Masili neles!

Mas o que diabos vou fazer em Bauru?

Em Ilustração por Marcelo Masili - 29 de setembro de 2005

É, amanhã eu vou pra Bauru. Não pro sanduíche, pra cidade. Fazer o quê por lá, você me pergunta. E eu te respondo que estou indo realizar um sonho.

Não estou exagerando. Amanhã vou acompanhar a apresentação de um projeto do SENAI onde minha melhor amiga trabalha, e do qual ela e mais uma outra menina bastante especial fazem parte. Projeto de caráter grandioso pela iniciativa: a inclusão social de crianças com necessidades especiais, que fazem parte do quadro da APAE. Isso em parceria com o Senai (minha casa, já que eu me formei lá – no Senai, não em Bauru – e adoro esse lugar), que qualificaria profissionalmente essa molecada com treinamento específico em algumas áreas nas quais elas são perfeitamente capazes de atuar.

Legal pra cacete né?

Então pra essa apresentação, me requisitaram uma espécie de curta, que possibilitasse que os empresários envolvidos no projeto sacassem que tudo isso é possível, é muito legal e bom pra todo mundo. Aí eu fiz… e ela tá aqui, pra vocês baixarem, assistirem e me mandarem os pareceres sobre o projeto…

Disponibilizei apenas o link do clipzinho. Se alguém quiser a apresentação toda (com o projeto delas) é só me falar que eu passo. Acho que não tenho mais muito a dizer: é pra minha melhor amiga (e sua amiga especial), pro Senai, pra Apae e pra uma molecada que certamente vai me fazer ficar tremendo na base amanhã, quando assistirem essa paradinha comigo.

Pra um cara que sonha desde moleque mexer com criança, não podia acontecer um “primeiro passo” mais legal que esse. Tô feliz demais…

Então, até domingo (provavelmente), com a segunda parte deste post – que vai contar o que aconteceu por lá. Por enquanto, assistam ao clip…

Papel, pedra e carvão

Em Faculdade por Marcelo Masili - 26 de setembro de 2005

No século passado, as crianças nas escolas de grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Macapá recebiam suas provas, comunicados e desenhos para colorir impressos em mimeógrafo. Tá, você não sabe o que é mimeógrafo…

Então, era assim. Meninos jogavam Atari, meninas ouviam Menudo e a vida seguia feliz e fluorescente. Ah, e claro, não existia internet. Nem Windows. E nem microcomputador – ao menos, não na concepção que a gente conhece hoje. E o tempo passou… vieram os cd’s, o mp3, o dvd e outras siglas de três dígitos que hoje preenchem nossa vida por todos os lados.

Nessa época do mimeógrafo também se fazia trabalho na escola. Sem computador, eram muitos maiores os esforços: canetas Bic, livros amontados (sim, também não existia Google) e folhas de papel almaço. E o estranho hábito de escrever à mão era naquele momento a única forma de fazer esses trabalhos.

Eis que de repente, em pleno mês de setembro de 2005, estou aqui fazendo um emocionante trabalho de Direito Tributário*, e me utilizando desses mesmos meios arcaicos! Uma idéia genial de nosso professor, visando não dar margem a nenhum aluno de buscar trabalhos da mesma natureza na net, e “adaptá-los” às suas necessidades.

Tenho que confessar que foi estranho (pra não dizer vexaminoso) entrar em uma livraria e perguntar se eles tinham papel almaço. Acho que a sensação foi próxima à de morder um javali vivo, ou arrastar mulher pelos cabelos. Escrever essa birosca à mão, usando Liquid Paper ao invés de Backspace é das coisas mais esquisitas que já me pediram.

Com isso, configura-se o cenário pré-histórico da tal Matéria*. E na boa, não me surpreenderia se minha prova viesse mimeografada, e pra fazê-la eu precisasse de um lápis HB e borracha verde. Afinal de contas, o que mais falta pedirem num curso de Design Digital?

Ces’t La Vie. Elelê.

* Eu juro por TUDO O QUE É MAIS SAGRADO que não entendo como alguém pode se formar nisso! É uma das coisas mais chatas que eu já estudei. Necessária sim, mas chata DEMAIS… Agora eu entendo o porquê dos advogados serem uma espécie tão estranha.

a vida da atriz

Em Vidinha por Marcelo Masili - 24 de setembro de 2005

por Bibi.

essa tal coisa de internet deu acesso fácil a vida alheia. beatriz praticava todo dia seu voyeurismo. aqui e acolá, tentando desvendar as entrelinhas, entender uma história, observar os detalhes, pensar qualquer coisa. beatriz gostava daqueles sítios de todo dia onde talvez algumas palavras batessem com aquilo que ela sentia, pensava. a busca no outro pelo acolhimento. uma coisa leva a outra, quando algo parecia sem sentido, ela tentava de qualquer maneira achar pelo menos uma resposta. a gente falava pra beatriz que isso era loucura. era um jeito detetive de ser que ela por vezes engraçado. beatriz não ligava nem um pouco. no fundo faltava mais presença, aquela garotinha miuda, com pretos cabelos, escondida atrás de uma tela de computador. claro que ela curtia o mundo aqui fora, vivia sua vidinha pacata de um jeito qualquer, ela sabia das coisas, mas essas coisas ficavam guardadas. perguntamos pra beatriz se algum dia tirassem isso dela, essa prática, esse hobby, como ela ficaria. a resposta? ela disse que do mesmo jeito, normal, a vida segue. enfim, acreditamos na beatriz. outro dia ela chegou indignada na mesa do bar, uma das tantas pessoinhas que ela vivia observando tinha terminado um relacionamento, já tava engatilhando outro, juras de amor eterno. engraçado como ela estava perplexa… “como assim? mas já? curou? e o vazio, os planos, tudo?” dava pra perceber que a vontade dela era falar com as pessoas envolvidas. “vai lá mulher, pergunta, manda e-mail, descobre mais coisa.” beatriz não era de se revelar. infelizmente a miuda tem um sério problema em talvez aceitar ela mesma, aceitar que o mundo tá louco mesmo, as coisas estão do avesso, ela não consegue entender tudo isso. pra ser sincera eu nem sei porque comecei a falar da beatriz, faz tanto tempo que ninguém tem notícia dela. a garota se esconde, nada de exposição em lugar algum. vai ver tá por aí, tentando sacar qual é do mundo, dela mesma. é, ser bem resolvido não é tão simples ou tarefa fácil, pelo menos para beatriz. o que conforta saber é que às vezes ela dança no sétimo andar mas ainda achando que é perigoso ser feliz. quem sabe nas andanças dela por esse mundo virtual ela não me acha aqui. saudades de beatriz.

A casa de Caco Antibes

Em Vidinha por Marcelo Masili - 22 de setembro de 2005

Voltando da Avenida Brigadeiro Faria Lima ontem à noite, antes de pegar o trem (no qual eu posteriormente dormiria e passaria da estação onde normalmente desço pra ir à faculdade), um pensamento passou pela minha cabeça enquanto cortava caminho pelo sempre bizarro Shopping Center Iguatemi*:

- será que eu tô cagado?

Sim, porque absolutamente TODO mundo do terceiro andar (o mais fresco de todos) olhava pra mim como se eu fosse um alienígena! Aí eu notei que de fato eu era um estranho naquele lugar – isso tudo por volta das 18h30, quando coincidentemente todas as espécies que transitam naquele lugar OU saíram da academia, OU foram deixadas pelo(a) papai/mamãe na porta do estabelecimento, OU foram expulsos da aula de tênis.

O fato de você andar com barba por fazer nem pega tão mal. Mas meu tênis é da Segunda Guerra, minha calça não custou mais de 30 conto, minha mochila é da C&A e tá rasgada, e minha camiseta não tem marca. Ou seja, pra eles eu sou uma espécie de ameaça andando pelo território inimigo desse jeito…

Eu não suporto gente fresca, dou risada da cara dos metrosexuais de plantão, das Patis bronzeadas artificialmente, das madames e seus cachorros e dos executivos de peruca e consumidores de Viagra. Acho esse mundinho da nova elite deplorável (quem nesse mundo pode ser feliz se não encarar um dogão da USP ou se dar bem numa liquidação ponta de estoque? – sonhos de consumo dos assalariados comuns como eu), e fedorento. São pessoas completamente sem personalidade, insuportáveis no convívio social, e que normalmente dão risada imitando o Pateta com tosse.

Bom, como grana pra mim sempre foi um problema (mas em grau bem menor do que pra eles, a ponto de não comprometer meu desempenho sexual), só me resta ter pena – e provocar essa gentinha. Afinal de contas, quanto mais nocivo me acharem, mais distantes de mim estarão. Acho que vou começar a passear no Iguatemi com a regata da Gaviões, bermudão ralado e chinelão. Ah, além de falar muito palavrão e cutucar o nariz. Aí quem sabe as reações preconceituosas dessa gente se justifique.

Iguatemi por Iguatemi, a Daslu só poderia ter esse nome mesmo (e com uma rima mais do que óbvia, não é mesmo?)…

* Pra quem não é daqui de SP, esclarecendo: Shopping Iguatemi é aquele lugar onde existem lojas como a Tiffany’s, o Emporio Armani, a Ermenegildo Zegna (ô nome bonito esse, putaqueospariu!), a Diesel, o maldito Ráscal e é claro: AS LOJAS AMERICANAS! Porque madame que é madame manda a doméstica (Opa! Secretária do lar, desculpe!) comprar a bolsa na 25 de março, mas fala que “comprou no Iguatemi”… ê suburbão!

Constatações ou Cadê vc no MSN??

Em Vidinha por Marcelo Masili - 16 de setembro de 2005

Por Carolzinha Duarte.

Caríssimo Sr. Marcelo Masili,

Venho por meio desta informar-lhe que sonhei com vc. O sonho se constituiu de:

1) eu estava em São Paulo e vc me levava a um shopping.
2) a gente roubava casacos (lindos, aliás – eu ficava com um roxo que era luxo total) de uma loja.(uau, nós somos radicais!)
3) a gente comia um sanduba giga num bar.
4) eu caía na escada rolante e vc ria da minha cara, enquanto eu pedia por sua ajuda, desesperadamente. (seu sem graça…hahaha)
5) eu pegava metrô pra voltar pro Rio.

Interpretação: to com saudade do senhor e queria que esta distância Rio-São Paulo fosse menor, dada a quantidade de gente querida que tenho por aí.

Nhé.

Alguém entende…?

Em Música por Marcelo Masili - 15 de setembro de 2005

O Marcelo D2 vai fazer um show aqui no Clube.
Uma das exigências do cara pro camarim:

- UM CARTAZ DE “É PROIBIDO FUMAR”.

Aí eu te digo: Ahn???

Ai, que vontade de mandar tudo à merda!

Em Vidinha por Marcelo Masili - 13 de setembro de 2005

É bucha, é esse monte de bloqueio, é falta de grana, é gente cuspindo fogo porque provavelmente foi novamente mal-comida à noite, e por aí vai. O “mais gostoso” é ter que sorrir e manter a calma no meio de tanta merda. Mas tudo bem: os hipopótamos nadam numa água cagada no zoológico e nem por isso são considerados asquerosos – alguns até ganham ares meigos e sexies em Hollywood…

Não que eu queira ser um hipopótamo. Confesso que se fosse um animal, seria um mais limpinho e bem mais magro. E me compensa pensar que sexta tem uma festa muito bacana, sábado tem outra, e que domingo vai rolar um kartzinho… Vida social que em três dias certamente será mais agitada do que toda a existência dessas pessoas que metem com capa de chuva, e que vez ou outra me afasta dessa rotina maledeta e que eu não agüento mais aturar (mas ao contrário dos conformados, o Marcelão aqui faz algo a respeito quando o bode senta a bunda no meu jardim).

Então, contra esse cheiro de estrume, música: meu novo cd (este), recém-adquirido por preço justo, e os outros dois que a Yara me trouxe (este e este) estão ajudando bastante a tornar os ares menos nebulosos e mais agradáveis. Porque esse cheiro de Avanço tá ruim demais de aturar, Deus do céu…

(Ah, e redescobri qual a função do heavy metal – aquele mesmo que nem o do Judas, aqui do post debaixo – na História da humanidade: ouvido bem alto, serve como calmante contra pitis histéricos de gordas solteiras. Um santo remédio, viu…)

Só faltaram o Village People e o Elton John…

Em Música por Marcelo Masili - 11 de setembro de 2005

Uns com tanto e outros com tão pouco…

Se tem uma coisa legal pra você fazer na sua vida é ir a shows. Eu tenho esse costume há 13 dos meu 25 anos, e ontem (sexta) mantive o hábito, comparecendo no “Arena Skol – Anhembi” pra assistir duas das bandas que me fizeram gostar de rock quando era moleque: pra ser bem sincero, o Whitesnake que foi de fato o responsável por isso. Mas o Judas Priest foi um toplist em épocas de metaleiro, que eu também já vivi.

A começar pelo local, eu sinceramente não entendo como a Skol emprestou seu nome a esse verdadeiro quintalzão. Meu primeiro show (quando eu tinha 12 anos, em 1992) foi lá também. Quando o Guns tocou no longínquo 10/12/92 no mesmo lugar, onde hoje é a concentração do agora sambódromo paulistano (que sequer existia na época, e eu assisti ao show nos ombros do meu pai debaixo de uma PUTA chuva), era o mesmo lixo: um terrão cercado de árvores e cuja qualidade de som ainda deixa muito a desejar. Pra que se tenha idéia, o lugar fica ao lado de um hospital, e muito próximo a um hotel de Flats… show de bola, não é? Fora que se você se pendurar numa árvore próxima dali, assiste de camarote ao que os caras do camarote (de verdade) pagaram 150 pila pra ver. Sem comentários…

Outra idéia de gênio foi marcar um show pra começar às 19h em uma sexta-feira, ainda mais em São Paulo. Dá pra melhorar? Claro que dá – ao lado do show estava acontecendo uma feira de cosméticos! Conclusão: chegar ao Anhembi tornou-se uma verdadeira via crucis. Mas o metrô acabou sendo a melhor opção mesmo, e um taxizinho rápido nos permitiu assistir ao Whitesnake a tempo (sim, o Angra nem rolou, mas até aí dane-se…).

E mesmo com um setlist equivocado (sem Guilty Of Love e Now You’re Gone), o tio Coverdale arregaçou. Não esperava que os velhinhos do Whitesnake estivessem tão em forma. Mas foi engraçado notar que solos acrobáticos de guitarra e bateria já não me cativam tanto. E pra um show de abertura, poderiam perfeitamente tê-los substituído por mais uma musiquinha. Afinal, foi só uma hora de show… mas foi foda mesmo assim.

Quanto ao Judas, um belo show. Mas vi que minha época de metal passou. Tinha uns caras de jaqueta jeans e boné (!!!) na minha frente que estavam tocando guitarras virtuais e cantando em microfones virtuais, enquanto se abraçavam feito dois idiotas, naquele jeito meio assexuado que todo roqueiro de butique tem quando vai parar num show. Uma coisa estranha ver aquilo, e perceber que talvez quem estivesse fora do contexto ali fosse eu…

Aí o Judas tocou Electric Eye e pouco depois tocou Breaking The Law, e eu vi que fora de contexto é o cacete, que os caras eram uns lorpas mesmo e que tachinhas pregadas ainda são legais. Foi um show bem bacana, e mesmo que eu não tenha mais o mesmo amor pelo demônio, caveiras e cadáveres, os caras mandaram bem pacas.

Bom, eu preferia que o Judas tivesse aberto o show do Cobra Branca – teria sido MUITO mais legal… Ah, e pra quem perdeu, pode tentar se redimir assistindo aos fantoches do Slipknot (máscara por máscara, que saudade do bom e velho Kiss). Ou pior ainda: prepare seu Kisuco de morango, seu lanchinho Mirabel, sua mochila da Eliana, sua luvinha listrada e sua meia-calça furada, pinte os olhinhos de preto e vá ao Pacaembu dia 25 assistir à desnutrida da Avril Lavigne. Eu ainda fico com a velha guarda…

Por muito pouco que o maior show nacional deste ano não é o da Êivriu…

Em Música por Marcelo Masili - 6 de setembro de 2005

Agora que eles confirmaram, eu pergunto:
Alguém NÃO vai?

Uma atitude inteligente, sem dúvida

Em Vidinha por Marcelo Masili - 5 de setembro de 2005

Saldo final depois do primeiro dia sem MSN no serviço:

- O tempo em que eu podia conversar e trocar idéia com as pessoas (o que em termos de criação – área da qual faço parte – é minimamente essencial, uma vez que se você não tem contato com o mundo exterior seu leque de conteúdos reduz-se drasticamente) agora é gasto com viagens ao bebedouro, idas ao banheiro e coçação de virilha. Lembrando que isso aqui não é uma agência e atendemos a um único cliente – e interno – foi sem dúvida uma decisão inteligentíssima.

Fora que agora eu tenho umas cinco vezes mais vontade de escrever (suspiros).

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