Masili neles!

Operação corneta eletrônica

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 27 de setembro de 2006

Chegamos à derradeira semana. As eleições acontecem domingo, e eu não vou comentar especificamente sobre o estado das coisas (imagino que os interessados no assunto tenham tido bastante tempo pra pensar o que fazer da vida, e os não-interessados se ligado que novamente terão que aguentar aqueles que gostam da coisa lá em cima – eu já tive minha idéia do que fazer sobre o assunto e o futuro mostrará os resultados). Vim aqui fazer um protesto. Sim, um protesto.

Porque se tem coisa que me irrita é gente mal-educada. Me irritam os radicais xiitas. Me irritam os inflexíveis, e – agora sim – me irritam os pragmáticos. Pessoas que ao ouvirem falar de política, não interessa se pro bem ou pro mal, torcem o nariz e mostram-se completamente contra o assunto e seus interessados, discordando de tudo pelo simples prazer de aparecerem batendo o pé e dizendo “essa merda não tem mais jeito mesmo, e eu quero que tudo se foda”.

Queridos amigos: a surdez e a cegueira culturais são vírus altamente destrutivos, mas curáveis. Essa bitolagem imbecil dos descrentes de plantão normalmente não acompanha sugestões de crescimento. Se não pode construir, não critique – já diria Pai Mei ou algum de seus irmãos bastardos. Eu não agüento mais ter que ouvir os pregadores do voto nulo insistindo em suas convicções umbiguistas (e por diversas vezes infundadas) sobre os rumos do Brasil, o caráter (ou falta dele) da classe política e da ignorância popular. Gostaria de saber quais desses “exemplares cidadãos” tomarão algum tipo de atitude depois das eleições, já que antes dela não temos mais tempo.

Eu me recuso a acreditar que dentre os milhares de candidatos atuais absolutamente todos sejam corruptos. Da mesma forma que sempre encontramos exceções às regras, não seriam os Poderes deste país locais onde unanimidades cruéis como a que nos desilude a votar nos próximos dias aconteçam. Certamente foi mais fácil para esses a quem me refiro criticar a coletividade do que buscar uma opção perdida no meio de tanta sujeira. Pois muito bem, meus senhores:

- A bagunça vai acontecer daqui a pouco.
O que eu pergunto é: e agora, o que faremos todos nós?

Até Cristo já abriu os braços pedindo ajuda. Alguém se habilita?
(Ou continua mais fácil continuar descendo a ripa?)

Frase do dia:

Em Chacotas por Marcelo Masili - 22 de setembro de 2006

Por Daniel, nosso estagiário e cover do Beakman, após tentarmos sem sucesso almoçar na nova loja do Black Dog aqui na Avenida Brigadeiro Faria Lima, constantando que sempre que não temos onde comer, vamos (todos) ao mesmo lugar graças a esse “ícone imagético” – sim, esse termo também é dele.

Retiro dos artistas

Em Música por Marcelo Masili - 22 de setembro de 2006

[momento YouTube]

Pseudo Guns N’ Roses feat. Sebastian Bach – My Michelle

Axl, admita: NÃO É o Guns N’ Roses. É uma banda cover que toca as músicas deles muito bem. E convenhamos: cantar “My Michelle” com o Sebastian Bach é quase um delírio pra pessoas da minha idade, mas a molecada certamente não conhece nem a ele, nem ao finado e saudoso Skid Row. Uma pena.

E essas roupichas, Mr. Rose? E essa voz de ganso, Mr. Bach?

(E atenção para as caras felizes dos dois milionários se divertindo no palco e relembrando os velhos tempos, quando groupie não faltava nos camarins de ambos, e suas cabeleiras estampavam os cadernos de metade das garotas do planeta… teeeempo booom, não volta maaaais…)

Vale dizer o que é bom

Em Amigos por Marcelo Masili - 18 de setembro de 2006

Ouvindo
You Got ItRoy Orbison

- ainda hoje, o texto sobre um dos melhores finais de semana da minha vida.

—-> atualizando, vamos ao texto:

Antes de qualquer outra coisa, eu não preciso falar sobre o Cirque du Soleil aqui. Algo que o mundo todo já fala tanto e tão bem há tanto tempo não precisa das minhas palavras pra continuar grande. Eu prefiro falar de coisas que só possam vir da minha vida mesmo. E antes mesmo que domingo chegasse, o final de semana já havia sido sim um dos melhores da minha vida.

Algumas horas antes estávamos lá: cinco marmanjos (e duas moças) em seus trajes sociais (eu, num quase isso), e outro marmanjo de preto no altar, aguardando a moça da sua vida. Tarde chuvosa, tempo frio, e filmes passando em nossas cabeças.

Silêncio. A marcha começa, abre-se a porta de vidro. Abre-se também um sorriso imensurável no rosto do rapaz de preto, assim que a moça de vestido branco surge no final do corredor.

Desse momento em diante não seria mais possível separar sorriso e lágrima. Claro, tudo isso por causa da alegria do que estava acontecendo ali. Um dia já marcado pelo aniversário de um de nós, agora completado pela celebração do casamento – o primeiro casamento de um de nós.

Engraçado como são as coisas: nunca pensei que choraria numa situação dessas. Tremia. Quem não se emocionou ali emocionou-se depois. Da capela à festa, músicas nossas no carro, mesa de uma família formada há 13, 18, 20, 22, 23 anos de amizade.

As brincadeiras estão tão velhas quanto nós. Piadas internas transformaram-se em lendas. Cada um conhece a cabeça do outro antes de se pensar no que dizer. Estávamos felizes por estarmos juntos de novo (e como sempre). Sempre com nossas manias, arestas a serem aparadas, novas encrencas, a eterna vítima, enfim.

Nesse momento surgia no telão a foto desses mesmos caras, há alguns anos. Churrasqueira do prédio do noivo. Os mesmos sorrisos de agora estavam ali – mesmas cores, rostos diferentes (porque o tempo é implacável), mas éramos nós todos novamente.

Celebração é uma palavra meio forte, até pouco utilizada. Mas eu entendo agora: celebramos mais que um aniversário, mais que um casamento neste sábado. Celebramos a vida de amigos que nasceram, nos acompanharam e certamente estarão por perto, mesmo estando tão distantes por algumas vezes. Pessoas que dividiram mais do que momentos: dividiram vidas, mesmo que em momentos tão distintos. Num dia em que sorrimos e choramos de alegria por um amor que deu certo, pelos filmes de nossas vidas terem seu primeiro final feliz, por mais um ano de um de nossos irmãos, celebramos intensamente a vida, e principalmente, a nós mesmos.

A irmandade comemora com arroz e cerveja

Em Amigos por Marcelo Masili - 15 de setembro de 2006

Ouvindo
Who Made WhoACDC

O Marcel vai casar amanhã.

Meu melhor amigo desde que fugi do berço. Camarada há 22 anos, o sujeito e a Bárbara casam amanhã. Deus do céu… como tô ficando velho! O brother acabou de me ligar, pouco depois de eu mandar um torpedo sacaneando (novidade essa) o dito, e ambos nos ligamos em algo: tanto ele como eu ainda não nos ligamos no fato em si: o Marcel vai casar amanhã.

E lembrar que ontem mesmo éramos uma turma que passeava no pátio contando histórias que a gente não cansava de inventar. Tínhamos uma história em quadrinhos digna de prisão perpétua, tal politicamente incorreta que era (e ainda está guardada em casa). Lembro de uma história que o cara me contou durante três recreios seguidos, sobre um videogame de um carro que “ele havia jogado”, em que se podia ir pra qualquer lugar do mundo. E o cara tinha encontrado nosso colégio, me deu uma carona e atropelamos a diretora… Descobri o Master System jogando California Games no quarto do cara numa noite perdida lá nos idos de 1990, bem como algum tempo depois tinha um tal de PlayStation com um monte de botões e que passamos uma tarde toda jogando. Dividimos o histórico cd ao vivo do ACDC (show que o bastardo viu e eu não – ele arranjou de trampar numa barraquinha de comida dentro da Bambinera, e na hora do show deu pinote e sumiu de vista), que eu peguei emprestado por milhares de vezes até tomar vergonha na cara e comprar um pra mim. O louco ainda fazia coleção de cones roubados, e o último que eu vi esse cara roubar foi parar na caçamba da picape do Japonês viado que faz parte da galera também, já que não rolava enfiar o dito no porta-malas do Purple Móvel (sim, Deep Purple é gosto na área até hoje por grande influência deste respeitável senhor quase casado).

São histórias engraçadas as que eu lembro desse cara. Sempre lotadas de ironia, de uma inteligência extrema e de acidez corrosiva. Certamente ele se ligou durante a vida que mais do que um amigo, foi um cara em que eu me espelhei por diversas vezes e que se tornou um irmão pra mim. Não me lembro em momento algum de ter escrito algo pro Marcel além dos balões nas historinhas do Vô Monroe, ou de termos feito em dupla redações sobre velhinhas degoladas, crianças suicidas ou coisas do tipo. Hoje eu quis desejar (mais) felicidade à união dele com a Bárbara de um jeito que fosse tão bacana de ser lembrado como foram pra mim recordar as coisas escritas nas linhas que eu deixei por aqui.

Taí, seu puto. Nos vemos amanhã, e vamos ver se no altar você não nos mostra enfim seu lado emo e chora um pouquinho! Eheheheheheh! Seja MUITO feliz, irmão…!

Onde os tufões acontecem

Em Vidinha por Marcelo Masili - 12 de setembro de 2006

E quem não quis mudar seu próprio passado, e corrigir as injustiças sofridas durante a vida? Brincar de Deus é nosso sonho comum, algo que nem o mais ingênuo ou o mais puro algum dia não cogitaram, mesmo que utopicamente. Sonhar em reatar uma paixão, recuperar uma amizade, desfazer um equívoco, trocar mentiras por verdades e recapear os buracos que nós mesmos cavamos… enfim, tudo valeria a pena por esta vida perfeita e sem imprevistos.

Mas quem seríamos nós sem nossos erros? Sem nossos riscos, o que restaria para que pudéssemos satisfazer esse desejo incontido de revelia à rotina e à mesmice da qual somos escravos?

Filmes. Sonhos. Devaneios que desde crianças tomamos contato, e nos esquecemos que são impossíveis (até que nos provem o contrário). Temer o amanhã sabendo que ele pode ser consertado quando se tornar o dia de ontem torna-se desnecessário, mas nesse contexto onde ficam nosso instinto, nossa cobiça, nossos objetivos?

O ser humano se preocupa demais com sua conduta. Não que isso não seja necessário, mas a perfeição é algo que nunca atingiremos. Não existe uma mente completamente pura, atos sem segundas intenções ou virtude plena. Então, nos contentemos com o que somos, busquemos nossos próximos passos e saibamos que os tropeços, os buracos, as perdas, a saudade, enfim – tudo isso sempre fará parte da nossa vida. Não existe história sem acidente, acaso, coincidência. Ou então teríamos todos os mesmos fatos, os mesmos caminhos e os mesmos finais para histórias que deveriam ser diferentes.

Eu lembro de ter escrito algo aqui sobre o “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” há um bom tempo (11/03/2005). Hoje, devido a uma amigdalite Mike Tyson, fiquei em casa mofando de dor e assistido “Efeito Borboleta”. Essas coisas sobre destino, rumos e afins sempre me deixaram baratinado. Quando vêm disfarçadas em bons filmes, mexem ainda mais com esta cabeça quase loira…

Coisas legais pra fazer em casa

Em Vícios por Marcelo Masili - 11 de setembro de 2006

[momento YouTube]

Nunca mais ficar em casa vai parecer tedioso. Arranje amigos e divirta-se.

Memoriabilia

Em Umbigo por Marcelo Masili - 10 de setembro de 2006

Queria ter o quarto do meu primo. Amigos como os Muppets, ter passado a mão nas pernas da Xuxa e beijado a Simony quando ainda tínhamos 5 anos. Queria ter dias de Ferris Bueller uma vez por semana, conhecer a Lua, jogar no Corinthians, tocar guitarra e viajar pelo mundo, ter férias de 3 meses e passar o inverno na Serra Gaúcha tomando café colonial todos os dias e me refugiar nos braços de alguma garota de olhos claros, cabelos pretos, franjinha e sardas chamada Ana Paula ou algum nome parecido. Ser o primeiro a ser escolhido no time da escola, ganhar alguns campeonatos e me tornar o primeiro mito acadêmico campeão de futebol e número um em Matemática e Ciências. Queria me apaixonar de novo toda vez que perdia um novo coração pelo caminho. Domingos de sol em parques com gramados gigantescos e um lago azul, caixas e caixas de lápis de cor, quilos de papel, litros de guache e toda a cor dessa vida. Também escrever textos e textos que as pessoas não esqueceriam, mas esse desejo especificamente não era muito valorizado por mim – achava improvável e completamente sem sentido.

Então o tempo passou, e hoje eu ouço algumas pessoas dizendo que querem ser o que eu sou, fazer o que faço ou ainda dizem que o que eu penso é interessante. Achava que colecionar as lembranças insólitas e completamente sem ligação aparente do parágrafo anterior era algo sem nexo. Agora acho que meu contexto geral como espelho para os outros é ainda mais engraçado.

Com tantos ídolos a se escolher, alguns escolhem o mais estranho.

Entenda-se esse mundo, se conseguir.

Dias imperfeitos

Em Vidinha por Marcelo Masili - 5 de setembro de 2006

Quando eu olhei no relógio da rua e vi: 8ºC…

…instantaneamente me perguntei o que diabos estava fazendo tão longe do edredon. Um frio quase polar como esse pede chocolate quente (ou uma sopinha de feijão), controle remoto, uma companhia ideal, e que de preferência tudo isso venha junto num sábado de manhã, e não numa terça-feira útil.

Imperfeições. Nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos. Não será a última reclamação a se fazer até o final deste dia, e assim como muitas outras, nos sentiremos infelizes em pitadas por muitas e muitas vezes, o tempo todo.

Ontem à tarde por exemplo, quando eu entrei na Saraiva sedento para comprar pela terceira vez o mesmo CD do Iron Maiden (que eu não me comprei, pois achei que aquilo era um livre surto psico-metaleiro consumista, e hoje me arrependo e devo tomar a mesma atitude, porém com final diferente). A princípio esse parágrafo não teria absolutamente nada a ver com o restante do texto, mas tem sim.

Porque essa fase do metaleiro que neste corpo já residiu aconteceu em um tempo onde eu, assim como o poeta, achava que todo grande amor só era grande se fosse triste. Lamentar a falta de sorte era sinônimo de estar cego às outras grandes alegrias que a gente encontra durante a vida. Lamentar um frio de 8ºC pode sim parecer uma coisa lógica. Mas certamente, se não fosse por ele, não daríamos o valor devido ao aconchego daquela blusa guardada no fundo da gaveta, ou ao sabor do chocolate quente e da torrada com manteiga.

Por isso, ao invés de ficar reclamando da vida durante esse dia gelado, trate de fechar bem o vidro, sacar que tem um puta céu azul lá fora, e que pra gente se sentir bem num contexto desses, às vezes um simples par de luvas já resolve muita coisa.

Ah, e ouça Iron Maiden. A raiz metaleira nunca morrerá.

Informe necessário

Em Vidinha por Marcelo Masili - 1 de setembro de 2006

Eu não estou com preguiça.
Eu não estou sem idéias (MUITO pelo contrário).
Eu não estou sem assunto (MUITO MAIS pelo contrário).
Mas tô sem micro.
E sem tempo – a labuta tá forte.
Mas se Deus e São Jorge quiserem
segunda-feira meu micro caseiro volta à vida.

E eu, por conseqüência, idem.
Até lá, viva a vida em carne e osso.
Nos vemos segunda – torçam.