Recarregado
As ameaças de morte a este blog jamais foram infundadas. Eu lembro bem que lá nos primórdios, em um dos primeiros textos que eu escrevi (e que nem aqui está mais – só lembro porque minha memória é boa mesmo) dizia que as grandes mudanças na nossa vida a gente faz de 5 em 5 anos. Não é apenas se desfazer das roupas velhas: é derrubar os armários mesmo, e do que restar deles fazer umas prateleiras.
E de uns tempos pra cá, a coisa chegou mesmo a esse nÃvel. De não saber mais o que fazer com um negócio que se tornou muito maior do que eu gostaria (gostaria?). Parando pra pensar na dimensão da coisa, o que esta página já me proporcionou de gente, de alegria e de tristeza, à s vezes de vitrine e outras tantas de referência é coisa que não se escreve. Por aqui muito já se abraçou e muito já se xingou. No final das contas, a cada vez que eu penso na possibilidade de zerar este relógio fica mais difÃcil.
Porque eu não esqueci que um dia ouvi Jovem Pan, freqüentei a Krypton, assisti Cocktail pra ver a mulherada pagando peitinho, tirei foto com a camisa do São Paulo, tranquei a porta em milhares de sessões de Emanuelle no Cine Privé, lotei de pimenta verde minha feijoada e passei mal por 3 dias, demorei horrores pra tomar a iniciativa e perdi possÃveis namoradas pra caras (mais) detestáveis (que eu), dentre outros milhares de vexames e capÃtulos que todo mundo gostaria de apagar da própria vida.
Marcelão, esquece que tua história é sim contada aqui. Imperfeita que nem todo mundo sabe, e propensa a altos e baixos o tempo todo. Não é pra isso que a gente escreve afinal de contas? E esse papo de mudanças a cada 5 anos… cara, quem foi que disse que a vida obedece regras de funcionamento?
No máximo uma tinta na parede.







