A página em branco
Há praticamente três anos eu acordava dia desses com a sensação de que minha vida havia se tornado uma página em branco. Estava pronto pra encarar um momento completamente desconhecido, diferente de qualquer outra coisa que tivesse vivido. A sensação nessas horas é de medo do que vem pela frente, mas a vontade de fazer as coisas acontecerem, de desenhar novos caminhos, de escrever novas histórias, enfim… tudo isso te faz crescer, os olhos abrem e a vida ressurge.
Escrever novas linhas não é luxo, nem brincadeira. É necessidade de qualquer pessoa não só mudar as coisas de lugar, mas buscar outras. Às vezes no mesmo lugar, às vezes do outro lado da estrada. O que não podemos é ficar revirando o mais do mesmo, buscando nos reciclar sendo os mesmos do dia anterior.
Descanso.
Respiro.
E recomeço. A página em branco dessa vez tem outro fim. Afinal, eu sei bem mais do que virá pela frente, e tenho perfeita noção de onde quero chegar. Dessa vez não há estrada, nem obstáculo, nem dificuldade a ser superada. Tudo o que tinha que ser feito, criado, cultivado, avisado e corrigido está na página anterior – que não se joga fora, mas que se coloca embaixo dessa. Pra servir de base.
Pra copiar o que há de certo, não se repetir o que estava errado, e pintar com novas cores aquilo que ainda está por vir. Claro que novos erros acontecerão, que nem sempre aquilo que temos na cabeça será traduzido da melhor forma pelas nossas mãos, e que mais pra frente outras páginas em branco podem surgir. Porque assim que são os desenhos: a gente rabisca um desejo, e aos poucos vai mostrando aos outros o que vai saindo da ponta do lápis.
Os primeiros traços foram dados. E nesta manhã, já ganharam cores.
Chega.
Até o momento em que eu me sentir BEM de novo (porque neste momento BEM é uma palavra que passa longe do que estão fazendo comigo), este blog fica temporariamente paralisado.
Fogo contra fogo
E que tenha sido desabafo, pois o que acontece com nossa mente assim que o desespero surge e bate de frente com algumas desilusões que a gente não gostaria de admitir fazem com que a cabeça funcione por simples impulso e nosso instinto aflore de maneira devastadora.
Tem muita gente falando besteira. Eu mesmo admito que pensei coisas infundadas e depois de ouvir opiniões daqui e dali, com um pouco de sangue frio e cabeça no lugar você começa a refletir e, se tiver um pouco de humildade pra se deixar influenciar por aquilo que de fato se comprova (e vai contra as convicções que você tinha a princÃpio), as mudanças começam a acontecer.
E não é mole. Encarar que alguma coisa em que você acreditava (mesmo que desconfiando, à s vezes até mais por conviniência do que por qualquer outra coisa) não é verdade, que não existem opções equivalentes, enfim. A necessidade de uma mudança, quando não traumática, é no mÃnimo difÃcil. DifÃcil porque temos que baixar a cabeça, mudar de opinião e de postura.
Foi exatamente aà que eu disse que o povo é preguiçoso e acomodado. Mas não se iluda, pensando que só o brasileiro é assim. Pessoas não gostam de mudar por necessidade, nem aqui, nem em lugar nenhum. Apontar o dedo é fácil, mas na hora que a gente enxerga que nosso caminho não é o melhor a coisa enguiça.
Há muito estamos vendo que nossos rumos não são os melhores. A pista certa parece cada vez mais distante. Alguns acham que mudando o motorista a coisa pode funcionar. Outros preferem ir à pé e tentar caminhar sozinhos.
Pedir otimismo em horas tão caóticas parece absurdo. Então, talvez fique mais simples colocarmos pra fora de vez todas as idéias que sempre guardamos, e que possam alterar um pouco de alguma coisa. Porque não dá mais pra ficar de saco na mão esperando que alguém senão nós mesmos faça alguma coisa.
E as minhas idéias pelo menos eu vou colocar aqui o mais rápido que puder. Se alguém quiser divulgar ou discutir qualquer coisa o espaço tá aberto, os ouvidos atentos, e eu tenho certeza: tem muita gente que eu e nós conhecemos que topa botar a cara pra bater.
Já reclamamos demais. Agora vamos fazer alguma coisa.
Domingo sangrento é aqui
por Bibi.

Segue o ritmo da dança porque se parar o resultado continua sendo o mesmo. Cercada por mais 59.999 pessoas, até onde vai toda indiferença? Olhar pra frente, atrás e pros lados não é mais suficiente. Preces antes de sair de casa, no caminho até a mesa de sempre. Qualquer dizer é válido, seja Deus, Maomé ou que venha o Diabo. União necessária pra quem deixa cegueira de lado a força. Não arrancaram ainda um pedaço do teu jardim, mas esse sentir faz isso: absorver toda a história e processar de maneira lenta e preocupante. Percebe que quando tantos inocentes perderam suas vidas para pagar um capricho de um homem de fardas cheio de cólera, muito disso não veio a tona, não saiu na tal telinha global nem tão pouco chega hora a hora aos nossos ouvidos. Sobre isso? Acumula-se ira. Acumula-se sentimento de vingança que é bastante amiga da ignorância e nem se trata da rima e sim da delÃcia que uma encontra na outra. Se não bastasse as duas chega a tal violência pra completar a trÃade. E sobre essa não precisa muito dizer, porque ela se alimenta dela mesma. Canibal feroz, sem piedade e covarde, espera sempre o momento mais silencioso pra surgir e então assim assustar todos aqueles, que cegos, como eu, estão alienados com dancinhas eletrônicas, almoços em famÃlia, contas pra pagar. Fica difÃcil então isentar o tal fardado dos atos embaixo do tapete, afinal é preciso um certo tipo de conhecimento para possuir a tal arma de fogo em mãos. Não, sobre eles nada se diz. E agora que o tio salvador de gatos que apaga fogo e outro tio salavador dos animais da floresta perdem suas vidas para que caiam nossas vendas, o coração chora, a população acorda e começa a dizer milhares de coisas sem sentido e sem conhecimento. Igualam-se aos tais ignorantes? Talvez. Justifica atingir quem nada tem a ver com isso? Não, não justifica. Mas como já disse, cansaço se juntou com a vingança que achou na ignorância uma maneira de resolver a tal violência. Aà todo mundo se pergunta: como resolver isso? Como deixar de ser um idiota alienado e ajudar sem fazer parte da guerra? Conhece o velho papo de sempre, a tal educação? Sobre ela você pode fazer diferença, de um jeito ou de outro, não seja tonto achando que a culpa é sempre do governo, do presidente. E sobre esse ano recheado de um confronto civil, uma copa do mundo montada em arenas germânicas cheias de palhaços globais, e uma polÃtica a escolha da população, lembre-se muito bem de olhar pra sua terra, orar por ela e lamentar muito quando achou que o tal domingo sangrento só exisita na Irlanda, cantado pelo U2. Não é por nada amigo, enquanto você comia com a famÃlia, ele aconteceu ontem e foi nesse Brasil tão judiado. Será que agora você acordou de verdade?
Até quando esperar?

Há pouco mais de um mês eu falava neste mesmo blog sobre um povo paspalho, acomodado e burro, que vive de ilusão, sonho, esperança, novela e futebol. Que está mais preocupado com a lista de 23 (homens milionários) convocados do Parreira do que com seu próprio futuro. Pois muito bem.
Agora há pouco incendiaram uma agência do Itaú que fica a 3 km aqui de casa. Sim, porque já não basta todo o estrago feito em São Paulo neste final de semana, agora a coisa bateu aqui perto.
Sim, porque eu sou egoÃsta, e só fico preocupado quando a violência chega perto da minha casa. Porque durante o resto do ano, ou da vida, sei lá, eu esqueço que nos bairros mais distantes daqui, esse tipo de coisa rola solta o tempo todo. Eu nem ligo pro Nordeste, quanto mais pro Norte, pois eu nem conheço e pra mim São LuÃs, Macapá ou Bagdá dão na mesma e eu dou graças a Deus por morar num lugar civilizado.
Eu também sou honesto o suficiente pra admitir que esse meu comodismo, minha imbecilidade, minha ignorância e minha completa indiferença são culpa minha sim, porque não me posto a respeito de coisa nenhuma. Eu não mandei um e-mail pros deputados que votei, não sei o nome do governador do Amazonas, e não acompanho nada que não seja os boletins do Terra.
Mas eu sei que pelo menos um mÃnimo de senso crÃtico eu tenho. Pra saber que o que está acontecendo lá fora é culpa dos polÃticos SIM, mas também é culpa minha. Porque os hermanos aqui do lado saem na rua quando a coisa fica feia. Armas? Panelas. Movimentos populares? Reuniões em praça pública, Sindicatos? O caso é pessoal, meu chapa. E olha que nesses paÃses a população é menos numerosa que no meu Estado.
Se os tais 190 milhões de técnicos resolvessem fazer valer os seus direitos (que não são poucos) e tomassem vergonha na cara pra botar as coisas no lugar, talvez o caos não fosse tão grande. Talvez se cada um de nós tivesse uma posição, um ideal, quisesse seu futuro melhor e conseguisse explicar por onde, em quantos passos e qual cada uma das metas a serem atingidas, já seria um grande avanço.
Mas não. Continuamos esperando John McLaine salvar o dia. Provavelmente em algum momento futuro, algum lÃder da moda nos incite a comprar um pote de guache preta e irmos à s ruas cantar algum hino tropicalista. Não seria de todo mal, mas poderÃamos fazer coisa melhor.
Pobre de ti, Estado de São Paulo. As pessoas continuam pensando INHO, ao invés de pensarem ÃO. Os únicos ÃOS que nos interessam nesse momento são os de SELEÇÃO e HEXACAMPEÃO. Gancho publicitário propÃcio esse, que mostra talvez sem querer a completa falta de objetivos do povo deste paÃs.
Amanhã eu vou passar bem em frente ao banco queimado, e ao Distrito Policial que fica ao lado do estádio do Morumbi. Claro que eu tenho medo – a violência chegou à porta da minha casa. Mas o que me resta agora é torcer – não pela seleção, mas para que não seja o meu ônibus o próximo a ser incendiado, e que eu não seja a notÃcia da próxima hora no Plantão da Rede Globo.
00h48
Madrugada adentro. Uma luminária evidencia a fumaça do café. Sono e o relógio brigam de forma cada vez mais feroz, enquanto o cérebro não cessa e a criatividade confunde-se com a confusão mental de tão pouco tempo de sono. Ninguém é capaz de manter-se completamente são a uma hora dessas. O telefone ainda pode tocar? DifÃcil, mas cada manhã parece mais curta conforme os dias passam, e a campainha assusta mesmo que sejam onze da manhã.
Mas ele sempre gostou dessa pressão. As cenas de filme, passagens de livros vagabundos, o silêncio da noite e seu caráter simultâneo de abrigo e liberdade, o gosto de encontro ao proibido, do completo anonimato, da solidão confortada. Somados quilos de papéis espalhados, caixas de lápis, a luz azul da TV sem som, um jazz e vozes femininas tocando quase sem volume, seu teclado e suas idéias.
Sonhar acordado e trabalhar. Não para este ou aquele cliente. Às vezes sequer precisava. Mas aquilo tudo funcionava como um pretexto bastante aceitável para que se entregasse a cada noite. O Sol lhe era simpático, mas nada melhor do que a noite para se descobrir tudo o que não se diz e não se pode durante o dia.
Nem sempre a água é turva…
…é na molecada que eu continuo encontrando minha alegria. Trabalhar pra eles sempre vale a pena – e eu sei disso melhor do que ninguém. As diferenças entre as artes originais e os resultados finais são sempre dedo de alguém, ou então economia no orçamento. Mas pelo menos esses dois trabalhos, mesmo com resultados um pouquinho diferentes das criações originais, acabaram agradando em cheio o “pai” aqui.
Camisetas do CAD – Centro de Aprendizado Desportivo

Identidade Visual da Brinquedoteca ECP
Espelhos
Não é de hoje que eu gostaria de escrever um texto sobre a verdade. Por sinal, é uma idéia que venho tendo há alguns dias com mais freqüência. Talvez por estar cercado durante a maior parte do dia de pessoas polÃticas por conveniência, talvez por não agüentar mais ligar a TV e ter que me acostumar com o trânsito de mentiras e desmandos que todo ano de eleição proporciona em número maior do que o comum – que já não é pequeno. Pode ser ainda pelo fato de que nunca tinha me dado conta de quanta gente que conheço anda insatisfeita com as coisas que (não) têm e que fazem.
Já imaginei um dia em que as pessoas só pudessem falar a verdade. Melhor ainda: só quisessem falar a verdade (ou algo tão foda poderia se tornar um filme da sessão da tarde). Provavelmente seria doloroso a princÃpio: acostumar-se com uma realidade tão cruel como essa, em que as coisas aparecem como de fato são não é coisa pequena. Pessoas frias, sentimentos verdadeiros (ou a falta deles), falta de apoio e de importância, nenhuma paciência ou tolerância. Seria o caos para os mais sensÃveis, e um pesadelo para os dissimulados.
Mas talvez tudo passasse a funcionar de forma mais amena num futuro não tão distante. Não haveria amor declarado que não fosse verdadeiro, carinho que não fosse explÃcito sempre que real, jogos de sedução seriam coisa do passado com as intenções verdadeiras dando o tom de qualquer relacionamento. Traição não seria possÃvel. Mentiras fariam parte de histórias de ficção.
Seria necessário sim cuidado, com o que se diz para com o que se ouve. Sempre existiram maneiras diferentes de se dizer a mesma verdade: construir ao invés de destruir talvez pudesse ser uma legislação em um mundo desses, com punições severas aos que descumprissem tal diretriz. PolÃtica ganharia outro significado que não o que conhecemos atualmente.
SerÃamos donos de uma só palavra, em qualquer situação. As máscaras cairiam, e enfim terÃamos a possibilidade de enxergarmos quem somos todos nós olhando dentro dos olhos de quem nos encara. Claro, é uma utopia, limÃtrofe quanto ao perigo que um dia poderia representar (afinal, os intolerantes não teriam saÃda num mundo desses), mas que certamente chutaria pra bem longe o que hoje chamamos de rotina, que nos acostumamos a tolerar e que não temos a menos esperança de mudar algum dia. Porque talvez pior do que arriscar um mundo completamente caótico e impensável, seja se acostumar todos os dias a esse cotidiano derrotado e inerte que passamos a chamar de vida: com raros momentos de felicidade plena, e de desejo initerrupto de mudanças que nunca vão acontecer.
A não ser que de fato saibamos algum dia o que significam aquelas quatro letras, e sejamos sempre o que somos de melhor: nós mesmos.






