Masili neles!

A anarquia ainda é minha utopia

Em Trabalho por Marcelo Masili - 31 de agosto de 2004

Existe uma coisa mais difícil do que se fazer um trabalho complicado: fazer um trabalho RUIM. Acredite, a nossa capacidade de fazer cagada é incomparavelmente menor à de alguém que chega na sua mesa e diz que quer algo “menos literal do que seu último trabalho” (ou seja, que te chama de burro educadamente, se é que isso é possível).

Pior ainda para nós, candidatos a designers (uma profissão que quase ninguém entende direito pra que serve), que temos que ouvir um “por que você não troca esse amarelo por um roxinho?”, ou ainda “eu não entendi bem o que é isso que você fez – eu tenho uma versão desse trabalho lá em casa que eu mesma fiz e adorei!”

Nessas horas gloriosas que eu agradeço por não ter porte de arma e realmente precisar deste emprego… elelê.

Chega de migalhas

Em Esporte por Marcelo Masili - 30 de agosto de 2004

E não é nada contra o país. Eu nem cheguei a comentar os Jogos Olímpicos por aqui por alguns motivos óbvios: a falta de tempo anda evidente por aqui (a cada novo semestre a faculdade castiga mais e mais – e olhem que ainda faltam dois, sem contar este), mas o que realmente me fez deixar de lado a Olimpíada por aqui foi um motivo simples:

- Brasileiro adora se contentar com pouco.

E não me venham com essas de que eu sou cruel, sou ruim ou o diabo a quatro. Simplesmente não dá pra admitir que um país de mais de 160 milhões de pessoas não consiga desempenhar um papel esportivo decente. E não é culpa dos atletas, mas sim dessa cambada de safado que interrompe a sua novela meia-hora por dia de segunda a sábado.

Ninguém investe em base, e vamos aos poucos formando uma população cada vez mais alienada, necessitada, faminta e sem perspectivas. Um desemprego assombroso, uma desigualdade enorme e cada vez mais absurda. Claro que dentro de um quadro desses, não há como esperar mais do que pouco. Qualquer pequena vitória parece monstruosa, pois as dificuldades de vida para um brasileiro parecem cada vez maiores.

E eu vibrei com o vôlei. Adorei a prata da seleção feminina de futeba (verdadeiras guerreiras, essas foram pra lá com um uma mão na frente e outra atrás), os bronzes, enfim… Claro que os Jogos são maravilhosos, que a gente torce como se fosse uma Copa do Mundo. Mas não dá pra aguentar uma Glória Maria falando do nosso desempenho Olímpico como se fosse motivo de orgulho. Não é.

O brasileiro tem que parar de se contentar com pouco. Não somos idiotas, não nascemos pra perder, chegar em terceiro ou segundo. Não somos piores que os americanos, os australianos ou qualquer povo com cabelos loiros e olhos claros. Temos que parar de fazer cara de coitado, e enfiar o dedo nos olhos de quem atravessar na nossa frente, mesmo que esse alguém seja um irlandês de saias.

Até quando vamos continuar com essa cara de coitadinhos? Já que os engravatados não fazem nada além de falar seu nome, seu número e pedir seu voto, sejamos mais independentes e façamos do nosso jeito. Cooperativas, ONG’s, o que seja – o fato é que enquanto nossa molecada continuar como malabáris em semáforos e malditos continuarem matando e espancando sem-teto de madrugada e permanecerem impunes, este país continuará disputando nossas pequenas alegrias com países bem menores e menos desenvolvidos do que o nosso.

Se o que há de melhor no Brasil é o brasileiro, que tal tratá-lo como produto de primeira linha ao invés de refugo de liquidação?

Bons dias (microconto despretensioso)

Em Umbigo por Marcelo Masili - 13 de agosto de 2004

Ele acordou depois de ter vivido o melhor dia de sua vida. E ao lavar o rosto, teve a brilhante idéia de todos os dias viver da mesma forma, fazer as mesmas coisas, falar com as mesmas pessoas e cumprir os mesmos horários.

Pois muito bem. Serviu-se de pão com manteiga (manteiga na parte de baixo, do pão cortado ao meio), de uma xícara de café com leite com duas colheres e meia de açúcar. Lembrou-se que acidentalmente dois farelos de pão caíram sobre a xícara no dia anterior. Não se fez de rogado e raspando a casquinha com a unha, fez com que exatos dois farelos boiassem sobre o café com leite.

Colocou a mesma roupa do dia anterior, os mesmos sapatos e saiu para o trabalho. Seu ônibus atrasou, como de praxe, mas aquilo era lugar comum em seu dia-a-dia, portanto não deu a menos importância ao fato. Assim que sua condução chegou, subiu e notou que o coletivo estava vazio…

- Não vou sentar! Viajei de pé ontem, hoje vai ser a mesma coisa! – afirmou o confuso e obstinado sujeito. E não fazendo-se de rogado, viajou o percurso inteiro agarrado ao poste próximo à catraca. Todos os quatro ocupantes do ônibus observavam o maluco de pé sem entender o porquê daquilo.

Chegou no escritório. Cumprimentou o porteiro, a moça do cafezinho, mas não a secretária. Ela não estava lá naquela hora no dia anterior, portanto deveria ser ignorada. Não existia, não fazia parte do seu dia perfeito. Resgatou os e-mails enviados ontem e reenviou cada um deles. Resolveu cada problema duas vezes. Almoçou novamente feijoada, mesmo sendo quinta-feira. E pediu ao garçom um suco de laranja.

- Mas me traga um de melancia.
- O senhor quer de melancia ou de laranja?
- De laranja, mas me traga o de melancia. Assim eu posso reclamar novamente, do mesmo jeito que fiz ontem. E aí você acerta, ok?
- …

E foi assim durante todo o dia. Todos os problemas foram novamente resolvidos, as notícias revistas e comemoradas (seu time havia goleado o Urutu de Bom Sucesso por 5×1), e com “tantas coisas boas acontecendo novamente” foi satisfeito para casa.

Chegando lá encontrou sua esposa sentada em frente ao sofá. Seu filho, com febre e tossindo, estava deitado no sofá da sala. Assim que entrou em casa, seu sorriso deu lugar quase que instantaneamente a um semblante desolado. Não era pra ser assim, ele não estava doente ontem. Por que todos dias não podem ser como ontem? Por que as coisas pioram?

E assim que concluiu esse pensamento, olhou para os olhos do filho. Assim que o garoto viu o pai em casa, parou de tossir e abriu um enorme sorriso no rosto. Você pode cuidar de mim! – ele disse. E saltou do sofá, jogou longe o cobertor e correu para os braços do homem que viveu o mesmo dia duas vezes até aquele momento.

E esse mesmo homem notou que seria besteira continuar com tudo aquilo. Pois no abraço de seu filho, no sorriso tímido de sua mulher ele percebeu que todo aquele esforço de tentar ser o mesmo de novo de nada adiantaria. Por mais que repetisse tudo, que as coisas se encaixassem e que todo dia fosse igual, dia perfeito MESMO é aquele que você termina assim:

- Feliz.

Difícil é mostrar o coração em palavras

Em Vidinha por Marcelo Masili - 4 de agosto de 2004

Vamos nós novamente tentar explicar o inexplicável…

Ontem aconteceu no Clube o que chamam de “dia da Qualidade”. É aquele dia em que algumas empresas (e clubes, neste caso) param suas atividades normais para fazer algum evento de motivação, auxílio ou outras benfeitorias para seus funcionários. Iniciativa das mais nobres e cada vez mais raras – e que ontem trouxe motivos para reflexões não só minhas, mas de qualquer pessoa que tivesse um mínimo de alma.

Reflexão tão grande que desde ontem à tarde venho tentando encontrar as palavras certas pra tentar descrever de que forma as palavras e a “situação” do palestrante nos comoveu. E sinceramente, eu tenho a impressão que não conseguiria fazer isso, por mais que tentasse.

O fato é que acabamos tendo uma lição de vida ao vivo. Lição de superação, de auto-estima e de como minimizar todos esses problemas que insistimos em “inventar”. Quando você vê um cara que ficou praticamente a vida inteira preso numa cadeira de rodas, que tem uma vida movida a medicamentos e altas doses de auto-motivação, que possui uma doença degenerativa de caráter irreversível, e mesmo com todos esses problemas essa pessoa consegue te trazer uma PALAVRA POSITIVA, você olha pro próprio umbigo e vê o quanto não valorizamos nossa forma de viver.

A gente complica DEMAIS a nossa própria vida, cara! Por que não se dizer que se gosta quando se gosta, por que não pedir desculpa quando se pisa na bola, não ter a humildade de baixar a cabeça às vezes, ter medo de mostrar a cara? Não temos tanto tempo assim não… Por que não ser feliz hoje, pra aí sim ser feliz amanhã? Como planejar o teto da tua casa se hoje você não colocou nenhum tijolo? A vida é composta de diversos “hojes” – somente o que você muda hoje vai te ajudar amanhã… Como disse Janis Joplin, “it’s all the same fuckin’ day, man…!”

E talvez por isso a gente só funcione e mude com os tapas na cara que a vida nos dá. Ontem foi dia de uma chacoalhada das mais pesadas, mas sem dúvida, das mais válidas. Exemplos como desse “rapaz” não nos devem trazer pena, dó ou qualquer sentimento mesquinho desses. Mas sim ver nesse cara um vencedor, um verdadeiro espelho que mostre que devemos sim lutar por tudo o que acreditamos, mostrar o lado mais simples da vida e encontrar alegria em cada uma das pequenas coisas boas que fazemos. E é isso: quem faz o bem tem o bem de volta. Não é troca – é compensação.

O barbudinho lá de cima é bem irônico, mas sabe mandar as lições nas horas certas, e cada uma com o peso que a gente pode aguentar. Só mesmo na dificuldade que enxergamos o como podemos ser grandes…

À galera que organizou esse evento, um MUITO OBRIGADO. Lições como essa a gente deveria enxergar o tempo todo, mas somos cegos demais e egoístas demais para olharmos para o lado de vez em quando e enxergarmos nas vitórias alheias um espelho e um combustível para que busquemos as nossas!

Turbo post

Em Cinema por Marcelo Masili - 2 de agosto de 2004

Rapidinho….

Assisti a Fahrenheit 9/11… Duca! Assistam e comprovem que George W. Bush é um chimpanzé de terno e que estamos mais próximos do holocausto do que imaginamos. Mas não vão ao KINOPLEX, na Rua Joaquim Floriano (Itaim/SP) onde a meia-entrada à noite de sexta é OITO CONTO!! Um roubo (tudo bem que a sala de cinema faz o UCI ou o CINEMARK parecerem um GameBoy… mas nenhum cinema vale tanto!

E este post é express pra dizer que hoje eu volto às aulas! Sim, e bonito, pois enfim me liguei que faltam pouco mais de 1 ano pra eu acabar essa joça e pela primeira vez em minha vida sentir o doce sabor do poder aquisitivo! Claro, isso se ninguém tiver a brilhante idéia de me pôr na rua no meio do caminho. Mas é só eu não xingar de novo a secretária do presidente aqui do Clube que isso não acontece…

Deu tempo! Ufa!
Amanhã, um post mais caprichadinho! Fui!