Masili neles!

O açougue – e o sucesso ao seu alcance

Em TV por Marcelo Masili - 28 de julho de 2004

Começando: estou gripado.
Fuck.

As minhas férias acrescentaram alguns assuntos que provavelmente eu desconheceria se estivesse fazendo algo de bom além de ficar brincando com meu site. Dentre uma gama infindável de opções na TV (será que eu disse isso em tom irônico?), destaca-se o já tradicional Video Game com a Angélica (um poço de cultura), os filmes da Sessão da Tarde e TODA A PROGRAMAÇÃO DA MTV. Pois muito bem – chegamos no ponto de discussão.

De todas as bizarrices que a MTV aprontou para a “geração Charlie Brown Jr”, uma é especialmente de dar medo… um programa da MTV americana chamado “I Want a Famous Face”. Explicando aos não-interados:

- Uma equipe da emissora acompanha uma pessoa que quer passar por uma bateria de cirurgias plásticas e reconstituições estéticas pra ficar parecido com alguém famoso. Essa é a função do programa.

Aí você pergunta: que função? E eu respondo que não sei o que eles da vida com essa porcaria. Assisti a 3 episódios, e fiquei chocado com a obsessão desses verdadeiros “personagens de um mundo-cão”, que buscam o sucesso profissional (sim, era essa a justificativa das mesmas 3 pessoas para as cirurgias que são mostradas no programa) se mutilando e olhando em seguida para a foto do “ídolo-espelho”. Uma tremenda babaquice.

Cada um com sua opção, meu amigo – até aí tudo bem. O que pega PESADÃSSIMO é que a MTV mostra uma carnificina de forma gratuita. Mas o mais grave não são as imagens, típicas de um açougue. O que pega mesmo é tratar lipoaspiração, injeções de gordura e silicone e retalhações como se aquilo fosse a Disneylândia da estética! Tudo é mostrado de forma “engraçadinha”, sem a menor preocupação de expor os riscos que cada uma das alterações no corpo pode proporcionar. Aparecem os bisturis, seringas, luvas cirúrgicas e pedaços e mais pedaços de carne sendo retalhados, costurados e implantados.

Ao final do programa, leva-se a “mensagem” de que realmente a cirurgia satisfez ao imbecil que se dispôs a mudar daquela forma, e dá-se a idéia de que a vida antes dela era muito mais infeliz e sem sentido.

Eu não sei nem o que comentar sobre isso. Por sinal, acho que foi exatamente por isso que quis fazer da minha opinião sobre essa verdadeira bizarrice algo público – gostaria muito de saber se só eu me impressiono com essas coisas, ou se o mundo de fato endoidou de vez…

A conversa do eu com o eu mesmo

Em Vidinha por Marcelo Masili - 26 de julho de 2004

Comprovadamente a melhor maneira de enlouquecer é conversar sozinho. Não, falar sozinho – que tanta gente afirma que é coisa de maluco – até ajuda. Consuma-se a “loucura” (entre aspas, claro – é um sinônimo de perda de parâmetros entre razão e divagação, neste caso em especial) no momento em que você começa a se perguntar sobre tudo e todos, das suas ações mais sérias até o fato do seu cordão do sapato direito desamarrar o tempo todo.

Neste momento, temos três fases para se chegar à loucura:
- a auto-pergunta;
- a auto-resposta;
- e a auto-contestação.

E aí, meu amigo, f****. Porque você confunde a certeza com a dúvida e as variantes da dúvida. E essas variantes levam você a outros pontos que sequer haviam passado pela sua cabeça, e que mudam completamente o conceito da primeira idéia. Acha difícil? Experimente. Qualquer convicção que você tenha ganha ares de labirinto, e quanto mais você pensa, mais as coisas se misturam e você se perde.

Não quer dizer que todo ser humano seja louco por natureza e que não possa indagar a si mesmo sobre qualquer tipo de coisa. Mas o fato é que quanto menos a gente ocupa a cabeça, menos práticos nos tornamos. Normalmente em situações que necessitam de uma resposta rápida a gente apela pra um negócio chamado “instinto” – e cujo caminho normalmente não passa pela cabeça, mas sim pelo peito. É o tal feeling, a nossa maneira de optar rapidamente por aquilo que sentimos – e aí sim concluirmos que estamos “fazendo o óbvio”.

Ser prático não abona nem desabona a autocrítica. Temos sim que nos contestar sobre tudo o que fazemos, mas tomar cuidado pra não nos perdermos em nosso próprio labirinto. O maior desafio de qualquer pessoa é se conhecer por completo – e nem sempre, mesmo vivendo plenamente toda a nossa vida, a gente consegue isso. Pode não parecer, mas seguimos o mesmo caminho de nossas três fases de “loucura”, sendo ou não divagadores.

Leia um livro, ouça um cd, leia outdoors no congestionamento, mas por favor: movimente essa coisa cinza, mole e molhada que fica balançando aí de dentro da sua cabeça. Não é à toa que dentro do labirinto morava o Minotauro*…

*(Não sabia dessa? Mitologia grega é isso aí…)

Cabeça vazia é casa do capeta. Exorcise os exus que existem em você!

Hora de ir em frente (e ao lado)

Em Vidinha por Marcelo Masili - 23 de julho de 2004

Um par de luvas, cinco horas e meia de ônibus, mais uma hora com outro ônibus, um prato de sopa, vidros embaçados aos dez graus cruéis da cidade de São Paulo. Ouve-se neste fim de noite fria de um dia 22 de julho, saindo da boca de um Marcelo duas frases emblemáticas:

“Descobri que todos nós somos muito sozinhos.”
“As poucas vezes que chorei em minha vida foram revolucionárias.”

E esse Marcelo* não era eu.

* em entrevista a Antônio Abujamra (Provocações/Rede Cultura)

Nos últimos dois dias sai de cena um namorado e entram três outras pessoas: o irmão, o pai e o amigo. Sim, e todos com o mesmo nome, que é igual ao do namorado. A história continua diferente de todas as outras, porque as pessoas são diferentes de todas as outras. Dessa vez não vai haver melancolia, pois não é um fim de uma história, mas apenas um outro capítulo de algo que ultrapassa os limites daquilo que a gente se acostuma a viver.

O fato é que hoje não é dia de lágrimas. E nem dia de “mudanças”. Aquilo que é real acontece e continua acontecendo. Em cinco horas e meia de viagem a gente pensa, reflete, sente o que machuca e o que afaga. E ao final de tantos pensamentos, sabe que é hora de estender a mão, respirar fundo e continuar a caminhar.

As duas frases?

“Descobri que todos nós somos muito sozinhos.”
E é justamente por sermos sozinhos que buscamos alguém. Eu não preciso mais buscar esse alguém, mas sim acompanhar seus passos e tentar fazer de seus caminhos os menos tortuosos possíveis, para que a gente possa se reencontrar novamente lá na frente.

“As poucas vezes que chorei em minha vida foram revolucionárias.”
Não, não foram poucas. Mas talvez agora seja hora de guardá-las para as horas que sejam inevitáveis. Porque agora, agora é hora de arregaçar as mangas, olhar ao redor e ver que ela continua lá, linda e única como sempre – e talvez, contando mais do que nunca comigo.

Exatamente por isso eu me recuso a entregar esta madrugada gelada à melancolia. Prefiro sim que estas palavras comecem um novo dia, em um novo capítulo de uma história cujas próximas páginas ainda são uma enorme incógnita, mas que já estão repletas de carinho, esperança e dedicação. Por sinal, nada mais justo de se entregar a quem me ensinou o que é de fato SER FELIZ. Agora, é hora de retribuir, plantar novas sementes e colher os frutos na hora certa.

Vinícius de Moraes via nas lágrimas a sua poesia.
Eu vejo nas minhas o meu crescimento.

A história continua. Desvios de percurso ocorrem, mas o meu caminho continua sendo a felicidade. Quem a me proporciona eu também já sei quem é. O que me resta é seguir, crescer, e voltar pra estrada lá na frente – a mesma estrada que até agora eu segui e que me fez feliz e realizado desse jeito.

Agora, meu amigo, É BATALHAR.

Uma semana para conquistar

Em Vidinha por Marcelo Masili - 19 de julho de 2004

Nesta madrugada de segunda-feira debaixo de chuva e muito frio, a semana começa pronta pra ser ganha. O que eu quero dizer com isso? Que não há hora melhor pra recomeçar aquilo que não anda bem e não deixar fugir aquilo que se quer. E um dos meus grandes objetivos dessas férias tem hora marcada pra acontecer:

Terça-feira, dia 20, é dia de estréia do meu novo site.

E, se Deus quiser, será uma de muitas boas notícias nesta semana.

Dias de luta

Em Vidinha por Marcelo Masili - 18 de julho de 2004

As férias valem o mesmo que um saco cheio de ar. Esse pensamento me ocorreu por algumas vezes nestas últimas duas semanas. Nunca gostei de férias no contexto de descanso, preguiça, ou toda aquela síndrome de Garfield que paira nas pessoas quando vêem um tempinho livre. E percebi que em grande parte do tempo meu maior percurso nestes tempos de folga era da cama à escrivaninha, e vice-versa.

Vendo por esse lado, certamente neste momento estaria deprimido e me sentindo o cara mais monótono desse mundo. Não que isso seja uma mentira, mas ainda acho que posso trazer muita coisa boa ao mundo além deste par de olhos…!! (risadinha sarcástica) Bem… voltando…

Além das tradicionais tarefas que deixamos pra fazer nas férias, temos que explorar outros meios de prazer: redescobrir a música, a estante e seus livros empoeirados e até mesmo o silêncio. Redescobrir uma vontade das mais antigas de comprar uma guitarra preta, que estava escondida entre todos aqueles sonhos que eu cismo em sonhar e me esqueço ao acordar – e que pelo jeito, continuarei sonhando até algum dia, quem sabe. Procurar a minha tatuagem entre sites, ruas e esquinas dessa cidade que mais parece um continente; andar calmamente entre suas ruas, galerias no centro e sentir que ninguém que vive por aqui pode ser monótono, pois nenhum paulista é mentalmente são até que se prove o contrário.

Talvez nestas duas das três semanas em que me dei o direito de acordar e dormir na hora que bem entender, nem tudo tenha sido desperdiçado. Trabalhei (e trabalho) incessantemente no meu site, em outros projetos dos mais importantes para mim (mesmo não sendo para mim), estudei e li muito, e sinto que estou precisando escrever. Talvez para ordenar a minha cabeça, pra conversar comigo mesmo, sei lá. Só sei que essa falta de estrada e de saídas me deixa angustiado em querer fazer com que tudo ande, que as respostas surjam e que os sorrisos voltem. Nada é tão simples como a gente quer, e é muito difícil encarar a vida de cara limpa e peito aberto. A ebulição do dia-a-dia repleto de “prazos e tempos” que não te pertencem não deixam que sua cabeça funcione para você mesmo.

Pra quem nasceu com duas semanas de antecedência, tem pressa até na hora de falar, detesta burocracia, filas e outros atrasos, e é prático ao extremo, essas três semanas de encontro comigo mesmo têm sido longas demais…

…e eu não consigo ficar parado. A ponto de estar enfim terminando de escrever este post às 2h55 da manhã. Inquietação é isso, e nenhum trabalho é demais quando se quer tanto um resultado bom, e uma vida mais tranquila. Talvez para que daqui a um ano, as férias não precisem ser exatamente desse jeito.

Dedinhos médios para cima, todo mundo…!

Em Ilustração por Marcelo Masili - 16 de julho de 2004

E aí que eu acabo de saber que DEUS vai lançar um longa. Simplesmente sublime, algo que não merece um post, mas uma lágrima de alegria. Ou melhor: duas…

No início, o meu sonho de infância era ser como o Mauricio de Sousa. Aí você cresce e passa a querer ser como o Angeli. Essa é uma prova irrefutável da evolução das espécies – este sim é o cara ácido, e um ótimo espelho pra quem quer ver a sociedade com olhos críticos e conseguir rir de toda essa podridão que enfiam pela nossa garganta.

Da política à putaria, o cara dá um show. E se você não é um inveterado pela obra do cara como eu sou, saca só UMA das milhares de tiras/cartoons que ele manda.

Na boa, dá pra ficar indiferente?

Eu não me levava tão a sério assim…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de julho de 2004

Tava lendo agora umas coisas que escrevi há dois anos atrás. Cara, que engraçado… não sei, mas os textos são típicos de um cara que não dava a mínima pra porra nenhuma de neca de pitibiriba. Por sinal, se eu não estou enganado, naquela época eu planejava parar de escrever depois de três semanas. Que três semanas? Ora, as próximas três semanas… (qualquer que fossem)!

Sei lá, cara. Não sei se era menos trabalho, mais disposição ou até o fato daquele momento ser movido a baladas, estar só começando a faculdade e estar estreando no meu atual trampo. Tinha mais gosto de falar de mim – coisa que hoje em dia eu já não curto tanto: acho umbiguista demais. Pô, se eu não gosto de ficar vendo fofoca dos outros vou ficar aqui gerando as minhas? Fala séeeerio…

É engraçado você olhar pra trás e se ver rindo da sua própria irresponsabilidade: contando histórias sobre noites de bebedeira com o maior orgulho do mundo, ler sobre “amigos” que você jamais teve notícias novamente e falar sobre lugares que você nunca mais voltou. E ver que nada disso ficou perdido, pois agora muitas dessas coisas ainda são motivo de risada, porém, por outros motivos…

E o mundo deu mais de 700 voltas ao redor de si mesmo, e aqui estou eu. Mais careca (preciso ver isso), mais responsável (notei há pouco tempo) e um pouco mais sério…

Será?

Acho que o que realmente aconteceu foi que as brincadeiras mudaram. Os riscos são outros, e a saia da mamãe está cada vez mais distante. Não, a gente não fica mais sério com a idade. A gente simplesmente fica mais seguro, adquire um negócio estranho chamado responsa e acaba se preocupando mais com as coisas. Encontrar esses textos trouxe uma sensação gostosa de coisas que foram boas e que se foram, e de que realmente a cada giro desta bolinha azul cheia de água e de chinês a gente vai mudando, ou ficando tonto – eu sempre detestei gira-gira…!

Rápido e decidido

Em Umbigo por Marcelo Masili - 4 de julho de 2004

Fica o recadinho, e a certeza de que as coisas estão mudando:

É isso galera. Daqui a pouquinho MUITA NOVIDADE por aqui. E por todos os lados.

De férias…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 3 de julho de 2004

…e sem descanso. Pra quem pensa que férias significa “parar tudo”, saiba que estamos a 330W por aqui. Pesquisando, fazendo e aprendendo pra poder voltar melhor ainda. Se existe hora pra crescer, é esta. Portanto, não estranhem novidades por aqui. E serão muitas.