Masili neles!

Não é nada de mais*

Em Umbigo por Marcelo Masili - 26 de abril de 2006

Qualquer mudança sempre é vista com estranheza logo de cara. Depois as coisas tornam-se comuns, e habituar-se com isso é questão de tempo e convivência. Não aconteceu nada de diferente por aqui (quer dizer, sempre acontece em doses pequenas – talvez o acúmulo desas pequenas coisas tragam momentos de virada, mas isso já é outra história…), muito menos me subiu à cabeça a pretensão de escrever com a mesma naturalidade que desenho. Só quis caprichar um pouquinho mais, tentar andar um pouco por terrenos não muito explorados, sentir alguns sabores diferentes.

Coisa de gente inquieta, e que detesta monotonia. The songs remains the same, mas sempre é bom ter os ouvidos abertos (e os olhos ligeiros). Afinal de contas, são 365 rotações por ano. Por que diabos logo EU ficaria parado?

* (porque mudar é importante, mas avisar também…)

Abra suas asas

Em Umbigo por Marcelo Masili - 25 de abril de 2006

Sammy aprendeu a voar. Depois de tanto varrer o tal Emerald Bar, se cansou de ver os bêbados caídos no chão, as prostitutas e seus maços de cigarro, os solitários lamentando a própria falta de sorte e de como a vida é injusta. A sujeira não estava apenas no chão, mas no ar, no gosto amargo de cada voz, na desesperança das manhãs e no refúgio de cada madrugada.

Pediu as contas. Pendurou seu avental sujo no cabideiro ao fundo da cozinha e juntou as poucas coisas que guardava no armário encardido de gordura e ferrugem. Decalcou a foto presa à porta e guardou com cuidado no bolso da jaqueta. Era daquele sorriso que tanto lhe fazia falta que vinha sua única luz durante cada uma das noites que enfrentava.

Resolveu encarar a saudade, refazer seus passos. Estava cansado do sereno, da friagem, do anonimato que a meia-luz trazia a cada um dos rostos que já conhecia. Todos pareciam iguais debaixo daquela fumaça e da luz amarela dos spots. Agora seu destino seria a estrada, as manhãs e fazer daquele sorriso lindo, mas estático, algo que se pudesse tocar e sentir calor, cheiro e gosto. Sammy soltou seus pés do chão engordurado, que prendia e dificultava seus passos: agora sabia voar, e atravessar as nuvens era a sua única e mais simples vontade. Pois é ali, perto do céu, que moram os sonhos, e reencontrá-los seria viver novamente.

A noite não é escura por acaso

Em Umbigo por Marcelo Masili - 19 de abril de 2006

As estrelas na calçada eram seu sonho de infância. Pisar no próprio nome pode parecer uma coisa meio estranha para alguns, mas ele queria seu metro quadrado dividindo espaço com outros brilhantes. Até mesmo seu nome era potencialmente favorável ao sucesso. Então ele batalhou duro, espalhou seu trabalho aos quatro cantos, e em cada rodapé estava ali seu nome, funcionando como unha.

O tempo passou, a maré avançou e as tais duas palavras escritas a torto e a direito ganharam cada vez mais espaço. Dos rodapés às capas, às páginas e às bocas. Já não era mais um estranho, e os que sabiam seu nome queriam agora conhecer seu rosto. Vieram as festas, as viagens e os convites. As tentações e as delícias foram mais poderosas que a razão e a necessidade, e lá estava ele, brilhando abaixo dos pés e acima de outras várias estrelas.

Congestionavam seu caminho. Blocos e mais blocos, papéis, agendas, camisetas, assina aqui, meu nome é Vítor, pra minha filha Mariana. Essa caneta não funciona, essas pessoas não páram, e eu só queria comer um prato de espaguete…! Agora não havia mais segredo ou notícia que não se soubesse (ou se imaginasse). Se sua vontade era ser estrela, esqueceu que o céu está à vista de todos, e cada um imagina o que bem entender ao olhar aquele conjunto de pontos brancos lá em cima.

Sua luz não tinha mais graça, porque não era mais sua. Suas vontades tinham que ser vontades dos outros, seus sonhos dos outros, seus traços dos outros. Continuavam limpando e lustrando seu metro quadrado, e ele ali, tentando ser ele mesmo mas já sabendo que não existia mais o próprio. Sua propriedade era pública, e seu metro quadrado acessível a quem quisesse caminhar sobre ele.

Então resolveu apagar o próprio nome. Sabia que o cobre e o cimento permaneceriam ali, com as duas palavras dos rodapés. Resolveu adotar outras duas, absurdas e ridículas, pouco sonoras e que provavelmente não atrairiam ninguém: Strawberry Tea. Produto inexistente, uma com tantas letras e outra apenas com três, sendo essa um foneminha pobre. Perfeito, estava batizado seu novo personagem.

Seu chá de morangos era preparado com as cortinas fechadas. E se outros olhos não enxergavam, seu aroma parecia delicioso: liberdade, tesão, indecência, tara, e mais todo e qualquer prazer que lhe era proibido sendo ele mesmo. O doce e quente agora embriagava suas idéias, que fluiam rápidas e férteis como qualquer adolecente que se descobre. Renascia ali para si mesmo, e de si mesmo era Deus.

Mas acima de tudo, sabia que dali em diante, seu Sol e outras estrelas estariam proibidos de invadir seu espaço. Talvez não fosse mais brilhante, mas ao primeiro contato aos olhos, boca ou pele de alguém, poderia perfeitamente ser exaltado – agora, como exótico. E tornaria-se cult.

Ao breu com seus prazeres. Ninguém precisa saber dessas coisas…

A descomunicação e o trabalho na História da humanidade

Em Trabalho por Marcelo Masili - 16 de abril de 2006

E teve um cara lá, há muito tempo atrás, que inventou esse papo de trabalhar todo dia. Nesse dia provavelmente não estava chovendo, muito menos era uma segunda-feira (e mesmo que fosse, provavelmente o início de tudo não se deu na razão de 5:2 – ninguém seria tão idiota logo de cara).

Também é de se apostar que pra alguém pensar uma coisa dessas devia de fato ter muita coisa pra fazer: fracionar o tempo pra evitar uma briga com a esposa (sim, certamente foi um homem – as mulheres não têm idéias tão cretinas, a não ser quando possuem um cartão de crédito que não esteja em seu nome em mãos), ou então corria algum risco de morte. Não dá pra saber ao certo…

O indivíduo em questão também devia morar em algum paraíso tropical. Andava na praia às 7h, tomava um café bacana às 7h30, e às 8h, com o nascer do dia, sentia-se disposto a encarar seus afazeres após olhar aquele horizonte todo azul. Então fazia suas coisas atá a hora da fome, quando descansava e comia alguma coisa. Aí o trabalho prosseguia à tarde, com o vento e a maresia lhe dando sobrevida atá às 17 ou 18h, quando ele, não mais resistindo à tentação, abandonava as ferramentas e se jogava ao mar pra um último banho antes do cair da noite.

Claro que esse cara não faturava um puto com isso tudo. Era coisa dele, pra ele mesmo. A satisfação do dito cujo era a mesma que a de qualquer pessoa quando come um chocolate: o prazer do sabor no esforço da mordida.

Mas aí dia desses passou alguma besta pela praia, observou o sujeito e com aquele olho do tamanho de um elefante, já pensou mil histórias quanto à felicidade do rapaz. Frustrado com sua vidinha medíocre, deve ter imaginado que todo aquele bafuá funcionava do jeito que conhecemos hoje. Aí, espalhou pra uma cambada de invejosos e algum deles, com grana suficiente ou algum outro bem material sem importância, decidiu que se daria bem com aquela história toda. Comprou o roteiro, chamou os atores e se tornou o primeiro chefe (ou gerente, ou qualquer outro cargo que não signifique necessariamente alguma coisa útil, mas que faça um belo afago no ego e se imponha perante os mais fracos) de toda a História.

E quando hoje choveu, eu lembrei de amaldiçoar mais uma vez o coitado do cara da praia, que não soube guardar segredo ou ser discreto enquanto era feliz.

Sejam bem-vindos… (e muito mais vem por aí…)

Em Vidinha por Marcelo Masili - 11 de abril de 2006

A gente vai arrumando, mas agora sim está tudo bem, e no ar.

Stereophonical

Em Umbigo por Marcelo Masili - 10 de abril de 2006

Aguardem surpresas amanhã. E das grandes.

Crash

Em Umbigo por Marcelo Masili - 9 de abril de 2006

A prece consistia em pedir que semanas como a anterior nunca mais acontecessem. Afinal, de domingo a sábado, tudo o que de melhor ele teve foi um papo noturno por telefone e um abraço perdido no meio da Paulista. Bom e necessário, mas insatisfeito e megalomaníaco que sempre foi, queria mais. Queria mais sóis, mais sorrisos e aquele carinho que acostumou-se a ter. Cansou-se definitivamente da solidão que vez ou outra importunava, mas essa vez ou outra tornava-se cada vez mais freqüente e aquilo não combinava com ele há muito tempo. Resolveu mandar às favas. Aquele sentimento estranho, aquelas pessoas vazias que eram pagas para fazer de sua vida um inferno. Cansou-se da incompetência alheia, do estribo da rotina, do mais do mesmo. E rezou sua prece recém-criada à exaustão. E ao final de tanta persistênca e tanto credo naquelas palavras, sabia que aconteceria uma última tempestade. Pra limpar, e levar embora toda essa lama. Porque aos olhos grandes de sua volta ele só tinha uma solução – colírios de dois litros. Rezou mais uma vez, e terminou assim:

Fodam-se. E amém.

Sobre os homens – parte 3

Em Vidinha por Marcelo Masili - 7 de abril de 2006

Por Carolzinha Duarte.

Sabem aquele lá, de uns posts atrás? Pois é, tô namorando. Hohohoh

Sim, a pele está tratada e eu aindei conversando sobre Saramago num dia destes.

Ah! Fato importante: ele não mora nem na Zona Sul e nem no Subúrbio. Ele é da Zona Oeste (“Jacarepaguá é longe pra caramba!”)

Gravatas, propinas e uma de muzzarela com cebola

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 5 de abril de 2006

Com a renúncia dos dois manda-chuvas de São Paulo (Geraldo Alckmin, pra concorrer à presidência, e Tio Chico, pra concorrer ao governo do Estado), a discussão política por aqui ganhou corpo e consistência. Petistas decepcionados, pessedebistas exaltados, e todo e qualquer cidadão com um mínimo de orientação política – seja ela qual for – já discutem os novos rumos do país e os prováveis resultados das próximas eleições.

Sim, porque Copa do Mundo é legal, mas eleição é mais importante.

E nas discussões que todo mundo uma hora acaba entrando que a gente nota mais uma vez que nada muda. Talvez o nome dos problemas, o fato de enquanto ter se cumprido uma promessa enquanto ignorou-se outras três e por aí vai. Com a legenda que for, com o candidato que for, ninguém está imune e ninguém é plenamente confiável. Ok, até aí sem novidades.

O que talvez mais me irrite em situações desse tipo é o bandeirismo burro das pessoas. Alguém ainda acredita que político tenha ideologia? Tem gente que ainda lê o Manifesto Comunista, que acredita que Socialismo é possível, que acha o Garotinho boa pinta e por aí vai. Entre as velhas promessas de sempre com nova roupagem, esperanças vazias de terceira via e a fé infinda num milagre a partir de 1º de janeiro do ano que vem, novamente vamos apertar os botões e eleger esses caras.

Eu já disse uma vez que acho o povo burro. Acomodado, sabe? Pois acesso à informação (em diferentes fontes e de diferentes pontos de vista, diga-se de passagem) os formadores de opinião têm. Da mesma forma que o futebol, outros assuntos de maior relevência poderiam sim fazer parte de roda de discussão sem maiores dificuldades. Opinião política nada mais é do que orientação moral e informação contra as ações dos governistas. Tudo bem que é mais fácil discutir o jogo do Timão do que os escândalos do governo, mas provavelmente não será o Tevez que decidirá o quanto vão descontar do seu salário, se a gasolina vai aumentar, quais os próximos benefícios que eles terão e por aí vai.

Se a gente parar pra pensar, certamente a discussão de tudo isso por mais banal e sem conclusões que possa parecer acaba despertando nosso senso crítico. E num momento em que a gente novamente precisa mostrar que com voz e atitude seríamos capazes de mudar alguma coisa, sempre é bom lembrar que somos responsáveis pelo nosso próprio futuro. E apesar de sermos donos dos nossos próprios passos, a estrada pra que a gente possa andar quem abre são eles.

Defenda seus ideais, mas faça isso com argumento suficiente pra não passar ridículo. Agora, se você não tiver nem ideais nem argumentos, acho que está mais do que na hora de se tocar e correr atrás daquilo que você não conhece (e deveria conhecer). Porque do MEU futuro depende também a SUA decisão, e eu odiaria ter que confiar meu destino a um paspalho qualquer.

Não funciona? Lógico que funciona, porra.

Em Umbigo por Marcelo Masili - 3 de abril de 2006

Novo fôlego?
Culhões?
Sol lá fora?
Amigos/as sorrindo?
Normalidade voltando?
Trabalho bem-feito?
Ouvindo Battery?

É. Pelo jeito eu melhorei.
Porque essa ladainha já deu no saco, e EU não me agüento mais desse jeito!

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