Masili neles!

Camisa 27

Em Vidinha por Marcelo Masili - 31 de janeiro de 2007

Definitivamente, 27 anos me caem muito bem.

Sutilezas em 34 cores

Em Cores por Marcelo Masili - 27 de janeiro de 2007

O que faz a Europa especial são os pequenos detalhes. Em alguns minutos John Travolta (ou Vincent Vega) explica dessa maneira as delícias que o velho continente possui em relação às terras americanas.

Temperos. Andando ontem pelo Mercado Municipal, nota-se que não há quem não derreta em frente às bancas de especiarias. Ninguém vai a um lugar como aquele pra comprar muzzarela e orégano. Ou pedir um misto quente e um pastel de carne. Não… a graça de toda a coisa consiste em experimentar o diferente, ou o raro, deixar-se levar pelas pequenas tradições, como ouvir as histórias dos vendedores, esbaldar-se na deliciosa combinação de mortadela e pão francês, conhecer cortes diferentes das mesmas carnes entre outras coisas.

Cores. Sempre existem as preferidas. Ninguém usa uma caixa inteira, mas conforme as cores preferidas vão terminando as outras vão surgindo. E aí fica a graça de tudo. Em descobrir o que é tão óbvio, mas nem sempre a gente vê. Trinta e quatro cores prontas pra pintar um mundo. Começamos com o vermelho e o verde, e aos poucos todas as outras deixarão seus detalhes no papel. E se eu só conheço as mais famosas – um amarelo, um laranja, um azul – que se desmanchem enquanto não chega a hora das próximas. As mais escuras, as mais claras. Todas com sua graça, com seu momento, e que devem surgir na sua hora. Assim funciona tudo isso. São os pequenos detalhes que trazem tanto sabor.

As sutilezas.

Vamos mexer essa bunda gorda?

Em Vidinha por Marcelo Masili - 18 de janeiro de 2007

Well well… dois dias de molho depois, é hora de começar a lixar os pontos de ferrugem. Há anos essas duas bolinhas vinham me incomodando demais. Não galera, nada de mudança de sexo, aos habitués do Big Brother. Minhas amigdalas não deixam saudade nenhuma. Terça-feira eu tive meu dia de rei, com caminha quente, comida no quarto, atenção de mãe e colo de namorada. Claro que tudo tem um preço, e o que eu paguei por isso foi pouco: essas duas bolinhas chatas que viviam inflamando, entre outros incômodos bem chatos que não necessitam de maiores detalhes.

Fato é que depois de dois dias de gancho (e ainda tenho muitos – só volto ao batente dia 29), não agüento mais sopinha, papinha, suquinho e outras inhas e inhos. Hoje pude celebrar minha melhora desta operaçãozinha bunda-mas-incômoda com uma bela batata cozida amassada com sal e azeite. Que delícia, viu… dêem valor aos mastigáveis! Esse negócio de viver de sorvete parece bom, mas não se tem idéia do quanto é ruim viver de maçaroca.

Acho que esse post era mais pra dar um sinal de vida. Pra dizer que está tudo bem, que amanhã eu vou sair de casa pra ver Babel com a moça da foto vermelha, que o show do Ben Harper tá chegando, e depois tem minha festa de aniversário dia 3… enfim: 2007 começou bem diferente de qualquer planejamento, e pra melhor.

Minha versão 2007 já não possui amigdalas.
Quem sabe até uma funilaria cai bem…

5 minutos de paz, sem maiores explicações

Em Música por Marcelo Masili - 15 de janeiro de 2007

São completamente desnecessárias.

Lucky Man – Verve

14/01

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de janeiro de 2007

No ano 2000, eu acompanhava um certo Clube paulista dividir o Maracanã com a torcida do time carioca do cinto de segurança. Chutava a cama, as paredes, brigava com meu pai, sorria a cada pênalti bem batido, chorava de alegria com o chute torto do Edmundo pra longe do gol. Via meu time ser campeão mundial, e enfim esse povo pobre de grana e rico de paixão ser feliz por um pouco mais de tempo.

Em 2001, engolia pó desde às 17h num terrão do tamanho de oito campos de futebol. Viajava pela primeira vez pra minha segunda terra querida, e conhecia o Rio de Janeiro pra nunca mais esquecer. Dentre 250 mil pessoas, arremessava garrafinha d’água no nariz achatado do Carlinhos Brown. Me deleitava no show do Oasis, mas esperava a volta do pseudo Guns N’ Roses, que mesmo sendo um cover dele mesmo, fez um show espetacular e que me deixou choroso por longos e deliciosos dias daquele janeiro.

Em 2002, no meu primeiro dia de volta às férias, adentrava ao escritório às 8h30 da manhã. Tudo vazio, ninguém por lá. Estranhei. Olhei pro lado e vi meu então chefe e a secretária dentro da sala de reuniões. Após o bom dia, ouço a fatídica frase “então Masili, precisamos conversar”. Três minutos depois eu estava demitido, devido à “nova política de custos” da agência.

Nessa altura do campeonato, eu já achava a data insólita. Catorze de janeiro significava alguma coisa além do comum na minha vida. De fatos importantes a alegrias bobas, fato é que o tal dia já causava expectativa. Vieram 2003, 2004, 2005, 2006… nada de emocionante, ou diferente que merecesse tanto destaque e um espaço na memória digno de lembranças tão intensas. Esqueci da data, das coincidências e de tudo o que parecia cercar esse final de segunda semana do ano.

Aí veio 2007. E um certo dia eu resolvo (?) tomar um rumo. Sair da geleira, do labirinto e da montanha-russa de emoções boas e ruins. Hora de ser sincero com as pessoas certas, e de não temer certos riscos. De tentar acertar o que andava tão torto. De assumir um amor, de encarar um namoro de frente com todos os perigos e delícias que fazem parte dele. De tentar refazer as coisas da forma certa. Nem sempre pelos caminhos mais fáceis, nem mais bonitos. Mas me pareceu um bom dia pra tomar certas decisões. Principalmente as certas. E assumir minhas certezas.

14 de janeiro não é um dia como os outros na minha vida, decididamente.

Uma m****.

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 11 de janeiro de 2007

Depois vêm me falar de posto de gasolina. Em tempos de Big Brother (sim, as pessoas insistem nessa merda), bem que podiam instalar umas câmeras nos banheiros masculinos do andar onde trabalho. São 3: um com 3 divisórias, e outros dois privativos.

Aí você chega, com o dito batendo na porta querendo sair, e ao adentrar tais recintos, o que encontramos? No “coletivo”, uma porta fechada há 3 dias (eu imagino que algum anão tenha se suicidado e esteja pendurado no lado de dentro da porta, no gancho para mochilas), e outros dois boxes com papel espalhado, colado, pisado, esfregado, enfim. Verdadeiras obras-primas realizadas com matéria orgânica dos mais diversos tons.

Vamos a um dos privativos então. Um mar, quase um tsunami ilustra a paisagem. A espuminha permanece borbulhado, porque pe claro que o botão de descarga e uma samambaia possuem a mesma utilidade ao autor da proeza.

Resta então uma última opção. Lá no final do corredor, eu até entro com cuidado – sabe-se lá qual surpresa me aguarda. Num ambiente aparentemente salvo da selvageria, apenas um detalhe destoa e desanima: aquele chamuscado na tampa. Que maravilha.

O pior é que eu tenho certeza que essa cambada não faz essa merda toda em casa. E se faz, mira no buracão e acerta. Nem pra picotar o rabinho do macaco em paz a gente se livra da dor de cabeça de uma cambada de filadaputa sem modo. Como se já não bastasse o povinho de açúcar que toma ônibus em dia de chuva.

Todo dia tem uma música

Em Música por Marcelo Masili - 9 de janeiro de 2007

Eu elegi a minha pra hoje.

Traffic – Stereophonics

A minha dislexia aos interessados

Em Umbigo por Marcelo Masili - 3 de janeiro de 2007

Eu acho engraçado alguém que chegue a este blog e espere um texto digno de prémiere na Livraria Cultura. Tem um perfil meu escrito lá no site de verdade (e não no barra-três-ême), dizendo que meu negócio é de fato o papel e o lápis – de cor. Enganam-se os que acreditam no meu talento literário, que pode até existir, mas não se compara aos que são do ramo.

Dia oito de fevereiro este blog completa cinco anos. E que eu me lembre, um punhado de textos bons já foram bem escritos por aqui sim. Textos que eu me lembro bem, ter escrito em estado de choque, aflorando algum sentimento ou num momento de explosão. E dentre as minhas infindas regras de funcionamento interno, uma delas é clara ao não declarar este blog como um “diarinho da vida deste paulista”. Não tenho esse talento todo pra fazer deste cenário um palco e transformar meu cotidiano em comédia, como por exemplo o Klein faz com maestria.

Tampouco então me postar como um cidadão noturno alternativo, fanático por cinema europeu, autores desconhecidos, músico nas horas vagas e pseudo-intelectual do meu umbigo. Cresci ouvindo 89FM, comprando cd’s do Iron Maiden e assistindo MTV, meus amigos. De interessante minha vida tem aquilo que eu gosto. Simples, comum, chocolate Garoto, eu adoro. Não me refinei tanto a ponto de ser tachado de exceção à multidão de pedestres de jeans e camiseta branca. Gosto dos alternativos, da alternativa e até aderi a certas coisas que quase ninguém conhece. Claro, as tais cores diferentes de todos os dias. Os temperos da minha cozinha moram aí, nessas novidades inesperadas. As cores são sim minha poesia, pois nunca soube fazer uma análise sintática, ignoro os predicativos do sujeito, os objetos diretos, os adjuntos e os advérbios. Minhas calças pra eles.

Desenho com hidrocor de dois Reais. Pinto com Faber Castell (e cuido bem dos meus 24 Steadler’s aquarelados de Natal – farão um belo estrago em folhas que os mereçam). Escrevo porque gosto. Porque meu punhado de amigos comuns e adoráveis por serem simplesmente pedaços de multidão aparecem freqüentemente ou nem tanto nessa minha casa, dão alguns sorrisos e voltam às suas rotinas de escritório. Continuarei indo à Blockbuster, ao McDonalds, à C&A, assistindo ao meu futebol e ainda assim esses mesmos amigos estarão por aqui, da mesma forma que este blog e o que for escrito nele. Convencer ou não? Sinceramente tem gente se importando mais com isso do que eu…

…que prefiro mesmo é me divertir por aqui, e encontrar quem quer me ver. Já conheci tanta gente boa, tanta gente ruim, e aprendi tanto nessa joça que o papel desse blog nem de longe passa por servir de referência acadêmica. Eu quero mesmo é meu povo por perto (ou longe, como os cariocas, a baiana, a cearense, os gringos, a paranaense, a capixaba, e os que moram na Zona Norte) e se ele puder aumentar um pouquinho vez ou outra, melhor ainda. Essa é minha casa, meu endereço. Minha rua ali em cima, com as cores que eu pintei. As minhas qualidades e defeitos são mais facilmente assimilados quando existe uma cerveja no meio do caminho. O que é virtual – inclua-se aí o meu talento literário e as impressões que ele não causa – eu quero mais é que se exploda.

Construir, afinal, é bem mais difícil que julgar.

Dois mil e sete

Em Vidinha por Marcelo Masili - 2 de janeiro de 2007

Das promessas pra 2007, certamente a melhor foi a de não fazer promessas. Hábito esse de fazer promessas, diga-se de passagem, é coisa que eu abomino. Frases feitas como promessas existem para serem quebradas me fazem crer que prometer é apenas um lembrar de alguma obrigação ou compromisso consigo mesmo que, por algum motivo qualquer, faltou vontade ou oportunidade de se cumprir.

Faça listas com poucos ítens, de alcance possível, e gradativamente mais difíceis. O tal conselho do um passo de cada vez, ou ainda do comece pelo mais fácil é boa saída nessas horas. Estabelecer as metas e aproveitar o novo fôlego pra cumprí-las é quase uma obrigação nesses tempos de falta de tempo.

Recomecemos então. Um réveillon regado a muita água de chuva, pra ver se tanto trauma fica definitivamente no passado. Dias mais tranqüilos e de certa forma, mais humanos, eu imagino que sejam os desejos da maioria das pessoas. Eu gostaria sim de desacelerar, e acho que pode ser uma primeira meta a ser cumprida logo de cara. Afinal de contas, as grandes diferenças acontecem quando somamos os pequenos detalhes, e são esses detalhes que eu quero muito somar a partir de sempre, mas começando agora.

Portanto, que 2007 chegue nublado, fresquinho e com o espírito de renovação que todo bom ano novo merece. Cada um que pinte seu sol como bem entende. Eu já tenho as minhas cores por aqui.