Masili neles!

Shortcuts

Em Umbigo por Marcelo Masili - 27 de junho de 2007

Qualquer adepto da leitura lê um livro mais rápido que eu. Pra ser bem sincero eu não me importo muito com isso – compenso minha inabilidade literária com uma constante renovação musical, que poderia facilmente ser demonstrada num blog temático ou algo que o valha. Mas eu não tenho essa pretensão, e acho que minha Last.fm já diz muito sobre isso, e me ajuda a recomendar aquilo que gosto aos mais chegados.

Fato é que eu não gosto deste blog, ainda. Porque ele não é suficientemente self-made pra mim. Eu não gosto de me apropriar da propriedade alheia e moldá-la às minhas necessidades. O tesão que existe nesse proceso, ao menos pra mim, é cuidar da terra, plantar a semente, acompanhar o crescimento e depois de tudo isso, aí sim comer os frutos. Sair do Blogger e passar ao WordPress foi sim uma puta mudança, mas ainda falta conhecer essa terra do PHP e dos bancos de dados da vida. Aí eu fiz esse scrapbook amarelo, chamei de blog e ele ainda não me desce direito.

Da mesma forma, escrever tornou-se um desafio. Minha leitura a passos de tartaruga fez com que somente hoje eu entrasse no meu segundo livro do ano. Após terminar os shortcuts sobre o Arsenal do Nick Hornby, entrei no do Tony Parsons. Permaneço na Inglaterra, De certa forma rodeado pelos assuntos de sempre e que me fizeram bem a vida toda, e que não revelam nada além de gostos pessoais: música, futebol e sexo.

Fica claro que estes primeiros textos giram ao redor de um universo umbigo do qual neste momento moro sozinho e com portas e janelas fechadas. Não toco nas feridas, não falo muito alto nem quero nada muito além desse pouquinho. De certa forma, acho que essas tentativas de novamente falar um pouquinho de mim são esboços de um início de reação. De querer sair disso tudo e voltar àquilo que gosto, que é falar sem medo, viver sem tanta paranóia, e não precisar me esconder atrás de livros, músicas e linguagens de programação que eu (ainda) não entendo.

Diretamente do cotidiano

Em Futebol,Trabalho por Marcelo Masili - 22 de junho de 2007

Qual não é a minha surpresa ao receber do Thiagão a seguinte mensagem via Messenger: “Comprei o livro que você recomendou, parece ser bem louco…!â€. Convenhamos que o fato em si possui três motivos que lhe permitem ser classificado como inusitado:

1) Eu, indicando um livro;
2) Indicando ao Thiagão, companheiro de Pacaembú;
3) Ele, comprando o livro que eu indiquei.

Logicamente que tudo se explica nesse link, já presente e explicado lá no falecido 3minutos. Não é um fato tão óbvio esse acima descrito, ainda mais pra dois fãs do Homer Simpson, proprietários de camisa da Argentina, entusiastas das pelejas de meio de semana e que não são lá tão chegados a leituras e afins.

Confesso que é uma satisfação receber uma mensagem desse tipo, ainda mais com o cara se empolgando com as primeiras páginas, e você sabendo que deu uma bola dentro fazendo algo que não está acostumado (indicar livros, por exemplo). Da mesma forma que esta semana eu e a Ari certamente calamos a boca de muita gente que duvidava – da qualidade, dos prazos e da nossa capacidade de coordenar tudo isso de cara pro vento – do projeto da Revista do Pan aqui do Clube, que fizemos sozinhos e com muita gente torcendo contra. E a dita ficou pra lá de boa.

Enfim, a gente leva uns capotes e acaba se apoiando em outras coisas pra tentar voltar pra vida. Às vezes funciona, e essas coisinhas pequenas (ok, algumas nem tão pequenas – a Revista foi um trabalhão daqueles) causam muito mais efeito do que causariam normalmente. E a vida segue… espero eu, pro bem.

Welcome, Yann

Em Amigos por Marcelo Masili - 10 de junho de 2007

Apropriação indevida de propriedade alheia. Esse deveria ser o nome para o processo que nós, pessoas que acompanhamos a gravidez de nossos amigos, passamos desde o momento em que sabemos de sua existência.

Digo isso porque hoje nasceu o Yann, filho do Soul e da Hélen. Dia muito aguardado (e é bom personificar essa afirmação, já que uma das minhas muitas auto-promessas nesses dias é de não falar mais em nome dos outros) e de uma ansiedade quase inexplicável a quem nunca acompanhou essa experiência. Certamente contribui pra isso o fato de num futuro não tão distante, querer fazer parte desse processo, não somente como expectador, mas como contribuinte. E ao falar com o novo pai agora há pouco, e ouvir aquela alegria toda e o puta cansaço de quem não dormiu por esse motivo fantástico, dá uma alegriazinha que até dói de tão boa.

Parece que nessas horas nasce mais que uma criança. Não é só mais uma vidinha no mundo, mas a renovação de algumas pessoas que estão ali perto, acompanhando tudo isso; dos desejos e das ações pra gente mudar alguma coisa pra melhor na nossa vida – e não mais pela gente, mas por quem está chegando. E aí a gente esquece que é egoísta, que não liga pra um monte de coisa, e arregaça as mangas pra fazer algumas coisas pra melhorar nossa própria vida – justamente pra deixar mais tranqüila a vida de quem chega.

Sensação bacana essa. E eu me sinto bem de dizer isso ainda como expectador, com a certeza de não estar dizendo nenhuma besteira, e certamente não passando um décimo de todo o sentimento que o Soul e a Hélen devem estar experimentando nesse momento. Eu só posso desejar muita saúde, muita luz e muita paz aos três.

Já é um domingo bem especial esse.

A ironia da ressurreição espontânea

Em Umbigo por Marcelo Masili - 8 de junho de 2007

Eis que me vejo escrevendo, cinco anos e quatro meses depois, novamente num raio de dia 8 perdido em casa entre trocentos pensamentos de reinvenção pessoal, cutucando necessidade de novidades e afins e tentando escrever tudo aquilo que me acompanhou durante tanto tempo. De uma maneira nova ou não – isso só se sabe com o tempo, e sinceramente não é bem o que me preocupa neste momento – fato é que é bom voltar a escrever. Faz pensar, descarrega a cabeça, registra os momentos. E quando não se tem tempo pra desenhar a nossa vida, a máquina fotógráfica é insuficiente e tudo não cabe numa música, isso aqui serve. E é bem confortável.

Discretamente, estamos acá novamente. Vamos ver onde isso vai dar.

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Nascia aqui o CRU, um blog com prazo de validade, dada a dificuldade de escrever que eu tinha nesse momento da vida. Um cultivo ao vício de botar as ideias pra fora, mas um verdadeiro parto pra se escrever um texto decente que fosse. Uma fase estranha, que terminaria em 2008 com a volta do 3minutos.