Masili neles!

Eu sou pobre demais pra esse lugar

Em Brasilidades por Marcelo Masili - 25 de maio de 2004

Você vê o grau de futilidade de um Shopping quando, ao passar por ele, não consegue fazer coisas básicas como:

- comprar um cd;
- procurar uma camiseta que não seja de grife;
- ir ao cinema.

Pois bem – é LÓGICO que eu estou falando do Shopping Iguatemi. Fui procurar UM cd (comum, popzão, desses que você normalmente acharia em qualquer lugar) e nada; procurei também um “tipo de camisetão” – coisa besta, fácil também de se achar. Nada. Por fim, estava a fim de assistir hoje ao “Diários de Motocicleta” do Walter Salles. Advinha? NADA!

Agora, se eu quisesse comprar um cd de tequinera européia, comprar uma blusa da Diesel ou assistir a um blockbuster qualquer da vida (coisas que a “grande maioria do povo brasileiro” pode fazer sempre…), esse é o lugar! Definitivamente a elite ocupa os espaços urbanos em espaços cada vez maiores, e os pé-rapados vão sendo jogados pra dentro do bueiro.

É… aquele futuro do O Demolidor está cada vez mais próximo mesmo…

Cabeças e mãos

Em Faculdade por Marcelo Masili - 22 de maio de 2004


Confira o hotsite do projeto Head & Head

O silêncio acabou porque o trabalho acabou…

…e no final das contas, dessa vez deu tudo certo. Em um grupo de 3 pessoas onde os prazos naturalmente foram curtos sempre, conseguimos fazer o nosso trabalho. Bem-feito, conceituado (a verdadeira vocação do design), simples, objetivo e bonito. Dessa vez não relatei a evolução do nosso projeto da faculdade por aqui por pura e simples falta de tempo.

Fizemos um clip. De 3 a 5 minutos (e sem relação direta com o nome deste blog), com ambientação 3D, falando sobre o movimento artístico e social chamado Arts & Crafts (Artes e Ofícios), que surgiu na Inglaterra durante o século XIX. Quem sabe em breve eu não esteja disponibilizado este vídeo no meu novo site (que começou a sair do papel hoje) pra que vocês possam dar uma conferida.

Interando aos não-designers, ou a quem não sabe o que estou falando. Tratamos de temas como Revolução Industrial e seu impacto social, as relações trabalhistas e sobre todos os elementos que levaram William Morris a iniciar esse movimento, que buscava o resgate do prazer do trabalho àqueles que o executam.

Prazer no trabalho. O ofício como expressão de satisfação pessoal. Não seria isso exatamente o que todos nós buscamos hoje em dia? Não fazer do trabalho uma dor, mas um prazer? Essa visão já se manifestava há mais de um século, e agora você pode saber um pouco mais sobre ela. Um clip conceitual, não-linear, musical. Esse não foi nosso trabalho nos últimos 4 meses. Foi nosso prazer.

Toelho e Frangão, valeu! Conseguimos!

(Post dedicado aos componentes do meu grupo da faculdade, e a todo mundo que de alguma forma influenciou ou ajudou a gente nesses últimos e longos meses. A todos vocês, meus mais sinceros agradecimentos galera…)

Só falta descarregar!

Em Faculdade por Marcelo Masili - 20 de maio de 2004

As últimas semanas têm sido tipicamente como devem ser as semanas de quem faz faculdade à noite e trabalha durante o dia: infernais. Não sei se vocês lembarm que no semestre passado postei aqui por diversas vezes reclamando, stressado e puto da vida. Pois bem, neste semestre nada disso aconteceu, e meu grupo de 3 pessoas (contando comigo) está sobrecarregado de coisa pra fazer, mas estranhamente BEM.

O nosso trabalho deste semestre (um videoclip de animação), apesar de extremamente trabalhoso e com prazos apertadíssimos, está ficando pronto – nosso deadline é amanhã. Dessa vez, rolou um “gosto” pelo trabalho, foi feito com muito mais prazer do que o anterior… e tudo isso por quê? Porque houve respeito.

E eu ainda boto fé que trabalhar com tesão dá muito mais resultado do que qualquer outro tipo de método. Gostar do que se faz só pode trazer coisa boa…

- Mas tio Marcelo, por que você tá falando tudo isso?

Porque depois desse trabalho, amiguinhos, EU ESTOU LIVRE ATÉ O INÃCIO DE AGOSTO! Ou seja, vou poder me dedicar um pouco mais à minha própria vida! Será que eu estou feliz????

Que dúvida…!

Mais algumas linhas

Em Umbigo por Marcelo Masili - 18 de maio de 2004

Escrever funciona muito mais como uma forma de expressão. Por vezes é diversão, por vezes desabafo, por vezes um alívio, por vezes apenas palavras.

E eu nunca encarei escrever como uma atividade séria, tampouco imaginava que algum dia alguém leria aquilo que escrevo, e menos ainda que alguém pudesse gostar. Pois bem, aconteceu – e isso virou um vício.

E exatamente hoje eu, se pudesse, escreveria durante o dia todo. Porque parece que tem muita coisa na minha cabeça, rodando perdida e procurando por um papel em branco (ou uma tela vazia – falando em “termos tecnológicos”). É uma inquietação estranha, uma espécie de necessidade de desafogar o que está dando errado e tentar encontrar nas palavras as respostas praquilo que anda “engripado”. Mistura de tensão, ansiedade, desejo e saudade.

Costume de falar sozinho é pra loucos, mas da mesma forma que escrever, é uma necessidade. Ouvir a si mesmo, encontrar as respostas em nós mesmos para podermos evoluir. Seguir em frente às vezes significa parar um pouco pra arrumar a casa. Tirar a sujeirada da gaveta, devolver as coisas boas aos seus lugares e mudar o que está dando errado.

Não sei o porquê de ter escrito este texto, mas precisava falar.
O silêncio definitivamente me incomoda.

E ainda comi macarrão com provolone!

Em Trabalho por Marcelo Masili - 18 de maio de 2004

Completando o post de baixo e atendendo ao pedido do nosso amigo Diego:

- Vou explicar o que cazzo aconteceu aqui no sábado passado.

Acho que todo mundo sabe que eu trabalho neste Clube aqui. E sábado rolou a eleição do novo Conselho Deliberativo daqui (velhinhos, muitos velhinhos disputando). E eu estive participando da equipe de apoio da parada. Por sinal, ganhei uma camiseta pretona com APOIO escrito gigante nas costas – coisa de segurança de boate, presencíssima.

Bom, o dia começou às 7h30 (acordar às 5h30 num sábado beira a um pesadelo!), com um monte de gente tentando descobrir o que iria fazer na eleição. Ficou definido que 80% dos “convocados” iria bancar o guarda de trânsito (“por aqui à sua esquerda, senhor”, “mais ao fundo existem outras cabines, senhora”, etc.) enquanto o restante ficaria como mesário.

Eu fui guarda de trânsito. E até que foi divertido… a merda foi ter que ficar de pé o dia inteiro. Bom pra saber quanto sofrem os porteiros, guardinhas e outros caras que conheço que não têm direito a banquinho. Velhinhas e velhinhos ficaram maravilhados com o sistema eletrônico de votação daqui (que é diferente das eleições normais, mas não menos bacana). Algumas peruas e tiozões entraram e saíram sem olhar pra cara da plebe aqui, mas quem anda de meia arregaçada, tênis branco e shortinho enfiado no rêgo em dia de chuva como eles estavam não merece o menor respeito. Dei risada até gastar…

Fiquei no salão das eleições até umas 15h30, quando me liberaram. Voltei ao escritório para esperar o resultado das eleições para poder publicá-los na internet. E aqui fiquei, até as 19h, quando a lista chegou. Enquanto isso, por extrema falta do que fazer, coloquei esse pequeno desabafo de duas linhas aí debaixo.

Esclarecido o ocorrido, vamos trabalhar? Urgh, vamos.

São 6h25 da tarde…

Em Trabalho por Marcelo Masili - 15 de maio de 2004

E eu tô NO TRAMPO ESPERANDO UM E-MAIL!
(Deus do céu – o que eu tô fazendo aqui????????????)

Não custa nada tentar…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 14 de maio de 2004

Não sei se é por excesso de perfeccionismo, mas uma coisa que me broxa DEMAIS é ter que fazer alguma coisa “malfeita e rápido, só pra acabar logo com o problema”. Deve ser algum tipo de mal pessoal, e eu explico…

É a mesma coisa que você precisar sair em casa, e na pressa fazer qualquer gororoba pra comer. O resultado normalmente são aquelas placas de arroz grudento, feijão aguado, bife mal passado e só. Aí você come mal pra burro, e sai sonhando com um cheeseburger gordurento e gordo. Matou a fome, mas faltou o sabor…

Com criação é a mesma coisa. Você usa de todos os meios, conhecimentos e experiências anteriores só pra fazer um negócio legal, e mesmo sabendo que dificilmente “tanta ousadia” vai agradar, você tenta – cercado de argumentos e justificativas. Pra nada – o cliente quer mesmo aquele rascunho tosco que você fez na correria só pra fazer número…

Não sei se todo mundo ainda pensa em dar o seu melhor (sem significados pejorativos) naquilo que faz. Eu ainda tenho muito gosto em PODER PENSAR, mas parece que é cada vez mais cômodo partir pro óbvio ao invés de tentar renovar as coisas. E isso é uma coisa estranha demais…

…será que eu to ficando doido? Dã.

(nota do Masili – tô a quatro dias com o mesmo case de cd’s.Alguém tem uma idéia de coisa legal pra se ouvir? Não aguento mais ouvir a mesma coisa!)

Não é por falta de assunto…

Em Vidinha por Marcelo Masili - 12 de maio de 2004

Sabia desde abril que maio seria um mês complicado. Sem feriados, eventos importantes aqui no Clube, entrega de trabalhos de conclusão de semestre na Faculdade. E eu acabei assim, perdido entre pilhas de papel e cd’s jogados por todos os cantos. Mas hoje estranhamente a maré baixou. As coisas parecem ao menos um pouco menos confusas, e uma paz estranha tomou conta de tudo por aqui. E eu voltei – a pensar, escrever e viver. Isso é muito bom, uma sensação que até tinha esquecido um pouco de como era…

Às vezes a gente precisa fazer uma faxina (higiene é bom e namorada e mamãe gostam muito…). E hoje foi dia de jogar a papelada fora, andar mais devagar e pelo outro lado da rua, procurar os amigos e ligar pra casa depois do almoço. Troquei os cd’s e resolvi fazer uma coisa que muitos de nós quase sempre esquece, mas que dá uma paz e um alívio enorme quando fazemos: olhar pro céu. É uma coisa estranha, te dá a sensação de sentir o quão pequenos nós somos perante todo o resto das coisas desse mundo…

Não é nenhuma filosofia barata, e nem bebi água de privada hoje. Simplesmente senti falta de ser um pouco “eu pra mim”. Senti falta de estudar (e já li muito hoje sobre coisas que gosto), de escrever (e por isso estou aqui, tentando me redimir da “ausência” deste canto) e de viver uma vida um pouco mais “saudável”. Às vezes a gente fica tão preocupado com dinheiro (ou melhor, com a falta dele), com prazos (que quase sempre não são de fato “o monstro” que enxergamos) e com problemas que acabamos indo parar lá embaixo, e ao invés de pensar como subir, ficamos desesperados.

As luzes por vezes aparecem. Nem sempre pra nos cegar, mas sim pra nos fazer enxergar. E com espírito renovado, é muito bom estar de volta… definitivamente. Por isso, um bom dia, bons planos e boas perspectivas pra todo mundo (por sinal, “bons” nada – as melhores!). Espero que um pouco da luz que chegou aqui se espalhe por aí e ajude a quem tá precisando. E não se preocupem – foi só um momento mais difícil, mas NUNCA que o 3 minutos vai virar muro de lamentações, muito pelo contrário!

Hora de voltar a dar risada, galera…!

Filmásso…

Em Cinema por Marcelo Masili - 9 de maio de 2004

Momento “pipoca e cinto de segurança”:
Kill Bill

Filmes do Tarantino sempre me trazem problemas: não saber até que ponto levar sério, descobrir o que é proposital e o que é erro, tentar advinhar qual será a próxima piada e pretar atenção nas trilhas sonoras – tudo isso ao mesmo tempo. E é exatamente isso o mais legal em toda a obra do Tarantino…

Kill Bill não foge à regra. Realmente a Uma Thurman não tem cara de assassina (nesse ponto eu concordo com a Su), mas essa é a graça! Ela é tão doente quanto o Tarantino, e conceber esse filme ao lado do cara acabou rendendo uma das melhores sessões de cinema que peguei ultimamente.

Sim, o filme “acaba no meio” (e não venham com comparações àquela bosta do Matrix). Ele (Tarantino) simplesmente não aceitou cortar nenhuma sequência do filme e por isso dividiu KB em volumes 1 e 2. É daqueles filmes pra você assistir com baldão de pipoca na mão, sem medo de rir com os absurdos e vibrando a cada cena de luta – uma mais sensacional do que a outra. Tudo exagerado, escrachado, engraçado! Difícil é tentar descrever, porque o filme é muito bom… e a trilha sonora – pra variar – é matadora. E ao final do filme (que passa super rápido), a vontade de assistir ao KB2 é gigantesca!

Espero que ele nunca ganhe um Oscar. Aquela Academia cheia de velhos medalhões não merece um cara tão legal quanto ele. Por sinal, ele e o Michael Moore poderiam fundar uma outra Academia – essa sim, para filmes legais e documentários politicamente incorretos…

Mini-texto

Em 3minutos por Marcelo Masili - 6 de maio de 2004

Não é nenhum abandono, galera. Ando realmente correndo muito por aqui, e a tendência é de que este mês de maio realmente seja infernal. Mas tocamos o barco e vamos em frente – precisava dar uma satisafação para os meus quase 4 leitores de que não fui seqüestrado, nem mutilado a ponto de não poder mais escrever.

Depois do desabafo no último post, muita gente entrou em contato e meio que se “solidarizou” com a minha atual situação. Faz parte galera… acho que ninguém aqui não sonha em trabalhar por conta própria, arcar com seus próprios problemas (e não os que os outros criam) e enfim tomar conta da própria vida. Esse também é o meu objetivo, e tenho certeza de que ainda chego lá. Mas por enquanto, preciso deste emprego – não tem jeito: posso dizer que ele é “estável”, remunera o suficiente para que eu possa ajudar em casa, pagar algumas das minhas contas e manter minha faculdade – esta sim, minha grande prioridade no momento. Apesar de por algumas vezes as coisas saturarem por aqui, por grande parte do tempo elas fluem até que calmamente.

Mas somos humanos, e não temos o tempo todo a paz que por vezes aparece para a gente. Segunda-feira eu explodi. E querem saber? Foi ótimo. Pois às vezes precisamos de uma chacoalhada para enfim fazermos alguma coisa por nós mesmos. E é o que estou fazendo.

Daqui a duas semanas (após a entrega do nosso trabalho interdisciplinar na faculdade), eu estarei movimentando o novo 3 minutos. Meu site pessoal também está com um projeto cada vez mais consistente, e pintará em breve. Além disso, tudo o que já foi escrito neste blog vai estar disponível pra vocês. Nada vai se perder, mas ficará clara a mudança que estamos aprontando por aqui.

Este é o post número 200 deste 3 minutos versão 2.1. Mais do que qualquer outra história que eu pudesse contar por aqui, queria mesmo era passar pra vocês o que está acontecendo, o que ainda vai acontecer e agradecer por esses dois anos e alguns meses de novas e excelentes companhias, amizades e um namoro cada vez mais lindo. Tudo isso saiu daqui, e espero que muito mais ainda possa pintar – para mim e para vocês.

Valeu galera!

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