Masili neles!

Mofo feliz

Em Futebol por Marcelo Masili - 27 de julho de 2006

Trabalhar num Clube de grã-finos tem seus momentos engraçados. Colocando um pouco de lado o fato da gente precisar necessariamente de toneladas de paciência pra atender uma maioria de gente sem-noção e mal-educada (exclua-se disso minha equipe de trabalho, que anda trabalhando feliz e muito bem, obrigado – sabemos que não estamos falando de funcionários), existem peculiaridades que valem a pena serem citadas.

E uma delas é justamente estar num lugar que tem mais de 100 anos (o aniversário de 107 anos é no mês de setembro). Você acaba lidando com as últimas tecnologias e diversas novidades, mas também não se descuida daquilo que construiu toda a história anterior a isso. E um dos materias com que eu mexo aqui dentro faz parte do nosso Museu.

Assim como toda novidade tem grande chance de parecer atraente (justamente por ser algo desconhecido), aquilo que é antigo vai nos parecendo cada vez mais bizarro. Aplique essa afirmação a qualquer área da vida que ela cabe perfeitamente. E eis que…

…nessas, me cai na mão uma foto dessas, falando do Fuss-ball (sim, isso mesmo) do Clube, datada de 1924. Cliquem na miniatura da foto e saquem as bizarrices registradas, como o tiozinho com cara de grogue agarrado com duas enfermeiras, um cara que usa um chapéu que mais parece uma camisinha, vários sósias de personalidades da guerra, um espectro sem cabeça pra lá de macabro, além dos modelitos incríveis e do invejável porte atlético dos distintos senhores.

Sim, trabalhar dando risada é importante pra cacete. Dessa vez, foi mole!

Stop. Play. Slow Motion.

Em Umbigo por Marcelo Masili - 25 de julho de 2006

Quando um STOP é tudo o que se precisa, algumas realidades vêm à tona. Não que se procure a partir desse momento resposta pra tudo, muito menos que todos os problemas se resolvam automaticamente de uma hora pra outra. Mas um respiro causa automaticamente na gente uma necessidade de revisão em praticamente tudo o que nos incomoda, desde o primeiro bocejo pela manhã até o fechar de olhos à noite.

No meu caso em especial (sim, nada melhor do que falar de si mesmo pra se ter alguma propriedade nesses assuntos, e cada um que se identifique – ou não – como quiser), o que eu normalmente reparo é que costumo levar tudo muito a sério. Coisas que o tempo resolve sozinho, que daqui a algumas horas não farão a menor diferença, que de repente alguém resolve mudar de opinião e tudo fica bem novamente.

O trabalho que parecia terrível tornou-se ótimo. Amigos próximos se distanciam, enquanto outros mais distantes se aproximam (e se a ordem das coisas caminhar naturalmente, esse ciclo varia sazonalmente segundo o humor e a disponibilidade de cada um), a comida enjoa e daqui a pouco faz falta, toda paixão se cura depois que dói, e o que é real permanece (e se for mais forte, volta pra ficar).

Respirar é necessário mesmo. Talvez ande um pouco difícil de umas semanas pra cá (a poluição está castigando todo paulista que não usa uma máscara de oxigênio), e respirar mal não oxigena o cérebro. Você fica mais preocupado em limpar o nariz, esfregar os olhos e não tropeçar na rua com tanta coisa coçando e ardendo.

Os ciclos são necessários sim. O tempo também: pra se curtir, pra se pensar, e pra resolver. Resolver até mesmo uma certa falta de palavras de vez em quando. E se o tempo não resolve, uma tentativa aqui ou outra ali podem encurtar o tempo do processo. Porque parar é preciso, e bom às vezes. Mas continuar é mais importante ainda.

Walk The Line

Em Música por Marcelo Masili - 20 de julho de 2006

Dentre tantas coisas que se pode fazer quando se tem um mínimo de tempo vago, uma das mais necessárias seja recordar: o que se fez, os planos, o que foi dito, o que passou. Isso nada mais é do que lembrar justamente de quem somos (ou fomos até hoje), pra poder pensar no que será feito dali em frente.

Hoje (ontem, melhor dizendo, já que são quase 2h da manhã) assisti Johnny & June. A imagem aí de cima não está simplesmente ilustrando o post. Quem vê um cara desses mandando todo mundo tomar no cú com tamanha sutileza logo imagina que num coração desses ao invés de sangue corre óleo de trator. Mas quem conhece o pouco da história desse monstro que o tal filme mostra se assusta com tamanha sensibilidade – e então entende porque do inferno desta vida surgiu mais um gênio. Certamente June Carter recebeu o pedido de casamento mais fantástico que eu já vi na minha vida. Quem assume um amor como esse cara assumiu, só poderia se despedir da vida cantando Hurt como ele cantou.

Ao mesmo tempo, agora há pouco estava lendo e revendo o que este blog registrou nos textos de janeiro e fevereiro deste ano. Fui parar nessas memórias depois de um amigo me dizer que se emocionou com o texto que eu escrevi pra Bibi dias atrás. Texto esse que causou mais reações do que as registradas nos comentários.

Ver nesse Deus aí em cima inspiração pra alguma coisa. Escrever de verdade é escrever quando quem está ali nas letras não é tua cabeça, mas tua alma. Viver de verdade, não abandonar os sonhos, toda aquele combo de coisas que a gente vive implorando pra que aconteçam mas que ao mesmo tempo morre de medo de participar.

Comecei a sentir pena dos cerebrais, que perdem tudo isso pelo caminho. Sim, o racional é mais do que necessário. Mas esse cenário de abstinência covarde a certos riscos que a vida oferece (e que normalmente acontecem sem planejamento algum) são tão insossos quanto as memórias que pessoas assim provavelmente devem ter quando olham pra trás, da mesma forma que eu fiz hoje.

Intensidade. As pessoas temem isso. E eu amo. Valeu por lembrar, Cash.

Não faltam palavras, mas parece que tem coisa muito mais importante acontecendo.

Em Umbigo por Marcelo Masili - 19 de julho de 2006

Bons são os dias de descanso, que colocam em vista uma nova ordem de pensamentos, de ambientes, de pessoas, de metas. Enfim, a faxina de certa forma já foi feita. Nunca está completa, pois em todo dia as coisas mudam de lugar, não é sempre que o sol dá as caras e vez ou outra os ombros parecem um pouco mais pesados que o normal. Coisas da vida – como o cansaço e a renovação.

Elege-se alguns dias de um ano pra se fazer tudo o que deveria ser feito sempre. O ser humano às vezes banca o idiota porque quer. Não existe hora pra se escrever a verdade, pra reencontrar o que faz falta, pra fugir um pouco da realidade, nem pra olhar com outros olhos. Mas marcações, cronogramas, deadlines, relações entre causa, conseqüência e método mostram-se cada vez mais necessários quado nos vemos no olho do furacão, desanimados e pedindo por socorro.

Se não conseguimos respirar normalmente nos dias que vivemos por inércia, talvez essas pausas esperando pela chegada da paz sejam de fato necessárias. Mas acho que de certa forma, conforme vamos envelhecendo, além da contemplação ao ócio (mais do que necessário por vezes), a voz da nossa consciência tende a aumentar o volume para que possamos ouví-la assim que despertamos.

Às vezes é bom não ser totalmente claro. Nem totalmente objetivo. Essa pressa em absorvermos tudo de uma só vez é mais um dos males que não nos foge em nossa rotina estressante. Sim, eu acho que encontrei um pouco mais da paz, da ordem e da calma que precisava e que pareciam tão distantes. Explicar isso pode ser difícil, mas tentar vale o esforço.

Que venham os próximos passos, e as páginas em branco.

Reloaded

Em Vidinha por Marcelo Masili - 18 de julho de 2006

E voltando a escrever. Mas não agora. Daqui a pouco…

Vacation’s mode

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de julho de 2006

Até domingo, São Paulo.

Samba a dois

Em Amigos por Marcelo Masili - 7 de julho de 2006

Esse texto vai ser difícil, mas vamos lá.

Difícil sim. Como traduzir em palavras coisas tão abstratas, como sensações e sentimentos que constroem um passado ainda mais indescritível, que renovam um presente sempre ansioso pelo próximo encontro, e que prometem um futuro cada vez mais intenso? Impossível.

Impossível é descrever o que acontece com a gente. Impossível de acreditarem em mais essa história que a internet serviu em algum dia muito distante como meio. Impossível termos passado tanto tempo depois da primeira caipirinha distantes um do outro (convenhamos: impossível era naquele dia dois loucos terem ânimo para saírem debaixo de chuva num final de tarde de domingo pra se encontrarem: acho que a gente nunca teve o juízo no lugar mesmo… whatever). Impossível para eles – e sempre para eles – acreditarem que algo tão imenso se formou de tudo isso.

E depois desse hiato, o nosso livro. Cada página escrita de uma forma diferente, cada história sempre começando do peito pra dentro, sendo vomitada da boca pra fora. Duas panelas de pressão em constante fogo alto, que queimaram nossas mãos por tantas vezes.

Porém, tanta intensidade e sinceridade trouxeram pra gente uma relação de sentimento tipo A – daquele vivido sem censuras, sem medida e sem limite. Onde em sã consciência eu pensei que no meio daqueles e-mails enormes, cheios de desabafo e com poucos pontos, aquela menina confusa faria tanta diferença na minha vida?

Pois é, pequena grande moça. Cá estamos agora: eu, tentando dizer de alguma maneira perdida, nessa madrugada gelada com o volume da TV bem baixo, o quanto você trouxe alegria pra essa vida; de te deixar saber mais uma vez que as coisas daqui pra frente não existem nem fazem sentido se você não estiver por perto; que pede sempre que tanta energia e tanto coração provoquem cada vez mais sorrisos, e que as lágrimas somente surjam em momentos de felicidade. Você, eu espero, lendo este texto que é pra você – um dos tantos que eu já te escrevi, mas este que mais gente pode ler também. Talvez pra te conhecer um pouco mais, ou ainda pra que saibam um pouco sobre esse mistério ruivo que a cada dia eu gosto mais de desvendar.

Podem dizer que seu dia é somente domingo. Que hoje é somente festa. Eu discordo completamente. Pra mim hoje é sim o seu dia. Amanhã também. Domingo, talvez um pouco mais. Mas é assim: “seu dia” coincide com cada novo dia da minha vida. Pois é assim que funciona, moça – simples assim. Da minha vida, você é sinônimo. Daqui, pra sempre.

Te amo demais, cada vez mais, e certamente o quanto você nem imagina.

Um beijo enorme, e curta ainda mais a sua Bibisemana.
A gente se vê mais tarde.

De pernas pro ar

Em Vidinha por Marcelo Masili - 5 de julho de 2006

Uma das questões mais engraçadas e curiosas das férias são as pesquisas antropológicas que a gente desencadeia. Sim, porque faz parte dos rituais de descanso botar ordem nas coisas, fazer algumas faxinas que a gente nao faz diariamente – aquelas mais pesadas, onde a rinite é ativada e o que se levanta de pó faz com que seu canto pareça uma rua do Velho Oeste.

Minha faxina caseira está quase encerrada após dois dias. Depois de quilos e quilos de papel jogado fora, velhas contas rasgadas, eu acabei reencontrando também uma penca de fotos, uma redação sobre a minha vida (muito engraçada cara…), chaveiros, apostilas, ingressos de shows, adesivos, cartões postais, cd’s e mais cd’s de sabe-se lá Deus o quê, e por aí vai. Em faxinas como essa, eu já eliminei um armário do meu quarto. Neste em epecífico, dois módulos e duas gavetas foram liberadas.

Isso mostra que a gente vive com tão pouco e guarda tanta tralha que um problema como esse nem devia existir. Mas tudo bem: colocando-se de lado os espirros, é engraçado rever tanta coisa misturada e jogada no chão. E dar a cada uma delas o destino certo.

P.S.: Em tempo – que jogásso da Azzurra. Puta que pariu, que beleza… a Alemanha vendeu muito caro a derrota, mas não dava pra não torcer pros italianos depois da forma que eles entraram pra jogar na prorrogação. Foi fantástico – e que hoje seja da mesma forma…

O Brasil vestiu amarelo, definitivamente

Em Futebol por Marcelo Masili - 2 de julho de 2006

Algumas vantagens depois do vexame:
- Nunca mais falarão em 13;
- Roberto Carlos agora, só uma vez por ano no Natal;
- Provavelmente o Cafú não rabiscará mais camisa nenhuma;
- A única parreira que presta definitivamente é a da vinícola;
- Usar “EPITÃFIO” pra empolgar uma seleção?
- Nunca mais duvidarão do Felipão;
- Se o que vale na Copa é ganhar, essa Copa não valeu então?
- Futebol é jogo pra macho? Então nunca mais chamem esses caras.

Em momentos como esse que eu lembro do Mancuso (meia do Palmeiras, depois do Flamengo e do Santa Cruz). Uma vez acusaram ele de violento, e perguntaram por que ele entrava no gramado tão mal-encarado e não sorria nem abraçava ninguém. Ele respondeu que “antes do jogo ele tinha mais é que fazer o adversário tremer. Durante a partida o que valia era jogar, lutar e ganhar. Numa guerra você não abraça o inimigo, pois seus objetivos são opostos. A vantagem é que depois da batalha, quando você joga futebol, é possível sair e jantar com os inimigos. Mas depois, não antes”.

Tivemos três destaques: dois zagueiros e um goleiro. Quando isso acontece na Itália, é normal. No Brasil, uma anomalia. Os argentinos caíram de pé; nós, de quatro. E eu lembro muito bem que a seleção não jogava mais em São Paulo porque aqui, quando o jogo era ruim, a gente vaiava e xingava mesmo. Mais fácil então foi jogar no Nordeste e no Sul, onde a pressão era menor e era mais fácil disfarçar a incompetência. Fizemos jogos treino até com o Instituto Padre Chico Futebol Clube, e quando fomos para a Alemanha o que mais fizemos foi bater bola, sem nada de treino técnico, tático ou trabalhos coletivos sérios. O Galvão, lambendo o saco da comissão técnica; o Bial, fazendo poesias e delirando sobre algo que só ele via (será que ele tinha umas balinhas no bolso?); no caixão que reservaram pro Zagalo mandaram o Bussunda e ficou lá o cadáver do vovô, com um ventríloquo falando “treze, treze, treze…”. Américo Faria permanece ali, ganhando horrores e ilustrando o banco. A CBF sumiu com a Copa do site, mas continua superfaturando as camisas. E os comerciais do Santander sumiram – todos eles. Só a Brahma já sabia, e tinha na manga um plano B com o Zeca, e as Casas Bahia, que ofereceram TV a R$ 1,00 caso a gente ganhasse a Copa (obrigado pela lembrança, Kadulino). E eu apoiei. Achei que o Brasil fosse jogar. Que o Parreria tinha chance de acertar. Que o Gaúcho desencantaria. Enfim, tomei na lomba.

Lembrando de tudo isso, só resta uma certeza: fez-se a justiça.

Uma última frase sobre a seleção do Parreira?
É isso o que dá duvidar do Zidane.