Masili neles!

…e antes que eu me esqueça:

Em Umbigo por Marcelo Masili - 26 de outubro de 2004

Misture-se uma voz ainda MUITO rouca devido ao show do post abaixo, pouquíssimas horas de sono, toneladas de trabalho (prazeroso, que se diga isso), bons momentos de alegria em sua forma mais simples nesses últimos dias e um punhado de bons cd’s. E aí eu apareço. Com poucas palavrs na cabeça, os pensamentos têm se ocupado em obedecer prazos, encontrar saídas bacanas e aproveitar as pitadas de alegria que a vida disfarçadamente joga em cima da gente. Tem dado certo. E a vida segue, e a gente continua descobrindo que ainda não descobriu nada sobre ela…

Du-ca-ra-lho…

Em Música por Marcelo Masili - 21 de outubro de 2004

Como um bom show é medido pela falta de voz e quantidade de articulações e ossos que doem no dia seguinte, posso dizer que o show de ontem foi MUITO BOM! E sim, em All I Want eu quase morri, pois eu AMO essa música…! Ficamos colados na grade – provavelmente o show em que eu mais fiquei perto do palco até hoje. A cover de Blitzrieg Bop do Ramones foi memorável, Come Out And Play foi simplesmente inacreditável e Gonna Away foi linda! E sim – tiramos MUITAS fotos. Abaixo, um resumo rápido dessa quarta-feira fria e extremamente barulhenta!

Setlist do show:
(se você não liga, dane-se – eu vou gravar um cd dessa coisa)

01. Neocon
02. The Noose
03. All I Want
04. Come Out And Play
05. Long Way Home
06. Walla Walla
07. Hit That
08. Gone Away
09. Worst Hangover Ever
10. Have You Ever
11. Bad Habit
12. Gotta Get Away
13. Da Hui
14. Why Don’t You Get A Job?
15. Americana
16. Staring At The Sun
17. Want You Bad
18. The Kids Aren’t Alright
20. Pretty Fly (For A White Guy)
19. Can’t Get My Head Around You
21. Blitzkrieg Bop(Ramones cover)
22. Self Esteem

E enquanto isso, no site oficial da banda:

Sao Paulo, Brazil (Dexter)
10/20/04

Hey everybody, what‘s going on? We just got done with the show tonight in Sao Paulo. It was great. Brazil is one place we really look forward to coming to because the crowds are insane! Must be a football/soccer thing. It still amazes us that we can come to a place so far away, where we don‘t speak the language, and still have such great shows. So far we‘ve been to Buenos Aires and Porto Alegre. The tour has been awesome, not to mention the beer. We had Brazilian barbeque here with so many kinds of meat, I‘m not sure of everything I ate. Not for vegetarians, but if you are on Atkins, you‘ll love it. Nice people and great weather here too. This is our third time in South America and it never lets us down. Six shows to go and we‘re looking forward to it. This is our last official tour on this record, so we will be home soon for a while. But thanks to all of you who came out and saw us – it was an incredible year. I can‘t believe we‘ve been to twenty five countries. If you missed us, fly to Orange County on Nov. 14 and see us there.

Enfim um show decente este ano!

Em Música por Marcelo Masili - 20 de outubro de 2004

Se você não vai no Chemical Brothers nem no São Paulo x Santos hoje, compre sua cerveja e venha pular com o povo hoje! E como todo bom show, estamos aqui em nosso momento de preparação.

Mas tio Marcelo, que preparação?

Ora garotinho, preparação! Ouvir exaustivamente todas as músicas da banda, decorar os refrões, procurar as últimas setlists da turnê, guardar o dinheiro pra cerveja, mobilizar os amigos e fazer uma caravana barulhenta até o show, combinar quem vai ficar na fila pra gente poder furar decentemente assim que chegar, e coisas desse tipo. E este post provavelmente continua amanhã, com fotos da bagunça que estamos armando…

À prova de sensibilidade.

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 18 de outubro de 2004

O post de hoje era pra ser sobre a maravilha armada por Quentin Tarantino em seu Kill Bill Vol.2. Você volta pra casa todo empolgado, pronto para falar sobre esse filmásso, e sem querer acaba deitando um pouco na cama e assistindo a um trechinho do Fantástico.

E se alguém fez o mesmo que eu, já sabe sobre o que virá nas próximas linhas deste textinho de 3 minutos de leitura.

Reportagens sobre desigualdade social sempre são um chute no estômago quando são bem-feitas (apesar do fato da Globo ter pego um momento no mínimo “oportuno” pra mostrar seu parcialismo político, descendo o pau em alguns partidos justamente em época de eleição, quando seu dever seria denunciar toda e qualquer sacanagem o tempo todo, de qualquer um que fosse, tal o seu alcance perante a população).

E aí você vê como os “planos de governo milagrosos”, como o Bolsa Família (especificamente neste caso) possuem um projeto próximo a uma piada; como os responsáveis por certas áreas do nosso país são ignorantes, prevendo controles eletrônicos integrados em rede em pleno sertão brasileiro*; como todos somos corruptíveis em um país onde cada oportunidade não tem cara, mas sim vantagens. E vimos o show de crianças desnutridas, de desencontro de informações, de dito pelo não dito e de toda a calamidade que insistimos em esquecer quando aparecem os gols da rodada.

*Nós, metropolitanos, eletrônicos e urbanizados, sequer imaginamos o que seja essa realidade tão absurda que nos parece ficção. Não imaginamos a vida sem nossas regalias, o dinheiro sem o nosso valor e a comida fora de nosso prato. E nos culpar por erros de terceiros até parece heresia – afinal, ao que parece a culpa de todos os erros desse mundo sempre é nossa.

Mas quando percebemos que até nossa comoção pode ser dividida em antes e depois dos comerciais, a insensibilidade do ser humano me faz sentir medo. Medo que se alguém não começar a pensar em mudar o que parece impossível, em refletir sobre milagres eleitoreiros (sem explicações sobre verbas, gastos e orçamentos que nunca parecem suficientes), em notar que mais interessantes do que ataques pessoais ou rixas de interesses devem ser as propostas e PROJETOS para a melhoria deste país, vamos acabar levando tudo pra cucuia de vez…

Não é possível que continuemos omissos e conformados sobre a derrota de nossa própria memória e que congratulemos nossa apatia a cada nova manhã. Os empregos são escassos, os benefícios são medíocres e restritos, as oportunidades inexistem e qualquer melhoria em nossas vidas beira ao impossível. Nada comparável às belezas e proezas que somos capazes de retratar em nossa arte – poesia, música, esporte, festejos – que insistem em mostrar que nosso povo é um dos mais resistentes à tamanha calamidade humana.

Que não seja esta denúncia a única. Que não nos deixemos acostumar com tais desgraças, e que possamos ver até onde podemos mudar alguma coisa. Que este texto não seja mais um entre tantos, e que possa causar um mínimo de reflexão ou de revolta em você. Pois só quando somos provocados, de fato partimos para a ação – mesmo que essa ação comece pelo seu voto.

Ponto. Parágrafo, na outra linha, travessão.

Em Vidinha por Marcelo Masili - 15 de outubro de 2004

Ultimamente este blog foi assolado pela síndrome do “não sei o quê escrever, mas sinto tanta coisa que preciso pôr pra fora”. Estranho, pois raras foram as vezes que o 3minutos ganhou caráter tão introspecto quanto nesses últimos dias.

E é engraçado que escrever dessa forma me faz sentir de um certo modo culpado. Sim, pois sei que minha vida não interessa pra ninguém. Eu não leria um livro sobre mim, e além do mais, detesto biografias…! Mas apenas pensar dessa forma não foi suficiente, e hoje recebi um texto que trata exatamente disso, e que seria bacana que vocês, quase 3 freqüentadores daqui, dessem uma lida. O autor lidou de uma forma que há muito eu gostaria de ter encontrado a maneira de abordar os blogs como ultra-exposições pessoais. Coisa que me incomoda pacas, e que ironicamente eu ando fazendo ultimamente.

Portanto, após uma rápida (e eficiente) autocrítica, decidi que mesmo que os textos fiquem um pouco mais escassos, ao menos chegarão de forma muito mais interessante. Sim, pois não se pode misturar alhos com bugalhos – e nem deixar que determinados acontecimentos guiem nossa vida eternamente. Se a intenção é sempre crescer, talvez essa seja uma boa hora deste blog refletir o que há de positivo aqui, para mim e para todos.

E é isso aí.

Em Umbigo por Marcelo Masili - 13 de outubro de 2004

Porque um dia não é igual ao outro. Porque nossa vida não é previsível, e o guarda-chuva de hoje de manhã já não é mais necessário ao fim da tarde. Porque esse planetinha esquisito não pára de rodar e deixar a gente tonto. Porque estamos cada vez mais perto do fim, e sempre querendo começar algo novo. Porque sempre queremos falar, e nem sempre conseguimos nos fazer ouvir. Porque precisamos escutar, mas estamos sempre com pressa de seguir em frente. Porque não conseguimos viver sem essa zona, essa confusão, esse barulho todo. Porque precisamos de tristeza para sermos felizes. E porque estamos vivos.

A pequena história do parafuso de rosca infinita

Em Umbigo por Marcelo Masili - 12 de outubro de 2004

(sem conotação sexual)

Quando somos crianças, não aprendemos a sonhar.

Mas sonhamos. Com paraísos feitos de doce, com gols no time de futebol da escola, com um fim de semana na piscina, com o primeiro olhar e o primeiro sorriso da garotinha de tiara vermelha. Somos felizes pelo simples fato de viver, e brincar nada mais é do que externar essa nossa felicidade em forma de sonho. Queremos pegar, pular, passar. Queremos crescer logo para que os obstáculos não pareçam mais tão grandes.

E crescemos.

E aprendemos, nos educamos, vencemos e perdemos o tempo todo. O tempo que some de nossas mãos e nos vemos cercados de velhas fotografias, de bilhetes escritos pela metade e imediatamente rasgados. De memórias parciais e de coisas misturadas. O que queremos e não queremos, entre os sonhos e os pesadelos. A vida já não é mais azul e e nem os dias são tão longos. O ano agora é feito de dias, e não de tempo. Sabemos contar, olhar, desejar, escapar. Sabemos viver.

Não?

Não, quando nos damos conta que passamos a nos preocupar muito mais do que sonhar. Que agora coisas como rancor, indiferença, frustração, ciúme, impaciência, intolerância e outros sentimentos perfeitamente repugnantes vivem colados ao nosso peito. Que convivem pacificamente com coisas boas, mas que quando tocados se manifestam de forma feroz. Nos devoram, e a tudo que nos pertence sem que sequer notemos. São quase soberanos – domináveis, mas com os quais devemos tomar cuidado o tempo todo, ou atacam.

Sim – mais uma preocupação.

E então os sonhos se tornam confusos, as distâncias voltam a parecer enormes, os obstáculos aumentam, e nos sentimos pequenos novamente. Se fosse um retorno à nossa infância, talvez soubéssemos o que fazer, já que os pequenos não se importam de ralar um joelho ou arrancar uma farpa ao se meter numa enrascada. Será que temos uma solução pra nossa própria vida? Será que ao escrever esse texto, eu pensava que depois de vomitar alguns parágrafos, chegaria a um fechamento digno de aplausos para um pensamento tão difuso?

É nesse labirinto em que às vezes nos perdemos. Essa vida que não nos faz feliz o tempo todo. As dúvidas que cercam nossa cabeça, e o desejo eterno de soluções imediatas. Ao final de alguns dias de um relativo descanso, o prazer chegou em linhas perdidas neste pensamento sem nenhuma dúvida ou conclusão. Sim, porque viver não precisa de perguntas e respostas, mas sim de ações, e do eterno encontro com o alívio de nos livrarmos dos nossos próprios monstros.

A volta das Pinturas Negras

Em Formula 1 por Marcelo Masili - 8 de outubro de 2004

Depois de algum tempo de estiagem, um dos melhores trabalhos da Faculdade Anhembi Morumbi de Design Digital (sim, porque modéstia existe, mas isto é um fato) volta a estar online. O finado grupo 7Monstros homenageou o genial pintor espanhol Francisco de Goya com um recorte de suas obras no período das chamadas Pinturas Negras. Se você quiser conhecer um pouco mais dessa história e viver o clima sombrio e introspecto, em um dos períodos mais conturbados da vida deste gênio, acesse o link abaixo e deixe-se levar…

E as eleições, que eu nem abri o bico – já foram?

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 5 de outubro de 2004

Pra quê perder tempo falando de política, falsas esperanças, vitrine de marqueteiros e oportunistas de plantão, zoológico de palhaços que tentam falar 50 palavras em 3 segundos, ataques e contra-ataques regados de mentira e interesse, omissões oportunas, direitos de resposta?

A laia continua e continuará a mesma, enquanto este povo não for unido e não se gostar. Não aprender a acompanhar essa corja de safado, e parar de se influenciar por migalhas ou nomes conhecidos. Uma nação que se sente inferior continuará tendo governantes de quinta categoria (e não que os yankees levem muita vantagem nesse ponto, mas eles são alienados demais pra entender isso).

Se você acha que as coisas vão mudar com o seu novo prefeito e com o seus novos vereadores, que tal acompanhar (e o mais importante – cobrar e punir a cada proposta não-cumprida. Bom, isso quando eles têm alguma…) esses caras de perto? Se informar um pouco além do Jornal Nacional, parar de ter preguiça de ler e ver quanta grana entra no bolso desses caras por mês?

Quando a gente fizer isso (e pra mim isso beira à utopia), aí sim teremos exercido o tal voto consciente. Porque por enquanto, muda a merda – mas o cheiro continua o mesmo.

E só pra não mudar de assunto…

Em Música por Marcelo Masili - 4 de outubro de 2004

…eu vou.

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