Masili neles!

Torcendo no Oscarzão

Em Cinema por Marcelo Masili - 27 de fevereiro de 2005

Ah, o Oscar. Sempre aquela babação de ovo da Academia, que exclui um monte de filmes bons e premia os Blockbusters preferidos e milionários falados em inglês. Acabei de ver que a Globo preferiu o Big Brother a mostrar os 5 primeiros prêmios da noite (o que só aumenta meu ódio a essa merda de elefante que vocês tanto amam). De qualquer forma, premiaram o meu favorito a ator coadjuvante (Morgan Freeman, por Menina de Ouro), o que reduz um pouco a minha raiva.

(Detalhe – estou assistindo e escrevendo, e acabei de notar que a Globo está com seríssima deficiência em acompanhar as piadinhas do Chris Rock. Ai, que saudade do SBT…)

(Detalhe dois: O Aviador está dando um passeio. Eu não assisti ao filme, portanto não posso comentar. Mas assisti ao Ray e ao Menina de Ouro, e estou torcendo por ambos)

(Detalhe três: um babaca acaba de dedicar a festa ao US Army, que está “defendendo as cores do nosso país…” – ô povinho de merda esse norte-americano…)

Já que o prêmio de animação já foi pr’Os Incríveis e não para Shrek 2 (que deveria chamar Burro 2), que fique claro que minha torcida da noite continua sendo para:

Melhor Filme: Menina de Ouro
Melhor Ator: Jamie Foxx, em Ray
Melhor Atriz: Hillarie Swank, em Menina de Ouro
Melhor Trilha: Counting Crows (Accidentally In Love), em Shrek 2

Eu não assisti uma caralhada de filmes, mas o que assisti gostei, e portanto torço. Claro que eu sei que amanhã vou acordar puto com as injustiça dessa porra, mas que fique claro que eu tinha uma opinião e uma inocente torcida aqui por trabalhos de qualidade.

Ah, e Diários de Motocicleta já levou um nabo e vai levar outro. Afinal, por melhor que seja o filme, lá eles não falam espanhol. Azar – o deles.

Divino

Em Cinema por Marcelo Masili - 13 de fevereiro de 2005

Existem as lendas, as fábulas, os contos de fada, as biografias, e as histórias. Mas alguns caprichos divinos às vezes misturam um pouco isso tudo e acabam entregando a certas pessoas um destino simplesmente inacreditável. Escrito nas estrelas com passagens pelo inferno, o destino de algumas pessoas parece ter sido esculpido de forma única por alguém capaz de te apontar o dedo e dizer: “Você vai fazer História”.

E assim foi com Ray Charles Robinson.

Pelo amor de Deus, que filme é esse? O Jamie Foxx teoricamente faria o papel “do homem”, mas o desempenho dele como Ray Charles vai muito além de mais uma interpretação de um ator em um filme. Os cenários, a ambientação, a edição e as inserção das músicas num contexto geral… tudo é perfeito. Mas eu juro: isso é o que menos importa. Estamos falando da história de Ray Charles, e isso não é qualquer coisa.

Não mesmo. Olhando a infância de Ray, você não sabe se ri (pela forma como ele aprendeu a tocar piano, pelo amor que tinha pelo irmão e pela mãe, pela pureza de uma infância que se passa na primeira metade do século passado) ou chora (por tudo o que acontece com ele durante a vida – da morte do irmão à cegueira, a exclusão, as drogas e os golpes).

É uma história magnifica, sofrida, intensa. Longe do heroísmo atribuído a alguns grandes ídolos, Charles foi antes de qualquer coisa um ser humano – que se encantou por dinheiro, que amou sua família (mas que nunca foi fiel), que sacrificou grandes amizades por valores pessoais e que não teve medo de encarar sua maior dificuldade (citando o filme, “não se tornou um aleijado por ser cego”).

Mas é claro que ainda falta uma coisa: a música. Se você não conhece Ray Charles, se não sabe quem é um tal de Quincy Jones (o encontro de ambos beira o surreal – e alguns não acreditam em destino…), se quer começar a entender o que foi esse cara pro mundo, pelo amor de Deus – assista o filme! É um batizado digno de catedral, tal o gigantismo da obra desse cara!

Não dá pra definir Ray Charles como lenda, mito, fábula, ou qualquer outra coisa que extrapole os limites humanos. Talvez seja melhor lembrar desse mestre ouvindo seu piano nervoso, sua voz rouca rasgada e principalmente, sabendo que por trás de cada álbum lançado por ele havia um homem. De carne, osso e com muito coração – e talvez aí esteja uma grande injustiça: caras como Ray Charles não deviam morrer.

Tem dia que é noite

Em Vidinha por Marcelo Masili - 10 de fevereiro de 2005

São aqueles dias em que nada dá certo. Que começam bem e terminam muito mal. Em que a gente dorme cedo pra poder acordar logo, crendo que foi tudo um pesadelo. Pois é, dias assim acontecem. E não escolhem as vítimas: se merecem ou não sofrer suas conseqüências.

E como toda boa desgraça, devasta. Machuca (os que ficam e os que causam), traumatiza, detona. Lá se vai mais um punhado de alegria, de esperança, de sonho. Caímos de boca em mais um dia da realidade – aquela que é feliz para uns, e injusta para outros. O equilíbrio entre alegrias e tristezas que faz de nós, seres humanos, fantoches bizarros nas mãos de alguém muito maior e que não costuma seguir roteiros tradicionais.

Que amanhã os castigados sejam outros. Que as lágrimas não sejam mais as minhas, e que outros errem no meu lugar. E não adianta falar que isso é pessimismo ou egoísmo, que o sentimento é ruim ou coisa desse naipe. Tem dias em que a gente ganha, e outros em que a gente perde. E quando perde muito, chega a hora em que a gente manda a seriedade pros quinto dos inferno e parte pra uma vida um pouco mais Rock N’Roll…

…que por sinal, já começou.

3 minutos x 3 anos

Em 3minutos por Marcelo Masili - 8 de fevereiro de 2005

Há exatos 3 anos estamos aqui: eu, minha diabinha e esse monte de divagações, opiniões e pensamentos. O 3 minutos hoje está fazendo aniversário, e vale uma rápida recapitulada desse bloguezinho resistente e enjoado…

Começamos apenas para desabafo. Um período em que eu estava sem emprego, pronto pra começar minha faculdade e sem nenhuma idéia do que aconteceria naqueles próximos dias. Resolvi escrever, com a certeza de que ninguém perderia tempo lendo minhas palavras – com isso, matava duas coisas de uma só vez: exercitava meu prazer em escrever e poupava ouvidos vizinhos das minhas lamentações. E foi assim que surgiu este blog… exatamente com essas linhas logo abaixo:

“dia 08 – sexta-feira

Primeiro texto. Sempre é difícil começar alguma coisa com a qual vc nunca teve contato… mas show. Botar as idéias por escrito é o que rola…

Neste momento devia estar na praia (onde reinam meus interesses), mas a falta de grana e uma iminente gripe – ou algo do gênero – me obrigaram a ficar em São Paulo. Com isso, fico confinado ao Carnaval, que eu tanto abomino… é brincadeira o país esperar as festas acabarem pra começar a funcionar… mas não faz mal.

Filmes do dia:
- Fenômeno (SBT)
- A Lista De Schindler (SBT)

Espero que as coisas comecem a melhorar. A Avatar começou a me pagar o que deve. Neste momento, qualquer centavo é bem-vindo… a uma semana de iniciar a faculdade meu momento não é dos melhores… mas como quem não luta não vence, vamos continuar…

…tomara que passe logo…”

Os tais ciclos da vida, meu caro. Cá estou eu, hoje, empregado mas sem dinheiro; coração ao Deus-dará; entediado com o Carnaval e tentando buscar nas palavras os meus novos caminhos. Engraçado como as coisas mudam de nome, de lugar, de jeito, mas a essência praticamente não se move.

Claro que os textos melhoraram MUITO (sem falsa modéstia). Não existiam comentários – que só foram inseridos depois de alguns e-mails insistentes de uns malucos que passaram a ler minhas linhas todo santo dia. A coisa foi tomando vida sozinha, e cá estamos hoje, levando essa brincadeira pra frente.

Já se passaram 3 anos. Momentos de muita alegria, de muita tristeza, e entre piadas e textos dos mais profundos (saídos brutos do peito mesmo) que muita gente surgiu por aqui. Novos amigos, um namoro maravilhoso, paixões frustradas, inimigos, amizades perdidas e depois reencontradas, e grandes histórias. A força dessa página está na sua essência… no gosto que eu tenho de hoje poder ouvir o que vocês pensam sobre essas micro-historinhas de 3 minutos de duração, que são relatadas ou propostas por aqui quase que diariamente.

Já tentei parar de escrever por um punhado de vezes. Todas, sem o menor sucesso. Escrever é um vício, e saber que isso reflete e por vezes aproxima pessoas traz um prazer e um tesão enorme pra cá. Esse vício não causa efizema pulmonar ou câncer de pele, mas sim uma alegria enorme em poder saber que hoje também faço parte – mesmo que pouco – da vida de cada um dos que passam por aqui, e vice-versa. A todos vocês, um pedacinho desse bolo.

Sessão da Tarde

Em Vidinha por Marcelo Masili - 7 de fevereiro de 2005

Uma coisa que cada vez mais fica evidente pra mim: a gente não é estranho. Não, ninguém é estranho. A gente FICA estranho, é diferente. A gente pensa demais na vida, fica divagando sobre problemas, angústias, coisas que a gente vive louco pra falar e pra fazer (e por algum motivo, não faz). Aí inventa de começar a falar difícil, bota uma música deprê de fundo e fica achando que todos os problemas do mundo são culpa nossa, ou estão sobre a nossa cabeça.

Tá, as coisas não são fáceis. Mas pra quê complicar tanto? Pra quê ficar com esse monte de pensamento guardado, de vontade enrustida, de desejo não-realizado? Vá atrás…! Ligue, escreva, ouça, fale, faça alguma coisa! Não perca mais cinco segundos que são capazes de te abrir mais e mais portas, outros caminhos e alguns sorrisos bacanas. As coisas são mais fáceis do que parecem. É só a gente não ter medo de botar a cara pra frente e se fazer feliz – mesmo que por alguns instantes.

É, deu vontade de escrever alguma coisinha bacana aqui hoje. Sim, porque entre Ronaldo Ésper (quem é esse fresco??) e reprises dos desfiles de ontem, eu fico aqui tentando ser um cara um pouquinho mais legal e interessante do que esse monte de cocô.