Chacrinha e o confissionário
Ok, eu confesso. Fiquei duas semanas sem escrever, uma penca de coisas aconteceram (e era uma penca daquelas que a gente nunca se atreve a comprar na feira, com medo de apodrecer, tal o tamanho dela) e eu perdi a mão levemente. AÃ, na hora de voltar, um monte de coisa passa pela minha cabeça dantes careca (agora praticamente militar) e o que surge é um post nonsense e praticamente incompreensÃvel.
Eu confesso que odeio posts incompreensÃveis.
Porque eles me fazem pensar, e tentar entender o que certamente minha capacidade e conhecimento não serão capazes de desvendar. Ninguém sabe o que se passa na cabeça de um breaco, de um chapado ou de qualquer outro ser que tenha seu senso de realidade comprometido por qualquer fator. Dessa maneira, você não participou da viagem do cara, e agora quer sentar na janelinha. Coisa loser essa, broxante mesmo. Porque você não entende, não opina (porque não entende, a não ser que queira espinafrar o indivÃduo e dar uma de intelectual) e convenhamos: sobriedade num mundo chapado ou o inverso é uma situação bem desagradável.
Eu confesso que odeio ser desagradável. E odeio também situações desagradáveis.
Por isso voltei ainda hoje (agora ontem) pra fazer um texto um pouco mais normal (eu disse UM POUCO), mesmo que ele não contivesse absolutamente nada de relevante. Sim, porque quando a gente quer confundir, esquece o nexo das coisas e vomita sentimento. E ninguém lê sentimento como lê bula de remédio – quem escreve assim quer mais é confundir mesmo. Eu voltei pra não confundir dessa vez. Mas não estou a fim de explicar nada também. Porque emoção não vira razão, nem que a gente queira, e ainda bem que as coisas são assim.
Portanto, eu prometo textos mais constantes, agradáveis e inteligÃveis nas próximas… semanas. Porque eu confesso: eu odeio gente confusa. Mas também odeio ter que ficar me explicando, afinal a bunda é minha e eu faço o que bem entender com ela. Mas em dias como hoje (ou ontem) que eu tô de bom humor, tudo isso não precisa fazer o menor sentido.
Slow Down
Não adianta ter pressa. As coisas só acontecem quando algo ou alguém se manifesta, as combinações de fato fazem sentido, e o mundo parece acordar mais calmo. Correr além do que as pernas suportam, cultivar o que ainda não existe, buscar o último degrau sem firmar os pés no primeiro. Ir tão rápido pode causar acidentes serÃssimos, e de recuperação muito mais lenta do que o tempo gasto enquanto ainda temos paciência e aguardamos. As coisas à s vezes parecem não fazer sentido, o horizonte fica turvo e tudo o que se tem pela frente são dúvidas.
Mas o sol resolve surgir à s vezes. O céu volta ao azul dominical, as músicas fazem sentido, as letras trazem significado. A inspiração surge de uma mente tranquila, os minutos passam mais lentamente e o dia te recolhe. As palavras voltam à boca, à s mãos, aos ouvidos. É bom poder sorrir novamente e esperar por dias melhores passa de sonho a puro e simples esforço. Mas pensar um futuro melhor não é tão difÃcil quando seu presente significa paz. Respirar fundo, sentir o que temos e o que nos falta, traçar os novos planos e dar o primeiro passo. Seguir em frente e aproveitar cada momento bom para sentir, ruim para aprender. Daqui pra frente, as coisas já estão diferentes.
Quando menos se espera, pronto. Cá estamos outra vez.
Sobre os homens – parte II ou como destruir uma teoria em dois dias
Por Carolzinha Duarte.
AÃ ele me ligou e disse:
- Vem pra cá que eu quero te ver HOJE. (assim mesmo, enfatizando o hoje, como se, por exemplo, não houvesse amanhã)
- Jura? (eu, com um sorriso de um lado a outro). Mas hoje não dá, Fulano. Tá meio tarde…
- Pelamordedeus, Carol. Olha, hoje é aniversário da minha irmã, vai rolar uma festa. Você vai gostar, ela faz talbém este estilinho cult que nem você. Só que ela dá mais pala que eu. (Ou seja, ele também é cult, só que não fica expondo – sim, eu já sabia disso). Além disso, eu vou te apresentar pra minha famÃlia… (não, ele não disse sério)
- Realmente, eu nunca poderia super que você lesse Shakespeare, por exemplo. Fulaaano, mas como eu vou praà sozinha?
- Pega um taxi e vem, quero te ver HOJE. To com saudade.
- Fulaaaaano, hoje não dá. Amanhã?
- Você vai dormir comigo, péla. Amanhã nós estamos juntos.
E é assim, minha gente, que se termina com um celibato. Isso mesmo, ele é daquele jeitinho do post de baixo: aquele mesmo que olha como “vem cá, potranca selvagem” e eu posso discutir música e literatura.
Eba!
Sobre os homens
Por Carolzinha Duarte.
Assim. Papo difÃcil pra um retorno, não é mesmo minha gente?
As coisas aqui no Rio são muito complicadas com relação ao sexo oposto (oposto ao meu, claro), mas como eu certamente não tenho paciência de aturar uma outra mulher na TPM, caso eu mudasse de time…
Enfim, mas as coisas são complicadas justamente por uma razão. Notem, não quero de forma alguma ser preconceituosa, as linhas que seguem devem-se à especulação e a um certo grau de observação pós-fim-de-namoro. Observações tais que têm me feito parecer com uma freira: pura e casta. No bom português, ando mais lisa que… que… ah, sei lá!
A observação é a seguinte: dependendo da localização geográfica, os homens cariocas adotam posturas diferentes.
Por exemplo, os suburbanos.
São cafajestes. Ponto. É fato. Mas são cafajestes declarados. Daqueles mesmos que te olham como quem fala “vem cá, potranca selvagemâ€. Geralmente é bom levar um olhar deste. Melhor ainda é levar uma olhada dessa quando você levou um pé na bunda. E melhooooor ainda é quando você levou um pé na bunda, um chifre e está sentada numa mesa de bar com a causadorA do término do relacionamento e quem dá a olhada é o rapazote que a tal moça estava dando mole. Orgásmico.
Geralmente também você não consegue conversar com um indivÃduo destes. Quer dizer, até consegue, mas invariavelmente ele interrompe seu discurso para lhe fazer perguntas como “o que você quis dizer com ‘lacônico’?†ou “o que você quis dizer com ‘disserte’?†ou “o que você quis dizer com ‘paradoxal’â€? Sim, exige paciência em doses cavalares.
Claro que toda regra tem sua exceção. Há os que não perguntam, fazem o famigerado “carão de quem está entendendo tudo†e quase promovem o mimetismo: toda e qualquer cara que você faça, ele copia, claro.
Há também os que não são cafajestes e sabem conversar… e estas pobres almas estão, assim como eu, habitando um nicho equivocado. A Terra, evidentemente.
Na zona sul, nós temos três possibilidades.
Ou os bofes são seqüelados.
Ou são surfistas (seqüelados, mas que se limitam a dizer “altas ondasâ€, “vai cair aondeâ€, “marola, brou†e outras frases que só os semelhantes entendem).
Ou os bofes são filhos de antropólogas com cineastas. Ou seja, seqüelados.
Você até consegue usar palavras como ‘lacônico’, ‘disserte’ e paradoxal’. Você consegue discutir o ultimo filme que você assistiu no Estação Botafogo. Mas… e cadê o sexo? Cadê a cafajestagem? (nem venha, mulher, a gente adora um tipão cafajeste). Com este tipo de bofe você se sente tão atraente quanto uma porta. Você acha que já deu todos os moles que poderia dar antes de cair na classe das peranhas (pEranhas, mesmo) e o cara, nada. E, além disso, eles tem o que eu chamo Complexo Indie. É gente… Conheci alguns assim, que precisavam de uma mulher-macho ao lado. Destas mãezonas, sabe? Cansatiiiiiiivo. Estes especialmente dão uma preguiça atroz.
Sendo assim, vocês já sabem ao que se deve o meu celibato.
(Ah, sim, eu continuo tendo fé que um dia na minha vida eu encontrarei uma pessoa que me olhe como “vem cá potranca selvagem†e depois nós possamos conversar e usar palavras difÃceis, como elucubrar, por exemplo)
Quanto mais eu rezo…
Quantas vezes eu já não ouvi falar “ah, como eu queria saber Photoshop”, ou “nossa, eu adoraria saber mexer no Corel”. Mas existem pessoas que se superam: eu imagino O TRABALHO que esse cara teve pra tentar fazer um layout de camiseta de handebol NO EXCEL…

…e ainda mandar pra aprovação. Manda matar, por favor.
Olha pra cima – elas sempre estiveram lá…
Algumas pessoas aparecem na sua vida sem maiores explicações. E de uma forma quase que involuntária, aos poucos ganham mais e mais espaço dentro dos seus dias. Quando a gente nota, não consegue mais viver sem elas. Isso não é nenhuma façanha, ao menos não pra elas. Às vezes a gente pára, olha pro céu e acaba encontrando montes e montes de estrelas, cada uma com um tamanho, um brilho. Algumas são maiores, se destacam mais. Mas os olhos acabam parando e se deixando viajar em uma ou outra em especial. Não porque são maiores, ou brilham mais, mas porque ali em algum momento a gente se vê. Identifica algo de especial que não dá pra explicar, mas apenas sentir. Então colamos os olhos nelas, e desejamos que aquela noite nunca acabe.
Pra nossa sorte, quando as noites acabam, as pessoas – essas que surgem do nada e mudam nossa vida – permanecem ativas, vivas e iluminadas: nos nossos dias, nas nossas tardes, nas nossas noites, e em nossos sonhos, pedidos e desejos. Provavelmente porque sabem que o que foi notado apenas durante uma noite estrelada se espalha sobre todos durante manhãs e tardes. Luz é uma coisa que todo mundo pode ter, poucos sabem aproveitar e quase ninguém consegue emitir.
Neste momento são três as minhas estrelas preferidas: uma com uma luz linda e verde que brilha dos olhos; uma com uma luz engraçada e vermelha que vem dos cabelos, e uma com a luz branca enorme que vem de um sorriso pra lá de infantil. Luzes lindas, enormes e quentes. E que, assim como o Sol, agora são indispensáveis pra minha existência, evolução e felicidade.
IncrÃvel pensar que durante vinte e dois anos consegui viver sem vocês. E que bom saber que não consigo mais esse tipo de façanha. Eu poderia generalizar e dizer o que cada uma faz, como me traz essa sensação de alegria plena quando estão por perto, e de saudade absoluta quando estão longe, ou ainda tentar definÃ-las de alguma forma. Mas não dá pra traduzir. Portanto, é mais fácil que cada uma saiba por si mesma. Mas dessa tarefa eu já estou tomando conta. De que maneira? Elas saberão.
Por enquanto eu só posso contrapor este texto ao desgosto que tive sexta-feira, e dizer que contra todos os males da vida sempre existem compensações. Algumas maiores, outras nem tanto. E que sorte eu tenho: as minhas são gigantes.
AMO vocês.
Rosas e espinhos

No ano passado eu já disse o que devia sobre o tal dia internacional das mulheres: que eu acho uma grande pataquada, que não serve pra coisa nenhuma e coisa e tal. Minha opinião continua intocada, e eu vou insistir na tecla porque acho que vale muito a pena discutir esses assuntos banalizados, mas que poderiam sim ser importantes se as pessoas se levassem um pouco mais a sério.
Hoje quantas mulheres não receberam sua rosa, um carinhoso “parabéns” dos mais contidos, e outros agrados durante o almoço, no caminho de casa ou coisa do tipo? Eu pergunto – pra quê tudo isso, uma vez que amanhã de manhã voltarão a serem a “gostosa”, a “facinha”, a “vadia”, a “Dona Maria” entre tantas outras delicadezas que costumamos distribuir quando notamos que “isso é coisa de mulher”?
Pois foi exatamente no papo com uma menina hoje pela manhã que nota-se o quanto o povo é burro. Sim, burro. Porque ignorante é aquele que não tem acesso. Burro é aquele que insiste na cagada. E o povo é sim burro, porque lembra das mulheres esta semana e esquece nas outras 51 outras durante o resto do ano. E não estou falando do povo brasileiro: estou falando de qualquer um que não saiba o que é cidadania, que não se firme perante os outros pela cor de sua pele, pela terra onde nasceu ou pela lÃngua que fala.
ResolverÃamos os problemas das mulheres, dos negros, dos gays, dos estrangeiros, dos deficientes, dos pobres e de qualquer um que não seja homem branco bÃpede hetero de classe média e descendência européia se soubéssemos o que é cidadania e quanto essa coisa funciona quando exercida em grupo. Que de nada vale você saber muito se as outras dez pessoas ao seu redor não sabem nada. Disseminar conhecimento não é ceder sua vaga de trabalho, nem qualificar a concorrência. Num mundo mais inteligente e ciente de si, as pessoas que se destacam são as criativas, as de pensamento aberto e as de visão conjunta. Enxergar o mundo num todo, sugerir e participar das soluções para os seus problemas e conscientizar as pessoas: não estamos falando de profetas, mas sim de gente.
Gente que não tema demonstrar seu carinho, que coloque a cara pra bater, que não tenha medo de mudar de opinião. Enxergar e ajudar quem está do nosso lado dá o perfeito significado do termo “ser humano”. Não é liberar uma grana, adotar um sem-teto ou esse tipo de coisa. É sim fazermos o que achamos certo, que nos dê prazer, tesão, vontade de viver e que nos desperte um sorriso de satisfação pelo dever cumprido. Já tá mais do que na hora da gente sacar que não é virando pra direita ou pra esquerda e confiando novamente em quem fode a nossa vida a cada nova eleição que as coisas mudarão – ISSO NÃO VAI ACONTECER.
Ou o poder emana do povo, ou esta merda de planeta afunda de vez.
Lembre das mulheres novamente. Que elas continuarão aqui amanhã, depois e pra sempre (ainda bem, não é?). E que esse valor que hoje está sendo tão exaltado, e que elas de fato possuem (em grau muito maior, mas nosso machismo nos impede de dizer) continuará nos encantando, desafiando e intimidando. Mas temer os desafios e não encarar e resolver as diferenças continua sendo uma atitude medÃocre e covarde – seja hoje, no Natal ou em qualquer outro dia. Contra a demagogia e o medo da realidade que é cada vez pior (mas nos negamos a ver ou aceitar), ações mais humanas e coragem para engolirmos nosso maldito orgulho.
Ser racional é também agir com o coração. Boa sorte a todos nós.
Comportamento Suspeito (relembrando velhos tempos)
por Bibi.

“Vô te fala uma coisa pra você!”. Indignado, o taxista apagou o cigarro, pôs pra fora e não se conformava como alguém podia jogar um bebê recém nascido no rio. Pra ser sincera nem sabia dessa indignação, nem dos heróis, nem da tal bruxa. O que leva e o que passa na cabeça dela, na cabeça de alguém para então fazer isso? Não sei, talvez o mesmo que leve a tomar 100 comprimidos, cortar notas musicais, cuspir sujeira em borboletas. O instante, a falha, o segundo, cada um. Ah sim, o louco do prédio e seu show a parte. De vez em quando ele senta no chão do ônibus com sua sacola de supermercado e sente o cheiro molhado do cigarro de mais um dia. Mora no 50 (será?). Não pega elevador, pra ele é esquisito demais o encontro infinito com todos aqueles seres numa caixinha tão pequena. Às vezes vem do 50 gritos, gemidos, sussuros, pedidos. Ou então simplesmente silêncio. Dia seguinte um sorriso no rosto pro porteiro, zelador, lata de lixo, moradora do 13… Ah se suas paredes falassem mais do que todo mundo já ouve. Sabe que nesse exato instante o telefone tocou e aà não tinha como falar mais do tal louco. Mas tem a Nina. Não sei se com ela continuo minha prosa. Seja lá como for, ela aparece de manhã, chega devagarinho, um pouco amarga com gosto de quem acabou de acordar. Desliza o corpo o tempo que precisar. Permanece. Mais uma vez pra ninguém esquecer dela, agora sem sabor ou perfume algum, apenas encosta nas paredes, dá o ar da sua graça. Nesse último passeio ela é mais sutil, mais discreta, ela quer constar. Ah minha menina… não engana com teu sorrisinho bobo e traiçoeiro, com teu toque suave e macio, não engana quem só quer você mais por perto. Não liberte e aprisione ao mesmo tempo. Que poesia se faz pra Nina se em todas as rimas ela não vai descansar? Ela insiste. Mais uma vez então.
PS: E sobre versões gastas, essas jogo fora. Respirem comigo pequena Nina, sr. Taxista e louco do 50, não precisamos mais disso. Façam bom proveito de todos os bens adquiridos mas livrai-nos de todo o mal, amém.
Era assim

Em dias assim, eu acordava tarde, não ia pra escola, ficava assistindo Muppet Babies, Punky, esparramava lápis e papel no chão e ficava desenhando o dia inteiro. Adorava chuva, esse tempo com cara de travesseiro e com minha cama convidando o tempo todo pra mais um cochilo. Me derramava na minha própria imaginação, e achava o máximo ser criança, pra não ter que sair de casa numa escuridão dessas.
Eu era mais inteligente do que imaginava.
Feliz Ano Novo – 2006 é nosso.
Como fazer um ano tornar-se inesquecÃvel em apenas 21 dias:
Junte-se primeiramente amigos. Não muitos, mas sim os melhores. Pessoas que leiam seus pensamentos, suas vontades e seus desejos mesmo que seus olhos estejam fechados, sua boca sem uma palavra dita e tendo apenas alguns passos em comum. Se possÃvel, que já carreguem na bagagem momentos especiais, mas se não carregarem e estiverem dispostos a construir novos momentos, tudo bem. O importante é que não se contentem com pouco, que não se sintam plenamente satisfeitos por mais de 30 segundos e que saibam aproveitar cada segundo de cada minuto de cada hora dos próximos dias de nossas vidas.
Em seguida, encontre lugares. Busque curiosamente cada brecha e cada fresta, seja no asfalto e na fumaça, seja no meio de um vale em um chalé perdido no tempo, seja num estádio lotado de gente sedenta por toneladas de som e de luz, seja caminhando nas estrelas, em sonhos felizes, tranquilos e repletos de paixão. Ares, sabores, sons e sensações diferentes que apenas cada um desses momentos (sim, os tais momentos novamente) pode proporcionar. Alguns, facilmente passÃveis de repetição; outros, oportunidades únicas nas nossas vidas. Não perdê-los a partir desse momento é tudo o que importa.
Combine ambos em uma grande panela (ou piscina, ou cozinha, ou mesa de bar, ou padaria, ou fila, ou num colchão enorme no meio de um gramado), e adicione o tempero de tudo isso: sinceridade, loucura, honestidade, bom-humor, espontaneidade, sedução, música, cores e criatividade. É importante tomar cuidado pra não colocar um ingrediente falsamente vendido com o nome de “perfeição“: apesar das aparências e atrativos que este Ãtem pode apresentar, ele não existe de fato. Por vezes, seu sabor ou seu aroma são sentidos em alguns instantes de nossa vida, mas por isso mesmo ele é tão desejado: porque não pode ser prolongado, aprisionado ou fabricado. Portanto, se ele surgir nos primeiros acordes de uma música, num gole, num beijo, numa palavra, numa estrela caindo, não esqueça de agarrá-lo e sentÃ-lo da forma mais intensa possÃvel.
E de tudo isso, deleite-se sem a menor economia. Quanto mais experimenta-se dessa combinação, mais ela vicia. Porque é algo simples: estar feliz é gostoso, mas estar feliz entre pessoas que estão felizes com e como você é ainda melhor. Todos falando a mesma lÃngua, na mesma sintonia e buscando a mesma coisa. Repetindo esse prato e querendo mais a cada fim de momento.
Assim fez-se desde já um ano especial. Com muitos momentos brilhantes em tão poucos dias, com pessoas e mais pessoas conhecendo e se reconhecendo, não temendo encontrarem-se em outros sorrisos e buscando dias mais azuis, e noites muito mais estreladas. A vida segue, de um jeito um pouco diferente. Porque outros dias ainda virão.
*Texto dedicado às pessoas que estão, às que chegaram e à que partiu.
Estaremos todos juntos, daqui – pra sempre.






