Êxtase supremo e completo, ou absolutamente orgástico











Tem coisa que a gente não consegue descrever. Se não vive, não sabe. E ontem o que aconteceu no Estádio do Morumbi não poderia se encerrar em uma frase como, por exemplo, um show maravilhoso e completamente emocionante, ou o evento mais sofrido, esperado e batalhado dos últimos meses. Ao menos, eu não seria capaz de dizer isso.
Pois pra mim, as coisas foram muito além desse limite. Sim, U2 é puro palco. A música dos caras ultrapassa quase três décadas intacta. How To Dismantle An Atomic Bomb é um álbum que certamente deixará de 3 a 4 clássicos pros shows futuros, pois é um discásso. Bono Vox é sim rei de seu público, pois o carisma e a empatia do cara não precisam de nenhum adjetivo, quanto mais dos meus comentários. Não é pra isso que eu vim aqui.
Vim pra dizer que ontem, tudo aquilo que eu escrevi aqui sobre amizade, batalha e vontade das pessoas certamente se concretizou da forma mais mágica e perfeita possÃvel. Que quando o estádio se transformou numa nuvem estrelada com a escuridão dos refletores e as luzes dos celulares de 80 mil pessoas, que a cada piscar de luzes durante a execução da agora inesquecÃvel Beautiful Day (e esse tÃtulo de música associado a TUDO o que aconteceu nessa verdadeira epopéia que se tornou esse show transformaram mais uma ótima música dessa banda em algo muito maior e mais importante pra mim) eu lembrava de cada round dessa luta que parecia sem fim pra todos nós. E lembrava também que naquele momento todos – eu disse TODOS – que fizeram parte e somaram esforços nessa verdadeira guerra estavam ali, colados ou muito perto do palco, sentindo a força daquela “coisa” toda. Eu e a Ari, de camarote e bem mais distantes (porém não menos animados, tal o contexto todo da coisa) aproveitávamos cada momento de tudo aquilo com a certeza que de fato o melhor estava acontecendo. Não importava mais a distância do palco (tÃnhamos nosso próprio conforto, um som espetacular, uma noite linda, “nossa festinha particular” comemorada em 5 pessoas, e a certeza de DEVER CUMPRIDO).
Felicidade a gente não compra: divide. E nunca a matemática foi tão justa com as pessoas que de fato mereceram e sonharam um mesmo sonho por tantas noites sem saber se de fato ele se concretizaria. Hoje eu estou aqui, sem voz, com o corpo completamente detonado, queimado de sol, extasiado e choroso a cada canção dos caras (que eu não me canso de ouvir), e plenamente feliz. Porque a vida é assim mesmo: é momento. E quantos não foram os momentos de ontem que eu levarei pro resto da minha vida.
Conseguimos.
(Existem vÃdeos e muito mais fotos que quem sabe eu ainda consiga publicar aqui logo. E pra quem foi dia 20 e também colou na Hot Area, o que dizer? Por enquanto nada, pois nenhum de nós todos têm voz pra nesse momento dizer qualquer coisa…)
Vertigo.

Nenhum esforço é pequeno quando se tem uma recompensa que te glorifique, que te arranque um sorriso, que te deixe uma lembrança. Nada que se faça por alguém pode ser mensurado em dinheiro, em tempo, em cansaço. Nenhum desafio é maior do que a vontade que a gente tem de superá-lo, quando sabemos que no final das contas poderemos olhar pra trás e dizer que tudo aquilo valeu a pena.
Estas últimas semanas me trouxeram um sentimento estranho pra dentro do peito, e um nó na garganta que em diversas vezes se repetiu. Mas pra quem pensa que tudo o que se fala nestas linhas gira ao redor de um show e de uma banda, eu diria que provavelmente não conseguiu sentir e se aprofundar em algo maior que durante esse tempo todo aconteceu em paralelo.
Crescemos enxergando nos sorrisos e nas lágrimas dos outros aquilo que de fato somos. O nosso reflexo mais claro não se dá em frente a um espelho, mas na força de um abraço. E nesse caminho que não foi nada fácil, e em que algumas pessoas se ajudavam enquanto outras tentavam levar a melhor em cima dos outros, foram alguns sorrisos especiais que me mostraram que antes de qualquer outra coisa, muito coração bateu mais forte durante esses dias. De alegria, de dúvida, e provavelmente entre hoje e amanhã, de êxtase e alÃvio.
São sonhos que temos desde sempre: o astronauta, o jogador de futebol, a doutora, o rockstar. Hoje e amanhã alguns de nós poderão se sentir um pouco mais realizados. Sim, em nada essas duas horas de magia mudarão o mundo, e provavelmente se tornarão mais uma boa história a ser contada por cada um de nós. Mas nossa vida é feita disso: de história, de momentos e de amigos.
Que bom: eu ajudei a realizar um pouco desses sonhos. Então, não se preocupem em agradecer – e sim em curtir um pouco mais da música que está tomando conta da gente durante todo esse tempo. A cidade das luzes ofuscantes hoje brilha mais do que nunca. Ao menos pra gente… e não estamos mais sonhando.
*Em homenagem à Bibi, Dani, Lê, Lu, Sophie, Kalu, Kadu, Van, Sil, Yara, Klein, Gê, e todas as milhares de pessoas que se enfiaram nas filas, que se mataram de tanto telefonar, e que em algum momento pensaram em desistir de tudo, mas que ou hoje ou amanhã estarão realizando mais esse sonho, mesmo com tudo indo contra. NÓS CONSEGUIMOS.
Give me something I can feel…
por Bibi.
Música tema deste post:
City of Blinding Lights – U2

A notÃcia veio no meio do caminho pro trabalho. Eu já estava sentada e se não estivesse provavelmente precisaria sentar. O sorriso bobo e a alegria se estenderam pelo resto do dia. Eu não podia acreditar: no mesmo dia que eu tinha (quase) desistido, tudo virava de cabeça pra baixo: teu lugar tá lá, é pista. A comemoração foi merecida, com cerveja, abraços, milhares de obrigada não pareciam suficientes. Mas eu tenho que admitir que só HOJE a ficha caiu de verdade. Antes de sair de casa o jornal da manhã fala sobre o show, das pessoas, mostra trechos, fala da banda. Começa a bater uma sensação de frio na barriga, uma emoção enorme: eu vou estar lá, eu vou ouvir e ver tudo isso, não importa o quão longe deles, mas eu vou estar lá. A vontade que deu? Ligar pra você, sair correndo atrás de ti, te dar um abraço e dizer que não parece suficiente um monte de obrigadas que eu disser, ou qualquer coisa que eu faça, nada parece pagar pela tua determinação, pelo presente do ano, por essa oportunidade única. U2 é uma daquelas bandas, pra mim, que tem mais de uma música que arrepia, que faz o olho encher de água, que dá vontade de voar pra longe. CA-RA-LHO, eu vou! E a culpa é toda sua! Obrigada, obrigada e obrigada. Amanhã será O DIA!
PS.: Porque eu tentei te ligar logo cedo pra dizer, mas meu celular acabou a bateria. Se prepara pra quando eu te ver amanhã.
RS 2.000.000,00

Ganhar os VIP’s me forçou a ficar por São Paulo, e aà o Rio ficou pra próxima. Por sinal, não só o Rio: o Rio, os amigos e os Stones. É continuar rezando pra que a saúde dos velhinhos continue como está… tio Jagger continua uma bomba no palco, tio Watts continua o baterista mais bacana do mundo, tio Wood continua com seus ataques epiléticos e tio Richards delicia a gente com os riffs mais conhecidos da História do Rock.
Mesmo com a edição tosca da Globo (os caras só sabem fazer novela mesmo, de resto…), com a transmissão em “live fake” e sem o calor daquele povaréu carioca, não dá pra desmentir: A BIGGER BANG – um nome de disco não cairia melhor nessa banda…
Terça a gente conta história. A outra.
Assim caminha a humanidade…
por Bibi.
Música tema deste post:
Only – Nine Inch Nails
Janeiro de 98. Lá vai a mocinha com seus 15 aninhos, sozinha, na excursão rumo ao seu primeiro grande show: U2 Pop Mart. Que emoção não? Depois fiquei inconformada por não ter tido mais atitude de estar na pista, era o medo de novata, fiquei lá longe, assistindo à s vezes de binóculos (eu sei, é patético), pra enxergar o tio Bono melhor. 8 anos depois eles estão de volta aqui. Não tem excursão porque eu já faço parte da cidade onde acontecerá o mega evento. Não tem arquibancada, porque eu tenho tamanho e mais “coragem” hoje em dia. Não tem ingresso. Porque? Buenos, eu poderia ficar aqui escrevendo milhares de coisas e PERDENDO mais ainda meu tempo com essa história. Eu só queria dizer na verdade que é claro que estou chateada por não ir no show, a vibração que rola num estádio quando a banda que se gosta entra no palco é absurda. Mas após tanta coisa broxante e depois da minha passada (como quem não quer nada) pela comunidade do U2 Brasil no orkut (quem quiser entender a piada, vai lá também), eu cheguei a algumas conclusões:
- não vou pagar preços exorbitantes para ir no show;
- o mundo é dos hipócritas, todo mundo que vende ingresso que “sobrou” (a-ham) por preços absurdos é SIM um tipo de cambista. Nem vem com moralzinha de lei da oferta e procura. Eu pensei em fazer isso no Pearl Jam, mas a minha Ãndole ainda tá a salvo, porque na minha cabeça passava assim: vai ter algum fã querendo comprar, deixa pra ele, nem ia conseguir vender mais caro. Pra mim isso é o clássico caso da secretária que trepa com o chefe, sobe de cargo e não quer ser chamada de prostituta. Opa, pera aÃ, ela não deu por dinheiro? Ah, tá, esse vem depositado direto na conta bancária e ela pode até ter carteira (repare, não julgo aqui você dar ou não pro seu chefe, é outra coisa);
- deveria ter sido mais insistente nas minhas tentativas telefônicas, mas agora já foi também;
- quanto mais as pessoas puderem arranjar maneiras de lucrarem com as coisas, de ganhar em cima dos outros, melhor não é? (será que com isso EU tô sendo hipócrita por tentar ser uma estudante que não sou e assim pagar meia? ah tá, acho que é isso, se a coisa não pesa, você não sente culpa… tá explicado!)
Desculpe se tudo isso parece um monte de groselha pra você. Eu precisava muito vomitar. Mesmo. Sem stress Má e Lu. Eu realmente quero que todos esses MILHARES de ingressos (e pelo que vi por cima não são poucos) que estão flutuantes por aà MORRAM na mão dos trouxas. De verdade. Papel sem valor.
Menos de 1 metro do palco, sentada, sofá. U2, fica pra próxima.
PS.: O refrão dessa música tem tudo a ver com a temática umbiguista: There is no you there´s only me. E tenho dito.
Rock N’ Roll Dreams Come Through
É o Carnaval dos sonhos de qualquer rockeiro: em menos de 4 dias, duas das maiores bandas de todos os tempos em megashows, ambos transmitidos ao vivo pela maior emissora do paÃs. Um totalmente gratuito, e talvez por isso provavelmente invisÃvel de outra forma senão por mega telões dispostos pela praia de Copacabana. O outro, com preços extremamente altos e uma desorganização absurda, cuja (tentativa de) venda o colocou entre uma das maiores presepadas da história da música pop em todos os tempos.
De qualquer forma, eu vou nos dois. Sim, porque eu já assisti aos Stones (esse é um ótimo motivo), e porque eu ainda não assisti ao U2 (um motivo melhor ainda). Ah, e claro, porque eu amo o Rio de Janeiro, sinto saudade das pessoas de lá, e também porque a Bambinera é do lado de casa – e nada melhor do que “perder” um dia de trabalho pra assistir um show desses.

Em 1998, num intervalo de três meses, ambos tocaram por aqui: o U2 no dia do meu aniversário e os Stones dia 13 de abril, se eu não me engano. Lembro muito bem que optei pelos Stones por dois motivos óbvios: a Pop Mart Tour do U2, na minha opinião, era muito inferior (tanto no repertório quanto na produção – e não tentem entender meus parâmentros, fãs xiitas da banda) à ZooTV; e porque na época eu tinha 18 anos, e economizava dinheiro do almoço pra comprar um dos dois ingressos – e pensando naquela época em quem teria maiores chances de morrer primeiro e nunca mais voltar, por motivos óbvios escolhi os Stones. Não me arrependi. Afinal, quem abriu o show dos caras foi o Bob Dylan, que em seguida deu canja em Like a Rolling Stone durante o show dos velhotes. Coisa que só brasileiro e argentino viu. E pensar que lá fora os Stones já deram canja com o Justin Timberlake… isso sim é não ter critério. Aqui o tio Mick, além dessas peripécias, ainda comeu a Lulu Gimenez na pia. Deu a ela um programa de auditório, fama nacional e ganhou o coração dos tupiniquins. Ê cara legal esse.
Já tio Bono gravou um clipezinho no Rio, usou aquela camiseta do Bomberman e fez um belo show também. Mas entre “Pop” e “How To Dismantle…”, acho que acertei no show. Dessa vez não existem aquelas cores todas, o tal limão gigante e o The Edge vestido de cowboy (meus olhos agradecem). U2 tocando rock é sim uma puta banda. Mas as parafernálias visuais eu deixo pro Cirque Du Soleil. Prefiro os caras de preto, óculos e tocando seu som, que ninguém precisa dizer que é pra lá de bom.
Passado o stress, objetivos alcançados, é hora de aproveitar e curtir. Pra quem sempre detestou Carnaval, esse mês de fevereiro promete ser memorável. Ah, e barulhento – mas sem aquelas viadices de recuo de bateria, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e comentários da Leci Brandão. It’s only Rock n’ Roll, but I like it. So, Walk on…
(Os links do texto são muito legais – se eu fosse você, clicava em cada um deles. Além disso, sempre dá um puta trabalho fornecer algum material extra pra vocês se deleitarem. Portanto, demonstrem gratidão e prestigiem, faisfavô…)
Histórico. InesquecÃvel. Ducarái.
Tentarei retribuir um a um neste post tanta atenção, carinho e cada minuto plenamente vivido, neste sábado que foi simplesmente inesquecÃvel. Sem medo de estar enganado, foi sim a melhor festa da minha vida. Vamos aos nomes (quem eu não conhecia e não pude consultar os nomes virou número, mas o que vale é o registro):
Tarmann & Carla, Thiagão, Caverninha, Sophie, Sol, Vanessinha, Crisona, Amanda, Neli, Ju, Simone, Clodô & Juliana, Vitão e Eriquinha, Vivian & Daniel, Déia, Ariett, Carolzinha, Elis, Jully & 1, Dani & 2, Vanessa, Helezinha, Sil & 2, Gabby, Michel, Lu, Zulu, Borghi, Bijú, Bibizinha, Dani, Debs, Japa & Camila, Chamba & Cris, Kadu & Anninha, Lê, Bode & Lelê.
Acho que não esqueci ninguém. Até pensei em colocar legendas nas fotos, mas acho desnecessário. Afinal de contas, dessa festa muito ainda se falará. Então, deixemos as imagens falarem por si só. Afinal de contas, se o que vale nessa vida é um sorriso ao final do dia, eu tive pelo menos cinqüenta motivos para celebrar.
Dúvidas sobre as fotos, eu esclareço nos comentários…































E lá vamos nós pro segundo round…
Se sábado você, caro amigo, já tem UM ÓTIMO PROGRAMA PRA ENCARAR, domingão é dia da histeria coletiva indoor parte 2. Depois de baixar um pouco a dor e a raiva da decepção do dia 20, provavelmente faremos uma mobilização coletiva pra tentar a façanha de encarar o maledeto do show do U2. Logicamente, mesmo puxando forças de onde sabe-se lá onde pra fazer a loucura proposta pela (des)organização do show, o maldito Pão de Açúcar me solta um folder desses nos jornais de hoje, só “pra nos animar ainda mais”:

Vocês não sabem o ódio que me dá ver um maldito velho com as entradas na mão e o sorriso na cara. Mas podem ter certeza de uma coisa: se rolar minha presença nesse tal show do dia 21 e eu vir algum velhinho na fila, intoxico um por um com lactopurga, EU JURO!








