos nos adiantar justamente para que a promessa não passasse em branco e, por um acaso absurdo do destino, até colasse.

E estamos freqüentando (sim, de ir quatro vezes por semana, variando os lugares) o Parque Villa-Lobos e o Sesc Pinheiros. De levantar cedo, sair correndo com mochilinha nas costas, e encarar uma pedalada ou algumas piscinas, até o corpo pedir um tempo. Afinal de contas, a desculpa de que “não temos tempo” está diretamente atrelada à CLT e à organização pessoal de cada um.

Nessas e outras, redescobre-se uma cidade cujo lazer também funciona no horário comercial, com diferentes pessoas e diferentes hábitos. Estão ali as pessoas cuja vida o stress, se atingou, foi com bem menos intensidade do que os insuportáveis motoristas das 18h30, que empanturram o trânsito com antipatia e perturbação que passam longe do que um ser humano é capaz de tolerar. Logicamente estão ali tambpem uma cacetada de vagabundos, que não fazem nada da vida e vêm sacar a mulherada em roupas mínimas. Mas existe também muita gente que se interessa sim pelo seu bem-estar e que se cuida direitinho. Enfim…

…a megalópole mostra-se com outra cara quando você está fora o escritório. E que engraçado é sacar isso quando se está beirando os 30, e achando que de São Paulo já se sabe quase tudo. Engano, dos grandes. A cidade vai muito além de qualquer outra coisa que pensemos saber. A tal vida saudável rende descobertas que valem muito mais do que uns quilinhos a menos…

*: Procurando emprego: eu, mais seletivamente, uma vez que como freelancer venho me virando muito bem, obrigado (apesar de ter ouvido por aí que eu ia quebrar a cara, a resposta (como sempre) vem com trabalho e dos bons; a Debs tomou coragem e largou a vida de trabalho escravo em coisas que não te satisfazem, e está definitivamente entrando na área de Fotografia (e está procurando emprego/freelance pra valer). Se alguém tiver a curiosidade de conhecer o trabalho dela, é só clicar aqui e navegar pelas cores…

Papai Noel veio de Urubu…

Em Futebol por Marcelo Masili - 9 de dezembro de 2008

Pra quem já fez milagre uma vez (vide Japéia/2002), não custa nada tentar de novo, muito menos acreditar que vontade o pançudinho aí tem. E num time onde Ronaldo é nome de ídolo há tempos, quem sabe não seja a hora de gritar de novo esse nome?

Bem-vindo, Fenômeno…!

Em tempo: a euforia tricolor durou exatas 24 horas. Enquanto eles brincam de números, a gente continua mandando bala na emoção de verdade do futebol, que é a torcida. Tudo de volta ao normal…

Katrina

Em Umbigo por Marcelo Masili - 8 de dezembro de 2008

Já deu né.

Eu tive muito medo de falar da minha vida pela web assim, escancarado e derramado a quem quiser saber, durante todo esse tempo. A conta do Orkut virou poeira (e essa não faz falta nenhuma), eu me proibí de falar do meu namoro, das coisas que não deram certo na minha vida nesses últimos tempos – como as amizades que eu perdi (ou não, mas isso só o futuro e as ações alheias que podem desencadear a minha são capazes de responder); a agência Vasco da Gama na qual me meti e na qual por pouco não afundo junto aos 20 e poucos que saíram de lá enquanto durou minha coragem e me faltou senso crítico; da minha família falida, da qual restou a minha mãe e só como companhia confiável e porto seguro, uma vez que meu pai e meu irmão se mostraram como são de fato, e pra minha vida, já não servem mais nem como paisagem, entre tantas outras coisas.

Eu cansei dessa minha auto-censura. E cansei também de necessariamente ter que me proteger ou esquivar de nomes e pessoas em prol da boa educação e etiquetas virtuais. Não existe utilidade alguma em se esconder de um mundo como esse, em que as pessoas são pessoas, passíveis de erros e acertos como eu sou, e como você também é. Portanto, para evitar os mal-entendidos que a descomunicação acarreta, vamos retomar de onde paramos: lá, nos idos de 2005, quando eu não tinha medo de represálias ao abrir a minha boca.

Por sinal, esse mesmo não-medo que levou minha vida àquilo que ela é hoje: com uma lista maior de pessoas que não querem me ver nem pintado de ouro (e às quais, sinceramente, meu rancor é do tamanho de uma ervilha, isso quando existe), outras que chegaram há pouco e já se ambientaram (e se acomodaram, e estão curtindo bastante aquilo que encontraram), dentre outras variantes que qualquer ser humano é capaz de viver. Ou melhor, e refazendo a frase: que todo ser humano VIVE em algum momento da sua vida (e alguns azarados vivem tudo isso ao mesmo tempo).

O coração está forte, bem cuidado pela Debs e por mim. A cabeça dorme tranquila todas as noites, sabendo que cada problema será resolvido, cedo ou tarde, e as angústias ganham caráter prioritário nessa lista de pendências: são poucas, cabem numa mão, e terão cada qual a devida atenção (e uma ou outra um chute definitivo pro espaço). Que o que posso fazer estou fazendo, e o que não posso, que façam se de fato querem que algo mude – por aqui, por aí ou sabe-se lá onde. Este texto talvez sirva de post-it, pra me lembrar que a reclusão e os impedimentos que enterram um dos meus prazeres são sim coisa do passado a partir de agora, e que se alguém queria ver algo diferente por aqui, creio eu, essa hora chegou.