London Colors
Ultimamente as coisas têm funcionado muito melhor e muito mais constantemente nos lápis do que nas teclas. É bom… a minha realização pessoal é bem maior assim. Deixo a lÃngua e os textos pra quem sabe cuidar deles. Meu negócio é esse aqui mesmo… claro que continuo me arriscando vez ou outra, mas é nas cores que eu me garanto.
Provas vivas, lá no meu Flickr.
Cidadêdeus
Adoro Cidade de Deus falando teu marido não te chupa não?, pega uma banana, esquenta, enfia na xereca e manda ele metê atrás, além dos infindos vaitománocúfiladaputa – tudo na Rede Globo. Acho chique bancar malandro na tevê mais recatada do paÃs. Bem bacana ever.
Só mais um texto
No meio do chão do quarto. Carpete fofo, lápis espalhados, um pedaço de madeira e papéis por todo o lado. A TV ligada em algum desenho e um céu nublado, vento frio. Dia ideal de entrega a si mesmo, de se realizar no branco e poder sonhar com as mãos. Sonhava tão alto que dava vertigem, um menino pequeno e quase sem voz. Olhar escondido, abaixa o volume da TV um pouco, e o cheiro quente do almoço que saÃa das panelas. Uma, duas, três tentativas, achava-se incapaz mas dava-se todas as segundas chances que fossem necessárias até as formas confirmarem-se devidamente transferidas: dos sonhos à memória à s mãos à s folhas. E se sentiria incompleto quando terminasse. Gostaria de puxar suas criações do plano e fazê-las palpáveis – quentes, frias, sutis, ásperas, doces ou salgadas. Sonharia com isso também, em outros tantos momentos. Pés sob o edredon, jogado ao chão como ele, o almoço está pronto. Então arrume os lápis pra ninguém pisar e quebrar as pontas, lave as mãos, sente-se à mesa, coma de boca fechada, mastigue direito, senão de nada vale o tempero da carne, do arroz, da salada. Saboreie, e saboreie também o dia, sonhe acordado e não perca as idéias durante o almoço, ou banho, ou as idas e vindas ao mercadinho. E também não perca o sorriso do rosto, pois o desenho nem sempre sai como planejado de inÃcio. O mais importante é que fique bonito, caprichado e que tanto carinho, cuidado, sonho e vontade estejam ali, em suas cores. O dia permaneceria em paz. A paz que sonhava e nem percebia.
Tranqueiras fora – versão 2007

Foram quilos de roupas: camisetas de banda, camisetas furadas, camisas-pólo (que alguém algum dia insistiu em me dar), alguns blusões, um par de tênis, outro de sapato, umas 4 calças, duas bermudas, roupa de cama, uma pochete (sim, eu já usei pochete), duas caixas e meia de revistas, e mais um tanto de quinquilharias. Cada vez que entre as minhas resoluções domésticas existe um Ãtem chamado “limpar quarto”, é bom reservar um container. Ganhei um novo módulo livre de armário, só pra variar.
Lembro muito bem que foi este um dos primeiros posts do meu blog, que terminava dizendo que uma grande renovação é necessária, num intervalo de mais ou menos 5 anos. Coincidência ou fato, faz cinco anos que escrevi o tal post e a necessidade de jogar fora boa parte das coisas acumuladas nesse perÃodo me faz crer que quem teorizou isso estava coberto de razão – e com o saco muito cheio, assim como eu.
A sensação de que um metro passa a valer um quilômetro é instantânea. Tem-se mais espaço pra descansar, curtir, pensar e viver. Algo como construir uma nova escada, ou abrir uma nova porta e dar de cara com uma enorme sala vazia, paredes brancas. Liberdade de poder sonhar as novidades longe das âncoras que vez ou outra atrapalhavam a evolução de um impulso, e facilitavam a vida da preguiça. Somos mesmo acomodados, guardando bloquinhos, calendários, chaveiros quebrados, canetas que não funcionam e cuecas sem elástico.
A rinite que se vire com tanta poeira. Um vez que sobe e a sujeirada aparece, ou ganha-se espaço ou perde-se tempo. E neste momento, o espaço aqui é grande, confortável e pronto a receber o que vem pela frente. Fica o essencial, pra ser cultivado sem as ervas daninhas de antes.
Aos olhos
Antes que tentem ocupar este espaço por inoperância, é bom deixar claro que existem preferências. Existe um brinquedo novo aqui em casa chamado Flickr – visual, limpinho, todo cheio dos recursos e com uma bela comunidade espalhada pelo mundo. Ultimamente resolvi armar acampamento praqueles lados. Me bandeei com todas minhas vontades, desejos, expressões e cores e quis falar de um jeito um pouco diferente: guardando as palavras a quem sejam bem-vindas (quando surgirem em meio a perÃodos de silêncio e discrição), e me mostrando diretamente à visão alheia.
Não, o 3minutos está longe do fim (se é que um dia ele acontecerá – após tantas tentativas frustradas de encerrar este blog, ele sempre se mostrou mais poderoso que seu dono). Mas eu gosto sim e mais daquilo lá. São os meus temperos, minha cidade, minha visão e minhas cores – todas ali, saindo das mãos diretamente aos olhos e à s emoções. E sim, textos emocionam, mas não os meus, salvo raros dias de inspiração literária. Inspiração que volta, vai e volta de novo. É um hábito quase diário já há 5 anos. Parece muito.
Mas o hábito do que está lá, naquela casinha nova – o brinquedo novo sempre predomina sobre os outros, até tornar-se velho, e o que fica, independentemente da idade, é a essência – de menos de dois meses de existência, já dura 23 anos. Algumas novidades sim (nunca pude fotografar e mostrar minha visão de algumas coisas), mas o lápis, o papel e essa inspiração cuja exceção acontece em dias em que não a tenho, essa sim é a minha vida. Minha alegria indefectÃvel, eterna e inabalável, que surge, ressurge, me socorre, me salva e me sorri sempre que eu preciso.
Aos dias bons, com um copinho cheio de guache.
Que os olhos vejam. Que o coração sinta.
Helter Skelter
Paul McCartney – Helter Skelter
Piano e voz
A mesma moça que me trouxe inspiração pra fazer este blog também ofereceu dicas musicais preciosas durante os nossos já bons 5 anos de amizade. E entre elas, uma que acaba de se transformar em ingresso. Esse show eu já espero há um tempinho (e pobre da neguinha, que ficou na fila nesse puta sol pra pegar o meu ingresso – obrigado Dani…). E tudo começou com esta música:
Keane – Bedshaped







