Masili neles!

Aquela do papagaio de gravata

Em Vidinha por Marcelo Masili - 27 de junho de 2008

Das incapacidades mentais dos seres humanos, uma das que pessoalmente mais me incomoda é a amnésia pós-sonhos. Depois de horas e horas envolvidos na realidade imaginária, tudo se esvai ao abrir do chuveiro. Péssimo hábito, por vezes inconveninente (dado que alguns sonhos são bem bons de se sonhar), que involuntariamente fazia parte do meu dia-a-dia, e responsável pela primeira frustração de vários dias.

Fazia. Pois pelo jeito a coisa mudou.

E eu lembro bem que tal problema começou a acontecer quando a vida boa acabou. Aquela, de cuidado de mãe e despreocupação com responsabilidades de adulto. E por anos e anos foi assim, quando sono significava pausa de rotina, fuga da realidade e descanso momentâneo. Mas as preocupações, paranóias e receios afundavam a cabeça no mesmo travesseiro que eu, e interferiam na memória, que era apagada ao abrir dos olhos.

De uns tempos pra cá a coisa toda começou a mudar. E os sonhos (absurdos de sempre, como eu cantando Vinícius de Moraes de fraque num aniversário, ou dirigindo no meio da favela, entre outras bizarrices que só minha imaginação é capaz de fazer piada) começaram a fazer parte do dia, trocando a cara de frustração pela primeira chacota da manhã.

Mente em paz. Coração em dia. Algumas certezas na vida. E acho que a rotina vem ajudando muito para que a minha sanidade mental não tenha lacunas indesejáveis…

———————————————————————-

P.S.: E falando em piada, ontem à noite, jantando no Esfiha Imigrantes nos deparamos com a cena mais do que inusitada da família sentada à nossa frente: as crianças e a mãe comendo as (fantásticas e insuperáveis) esfihas, enquanto o pai conversava com todos chupando seis ou 7 nacos de limão. Purinho. Não colocou uma esfiha na boca, não bebeu nada, abriu a carteira, pagou a conta e foram-se todos. Ficou o dinheiro, e a nossa cara de “como?”…

E quando o assunto é futebol…

Em Futebol por Marcelo Masili - 26 de junho de 2008

…nosotros, corinthianos, continuamos sendo alimentados com muita emoção (mas pode chamar de sofrimento, já que empatar com o Bragantino com um gol de pênalti não tem NADA de heróico), uma dose extra de puxa-saquismo de uma diretoria que está ainda apavorada com a perda do título da Copa do Brasil, e de um time que ainda não tem a alma que um alvinegro exige (dado que fomos sabugados no único jogo onde isso não podia ter acontecido, e por aquela aberração da natureza chamada Charlie Bullet).

Mas ok. Ao menos era o Sport. Podia ser a LDU, e aí…

Efeito House

Em Vícios por Marcelo Masili - 25 de junho de 2008

É uma seriezinha viciante. Quem assistiu à delicadeza do Doutor Gregory House (em episódios legendados, uma vez que a dublagem tupiniquim simplesmente mata o personagem) sabe bem que é impossível ficar restrito a um episódio isolado da série, tal o carisma do filho da mãe.

Explica-se: sinceridade, e completa falta de pudor em qualquer tipo de resposta. Dr. House passa longe do politicamente correto, dando verdadeiros chutes na mandíbula a cada diagnóstico prescrito por sua equipe. Fato é que o pouco caso com os sentimentos humanos (dado que o cara é um carrasco com absolutamente todo mundo que o rodeia) faz do personagem um anti-herói excepcional, uma vez que seu “foda-se way of life” resolve praticamente tudo o que é anomalia que surge em seu hospital: enche a cara de químico, embebeda paciente, induz ao coma como quem leva para passear no parque. Enfim, um demônio.

Absolutamente adorável.

Mas acima de tudo, é sincero. Ao extremo, e notadamente machuca por diversas vezes, o que faz notar que de fato a hipocrisia é um câncer espalhado por todo e qualquer sentido do ser humano. E por vezes um soco na cara desses é tão necessário que parece óbvio, quando personificado na cara barbada do sujeito. Mas cadê a coragem pra que seres humanos como nós, sem tais “superpoderes” (leia-se que nossa cara de pau não é de madeira tão boa quanto à do rapaz), façamos o mesmo?

Fato é que uma vez (enquanto assistia à série recebi uma ligação) respondi ao telefone “dando diagnósticos” aos problemas indagados com a mesma propriedade e “sutileza” do rapaz. Puro vício, mas o problema foi resolvido em instantes e por alguns momentos me achei bastante capaz de enfiar um bisturi numa aorta qualquer por aí.

É o método sem meios-termos que vicia. Assim como suas trocentas drogas auto-aplicadas, saboreadas, enfim… absolutamente imperdível.

Segue um teaser aos que se interessarem (e ainda não conhecerem, se é que isso é possível):

Ok…

Em Umbigo por Marcelo Masili - 24 de junho de 2008

Apesar de ter a completa consciência da merda alheia, deixemos que cada bunda faça a sua parte, enquanto eu cuido somente da minha.

Uma nuvenzinha de 25 primaveras

Em Vidinha por Marcelo Masili - 18 de junho de 2008

Foram muitos anos sonhando. Muitas investidas em barcas furadas, ou em trens bala seguindo em sentido oposto, ou ainda em balões de vôo raso, ou outros que voavam alto demais e caíam de repente. A vida havia aprontado todas as viagens malucas possíveis, até sorrateiramente surgir você.

Vinda de um abraço perdido num casebre afundado no meio de Pinheiros. A menina que fez bico quando me conheceu, há dois anos e meio atrás, e que pouco se fez notar na minha melhor festa de aniversário. Saiu de repente, pra me encontrar naquela noite perdida e no meu ombro chorar todas as mágoas das suas viagens perdidas, no mais absoluto silêncio, enquanto tio Morrissey fazia o mesmo nos falantes do lugar. Eu nada entendi, mas me apaixonei pelo teu abraço, que virou sinônimo de nós dois dali em frente.

O mesmo abraço que viria me reconfortar nas dores dos meus destinos tortos, e que me segurou antes que eu tombasse de vez na minha ida ao poço mais fundo. E me tirou de lá sem querer. E leu minha mão, e me chamou pra uma cerveja de segunda. E quando eu te beijei, apenas promovemos nosso abraço àquilo que já sabíamos há tempos: que você e eu somos exatamente a mesma coisa.

E por isso mesmo a gente dá certo.

Portanto, hoje, no teu aniversário, eu é que te agradeço por estar fazendo de cada um desses dias uma festa. Que não tem hora pra acabar, e nem vai. A gente já deu certo e já se vai quase um ano nessa brincadeira toda…

Pode me levar pra casa. Pra sempre. Um beijo, Pequenininha.